Quinta-feira, 26 de Março de 2009
por Pedro Vieira



sagrado e sabido, sou moço de andar ao ralenti, cada um é para o que nasce e daí os meus problemas com os amanhãs que cantam sobretudo porque estou sempre em dívida com o ontem e com o dia anterior, entre outros e por aí fora. Como tal já lá vai um ror de meses desde que saiu o disco dos Beach House e eu não tinha dado por ele, e nada melhor do que deixar chegar a primavera, o sol, os freaks, os cães, os guizos, os malabares, os diablos, as cervejas à litrada, as enchentes no miradouro do adamastor, pulga, mosca e festa com aromas marroquinos para começar a desfrutar em contra-ciclo de uma dúzia de canções etéreas e favoráveis à neblina e ao cortar de pulsos, que lindo é ver a hemoglobina salpicada no ipod e tal.
Acresce que o disco está embebido em orgão mágico, instrumento da minha preferência, tão intenso como nos discos do Leonel Nunes, maduro que inclui em todos os cachets um garrafão de vinho, devorando-o em palco e ao vivo e a cores, dizia, o órgão mágico, um tudo-nada mais etéreo do que no opus "Cantar, Pular e Dançar" do dito Leonel, ainda assim capaz de dar corpo a canções de fino recorte, o amor como tema recorrente, que é como quem diz a condição humana, expressão que julgo ser obrigatório utilizar em qualquer referência a disco/filme/livro, os Beach House falam em passado, amores perdidos, o Leonel põe toda a epistemologia nos títulos, Porque não tem talo o nabo, entre outros clássicos, são gostos, aqui deixo o single Gila dos meninos de Baltimore, diz que não acompanha tão bem uma sandes de courato, enfim, fica ao vosso critério.


por Pedro Vieira
link do post | comentar | partilhar

2 comentários:
Von
Muito bom. Ouça-se como complemento Au4 e Mazzy Star, à vez, uma faixa de cada.

E que dizer de Leonel Nunes? À nossa rapaz.

deixado a 26/3/09 às 13:12
link | responder a comentário

alberto gomes
Ouvi, e não faz bem o meu género.
Antes o Leonel Nunes. Já agora, aqui fica em jeito de homenagem.


Como eu vivo na cidade
Compro a fruta já madura
Gostaria de perceber
Um pouco de agricultura.

Quando vou à praça e penso
Na origem da hortaliça
Tomates, pepinos e grelo,
Só de olhar metem cobiça.

E porque a couve tem talo
E o bacalhau tem rabo
Se o feijão verde tem fio
Porque não tem talo o nabo?

Se a banana tem cacho
Toda a uva tem que tê-lo
Já pensei muitas vezes
Porque não tem talo o grelo?

O nabo não tem talo
Que é tamanho reduzido
Mas lá no fundo da terra
O repolho tem talo comprido.

Como o bacalhau tem rabo,
E acompanha esta verdura,
Explique cá pra mim,
Quem souber de agricultura.

Se um dia o pepino tem fio,
Então já não tem talo o grelo,
Anda o mundo às avessas,
Já não se pode comê-lo.

É melhor pra toda a gente,
Que as coisas fiquem assim,
Quem souber de agricultura,
Poderá explicar pra mim.

deixado a 26/3/09 às 18:00
link | responder a comentário

Comentar post

pesquisa
 
TV Arrastão
Inquérito
Outras leituras
Outras leituras
Subscrever


RSSPosts via RSS Sapo

RSSPosts via feedburner (temp/ indisponível)

RSSComentários

arquivos
2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


Contador