Domingo, 19 de Abril de 2009
por Pedro Vieira


© rabiscos vieira


J. G. Ballard, 1930-2009



Quando penso nele, vejo-o ao volante dos carros roubados que ele destruía a um ritmo avassalador, imagino as superfícies deformadas de metal e plástico que acabaram por abraçá-lo para todo o sempre. Dois meses antes eu tinha ido encontrá-lo debaixo do viaduto do aeroporto, após o primeiro ensaio da sua própria morte. Um taxista ajudava duas hospedeiras do ar ainda trémulas a sair do pequeno carro contra o qual Vaughan fora chocar, depois de ter irrompido sem aviso prévio duma estrada oculta pela vegetação.

in Crash, ed. Relógio d'Água, 1996, tradução de Paulo Faria

por Pedro Vieira
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4 comentários:
Cravo Vermelho
Sobre Socrates no http://maquinadelavax.blogspot.com

deixado a 19/4/09 às 23:50
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Saloio
Não sendo um grande entusiasta de Ballard, penso que a sua vida aventurosa é, ela sim, um romance emocionante.

Internado com a família num campo de concentração quando era miúdo na China longínqua durante a 2ª Guerra (experiência da qual resultou o inimitável livro e filme de S. Spilberg "O Império do Sol"), com os cursos de medicina e literatura incompletos, taxista e vendedor, desde estudante que foi escrevendo contos e livros, sobretudo de ficção científica.

Só há uns 30 anos abandonou o género, em abono de histórias mais contemporâneas, mas sempre esquizitíssimas.

Gosto de "Cocaína Nights" e sobretudo de "Crash" - onde o exagero é levado ao limite, e somos atraídos para o abismo de uma qualquer maneira. O filme também ajudou, e Ballard, nos últimos anos da sua vida, poude finalmente beneficiar de algum reconhecimento público.

Merecido.

Digo eu...

deixado a 20/4/09 às 08:26
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O Ballard ficará para sempre recordado por "O Império do Sol" e "Crash", essa demencial visão apocalíptica do corpo e do erotismo, levada ao cinema, brilhantemente, por David Cronenberg.

deixado a 20/4/09 às 10:21
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José Bastos
O ano já tinha começado com o desaparecimento de Andrew Wyeth, um dos maiores talentos da pintura do século 20.
Wyeth recebeu em 2007, das mãos do presidente dos Estados Unidos, a mais alta condecoração para as artes entregue naquele país, a National Medal of Arts.
Sim, George Bush também fez coisas boas.
A(s) efeméride(s) aqui fica(m).

deixado a 20/4/09 às 11:44
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