Quinta-feira, 23 de Setembro de 2010
por João Rodrigues


"Está decorrer na FIL a 3ª edição do Portugal Tecnológico. Para quem não conhece, trata-se duma mistura de feira de negócios de empresas tecnológicas, de montra do melhor se faz em Portugal – em termos empresariais e também de políticas públicas (sim, na administração pública portuguesa há quem, competentemente, prossiga objectivos de política industrial) – e, obviamente, de mais um momento de propaganda governamental (...) Quando analisamos a evolução da balança de produtos transformados deparamos-nos com uma realidade bem distinta: a importação de bens de alta e média alta tecnologia correspondeu em 2009 a 12,8 mil milhões de euros, enquanto a exportação do mesmo tipo de bens ficou-se pelos 7,2 mil milhões. Ou seja, o saldo do que poderíamos chamar “Balança de bens tecnologicamente intensivos” apresenta um valor negativo de 5,7 mil milhões de euros (...) Que a economia portuguesa é sobre-especializada em sectores de baixa intensidade tecnológica não é novidade. E a recente redução do peso das exportações mais intensivas em tecnologia apenas traduz a dependência histórica que temos de uma mão cheia de multinacionais no que toca a tecnologia avançada (cujos resultados recentes se limitam a reflectir a crise internacional). E nada disto deverá menorizar as dinâmicas de inovação que se vão vislumbrando no tecido económico português e que, aqui como noutros países, têm beneficiado de uma acção empenhada de algumas agências públicas."

Ricardo Paes Mamede

por João Rodrigues
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4 comentários:
Rui F
Estou uma vez mais de acordo com a vossa “visão” para a economia.

A desindustrialização Nacional dos tempos modernos – após a entrada na união - começou efectivamente durante o reinado de 1º ministro de sua Excelência, a Rainha Aníbal.
Que eu me lembre a única coisa boa – no sentido de mais valia tecnológica - que aconteceu foi a AutoEuropa mas infelizmente, após 20 anos continuamos APENAS “montadores” de automóveis, coisa que os marroquinos e alguns países do Leste muitíssimo mais bem preparados tecnologicamente que nós, o fazem mais barato
O cCvaquismo ainda simulou um evento hilariante e campónio: o POSAT! Por onde andará esse satélite Luso??? Têxteis e calçado floresciam à conta da precariedade e do baixo salário. O Futuro hoje é aquilo que se vê.
Queimaram-se barcos e os grandes “agricultores” do Alentejo – os sugadores efectivos do subsidio Europeu – começaram a andar de JEEP e máquinas “agrícolas” afins. Hoje a terra Alentejana degrada-se a tal ponto, que já existem milhares de hectares irreparavelmente “mortos” e petrificados.
Os Espanhóis começaram a vir cá pescar para nos fornecerem os mercados de “jaquinzinhos” e petinga. Era moda, porque havia dinheiro, comprar tudo lá fora.
Era chique para um país há muito pouco tempo colonizador.

Hoje o nosso défice é total.
Não temos capacidade de sobrevivência com os nossos próprios meios. Nem temos capacidade para produzir para comer. Em país nenhum da Europa se vêm os campos abandonados: NENHUM! Julgo que os proprietários nem os podem abandonar sob pena de levarem “talhadas” absolutas, dos Estados.

É uma absoluta vergonha o campo em Portugal abandonado e toda uma economia Agro Alimentar que se perde.
Tempos pouca capacidade para produzir Trigo devido ao clima? Que se produzam pastagens e forragens e se opte por criação de Ovinos, Suínos, Caprinos.
Andamos a importar forragens, Ovinos, suínos, salsichas, lacticínios...

TORNA-SE URGENTE colocar em marcha políticas que devolvam os campos às pessoas que querem e podem trabalhar.

È preciso fazer baixar o juro - para que serve a banca pública??? - a quem quer investir para produzir da terra, bem como para a industria alimentar.
O mesmo se aplica ao mar: actividade piscícola e reparação/construção naval.

Fala-se em Exportar mais...e que tal começar por importar menos, produzindo muito mais?

deixado a 23/9/10 às 18:29
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Bolchevike
O Sócrates mais parece um cigano a vender banha-da-cobra na Feira da Ladra...

deixado a 23/9/10 às 19:54
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TUGA53
Aqui, no "Arrastão", parece-me nunca ter estado tão de acordo:
1º - Com a análise económica feita por João Rodrigues;
2º - Com o excelente comentário de Rui F.

deixado a 24/9/10 às 22:36
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da Maia
Tal como o Tuga53, estou em total sintonia com o comentário do parente Rui F, e quase com o texto citado pelo João Rodrigues.
Quase... porque a situação é bem pior do que ali se coloca.

- As exportações de tecnologia fazem-se via multinacionais, mas é de forma inibidora.
Ou seja, essas empresas instalam-se não apenas com o fim de investimento produtivo, mas muito mais com a ideia de implantação de marca no mercado nacional. Uma vez isso conseguido, conquistada uma cadeia de dependência de produtos, podem partir para outras paragens se quiserem...
Diz-se então - deixam "competências formadas"... uma ova!
Só se forem competências de obedecer numa estrutura e a competência de fazer Legos mais sofisticados, com livros de instruções.
A prova disso é simples - quando essas empresas se vão embora, não há ninguém formado com competência para repegar na empresa de raiz e fazer o mesmo, ou semelhante... mesmo que tivesse dinheiro!

deixado a 25/9/10 às 04:27
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