Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008
por Pedro Vieira
um espectro paira sobre a europa, o espectro das bichas casamenteiras, que já conseguiram passar a perna aos belgas, aos holandeses, aos noruegueses e aos espanhóis, tudo terras de gente esquisita, uns são pedófilos, outros drógados, e depois há os que têm bacalhau na costa mas não aproveitam o fiel amigo em 1001 receitas, e há outros ainda, nossos vizinhos, nossos irmãos, que comem lulas fritas dentro de pão carcaça e que têm terras com nomes como talavera de la reina ou torremolinos.
dizia, as bichas são ardilosas, vão tecendo a sua teia, fruto de uma condição que as coloca numa posição muito vantajosa, como se sabe, gay que é gay está cheio de dinheiro, tem um extremo bom gosto, exibe roupas e acessórios de autor, manobra na sombra e tem uma agenda secreta de conversão dos incautos, como se diz na gíria tem um grande lóbi, e isto não é uma piada a resvalar para a ordinarice. vá um gajo dar uma volta pelas roupas 'masculinas' da zara ou da bershka e diga de sua justiça se também aquilo não é uma tentativa nuestra hermana, logo gay, de apaneleirar o português rijo, macho e sério.
já no que toca a casório e respectiva festa saloia a abertura dos ditos à boiolagem parece-me uma excelente solução para conferir alguma dignidade à cerimónia e sobretudo ao copo d'água, autêntico eufemismo para copo de qualquer outra coisa que cheire a álcool, um gajo até já vai para lá na certeza da piela, é aproveitar, que o rúben só casa uma vez na vida, temos de brindar uma e outra vez, ele não vai andar no casa descasa, isso são os paneleiros que, como toda a gente sabe, são promíscuos, parecem as ovelhas a pular a cerca quando um gajo tenta ferrar no sono, ao menos este whisky martelado nos arredores de fanhões sempre faz o mesmo efeito e um gajo não tem de pensar em lantejoulas aos pulinhos. com a abertura da boda a esta gente passaria a haver muito mais eventos no finalmente, que passaria a competir com o mosteiro dos jerónimos ou com a emblemática igreja de camarate, sítio de má memória, ciganos e templos no meio da estrada. os meninos das alianças seriam substituídos por madonnas ou beckhams da anilha, o que é óptimo, sempre se afastam as crianças destes indivíduos, não vá dar-se o caso de algum mal-intencionado lembrar-se de adoptá-las. os fatos de cerimónia andariam no eixo max mara-carolina herrera-boss-ermenegildo-zegna, porque os gays têm todos bom gosto e guita disponível, já aqui o lembrei, sublimando-se assim a infestação superconfex maconde que ocorre nos casamentos straight, diz-se até que é empresa que já faliu, aposto que foi tudo culpa dos gays, que nunca lá compraram nada. selado o acordo civil seguir-se-ia então a fase das fotografias de noivos + convivas, evitando-se o jardim do campo grande, infestado de velhos tarados e masturbadores (aposto que nalguma altura das suas vidas foram gays empedernidos), passando a utilizar-se mais o terraço do chiado regency hotel, belas vistas e desafogadas, e daí seguir-se-ia para o já mencionado copo d'água, a melhor parte da celebração, almoço volante no guincho design hotel, com vista para o mar bravio, a lembrar as salas de quarto escuro em casablanca e viena, que saudades, e durante a refeição dificilmente se ouviria aquele militante bater de talheres nos pratos e copos, não vá estalar-se alguma faiança de autor ou copo de cristal, além disso as bichas são todas amaneiradas, andam sempre com o interior dos pulsos virados para cima, o leitor experimente e verá como é difícl ser metronómico de garfo em riste. a cascata de camarão e a melancia cortada em forma de ganso do nils holgersson dariam lugar a saborosos mini-spas de beluga, e também outras tradições medonhas seriam desmontadas, o lançar do noivo à piscina da quinta situada algures entre a malveira e torres vedras passaria a não fazer sentido, todos os convivas já estariam lá dentro, os gays são muito amigos de águas e bacanais, saunas e derivados, é uma espécie de habitat natural, por isso, e não pela preguiça que me assola, é que eu evito ir à piscina municipal do rego, também era estar a pedi-las com tal baptismo. deixaria de haver aquele momento de horror gore que é a troca forçada de roupas entre noivo e noiva, a que eu já assisti com estes olhos que a terra há-de comer, e agora um parêntesis para recordar um amigo que não vejo há anos, ele muito alto, a noiva muito baixa, e eu no casamento deles, a vê-los de roupas trocadas a dar um pezinho de dança, o meu amigo S. não oferecia um espectáculo deste calibre desde que a inês, nossa colega da instrução primária, lhe rachou a cabeça com um calhau da calçada, nos primeiros anos dos eighties as crianças que frequentavam a escola já eram rudes, lembro-me agora do fanã (isto não é uma blague) a dar um chapadão à professora com o apoio velado do aurélio, e onde andavam os telemóveis e os youtubes quando eram necessários, tanta matéria-prima podia estar agora em arquivo para memória futura. mas desvio-me do assunto principal, o casório gay onde se passaria a leiloar mariconeras cavalli aos invés da sensaborona liga da noiva, a pista passaria a ser aberta ao som da lebanese blonde dos thievery corporation, os gays têm bom gosto e gostam de coisas lounge, e esquecer-se-ia o fetichismo com a valsa, que assim como assim ninguém sabe dançar, o orgão mágico a debitar o apita o comboio cederia lugar ao runaway dos communards, também seria de mau gosto, lembrar comboios junto de uma comunidade que mal se apanha em posição de vantagem atraca logo um, com o lugar de maquinista em acesa disputa. e estou seguro de que também se cortariam as vazas ao viva la españa, quando muito passaria a viva ibiza, capital do sonho e do prazer. mais. as lembranças oferecidas aos convidados deixariam de ser cestinhos imprestáveis de flores e cigarrilhas enroladas em rio de mouro/havana para passarmos a ter conjuntos de cremes exfoliantes e revitalizadores, correctores de olheiras e derivados a favor da hidratação, para elas e para eles, a bem da indústria cosmética e da dinamização da economia que anda fraca, coitadinha.
resumindo e baralhando: hoje vota-se na assembleia acerca deste assunto e esta hipótese de lifting a uma cerimónia em processo de abimbalhamento progressivo será adiado, o partido da maioria concorda mas vota contra, como fará questão de assinalar, diz-se que por medo de perder votos, sobretudo ao ao centro que é por onde anda virtude, lá diz o povo que é quem sabe. as eleições não tardam e quem tem cu tem medo, lá diz o povo também. eu próprio não consigo pensar em ditado mais apropriado.

por Pedro Vieira
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31 comentários:
Ontem na rtp um deputado dizia que só 5 países em 200 e tal tinham concedido o direito ao casamento Homossexual, e portanto o assunto não era prioritário. Para ele Portugal tem de esperar que pelo menos mais 100 pratiquem esse pecado. É muito cedo e logo um país que em tudo deve andar a reboque de outros, muitos outros.

Nuno Melo, claro.

deixado a 10/10/08 às 12:06
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eff
Com a social-democracia europeia ainda a mal vingar por esta república de bananas da treta, tem que se ter cuidado com a munição que se dá à direita.

É ver e aprender com o que tem acontecido no passado recente com Partido Democrata da Nova Grancde República Nuclear das Bananas (http://krugman.blogs.nytimes.com/2008/09/26/demolition-accomplished/) e como tem sido atacado por causa das suas alas PSR e que não consegue sequer montar um sistema nacional de saúde nem ter escolaridade universal decente para educar o seu povo.

Não perder de vista o que é essencial.

deixado a 10/10/08 às 12:12
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O Pedro Vieira passou a ser oficialmente, a partir de hoje, o meu personal trainer. Estou com os meus abdominais bem mais definidos – logo, sou mais gay que nunca - depois de passar 10 minutos continuamente a rir.

deixado a 10/10/08 às 12:29
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Uns reaças esses gajos fracturados. Lutas da socialdemocracia burguesa. Adiante,

deixado a 10/10/08 às 12:38
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Pinto
O que? A Holanda, e a Noruega já aderiram à moda. Então toca a juntar à onda; não venhamos nós a ser conotados como retrógrados.

Nós estamos economicamente atrasados em relação a estes países porque ainda não está implementada esta ideia. Quando o Governo modificar a lei por forma a permitir o casamento entre homossexuais vamos dar um salto qualitativo nas nossas vidas que hoje nem sequer conseguimos imaginar.


Os broncos dos islandeses, suecos, finlandeses, dinamarqueses, alemães, luxemburgueses, etc. etc. etc. ainda estão a dormir.

Vamos aderir à moda que é fixe. A partir daí os cidadãos dos outros países vão olhar para nós como pessoas muito cultas e civilizadas.

deixado a 10/10/08 às 13:04
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Joanaes
Tive que ir ler o post do Pedro Sales sobre o RSI/PP para conseguir para de rir.

Brilhante! Está lá tudo, só falta talvez o atirar do bouquet (que tal um sequela?) e o creme, que é esfoliante, e não exfoliante, ficando assim comprovada a heterossexualidade do Pedro.

deixado a 10/10/08 às 13:33
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Ó Vieira, esta merda está genial.

deixado a 10/10/08 às 14:05
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Henrique Morais
Pois...parece que tambem nao vai ser desta.

deixado a 10/10/08 às 14:09
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Maravilhoso! :-D

deixado a 10/10/08 às 14:12
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«vá um gajo dar uma volta pelas roupas ‘masculinas’ da zara ou da bershka e diga de sua justiça se também aquilo não é uma tentativa nuestra hermana, logo gay, de apaneleirar o português rijo, macho e sério.»

LOL! Pelos vistos não sou o único

deixado a 10/10/08 às 14:42
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