Quarta-feira, 6 de Outubro de 2010
por João Rodrigues


"Ciclo de debates PRIVADO, PÚBLICO e COMUM
Organizado pelo Teatro Maria Matos e pela UNIPOP

# entrada livre #
mais informações aqui.
local: TEATRO MARIA MATOS (LISBOA)

Há mais vida além do Estado e do mercado? Ao longo dos últimos anos, a oposição entre público e privado tem ocupado um lugar fundamental em grande parte dos debates políticos e com a crise económico-financeira esta tendência acentuou-se de modo ainda mais nítido. Neste ciclo de debates, a UNIPOP propõe partir das contraposições entre público e privado e entre Estado e mercado, discutindo-as em diferentes dimensões do quotidiano, da organização do trabalho à construção das cidades, passando pelos processos educativos, pelo espaço mediático e pelas políticas de saúde. Procuraremos analisar as transformações das últimas décadas, tanto à escala nacional como à escala global, e apontar novos caminhos, num debate que vai além da simples contraposição entre público e privado ou Estado e mercado, contraposição cuja rigidez tende muitas vezes a confinar o combate aos processos de privatização à defesa do controlo estatal. Se por um lado queremos mapear claramente o que separa privado e público, por outro trata-se de questionar a possibilidade de formas de poder transversais ao espaço público e à esfera privada.

11 de Outubro | 18h30
O que é o Comum?
Debate com Michael Hardt e a UNIPOP



Com a publicação de Império, em 2000, Michael Hardt e Toni Negri renovaram
de modo significativo os termos do debate político à esquerda. O livro,
entre muitos outros pontos de debate, procurou repensar a política além da
alternativa entre o capitalismo e o socialismo, assumindo como tarefa a
renovação de um imaginário radical igualmente crítico do Estado e do
mercado, retomando as tradições autónomas do movimento operário, assumindo-
se como herdeiro de Maio de 68 e acompanhando os novos movimentos
alterglobais. Em Multidão, primeiro, e, mais recentemente, em Commonwealth,
Hardt e Negri continuaram a reflexão iniciada em 2000, nomeadamente em torno
dos temas da propriedade, da produção e do rendimento, articulando alguns
dos principais debates marxistas em torno da economia com os estudos
foucauldianos acerca da biopolítica e da governamentalidade. Sublinharam, em
particular, a necessidade de construir uma política assente no comum,
entendido como condição essencial do comunismo, tal como o privado será
condição do capitalismo e o público do socialismo. Dez anos depois de
Império, Michael Hardt discute em Lisboa, com a UNIPOP, alguns dos aspectos
mais importantes do trabalho político da dupla Hardt e Negri.


13 de Outubro | 18h30
Economia, Comunismo e Pirataria
Conversa com José Maria Castro Caldas e Miguel Serras Pereira
Nos últimos anos tem sido frequentemente debatido o maior peso do Estado ou
do mercado na vida económica. Ao culto da livre iniciativa empresarial
contrapõe-se a necessidade de maior regulação estatal, num debate a que não
são de todo indiferentes as transformações ideológicas do liberalismo e do
socialismo no século XX e as dinâmicas de globalização nas últimas décadas.
Ao mesmo tempo, a partir de experiências como as que caracterizaram a crise
argentina do início deste século, retomaram a sua actualidade debates acerca
do próprio modo de organização do poder no seio da empresa, reavivando-se
tradições conselhistas ou de autogestão, assim como colocando na ordem do
dia novas práticas comunais, de que se encontra exemplo na questão dos
direitos de autor e de propriedade intelectual.




José Maria Castro Caldas é economista do Centro de Estudos Sociais da
Universidade de Coimbra e Miguel Serras Pereira é tradutor.


20 de Outubro | 18h30
Cidades, Centros Comerciais e Praças Públicas
Conversa com João Pedro Nunes, Manuel Graça Dias e Miguel Silva Graça
A cidade tem sido palco de conflito entre interesses privados e públicos,
conflito em que a questão imobiliária e os debates em torno do planeamento,
colocando em causa a sacralidade do direito à propriedade privada, têm
assumido particular destaque. Entretanto, a fronteira entre público e
privado nem sempre resulta clara, seja porque a questão da privacidade tem
sido colocada no âmbito do próprio espaço público (veja-se os debates em
torno da videovigilância) seja porque existem determinados espaços privados,
como os centros comerciais, que parecem assumir funções de encontro e
reunião que antes eram apanágio da rua ou da praça. Ao mesmo tempo, os
problemas específicos da habitação, dos chamados bairros de lata aos novos
bairros sociais, mas também passando pelos condomínios fechados, pelos
processos de gentrificação ou pelos movimentos de ocupação de casas, têm
colocado as fronteiras entre público e privado em transformação, nuns casos,
consolidando-as, noutros, atenuando-as.


João Pedro Nunes é sociólogo e investigador do CIES-ISCTE, Manuel Graça Dias
é arquitecto e professor de arquitectura na Universidade do Porto e Miguel
Graça é arquitecto e doutorando na Universidade de Valladolid.


27 de Outubro | 18h30
Media, Propriedade e Liberdade
Conversa com Daniel Oliveira, Nuno Ramos de Almeida e Rui Pereira
De que falamos quando falamos de liberdade de expressão? Nos últimos anos,
os grandes meios de comunicação social fazem alarde da liberdade de
expressão contra alegadas interferências do Estado, mas poderemos falar de
liberdade de expressão no quadro de uma economia dos media em que a
concentração impera? Neste contexto, importa atender a novas formas de
comunicação que, à margem do controlo directo do Estado e dos grandes grupos
privados, têm vindo a tecer redes muito vastas em que a fronteira entre
emissor e receptor parece fragilizar-se. É o caso de uma série de meios
suportados pela Internet, que, aliados aos novos desenvolvimentos
tecnológicos, permitem igualmente colocar em cima da mesa novas
possibilidades de estender o direito de emissão televisiva ou radiofónica
além das empresas públicas e das empresas privadas de comunicação.


Daniel Oliveira, Nuno Ramos de Almeida e Rui Pereira são jornalistas.

3 de Novembro | 18h30
Medicina, Ciência e Saberes
Conversa com António Fernando Cascais e Isabel do Carmo
Em tempo de guerra ou em tempo de paz, o sistema estatal de saúde constitui
um dos elos mais importantes da relação entre os Estados e as populações e
durante a segunda metade do século XX os sistemas estatais de saúde têm sido
considerados, na Europa mas não só, como uma das áreas primordiais de
intervenção estatal, entre outras coisas visando impedir que as
desigualdades económicas entre pessoas e classes se reflictam de modo ainda
mais marcante no direito universal à saúde. Durante o mesmo período,
contudo, as relações entre médico e doente têm vindo a ser cada vez mais
objecto de debate, no quadro do questionamento das lógicas de poder
subjacentes ao conhecimento científico, daqui resultando importantes
discussões acerca da importância do «atendimento» em meio hospitalar
(questão particularmente valorizada por agentes privados do sector da
saúde), por um lado, e, por outro, da necessidade dos sistemas públicos
integrarem saberes e conhecimentos heterodoxos face às correntes dominantes
na medicina (questão com implicações a nível nacional mas também no quadro
dos debates em torno das valências de diferentes práticas culturais).


António Fernando Cascais é professor na Faculdade de Ciências Sociais e
Humanas da Universidade Nova de Lisboa e Isabel do Carmo é médica no
Hospital de Santa Maria.


10 de Novembro | 18h30
Escola, Ordem e Emancipação
Conversa com António Avelãs e Jorge Ramos do Ó
A disputa pelo método de educar atravessa a história e é motivo de concórdia
e discórdia entre professores, ministros, pais, psicólogos, alunos. Entre o
ensino público e o ensino privado, o primeiro financiado pelo Estado e o
segundo suportado pelas famílias, têm-se travado muitos destes debates, que
se cruzam com outros tantos, à volta do ideal iluminista da educação como
emancipação, e do seu potencial para corrigir as desigualdades ou, pelo
contrário, para as reproduzir. Entretanto, a disputa pelo método de educar
coloca igualmente em campo professores e alunos. As relações de poder que
entre eles se estabelecem, das reiteradas críticas à falta de autoridade dos
docentes à tentativa de levar a cabo experiências pedagógicas emancipatórias
da condição estudantil, têm suscitado um debate pouco informado, mas nem por
isso menos acirrado, e que constitui o ponto de partida para esta conversa.


António Avelãs é professor e presidente do Sindicato de Professores da
Grande Lisboa e Jorge Ramos do Ó é historiador e professor do Instituto de
Educação da Universidade de Lisboa."

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