Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010
por João Rodrigues
“Temos que evitar que os salários evoluam de forma mais rápida que a produtividade” e “tirar pleno partido dos dispositivos legais que permitem maior flexibilidade no mercado de trabalho”. Teixeira dos Santos indica implicitamente o objectivo da austeridade permanente e da conversa que lhe está associada sobre a “flexibilidade” laboral: fazer com que o crescimento dos salários reais deixe de acompanhar o crescimento da produtividade, transferir os custos da crise para a generalidade dos trabalhadores sob a forma de salários mais baixos, horários mais baralhados, menores custos no despedimento e ainda maior precariedade. Vale tudo: assim se compreende a fraude do suposto regabofe salarial nacional, tão conveniente para o capitalismo mediocre, que economistas como Sarsfield Cabral difundem e que o Nuno Teles rebate pela enéssima vez. Estamos em pleno "paradoxo da flexibilidade": aceitar reduzir os salários comprime o mercado interno europeu, acentua as tendências deflacionárias, dificulta o serviço da dívida privada e aumenta o desemprego por toda a Europa. A cassete sobre as “reformas estruturais” até chega à ultraliberalizada Irlanda, como sublinhou Kevin O’Rourke no Irish Economy e como se confirma ao ler a declaração dos ministros das finanças europeus de ontem sobre a “assistência” a este país. Esta cassete é a expressão intelectual do esforço político com escala europeia para transferir todos os custos sociais para os trabalhadores. É mas é preciso que as “reformas estruturais” recuperem o significado de outros tempos, ou seja, o sentido do esforço colectivo para civilizar a economia.

por João Rodrigues
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15 comentários:
Nightwish
É a flexibilidade de ver o quanto as pessoas se conseguem curvar com as calças abaixadas.

deixado a 22/11/10 às 15:40
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Curto, grosso e certeiro.

deixado a 22/11/10 às 16:29
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Alexandre Carvalho da Silveira
Os portugueses gostam muito lembrar o velho ditado: " quando o mar bate na rocha quem se lixa é o mexilhão". O que até nem é verdade.
Mas utilizamos essa expressão para dizer que quando há dificuldades, o esforço mais pesado é suportado pelos que menos teem. O que é verdade.
E desta vez não vai ser diferente; será concerteza mais duro. E para dar rapidamente a volta a isto não vale a pena tentar encontrar bodes expiatorios e estar com discussões academicas que não levam a nada; vale a pena tentar resolver os problemas, que são muitos.
No entanto essa tarefa não pode ser levada a cabo por este governo, que sempre fez o contrario do que vai ser necessario fazer.
Parece-me que economistas de todos os quadrantes concordam que num país como o nosso, com uma economia como a nossa, não é possivel que o estado continue a absorver mais de metade da riqueza criada, mais o dinheiro que tem que pedir emprestado todos os anos lá fora.
Ainda por cima gastando mal esses recursos.
Já todos percebemos que Portugal encetou um processo de empobrecimento colectivo, e as medidas mais duras ainda não foram todas anunciadas.
Para recuperar disto vão ser precisos varios anos, e não vai ser facil para as gerações mais jovens que foram criadas num certo consumismo, viverem com menos do que tiveram até agora. Mas quanto mais cedo acordarem para a realidade e arregaçarem as mangas, melhor será o país em que irão viver.
Por outro lado, os media teem que começar a escrutinar verdadeiramente o poder politico. Como dizia o outro: há 4 especies de jornalistas em Portugal. Os bons, os que já foram acessores do governo, os que são acessores do governo, e os que querem ser acessores do governo.

deixado a 22/11/10 às 17:09
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Eu tambem concordo com isso !!

Aliás não se devem baixar os salários no sector privado. Deve-se aumentar os salários.

Deve-se sim cortar na despesa do estado, e com isto estou claramente a falar em ordenados da FP, Reformas superiores a 1000€ e outros gastos desnecessários.

E está feita a consolidação.

Os FP não gostam ? Epá temos pena. Quem não tem $$$ não tem vicios. E eu estou farto de andar a sustentar FP's que pouco ou nada produzem e só se sabem queixar.

Venham para o privado !!!

deixado a 22/11/10 às 17:28
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João Martins
Tudo isto a acontecer e a esquerda a esgatanhar-se por assuntos tão comezinhos como "quem deve ou não participar numa manifestação". Que tristeza!

deixado a 22/11/10 às 17:35
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Teixeira dos Santos? Já merece ser promovido a ex!
http://exiladonomundo.blogspot.com/2010/11/ex.html

deixado a 22/11/10 às 18:00
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Albano
"Venham para o privado !!!"
Estão desertinhos para ir!
Alguns coitados ainda vivem convencidos de que se tivessem ído para o privado estariam muito melhor na vida!

deixado a 22/11/10 às 19:33
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Nightwish
"reformas superiores a 1000€"
Uma verdadeira fortuna.

deixado a 22/11/10 às 20:29
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qassandra qatastrophe
Hoje, à hora de almoço, os meus colegas que trabalham em regime de outsourcing tinham dúvidas sobre se podiam fazer greve ou não. Concluíram às tantas que sim, mas que teriam de ser eles próprios que entregar o pré-aviso de greve. A alguém lá empresa. Talvez fosse isso, mas não sabiam bem a quem. Até porque nunca tinham metido os pés - um dia que fosse, nem sequer para assinar o contrato - em instalações da dita empresa para a qual legalmente trabalham.

O senhor ministro das finanças de todos nós ainda assim não está satisfeito com a tuga flexibilidade laboral. É preciso mais ou então não será possível às empresas promover o seu mais precioso activo - as pessoas (ah-ah-ah) - e assim finalmente incrementar a produtividade a níveis estrato-esféricos ou mais acima ainda. Pior, ou bem que se aumenta a flexibilidade laboral, fixando a jorna a cada manhã (isto quando a houver), ou os mercados ficarão intranquilos, desatarão a cuspir para o chão e à noite transformar-se-ão em vampiros que irão sugar o sangue das crianças e velhinhos que estiverem a dormir.

É por isto tudo que é cada vez mais lixado uma gaja ser profeta de catástrofes em tempos contemporâneos. Não há vulcão, maremoto, ou deus irado que se compare a um mercado; não há profecia que ultrapasse uma entrevista com um ministro das finanças; e não terror que possa competir com um povo passivo. É tão chato...

deixado a 22/11/10 às 22:50
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qassandra qatastrophe
Bingo!

deixado a 22/11/10 às 22:51
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