Segunda-feira, 27 de Setembro de 2010
por João Rodrigues


Uma fracção das nossas elites suspira por Angela Merkel e pelo FMI. É como se quisessem ver a economia portuguesa definitivamente canibalizada pelos representantes dos bancos internacionais, dos credores.

Geralmente, são os mesmos que nos colocaram nesta situação, apoiando um processo de integração monetária que, na sua configuração concreta, se revelou desastroso para a economia portuguesa. Os mesmos que aderiram à ruinosa moda das privatizações de sectores estratégicos, reconstituindo grupos económicos viciados nos bens não-transaccionáveis. Os mesmos que acham que basta liberalizar porque o mercado trata do resto. A "mão invisível" é invisível porque não existe, como disse Joseph Stiglitz.

O resto da crónica pode ser lido no i.

por João Rodrigues
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23 comentários:
É só fumaça

deixado a 27/9/10 às 11:33
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Todos falam do mesmo, mas ninguem quer ver...

A OCDE lançou hoje um documento em que diz que Portugal precisa :

- Consolidação fiscal;
- Redução Defice;
- Alteração Politicas de Emprego
- Outras reformas estruturais (edicação, justiça, etc)

http://www.oecd.org/dataoecd/34/20/46062172.pdf

deixado a 27/9/10 às 11:41
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António Cunha, a OCDE é parte do problema, não da solução.

deixado a 27/9/10 às 12:58
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É verdade: se durante todo o século XIX os economistas clássicos não conseguiram tornar visível a "mão invisível" de Adam Smith; e se durante a segunda metade do século XX os neoclássicos fracassaram no mesmo propósito, então o mais racional é concluir que ela não existe.

deixado a 27/9/10 às 13:03
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Nuno
Náaaaaaa... Justiça? Educação? Administração Pública? Controlo orçamental?
Nada disso, o problema é mesmo o neo-ultra-liberalismo...
Esquerda ao Poder já, a verdadeira esquerda.
Fiscalidade: taxe-se a banca e as mais-valias, e problema orçamental resolvido! Retirem-se as deduções a despesas de saúde e educação no privado, justiça fiscal alcançada.
Escola inclusiva, 12º ano para todos, Magalhães e Novas Oportunidades. Problem solved.
Adm. Pública? Institutos, Fundações, Empresas Públicas... está tudo bem, criem-se até mais umas quantas para "cumprir o dever do Estado", e chega-se à plena felicidade...

deixado a 27/9/10 às 13:38
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joao
Isto vindo do Sr. João Rodrigues é sempre a mesma conversa.

A culpa é do FMI, dos Alemães, dos terríveis especuladores, da mão invisível, dos mercados, das agências de rating, os capitalistas em geral, os credores (esses sacanas que nos emprestam dinheiro), o pai natal, o sector privado da economia, os bancos internacionais, a UE, etc. e tal.

E depois quer que os caloteiros que nos desgovernam imponham condições ao resto do mundo para sairmos do buraco onde estamos por culpa própria.

Depois cita uns estudos feitos por "comissões" compostas pelos seus amigos economistas, enfermadas de pensamento de grupo circular, onde se citam todos uns aos outros numa espécie de máquina de movimento perpétuo.

É o Sr. João Rodrigues e os caloteiros contra o resto do mundo!

deixado a 27/9/10 às 14:22
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Não pertenço a nenhuma elite (a não ser a elite que deu o coiro para estudar e ter boas notas numa das melhores universidades portuguesas), mas dos que defendo a vinda do FMI a Portugal - não tenho qualquer problema em admiti-lo.

E porquê? Digam-me: existe capacidade política e civil para alterar o rumo dos acontecimentos? Não existe.

Amigo, o FMI de hoje não é o FMI que servia de braço económico aos coup d'etáts da CIA. Este FMI é gerido por uma socialista francês, dado por muitos como vencedor nas próximas eleições francesas, derrotando Sarkozy.

Ah, não é que o FMI veio cá duas vezes? Ficámos pior do que antes? Pois...´

Apesar de não partilhar, nem por um bocado, das vossas crenças políticas, venho a este blogue com o maior gosto. No entanto, ainda não pude ler nada que tentasse solucionar os problemas de competitividade de Portugal. Mas quando se debate com alguém que considera o actual código laboral rígido (117 em 140 países, atrás do Zimbabwe, esse local de loucuras liberais), está tudo dito.

Veremos que parte(s) do relatório da OCDE são sonegados.

deixado a 27/9/10 às 14:23
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Rui F
João


As Elites estão correctas à sua maneira.

(Re) começando do zero – mas com o FMI “à perna” por muitos anos, prejudicando a economia produtiva – dá-se vida nova ás corporações que vivem eternamente da parasitação do Estado.

deixado a 27/9/10 às 14:26
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da Maia
O que a OCDE quer, sei eu...
A mão invisível é a própria lógica de funcionamento...
Se um galifão tiver abafadores olho-de-boi, e os putos vierem com os berlindes normais, faz-lhes um abafa e fica com todos - eles que vão chorar para as mãezinhas.
Como aqui não há mãezinhas... os putos vão jogando com os berlindes emprestados pelo galifão, e que eles já nem se lembram que foram deles...
Sempre sujeitos a serem abafados de novo - é só o galifão querer!
Quem é estúpido? - os putos que vão jogar com galifões!

Se as economias em desenvolvimento, se autonomizassem das estruturas internacionais, dominadas pelo capital consolidado, e se tornassem em circuito fechado protectivas, cresceriam à sua medida. Assim estão sempre sujeitas à especulação.
É claro que se fizessem isso, os grandes players internacionais deixariam de fazer jogo limpo no casino, e ajustavam contas à velha maneira de Las Vegas...

A mão invisível não existe... está implícita!

deixado a 27/9/10 às 15:10
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JMG
Deve haver qualquer coisa nas ciências económicas que faz com que os clérigos formados nas escolas daquelas ciências do Oculto passem a julgar, quando atingem o estatuto de professores (ou até antes) que o que dizem fica escrito na pedra. Daí as formulações peremptórias (a "mão invisível" não existe, Sto. Stigliz dixit), o descaso da opinião dos leigos, as várias suficiências nas afirmações, que se anulam umas às outras sem que os bispos se incomodem a demonstrar o mal-fundado das opiniões dos colegas, e a absoluta incapacidade de aprender com a realidade, que aliás os economistas tendem a considerar errada quando não se conforma com a teoria. Sucede que este leigo acha que a adesão ao euro foi efectivamente a maior asneira da geração que a promoveu, e até das últimas gerações, e que os malefícios desse passo todos os dias ficam mais evidentes. Os donos deste blogue, se os percebo bem, acham que a solução estaria num aprofundamento dos mecanismos da União Europeia, com uma gestão federal e orçamento comum ao menos do espaço euro e segundo os mesmos critérios de administração esquerdista da coisa pública que defendem na ordem interna. Não vai suceder, os eleitorados que contam, sobretudo o alemão, não estão nem estarão para aí virados. Resta estudar a maneira de cair fora deste atoleiro. Seria para este peditório que eu gostaria de ver pedir esmolas. Não vejo, infelizmente.

deixado a 27/9/10 às 16:25
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