Quarta-feira, 11 de Agosto de 2010
por João Rodrigues


Podem ler um excerto do último livro de Tony Judt (1948-2010), uma bem argumentada defesa moral de uma “social-democracia do medo”, na New York Review of Books: “A natureza materialista e egoísta da vida contemporânea não é inerente à condição humana. Muito do que hoje consideramos natural data dos anos oitenta: a obsessão com a criação de riqueza, o culto da privatização e do sector privado, as crescentes disparidades entre ricos e pobres. E, acima de tudo, a retórica que as acompanha: a admiração acrítica pelos mercados sem limites, o desprezo pelo sector público, a ilusão do crescimento sem fim.”

Actualização. Simpática mensagem da Edições 70: "Este livro terá tradução portuguesa por Edições 70 no início de Novembro, com o título 'Um Tratado sobre os nossos Actuais Descontentamentos'"

por João Rodrigues
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9 comentários:
Johny boss
Eia, de 1942-2010, não diz aí que morreu ontem com 62 anos, que foi um soldado valente da causa e guerra de Israel contra os povos à sua volta, nem a defesa intransigente da guerra do Iraque, até à visão nova que apresenta, diferente do que li, isto promete, John Judt, bem pode dizer-se, viveu a vida como poucos, se lhe provou tantas andanças. E sobre as mais facetas que fui lendo, até regozija a descoberta de um tal homem como reconvertido, à vista, quem sabe, de excessos que bem conheceu.

deixado a 11/8/10 às 01:03
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Este livro terá tradução portuguesa por Edições 70 no início de Novembro, com o título "Um Tratado sobre os nossos Actuais Descontentamentos"

deixado a 11/8/10 às 12:29
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PJ
João Rodrigues,
Ao ler o post, e por falar em "normalidade", lembrei-me de certas coisas, e gostaria de ver um artigo mais aprofundado, ou um post, sobre o que se tem passado nos últimos anos, desde a reforma da Segurança Social feita ainda na anterior legislatura, às alterações ao Código do Trabalho, até às novas regras na atribuição das prestações sociais, para falar de coisas objectivas e quantificáveis, até uma análise mais aprofundada (uma análise, ainda assim, seguramente mais qualitativa) sobre os novos discursos cheios de "inevitabilidades", e que consideramos "natural" (que, como o descrito na citação do livro, não sao tão naturais assim). E pior que tudo: como é que chegamos aqui, de "invevitabilidade" em "inevitabilidade", sem grandes contestações sociais, completamente resignados e até amedrontados?

deixado a 11/8/10 às 15:01
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Cross
As pessoas devem fazer o que está certo e não o que os outros lhes dizem que está.
E o primeiro passo para se começar a fazer o que está certo é questionar tudo o que, aparentemente, comumente aceite, tão natural e incontestável parece como a sede.
É preciso que cada um se meta a dar passos em direcção à sua própria independência e autodeterminação começando por uma ponta visto que o que há a contestar e a relativizar, felizmente, quando toca a escolher, dá pano para mangas.
Preciso mesmo de ter um carro?
Tenho necessidade de trocar o meu carro que tem 5/6/7 anos...e que funciona bem só porque entretanto aparecem modelos de carros mais in?
Comprar uma casa é ou não a melhor solução, no meu caso?
Afinal, verdadeiramente, de quantos pares de calças preciso e de quantas camisas e casacos e sapatos etc. etc, etc, para andar "decentemente" vestido e calçado?
Preciso mesmo (sou assim tão feliz com isso) de jantar fora com a família, aquelas 4/5/6... vezes por mês?
E quanto a telemóveis, tenho mesmo estrita necessidade de trocar de telemóvel as vezes que o tenho feito?
Será razoável gastar os últimos euros que tenho só para poder passar uns 15 dias de férias no Algarve (para depois poder dizer a todos que lá estive)?
Sendo as férias para descansar, será que não consigo encontrar locais de qualidade onde posso ter umas boas férias sem dispender tantos recursos?
Gosto de ser pobre? se não gosto porque faço tudo o que posso para permanecer assim?!
Aqueles que hoje são objecto da minha admiração/inveja porque são ricos (tendo um dia sido pobres como todos os outros) terão pensado e agido como eu, no seu percurso da pobreza à riqueza?
...
São tantas as perguntas que até mete nojo.
Desliguem a televisão. Melhor, liguem-na só para ver e aprender o que importa (certamente que não a enxurrada de telenovelas, os intermináveis concursos idiotizantes, os prós e contras e quejandos que só pretendem manipular-te...)
Leiam mais, mas não os autores frescos e cor de rosa que contam umas tretas inúteis e sem qualidade.
Afirmem publicamente (no grupo, no trabalho, na vizinhança...) a vossa individualidade sem hesitações para que todos vejam que não são apenas mais uma ovelha branca dócil e obediente no rebanho.
...
Não tenham medo da ameaça de segregação. Pensem que, ao contrário do que dizem, mais vale rodeado por poucos e lúcidos do que acompanhado por manadas indiferentes.
...
Abram os olhos e parem de engolir o trote que os gajos do markting politico/social, pagos a peso de ouro, ao serviço de interesses obscuros, vos querem fazer engolir.
Dediquem mais horas ao trabalho e tornem-se mais produtivos. Criarão mais riqueza para vocês próprios e para os outros também.
...
A felicidade está no ser e não no ter como te querem fazer crer, para que passes a tua vida a estourar cada tostão que ganhes. Porque cada tostão que saia da tua carteira vai parar à deles (os tipos do markting, das grandes multinacionais dos diversos sectores desde as confecções ao calçado, passando pelos produtos de beleza...) que assim ficarão cada vez mais ricos enquanto tu permanecerás teternamente pobre.
...
Saudações
Cross

deixado a 11/8/10 às 15:42
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João
Parece um padre. :)

deixado a 11/8/10 às 17:13
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Cross
lololol
Padre?!...Não és capaz de ir mais além do que isso?!...nada do que contém o comentário te intertessa?!...

deixado a 11/8/10 às 22:33
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Johny boss
Mr. Cross, você é tal um sábio ponderado, honesto.
Original de pensamento e fluente a dizê-lo que dá gosto.
E contudo nem evita a repreensão que toca a maioria da gente, se não aqui, ali, se não por isto, por aquilo, que se experimenta.
Sem ofensa, porque tem carácter e está certo.
A minha admiração sincera.

deixado a 11/8/10 às 22:35
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Johny boss
Ainda sobre Tony Judt, sobre que notas soltas me deixaram algo dividido, fui ver, curioso, e saí fascinado do homem como do autor da História da Europa desde 1945.
A quem lhe interesse valerá a pena o caminho.
http://www.publico.pt/Cultura/morreu-o-historiador-tony-judt_1450485

deixado a 11/8/10 às 23:28
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GESTRUNDINO MALAQUIAS DO COIRO CALHAU
A opção política será um pendulo constante entre o controlo da ganância e do laxismo despesista de dinheiro alheio.

Quem conseguir controlá-los será um adepto de políticas de extremo-centro.

Cumprimentos.

deixado a 20/8/10 às 21:28
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