Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008
por Pedro Vieira


© rabiscos vieira


O manual aborda vários temas. Desde a existência de Deus ao aborto passando pelo divórcio e pela reprodução medicamente assistida.
Os autores do livro servem-se da obra «Hamlet», de William Shakespeare, para comprovarem que Deus existe. Na opinião de Ayllón e Fernández, a referência do príncipe da Dinamarca, no seu célebre monólogo, ao «temor de algo depois da morte», inibe muitos de cometerem o suicídio, o que prova a existência de Deus.


via portugal diário

por Pedro Vieira
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22 comentários:
Luís
Gostava de ler, porque me parece pouco verosímil que o livro tenha o conteúdo exposto, nos termos expostos (de resto, com cheiro a interpretação jornalística com o rigor e a imparcialidade habituais).
Uma citação do livro é absolutamente correcta:«O século XX pode ser recordado pelas guerras. Mas será ainda mais lembrado por outro atentado contra a dignidade humana que se autojustifica e se esconde na sombra de um eufemismo: a interrupção voluntária da gravidez. O aborto é um homicídio, um acto gravemente imoral». Concordo em absoluto. Falta só acrescentar que a Mãe que pratica o aborto é também vítima desse acto. E que os maiores culpados são os médicos que ganham dinheiro com isso e a sociedade toda - todos nós - que não somos capazes de dar esperança a uma mulher em dificuldade e admitimos a eliminação de uma vida como pseudo-solução.
Em qualquer caso, sentindo essa responsabilidade social, quando os meus netos me perguntarem "Avô, é mesmo verdade que no sec. XX se matavam bebés que não se podiam defender? É verdade que se destruiam bebés com químicos ou aspiradores? E tu, avô o que fizeste?", eu vou ter provas de ter defendido a vida humana. Não me apaga o peso da consciência colectiva pelos milhões de vidas liquidadas, mas atenua-me a culpa individual
Cumprimentos
luís

deixado a 15/9/08 às 18:30
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Isabel
Jé percebi pelo teor dos posts, que este blog promete...Vai-se levar a provocação ao limite.

Eu ajudo: no seguimento do comentário do Luís, acrescento que o século XX foi o século da legalização da violência doméstica, na sua vertente mais selvagem.

deixado a 15/9/08 às 19:29
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Patrícia
Lembro-me de aprender no secundário, em filosofia, que Descartes tinha uma justificação muito parecida para a existência de Deus. Do género, "se eu digo que sim, então Deus existe". E não estranho que nos colégios privados católicos espanhóis se ensinem barbaridades como "o aborto é um homicídio, um acto gravemente imoral", "a única família possível é formada através do casamento heterossexual", "não há justificação para a inseminação artificial de uma mulher solteira ou viúva". As mesmas barbaridades são, por vezes, ensinadas nas escolas portguesas, ou fortemente disseminadas na sociedade. Uma forma tão simples de apelar ao atraso das mentalidades e à estagnação das condições sociais.

deixado a 15/9/08 às 19:54
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Pinto
Em contrapartida, em Portugal compara-se McCarthy a Estaline e diz-se que Fidel não é ditador, mas antes uma vítima dos EUA.

“Se, na URSS, a acção de Estaline provocou milhares de mortos e a deportação de milhões de pessoas para campos de trabalho forçado na Sibéria, nos EUA a perseguição aos suspeitos de simpatizarem com o comunismo e de promoverem actividades antiamericanas transformou-se numa verdadeira “caça às bruxas” que ficou conhecida por maccarthismo” (Novo História 9, Texto Editora).

“A princípio tratava-se de uma revolução democrática e nacional. A opção socialista só foi tomada após o bloqueio económico imposto pelos EUA a Cuba. Fidel Castro aproximou-se então, estrategicamente, da URSS e do modelo socialista soviético. Osocialismo cubano apostou, sobretudo, no desenvolvimento agrícola e nos domínios da saúde e do ensino, sectores onde atingiu bons resultados. Actualmente, Fidel Castro continua a ser o dirigente de Cuba. O país atravessa sérias dificuldades devido à continuação do bloqueio e tenta ultrapassá-lo através da aproximação à Europa.” (Novo Clube de História 9, parte II, Porto Editora)

Estes são dois excertos do que os alunos vão ler este ano lectivo. Mas há mais. Há mais e mais aberrante. Vem na Revista Sábado desta semana.

PARECEM COMENTÁRIOS DE ADOLESCENTES SENTADOS NO PÁTIO DA SORBONNE EM MAIO DE 68.

deixado a 15/9/08 às 21:27
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Pinto
Há tantas provas que exista Deus como o contrário (que não exista).

deixado a 15/9/08 às 21:29
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se querem que vos diga eu tenho pena que não tenha sido o fidel a escrever o hamlet, sempre tive essa fé num amanhã que escrevesse, em não podendo cantar. entretanto para mais informações é ler aqui nos nuestros hermanos:

http://www.elpais.com/articulo/sociedad/aborto/homicidio/acto/gravemente/inmoral/elpepusoc/20080914elpepisoc_4/Tes

deixado a 15/9/08 às 22:01
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P
Luis:
"Avô, é mesmo verdade que no sec. XX se matavam bebés que não se podiam defender?" - e quanto esperma se desperdiçou? E quantos óvulos? Tantos 1/2 bebés indefesos assassinados em masturbações e menstruações homicidas! E as mulheres (30 % ?) que abortam espontaneamente? Assassinas! E o deus que permite que isso ocorra? Assassino. Pensando bem, se calhar o deus "mata-os" para os padres terem menos meninos do coro para violarem e torturarem.

Pinto:
Há provas que existe deus? E do contrário? As hipóteses "deus existe" e "deus não existe" não podem ser sequer testadas, como é que há provas? O facto de não se conseguir provar que deus não existe, não torna as duas hipóteses equiprováveis. O Bertrand Russel dava o exemplo do "bule de porcelana chinesa" que orbitava entre a a Terra e Marte: era demasiado pequeno para ser observado pelos telescópios ou para influenciar as órbitas dos planetas e, assim, como ninguém podia demonstrar que o "bule de porcelana chinesa" não estava lá, era porque ele estava. (já ouviste falar do ónus da prova? ou estamos a ir depressa demais para esse cérebro de mamífero bípede?)

deixado a 15/9/08 às 22:27
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Zé Gato
Em relação à escola, é privada, logo escolhe os seus manuais; e sendo católica estes reflectem as posições da Igreja quanto ao aborto, homossexualidade, etc. É uma questão de escolha dos pais. Não acho mal, dado que estamos numa sociedade democrática, para grande azia da Patrícia que, infeliz, tem de gramar com essa coisa chata chamada liberdade dos outros. Parece-me que a Patrícia é daquelas pessoas que protesta contra as touradas mas apoiou a despenalização do aborto... não vê nenhuma incongruência aí?

Essa tirada sobre os padres do P, então, é digna de um idiota da esquerda idiota (da idiota, não de toda): então os padres violam e torturam meninos do coro, hã? Depois da estupidez que disse, perdeu toda a autoridade para criticar quem pensa o mesmo de homossexuais, quem acha que os pretos são ladrões, os ciganos parasitas, etc. Tomar a parte pelo todo é facílimo, não é, P?

deixado a 16/9/08 às 00:15
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Luis Moreira
A prova que Deus existe é que por coincidência, temos uns "razoáveis" e sensatos" rapazes a atacarem na blogosfera com estas estórias originais acerca do aborto!

recebem algum? Não me tentem!

deixado a 16/9/08 às 00:23
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Duarte Sousa
"Há tantas provas que exista Deus como o contrário (que não exista)."

Ah sim? Quais? O que é Deus para si?

E já que falamos de um deus, porque não falar de vários deuses ou deusas? Afinal de contas não existe nenhum argumento válido que sirva para comprovar a supremacia da crença monoteísta superior face à crença politeísta.

Pessoalmente, e julgo que não sou suspeito para falar, dado que sou de origem judaica, considero as grandes religiões monoteístas como um verdadeiro corpo de ignorância, violência, arrogância, mas que ainda apesar disso agrega concomitantemente alguns valores positivos e fundamentais para o desenvolvimento das sociedades judaica e árabe (e posteriormente, das sociedades cristãs).

Falo de ignorância porque metade das histórias descritas na Torah (Antigo Testatamento) não passam de formas redutoras e falsas para explicar a origem da Terra e do Homem (em particular os judeus), para não falar d eoutros fenómenos naturais.

A Ciência já provou e demonstrou que tais histórias são balelas autênticas. Mas como reagem ao peso da Ciência os crentes religiosos?

Bom, aqui importa distinguir dois tipos de crentes: os moderados e os fundamentalistas (ou verdadeiros crentes).

Ora se os crentes moderados, quando defrontados com evidência dos factos científicos, procuram interpretar a versão criacionista como uma forma metafórica/alegórica de explicar a génesis do Universo e da Terra, já os fundamentalistas acreditam literalmente em tudo o que vem escrito na Torah, fazendo orelhas mocas a voz da razão eda Ciência.

A propósito da Torah, gostaria também de destacar a ignorância e incoerência revelada pelos cristãos e muçulmanos, na medida em que estes apesar de aceitarem este livro como sagrado, simplesmente não seguem, ou desconhecem metade do que vem lá escrito. Se o fizessem apenas seguiriam uma religião: o Judaísmo!

A Torah foi escrita por judeus e para judeus num tempo em que estes apenas tinham conhecimento deles próprios e dos povos vizinhos (na maioria considerados inimigos).

Mas os cristãos, por exemplo, optam por ignorar e falsificar as profecias messiânicas (o que em parte de se deve a más traduções do hebraico para o latim e descontextualizações da Torah durante os primeiros tempos da Igreja Católica de Roma), pois Jesus não as cumpriu.

Estou portanto a falar da da reunião e defesa de todas as tribos judaicas, da reconstrução do Templo de Israel, da descendência directa de David pela parte do pai (questão esta que os cristão romanos tentam ultrapassar recorrendo ao estatuto de virgindande divina), do respeito pela Torah, da paz universal, entre outras.


O Judaísmo, tal como o Cristianismo e o Islamismo, contém uma mensagem de ódio e violência. Passo a citar uma passagem do Livro do Deutrónimo que illustra precisamente o tipo de violência e intolerância incitada pela Bíblia:

"Se o teu irmão, filho da tua mãe, o teu filho ou a tua filha, a tua companheira ou o amigo a quem estimas vier secretamente seduzir-te dizendo:«Vamos servir os deuses estrangeiros» - deuses que nem tu nem os teus pais conheceram, os deuses dos povos que estão à tua volta, na tua vizinhança ou ao longe, de um extremo ao outro da terra - não o aceitarás nem ouvirás; não levantarás para ele olhos de compaixão, nem o ajudarás a esconder-se. Pelo contrário, tens o dever de o matar. A tua mão será a primeira a levantar-se contra ele para lhe dar a morte e, a seguir, a mão dee todo o povo. Apedrejá-lo-ás até morrer, porque ele tentou desviar-te do Senhor, teu Deus [...] (Deutrónimo 13:7-II)

Os verdadeiros crentes apenas não cumprem todas estas regras, porque existem leis que os proibem de tal, i.e. em países democratas como é evidente, embora mesmo nesses ocorram por vezes determinados incidentes, como foi o caso de uma rapariga israelita de 14 anos, que recentemente foi atacada com ácido sulfúrico por um grupo de ultra-ortodoxos apenas por passear de calções curtos.

Já os crentes moderados acham que esta fonte de ignorância deve ser respeitada e mantida apenas no seio dos seus lares e locais de culto. Ora, a meu ver, mesmo esta moderação religiosa representa um problema no sentido em que nos leva a respeitar e a promover a ideia de que é legítimo aceitar determinadas premissas que não possuem qualquer base de sustentação credível.

deixado a 16/9/08 às 00:28
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