Sexta-feira, 30 de Março de 2007
por Daniel Oliveira



Seguramente esta história, de que tomei conhecimento através do blogue Peão, não é novidade para muitos, mas a mim tinha-me passado completamente ao lado. É inacreditável. Foi no dia 20 de Março. A polícia francesa resolveu prender imigrantes em situação irregular à porta da escola dos seus filhos, quando eles os iam buscar. Uma família chinesa foi interceptada pela polícia ali mesmo, em frente ao infantário do 19° bairro de Paris, e para isso os agentes usaram a força. À porta de um infantário. No meio dos incidentes com os pais de outras crianças e responsáveis do infantário que socorreram os detidos, a Polícia utilizou gás lacrimogéneo atingindo crianças. A directora do infantário chegou a ser detida. Esta é a polícia de Sarkozy. Agora imaginem o que seria o seu governo. A sua vitória seria gravíssima para a Europa.

Talvez Sarko, ao contrário de Le Pen, não sustente as suas acções com um discurso ideológico. É apenas um populista à caça do voto. Mas é na ausência de limites se revela perigoso. E é melhor nunca esquecermos: é na relação com os imigrantes, os mais desprotegidos e mais pobres dos alvos possíveis, que a já longa história de tiranias na Europa se tentará refazer. E ela dificilmente chegará mais longe através da extrema-direita clássica. Diz como tratas um imigrante e eu direi como um dia me tratarás a mim.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (30) | partilhar

por Daniel Oliveira



Seguramente esta história, de que tomei conhecimento através do blogue Peão, não é novidade para muitos, mas a mim tinha-me passado completamente ao lado. É inacreditável. Foi no dia 20 de Março. A polícia francesa resolveu prender imigrantes em situação irregular à porta da escola dos seus filhos, quando eles os iam buscar. Uma família chinesa foi interceptada pela polícia ali mesmo, em frente ao infantário do 19° bairro de Paris, e para isso os agentes usaram a força. À porta de um infantário. No meio dos incidentes com os pais de outras crianças e responsáveis do infantário que socorreram os detidos, a Polícia utilizou gás lacrimogéneo atingindo crianças. A directora do infantário chegou a ser detida. Esta é a polícia de Sarkozy. Agora imaginem o que seria o seu governo. A sua vitória seria gravíssima para a Europa.

Talvez Sarko, ao contrário de Le Pen, não sustente as suas acções com um discurso ideológico. É apenas um populista à caça do voto. Mas é na ausência de limites se revela perigoso. E é melhor nunca esquecermos: é na relação com os imigrantes, os mais desprotegidos e mais pobres dos alvos possíveis, que a já longa história de tiranias na Europa se tentará refazer. E ela dificilmente chegará mais longe através da extrema-direita clássica. Diz como tratas um imigrante e eu direi como um dia me tratarás a mim.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (30) | partilhar

Quinta-feira, 29 de Março de 2007
por Daniel Oliveira


Irmãos Marx


Lenine, que actuou ontem no Tivoli


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (23) | partilhar

por Daniel Oliveira


Irmãos Marx


Lenine, que actuou ontem no Tivoli


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (23) | partilhar

por Daniel Oliveira


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (29) | partilhar

por Daniel Oliveira


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (29) | partilhar

por Daniel Oliveira
Leio no Correio da Manhã que «o BE é de longe o partido mais corrupto do País, quiçá do Ocidente». Seria sinal de delírio terminal se não fosse escrito por Alberto Gonçalves. Não sabem quem é? Não vivem pior por isso.

Sobre o assunto, remeto para o P.S. deste meu post. Se a corrupção em Portugal fosse isto, podíamos dormir descansados.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (21) | partilhar

por Daniel Oliveira
Helena Matos, que nunca se incomodou muito por Bush não saber onde fica a sua própria cabeça, acha que o facto de Zapatero não saber o preço de um café torna muito claro o seu alheamento da realidade política.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (13) | partilhar

por Daniel Oliveira



Não deixo de me espantar como tantos que vivem numa cidade que tem uma das artérias mais poluídas da Europa, que assistem anualmente às baixas de uma autêntica guerra civil nas estradas nacionais, que não conseguem andar num passeio porque os carros são donos e senhores de todo o espaço público, que são obrigados, de manhã à noite, a ouvir um coro de buzinas ensurdecedor, apenas porque quase nenhum português se dá sequer ao trabalho de dividir o carro com as pessoas com quem divide a casa, que sabem que o excesso de carros está destruir a nossa saúde, as nossas cidades e o nosso planeta, vivem obcecados com o secular cigarrinho.

PS: Estou orgulhoso de ter escrito a minha frase mais longa de sempre na blogosfera.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (19) | partilhar

por Daniel Oliveira



Não deixo de me espantar como tantos que vivem numa cidade que tem uma das artérias mais poluídas da Europa, que assistem anualmente às baixas de uma autêntica guerra civil nas estradas nacionais, que não conseguem andar num passeio porque os carros são donos e senhores de todo o espaço público, que são obrigados, de manhã à noite, a ouvir um coro de buzinas ensurdecedor, apenas porque quase nenhum português se dá sequer ao trabalho de dividir o carro com as pessoas com quem divide a casa, que sabem que o excesso de carros está destruir a nossa saúde, as nossas cidades e o nosso planeta, vivem obcecados com o secular cigarrinho.

PS: Estou orgulhoso de ter escrito a minha frase mais longa de sempre na blogosfera.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (19) | partilhar

por Daniel Oliveira
Quando preencher os seus impressos para o IRS, no quadro 9 do anexo H linha 901 (já perdi o fôlego), existe um espacinho para dirigir 0,5% dos seus impostos a ONG's. Fica aqui o Número de Identificação de Pessoa Colectiva (NIPC) da APF.

Associação para o Planeamento da Família:

.

Acrescentarei outros NIPC's que receba de associações e organizações que me pareçam igualmente interessantes. É uma excelente forma de apoiar quem neste país faz por merecer o dinheiro.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

por Daniel Oliveira
Quando preencher os seus impressos para o IRS, no quadro 9 do anexo H linha 901 (já perdi o fôlego), existe um espacinho para dirigir 0,5% dos seus impostos a ONG's. Fica aqui o Número de Identificação de Pessoa Colectiva (NIPC) da APF.

Associação para o Planeamento da Família:

.

Acrescentarei outros NIPC's que receba de associações e organizações que me pareçam igualmente interessantes. É uma excelente forma de apoiar quem neste país faz por merecer o dinheiro.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Quarta-feira, 28 de Março de 2007
por Daniel Oliveira
Hoje, no São Luiz, às 18h30, "É a Cultura, Estúpido!", dedicado à discussão sobre "O Futuro da Cidade de Lisboa". Com António Pinto Ribeiro e Manuel Salgado. No meio estará a Anabela Mota Ribeiro, o Pedro Mexia, o Nuno Artur Silva, o José Mário Silva e eu mesmo.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | partilhar

por Daniel Oliveira
Vi ontem, com expectativa, a estreia do programa de António Barreto, "Portugal, um Retrato Social". Podia ser bom, porque a ideia e o guião eram bons. Mas, graças à pobreza franciscana das imagens (pelo menos no primeiro programa), ficámos entre as notícias sobre estatísticas que vemos nos telejornais e em que cidadãos anónimos passam na Rua Augusta e um momento RTP Memória. A voz off é do próprio António Barreto, que tendo boa voz não é um profissional e isso sente-se de forma penosa. Dirão que estou a ser superficial. Pelo contrário. A televisão não deixa de ser televisão quando pretende fazer bons programas. Tem de ser mais exigente ainda. O modelo voz off+imagem+depoimento sentado só aguenta se tudo (imagem, texto, voz e depoimentos) for fora de série. O que nunca acontece e aqui esteve longe de acontecer. E o programa, pela ideia e, neste caso, pelo autor, merecia ter sido feito a pensar na televisão.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

por Daniel Oliveira



Morgan Tsvangirai, principal líder da oposição a Robert Mugabe, foi preso com mais vinte dirigentes do seu partido.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (14) | partilhar

por Daniel Oliveira



Morgan Tsvangirai, principal líder da oposição a Robert Mugabe, foi preso com mais vinte dirigentes do seu partido.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (14) | partilhar

por Daniel Oliveira
«As mulheres ganham autoridade na vida sendo mães.»

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (16) | partilhar

Terça-feira, 27 de Março de 2007
por Daniel Oliveira
Tendo a ser contra a Ota. Tendo a ser favorável à solução Portela+1, com apenas uma pista, talvez na Ota, talvez não. É muito mais barato e ainda não me convenceram que temos de começar do zero. Tendo para isto tudo mas nem sempre me sinto seguro. Apenas me sinto seguro de uma coisa: quando me falam em fundamentalismo ambiental e chantagem ecológica começo a salivar. Neste país, sinto falta das duas e nunca vejo nenhuma. E quando ouço um engenheiro a falar delas, fico com uma dúvida: será que o dizem sem corar porque não conhecem o país que ajudaram a destruir ou porque acham que o país não sabe que a destruição teve a sua ajuda.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

por Daniel Oliveira
Não vou comentar em pormenor um programa que não vi. Andei a passear pelo YouTube e chegou-me. Odete Santos está demasiado centrada no seu espectáculo para conseguir falar para fora da célula. Jaime Nogueira Pinto foi o que é: um salazarista com uma patine de respeitabilidade. Mas o que me incomodou mais, para dizer a verdade, foi esta intervenção:



É impressionante como eu posso concordar com quase tudo o que ele diz e discordar, no essencial, de tudo. Não, não é a mesma coisa prender uma pessoa porque discorda de nós e despedi-la porque é demasiado velha. As duas coisas são canalhas e desumanas. Mas as duas coisas são diferentes. A primeira combate-se com os meios que tivermos à mão porque não restam outros, a segunda combate-se no exercício da liberdade política. Não é igual a critica à miséria no salazarismo e a actual miséria (que não é a mesma, nem da mesma natureza, mas adiante). Uma era inerente àquela ditadura. Esta é um falhanço político dos homens que elegemos, por isso é um falhanço político de todos nós. Porque fomos nós que escolhemos quem nos deveria governar. E isso não pode ser uma diferença pequena.

A pedagogia da liberdade e da democracia, da responsabilidade e da cidadania, está toda por fazer, mesmo junto das mais insuspeitas das pessoas. A liberdade não pode ser um pormenor. E nem o desespero pode justificar este discurso. Foi sempre ele que trouxe o pior. Isto, sem tirar nem pôr. Ao pé do que disse Fernando Dacosta, para meu grande espanto, as divagações histéricas de Odete e o fascismo afectado de Nogueira Pinto são irrelevantes. Ele tinha uma responsabilidade diferente.

Este concurso pode ser irrelevante. Mas aos poucos foi mostrando, como uma caricatura, todos os mal-entendidos. À esquerda e á direita. Não aprendemos nada: um país não se cumpre, constrói-se. A democracia não promete nada. Abre todas as possibilidades.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (34) | partilhar

por Daniel Oliveira
A minha pergunta é: como é que uma jornalista ouve uma história bizarra (que militantes ou apoiantes do BE integram uma lista do PNR à direcção académica da Faculdade de Letras) e não perde dois segundos a confirmar tão insólita informação? Para saber se se trata de alguém que até diz que gosta do BE, de um activista, de um militante... Não basta que não seja mentira. A notícia deve corresponder a alguma coisa que esteja a acontecer na Faculdade de Letras. Sobre o título do DN, nem vale comentar. O "Correio da Manhã" passou-se para a Avenida da Liberdade e a partir daqui será sempre a descer.

A notícia é obviamente um truque passado por dirigentes da lista, para dar a ideia de que aquilo são só amigos de escola. E para o "Público", as garantias de seriedade da fonte foram suficientes. O BE desmentiu. Saiu no jornal (quase invisível, como de costume). Mas o Blasfémias, que tem aquela visão maniqueísta do Mundo, em que as forças do Mal se juntam para tomar o poder , ainda não se deu ao trabalho de corrigir o erro.

NOTA: A jornalista do "Público" Bárbara Wong (que assina o trabalho sobre as eleições para a direcção da Associação Académica da Faculdade de Letras) informa-me que, ao contrário do que aqui escrevo, perdeu bem mais do que dois segundos a tentar contactar militantes do Bloco de Esquerda na Faculdade de Letras para confirmar ou desmentir a informação. Perdeu uma tarde inteira, sem sucesso. Fica assim feito o esclarecimento.

O presidente da Junta de Freguesia de Salvaterra foi constituído arguido por ter senhas de gasolina aprovadas como despesas de deslocação, já que a junta não tem carro seu. Parece-me muito normal, mas não faço ideia se é legal ou ilegal. O que já percebi é que Bragaparques e a construção civil já foi chão que deu uvas nos noticiários, comparadas com estas bombas informativas. Resumindo: são todos iguais, uns suspeitos de comprar partidos e lesar câmaras com milhões, outros de não pagar a gasolina do seu bolso. E sei que as despesas, aprovadas em cada reunião de Junta, tiveram o voto favorável da mesma autarca do PSD que faz queixa. O que não deixa de ser comovente. Espero pelo resultado das investigações. De todas elas. No fim, seja qual for o resultado, quero escrever tanto sobre este assunto.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (11) | partilhar

por Daniel Oliveira


Sede da UMP e de Nicolas Sarkozy.

Via Spectrum.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | partilhar

por Daniel Oliveira


Sede da UMP e de Nicolas Sarkozy.

Via Spectrum.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | partilhar

por Daniel Oliveira
Nogueira Pinto acha que Salazar fez do Estado português "uma pessoa de bem". Ou seja, para Nogueira Pinto uma pessoa de bem censura, prende, tortura e assassina quem dela discordar. É bom saber. Só para mudar de passeio quando o vir. Não vá ele achar-se "uma pessoa de bem".

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (15) | partilhar

por Daniel Oliveira
Num tempo em que se enche a boca com "formação" e "especialização" há alguma razão para tratar o ensino especializado da música como se de um grande ATL se tratasse? O ensino meramente lúdico da música devia existir em todas as escolas. Mas ele não se confunde com um ensino especializado e muitíssimo exigente. Para não deixar que este governo, uma catástrofe que se abateu sobre as actividade culturais, destrua de vez os conservatórios deste país, vale a pena apoiar esta gente:


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

por Daniel Oliveira
Num tempo em que se enche a boca com "formação" e "especialização" há alguma razão para tratar o ensino especializado da música como se de um grande ATL se tratasse? O ensino meramente lúdico da música devia existir em todas as escolas. Mas ele não se confunde com um ensino especializado e muitíssimo exigente. Para não deixar que este governo, uma catástrofe que se abateu sobre as actividade culturais, destrua de vez os conservatórios deste país, vale a pena apoiar esta gente:


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

por Daniel Oliveira
... depois de tudo o que escrevi sobre o Concurso dos Grandes Portugueses tinha de ser um Daniel Oliveira a abrilhantar a festa e a entregar o envelope com a vitória de Salazar?

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

por Daniel Oliveira
«Daniel Oliveira do BE não tem nada contra o museu com "rigor histórico"», Sem mais, é assim que o "jornal" "Avante!" descreve a minha posição em relação ao Museu de Salazar em Santa Comba Dão. A partir daqui inclui-me na renegada manada de ingénuos. Quem leia esta frase conclui o quê? Que eu defendo o Museu de Salazar porque considero que ele tem rigor histórico. Não há outra conclusão possível.

Penso ter sido daqui tirada a curta citação: «Para que conste: não tenho nada contra, muito pelo contrário, a existência de um museu sobre Salazar em Santa Comba Dão. Mas o Estado apenas o deve financiar se o projecto der garantias de rigor histórico e se for uma mais-valia para o estudo do Estado Novo. Seria até muito bem-vindo. Se pretender ser uma homenagem ao ditador e ponto de peregrinação para os que se sentem derrotados pela democracia, não deve receber nem um tostão de apoio do Estado democrático. Eles que o paguem. Cabe ao presidente da Câmara escolher o caminho.»

Ou seja, eu disse que não tenho nada contra um museu com «rigor histórico», e não que não tenho nada contra o museu com «rigor histórico». Um artigo que faz toda a diferença.

Mas compreende-se que o rigor não seja o forte do jornal. No mesmo texto escreve-se: «A verdade é que o único critério (científico) para um museu do salazarismo é o que resulta da Constituição que define o "regime fascista" como "ditadura, opressão e colonialismo" derrubado pelo "MFA, coroando a longa resistência do povo português" e "interpretando os seus sentimentos profundos".»

Cada um dirá de sua justiça se esta lhe parece a melhor definição do Salazarismo. Mas a ideia de que critérios científicos são definidos pela Constituição diz-nos apenas uma coisa: que a sangria de intelectuais no PCP já chegou longe demais.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (11) | partilhar

por Daniel Oliveira



Os números provisórios indicam que a lista “unitária” criada pela linha ortodoxa do PCP para a Fenprof elegerá menos delegados do que a lista realmente unitária (tem gente de vários partidos e de partido nenhum, característica comum a qualquer lista que se queira chamar de "unitária") liderada pela independente Manuela Mendonça. Três consequências óbvias: a estratégia de limpeza que a nova direcção do PCP tem para todos os sectores em que militantes seus estão envolvidos leva a primeira derrota evidente; a tomada de assalto da CGTP (onde a Fenprof representa 10% dos sindicalizados), correndo com todas vozes criticas ou apenas dissonantes, incluindo as do próprio partido, segue ferida; e a substituição forçada de Carvalho da Silva por Mário Nogueira (candidato a lider da Fenprof previsivelmente derrotado) torna-se mais difícil.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (17) | partilhar

por Daniel Oliveira



Os números provisórios indicam que a lista “unitária” criada pela linha ortodoxa do PCP para a Fenprof elegerá menos delegados do que a lista realmente unitária (tem gente de vários partidos e de partido nenhum, característica comum a qualquer lista que se queira chamar de "unitária") liderada pela independente Manuela Mendonça. Três consequências óbvias: a estratégia de limpeza que a nova direcção do PCP tem para todos os sectores em que militantes seus estão envolvidos leva a primeira derrota evidente; a tomada de assalto da CGTP (onde a Fenprof representa 10% dos sindicalizados), correndo com todas vozes criticas ou apenas dissonantes, incluindo as do próprio partido, segue ferida; e a substituição forçada de Carvalho da Silva por Mário Nogueira (candidato a lider da Fenprof previsivelmente derrotado) torna-se mais difícil.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (17) | partilhar

por Daniel Oliveira



Li finalmente a lei do tabaco que irá muito brevemente ser votada no Parlamento e fiquei estarrecido . Teremos, caso esta aberração seja aprovada, uma das leis mais fundamentalistas da Europa, inspirada na lei italiana que
por sua vez se inspirou nas leis americanas. Pego apenas em alguns exemplos da lei.

1. Segundo a lei proposta por Sócrates não se poderá fumar no local de trabalho mas as grandes empresas com mais trabalhadores não são incentivadas a criar espaços para que os fumadores possam fumar nas suas pausas. Pelo contrário. Não sendo a sua criação obrigatória acima de um determinado número de trabalhadores ela é desincentivada, sendo obrigatório um sistema de ventilação próprio, separado do restante. Não é difícil imaginar que podendo não o fazer seja improvável que os empresários optem por este investimento.

2. É proibido fumar nas prisões. Um lugar onde as pessoas estão privadas da liberdade, muitas têm um passado (e presente) de vícios bem mais complicados e a maioria está absolutamente desocupada. Podem ser criados espaços e celas para fumadores com sistema de ventilação próprio. Isto, quando as nossas prisões estão lotadas e não tem o mais básico do mais básico. Por isso, a conclusão é: é proibido fumar nas prisões. Se houver algum bom-senso, ninguém vai tentar aplicar a lei nestes espaços.

3. Não se pode fumar em hotéis, pensões, residenciais e por aí adiante. As unidades hoteleiras podem, caso o entendam, criar quartos para fumadores (nunca mais do que 40% do total), desde que com exaustão de ar independente do sistema de ventilação geral e em andares separados. Ou seja, em pequenos hoteis, nas pensões e nas residenciais será proibido fumar.

4. É proibido fumar em restaurantes e bares com menos de 100 m2. Os espaços com mais de 100m2 podem criar espaços para fumadores, desde que completamente isolados e com exaustão de ar própria. Não pode ocupar mais do que 30% do espaço. Ou seja, é proibido fumar na esmagadora maioria dos restaurantes e em quase todos os bares. Quase todos têm menos 100 m2.

5. É proibido fumar e a lei não prevê a possibilidade de criação de espaços para o efeito em órgãos da administração pública.

6. As coimas para os fumadores (refiro-me apenas a estas) podem ir até 1000 euros. Num convite à caça à multa, um terço das receitas destas coimas vai directa para os cofres da entidade fiscalizadora.

7. É proibido vender tabaco a menores de 18 anos.

Fico-me por aqui nos exemplos. Resta saber que basicamente não se pode fumar em lado nenhum a não ser ao ar-livre e em casa (lá chegaremos).

Uma lei sobre o tabaco deve ter, na minha opinião, duas funções: defender os fumadores (obrigando as tabaqueiras a dar toda a informação necessária para que eles sejam responsáveis pelo seu acto) e defender a saúde dos não-fumadores. Não serve para impedir ou dificultar o consumo de tabaco, não serve para combater o vício, não serve para promover formas de vida que a maioria acha melhores do que outras. Assim, volto a cada um dos pontos.

1. A regra de não fumar no local de trabalho é correcta. Mas é fundamental que, sendo a lei a proibir que se fume no local de trabalho, seja a lei a obrigar as empresas acima de um determinado número de funcionários a criar espaços para fumar. No caso de pessoas que trabalham sozinhas num espaço isolado não vejo razão para proibir que se fume. As empresas, quando contratam um trabalhador, não devem poder perguntar-lhe se é ou não fumador. Quem não percebe que regras fundamentalistas sobre o tabaco no local de trabalho serão mais um instrumento de exibição de poder nas empresas portuguesas não deve conhecer os empresários portugueses.

2. A lei aplicada às prisões portuguesas, insalubres, com péssimas condições, é quase um insulto de tal forma demonstra como estão invertidas as prioridades na defesa da dignidade humana e da saúde. Quando as prisões poderem ter celas ou espaços para fumadores, quer dizer que já não estão lotadas e já não se morre de tudo. Talvez então faça sentido falar de espaços para fumadores. Até lá, não fosse trágico, limitava-se a demonstrar como a situação vergonhosa das prisões portuguesas é desconhecida de quem nos governa.

3. Alguém tem de me explicar qual é o problema de fumar num quarto de hotel. O fumo passa por baixo das portas ou pelas paredes? Se assim é, não teremos de proibir que se fume nas nossas casas para não incomodar os nossos vizinhos? Qual é exactamente o dano para a saúde alheia que alguém fume no seu próprio quarto? O cheiro? Vamos exigir que a lei contemple o banho diário? Vamos legislar sobre os perfumes?

O cheiro nada tem a ver com a defesa da saúde. O o hotel areja os quartos e muda a roupa para não ficar nenhum cheiro nem de tabaco nem do corpo nem de nada do hóspede anterior. Quando o faz é um hotel higiénico. Se não o faz convenientemente não o é. Não vejo porque a lei deva ser mais específica em relação ao odor do tabaco do que a qualquer outro. Hoje, vários hotéis têm quartos para fumadores e não-fumadores. É um serviço que prestam e não precisaram que a lei o definisse. O resultado desta lei será absurdo: todas as pequenas pensões, hotéis de charme ou residenciais a serem interditas a fumadores. Porque uma coisa vos posso garantir: o único sitio onde um fumador se recusa a ficar (sobretudo quando esteja mau tempo) é num hotel onde não pode fumar.

4. Olhando para a lei, podemos partir deste principio: é proibido fumar em restaurantes e bares. Depois haverá as excepções, que serão garantidas pelos grandes espaços. A lei espanhola foi mais sábia. Deu aos bares e restaurantes o poder de decidir. Com duas condições: ter de ser clara a decisão e terem de investir na exaustão de ar caso decidissem ser para fumadores. Cada um decide onde vai. Eles têm a liberdade de escolher e eu também. No meu caso, não me importo de ir a um restaurante onde não posso fumar ao almoço. Não vou se for ao jantar. E não ponho os pés num bar onde não possa fumar. Conheço pessoas que sofrem com o tabaco sempre que saem à noite. Acho muitíssimo bem que tenham a certeza que haverá bares onde sabem que não se fuma. Pode dar-se o caso (como às vezes se dá) de saírem comigo. Teremos de ser nós, e não o Estado, a decidir onde ir. Ainda acredito que a sociedade pode viver sem ter de legislar sobre cada pormenor do seu funcionamento. O que não aceito é que para um não-fumador poder ir ao mesmo bar do que eu, eu esteja proibido de fumar. Pode dar-se o caso, e em tantos casos se dá, de eu preferir a companhia de um cigarro à sua companhia. E então é simples. Ele vai a um bar onde não é incomodado pelo meu tabaco. Eu vou a um bar onde me mato à vontade.

Dirão: isso é deixar o mercado funcionar. É. Mas um dos problemas do mercado a funcionar sem regulação é que tende a favorecer quem tem mais poder de compra. A liberdade é assim meramente aparente, funciona apenas para alguns. E o Estado deve intervir para defender o valor da liberdade e de alguma igualdade. Não me parece, até que me provem o contrário, que haja uma diferença de poder de compra entre fumadores e não-fumadores que obrigue o Estado a defender uns perante os outros. A única diferença é que os não fumadores são muito mais (mais de 70%). Basta criar as regras que não existem hoje. E que os não-fumadores mais aguerridos, alguns deles sempre tão violentos em todos os fóruns de debate, façam valer o facto, junto de restaurantes e bares, de serem a maioria. Como mercado, são muito mais apetecíveis. Se o tabaco os incomoda muito (e eu acredito que sim), de certeza que passarão a ir a sítios onde não se pode fumar. Se não os incomodasse o suficiente para se separarem do amigo ou do colega que fuma, então não perceberia bem o objectivo desta lei.

Um dos argumentos que me atiram como fumo para a cara de cada vez que tenho este debate é o dos direitos do trabalhadores da noite, que não devem ser obrigados a inalar o fumo dos outros. De acordo. Só não percebo porque não se aplica a regra aos portageiros (as emissões dos carros garanto que são bem mais tóxicas), aos que trabalham em parques de estacionamento subterrâneos, aos mineiros, aos que trabalham na industria electrónica e ganham grande parte das vezes tendinites graças ao trabalho minucioso e repetitivo... Podia aqui continuar horas. As profissões, quase todas elas, têm riscos para a saúde. Legisla-se na medida do possível para as reduzir.Mas dar mais direitos e poder reivindicativo aos trabalhadores da hotelaria talvez ajudasse para saber se, trabalhando quase todos a recibos verdes, ganhando muitos deles pouco mais que o salário mínimo, sendo frequentemente substituídos por trabalhadores ilegais, esta é a sua grande urgência. Cheira-me que não. E talvez com mais direitos também eles pudessem começar a escolher onde preferem trabalhar. Ainda assim, defendo que os estabelecimentos que decidam ser para fumadores tenham regras rigorosas de exaustão de ar. Porque o fumo acumulado incomoda fumadores e não-fumadores.

5. O facto de ser proibido fumar, sem excepção, em órgãos da administração pública denuncia a verdadeira natureza desta lei. O que tem administração pública de diferente de qualquer local de trabalho? Dá o exemplo. Esta lei quer ser mais do que uma lei de defesa da saúde dos não-fumadores. É uma lei contra o tabaco. Basta ver o nível grosseiro das campanhas anti-tabágicas para perceber que quem as faz não está apenas a pensar na saúde pública. Presente-se nestas campanhas o desprezo e até o nojo (como lamber um cinzeiro) pelo vício alheio.

6. Sobre o valor das coimas diria o mesmo que digo sobre os valores exorbitantes dos impostos sobre o tabaco. Os fumadores são uma minoria. E, no caso, uma minoria carregada de sentimentos de culpa. A culpa dos toxicodependentes. Não se organizam nem como consumidores nem como cidadãos. Por isso, o Estado sente-se no direito de não ter noção das proporções. Fumar é o pecado do século XXI. Ser saudável é a pureza do século XXI (e de outros séculos).

Um dos argumentos mais aterradores que surge frequentemente são as despesas em saúde. Espero que quem argumenta assim se aperceba do mundo em que quer viver. Nele, as pessoas deviam ser punidas por não serem saudáveis. A não ser que não tivessem culpa. Mas alguém que trabalha demais tem culpa. Alguém que bebe demais tem culpa. Alguém que come demais tem culpa. Alguém que dorme de menos tem culpa. Enfim, alguém que viva demais tem culpa. O Estado fiscalizaria tudo e definiria o preço a pagar. Na realidade, nada tem de novo. As seguradoras já o fazem. Mas essa é uma das razões porque sou a favor de um Serviço Nacional de Saúde público de qualidade. Porque, para além da saúde e da igualdade, defende um valor que o sector privado diz defender mas que as seguradoras mostram bem não ser o seu: o valor da liberdade. E não há espaço mais fundamental da nossa liberdade do que o corpo.

Se esta lei não fosse uma perseguição ao vicio não destacava quase um terço do dinheiro das coimas para os organismos de fiscalização. Dirigia-os para o tratamento das doenças associadas ao consumo de tabaco. Mas, talvez mais interessante: porque não criar, com parte do dinheiro que pagamos nos impostos sobre tabaco e com o dinheiro das coimas, programas de desabituação que os privados já têm nos hospitais públicos? Aí sim, provava-se que é mais do que uma campanha moralizadora que move o legislador.

7. Proibir alguém que tem 16 ou 17 anos de comprar tabaco é patético. Um rapaz ou uma rapariga de 16 anos pode pagar impostos e ser criminalmente responsável pelos seus actos. Melhor: pode comprar bebidas alcoólicas. Mas não pode fumar. Pode beber um shot, mas não pode fumar um cigarro enquanto o bebe. Pode dar uma queca. Mas não pode fumar um cigarro depois dela.

A lei do tabaco repete a tentação de outras leis noutros tempos. Com a vantagem de não ter qualquer custo para o Estado, faz o papel de lei pela saúde. A tendência será cada vez mais esta: quanto menos papel regulador na economia e prestador de serviços públicos (incluindo os relacionados com a saúde) o Estado venha a ter, quanto mais tenderá a legislar sobre os hábitos dos cidadãos. O Estado perde poder para afrontar o poder económico, afronta o cidadão. O Estado perde recursos para oferecer cuidados de saúde ao cidadão, obriga o cidadão a ter uma vida saudável. De Estado Providência, passaremos para um Estado Moralizador, que tem a repressão onde antes tinha hospitais e escolas. Era assim antes da democracia e muito antes do Estado Social, assim pode voltar a ser.

Esta lei, que contará seguramente com largo apoio na população, é também um sinal dos tempos em que vivemos. Nada se resolve entre as pessoas. Tudo se resolve através de leis e tribunais. E o espaço mais perigoso é exactamente este: o espaço das pequenas liberdades individuais. Ele é a primeira esfera da nossa liberdade e até de alguma ideia de individualidade. Não vale a pena ficarmos todos contentes porque finalmente podemos ser mulheres, negros ou homossexuais sem sermos discriminados se passarmos a ter de pedir desculpas ao Estado por ser gordos, fumadores ou alcoólicos. Se é a verdade que a nossa liberdade acaba onde começa a do outro, é sempre bom que o outro pondere muito bem onde começa a sua liberdade. Caso contrário temos boas razões para pensar que é apenas a nossa liberdade que o incómoda.

Venha uma lei que defenda a saúde dos não-fumadores. E que respeite o direito dos fumadores a serem fumadores. A escolha é deles. E, como sabem, pagarão bem cara a escolha que fizeram. Chega para redimir o seu pecado, não chega?


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (42) | partilhar

por Daniel Oliveira



Li finalmente a lei do tabaco que irá muito brevemente ser votada no Parlamento e fiquei estarrecido . Teremos, caso esta aberração seja aprovada, uma das leis mais fundamentalistas da Europa, inspirada na lei italiana que
por sua vez se inspirou nas leis americanas. Pego apenas em alguns exemplos da lei.

1. Segundo a lei proposta por Sócrates não se poderá fumar no local de trabalho mas as grandes empresas com mais trabalhadores não são incentivadas a criar espaços para que os fumadores possam fumar nas suas pausas. Pelo contrário. Não sendo a sua criação obrigatória acima de um determinado número de trabalhadores ela é desincentivada, sendo obrigatório um sistema de ventilação próprio, separado do restante. Não é difícil imaginar que podendo não o fazer seja improvável que os empresários optem por este investimento.

2. É proibido fumar nas prisões. Um lugar onde as pessoas estão privadas da liberdade, muitas têm um passado (e presente) de vícios bem mais complicados e a maioria está absolutamente desocupada. Podem ser criados espaços e celas para fumadores com sistema de ventilação próprio. Isto, quando as nossas prisões estão lotadas e não tem o mais básico do mais básico. Por isso, a conclusão é: é proibido fumar nas prisões. Se houver algum bom-senso, ninguém vai tentar aplicar a lei nestes espaços.

3. Não se pode fumar em hotéis, pensões, residenciais e por aí adiante. As unidades hoteleiras podem, caso o entendam, criar quartos para fumadores (nunca mais do que 40% do total), desde que com exaustão de ar independente do sistema de ventilação geral e em andares separados. Ou seja, em pequenos hoteis, nas pensões e nas residenciais será proibido fumar.

4. É proibido fumar em restaurantes e bares com menos de 100 m2. Os espaços com mais de 100m2 podem criar espaços para fumadores, desde que completamente isolados e com exaustão de ar própria. Não pode ocupar mais do que 30% do espaço. Ou seja, é proibido fumar na esmagadora maioria dos restaurantes e em quase todos os bares. Quase todos têm menos 100 m2.

5. É proibido fumar e a lei não prevê a possibilidade de criação de espaços para o efeito em órgãos da administração pública.

6. As coimas para os fumadores (refiro-me apenas a estas) podem ir até 1000 euros. Num convite à caça à multa, um terço das receitas destas coimas vai directa para os cofres da entidade fiscalizadora.

7. É proibido vender tabaco a menores de 18 anos.

Fico-me por aqui nos exemplos. Resta saber que basicamente não se pode fumar em lado nenhum a não ser ao ar-livre e em casa (lá chegaremos).

Uma lei sobre o tabaco deve ter, na minha opinião, duas funções: defender os fumadores (obrigando as tabaqueiras a dar toda a informação necessária para que eles sejam responsáveis pelo seu acto) e defender a saúde dos não-fumadores. Não serve para impedir ou dificultar o consumo de tabaco, não serve para combater o vício, não serve para promover formas de vida que a maioria acha melhores do que outras. Assim, volto a cada um dos pontos.

1. A regra de não fumar no local de trabalho é correcta. Mas é fundamental que, sendo a lei a proibir que se fume no local de trabalho, seja a lei a obrigar as empresas acima de um determinado número de funcionários a criar espaços para fumar. No caso de pessoas que trabalham sozinhas num espaço isolado não vejo razão para proibir que se fume. As empresas, quando contratam um trabalhador, não devem poder perguntar-lhe se é ou não fumador. Quem não percebe que regras fundamentalistas sobre o tabaco no local de trabalho serão mais um instrumento de exibição de poder nas empresas portuguesas não deve conhecer os empresários portugueses.

2. A lei aplicada às prisões portuguesas, insalubres, com péssimas condições, é quase um insulto de tal forma demonstra como estão invertidas as prioridades na defesa da dignidade humana e da saúde. Quando as prisões poderem ter celas ou espaços para fumadores, quer dizer que já não estão lotadas e já não se morre de tudo. Talvez então faça sentido falar de espaços para fumadores. Até lá, não fosse trágico, limitava-se a demonstrar como a situação vergonhosa das prisões portuguesas é desconhecida de quem nos governa.

3. Alguém tem de me explicar qual é o problema de fumar num quarto de hotel. O fumo passa por baixo das portas ou pelas paredes? Se assim é, não teremos de proibir que se fume nas nossas casas para não incomodar os nossos vizinhos? Qual é exactamente o dano para a saúde alheia que alguém fume no seu próprio quarto? O cheiro? Vamos exigir que a lei contemple o banho diário? Vamos legislar sobre os perfumes?

O cheiro nada tem a ver com a defesa da saúde. O o hotel areja os quartos e muda a roupa para não ficar nenhum cheiro nem de tabaco nem do corpo nem de nada do hóspede anterior. Quando o faz é um hotel higiénico. Se não o faz convenientemente não o é. Não vejo porque a lei deva ser mais específica em relação ao odor do tabaco do que a qualquer outro. Hoje, vários hotéis têm quartos para fumadores e não-fumadores. É um serviço que prestam e não precisaram que a lei o definisse. O resultado desta lei será absurdo: todas as pequenas pensões, hotéis de charme ou residenciais a serem interditas a fumadores. Porque uma coisa vos posso garantir: o único sitio onde um fumador se recusa a ficar (sobretudo quando esteja mau tempo) é num hotel onde não pode fumar.

4. Olhando para a lei, podemos partir deste principio: é proibido fumar em restaurantes e bares. Depois haverá as excepções, que serão garantidas pelos grandes espaços. A lei espanhola foi mais sábia. Deu aos bares e restaurantes o poder de decidir. Com duas condições: ter de ser clara a decisão e terem de investir na exaustão de ar caso decidissem ser para fumadores. Cada um decide onde vai. Eles têm a liberdade de escolher e eu também. No meu caso, não me importo de ir a um restaurante onde não posso fumar ao almoço. Não vou se for ao jantar. E não ponho os pés num bar onde não possa fumar. Conheço pessoas que sofrem com o tabaco sempre que saem à noite. Acho muitíssimo bem que tenham a certeza que haverá bares onde sabem que não se fuma. Pode dar-se o caso (como às vezes se dá) de saírem comigo. Teremos de ser nós, e não o Estado, a decidir onde ir. Ainda acredito que a sociedade pode viver sem ter de legislar sobre cada pormenor do seu funcionamento. O que não aceito é que para um não-fumador poder ir ao mesmo bar do que eu, eu esteja proibido de fumar. Pode dar-se o caso, e em tantos casos se dá, de eu preferir a companhia de um cigarro à sua companhia. E então é simples. Ele vai a um bar onde não é incomodado pelo meu tabaco. Eu vou a um bar onde me mato à vontade.

Dirão: isso é deixar o mercado funcionar. É. Mas um dos problemas do mercado a funcionar sem regulação é que tende a favorecer quem tem mais poder de compra. A liberdade é assim meramente aparente, funciona apenas para alguns. E o Estado deve intervir para defender o valor da liberdade e de alguma igualdade. Não me parece, até que me provem o contrário, que haja uma diferença de poder de compra entre fumadores e não-fumadores que obrigue o Estado a defender uns perante os outros. A única diferença é que os não fumadores são muito mais (mais de 70%). Basta criar as regras que não existem hoje. E que os não-fumadores mais aguerridos, alguns deles sempre tão violentos em todos os fóruns de debate, façam valer o facto, junto de restaurantes e bares, de serem a maioria. Como mercado, são muito mais apetecíveis. Se o tabaco os incomoda muito (e eu acredito que sim), de certeza que passarão a ir a sítios onde não se pode fumar. Se não os incomodasse o suficiente para se separarem do amigo ou do colega que fuma, então não perceberia bem o objectivo desta lei.

Um dos argumentos que me atiram como fumo para a cara de cada vez que tenho este debate é o dos direitos do trabalhadores da noite, que não devem ser obrigados a inalar o fumo dos outros. De acordo. Só não percebo porque não se aplica a regra aos portageiros (as emissões dos carros garanto que são bem mais tóxicas), aos que trabalham em parques de estacionamento subterrâneos, aos mineiros, aos que trabalham na industria electrónica e ganham grande parte das vezes tendinites graças ao trabalho minucioso e repetitivo... Podia aqui continuar horas. As profissões, quase todas elas, têm riscos para a saúde. Legisla-se na medida do possível para as reduzir.Mas dar mais direitos e poder reivindicativo aos trabalhadores da hotelaria talvez ajudasse para saber se, trabalhando quase todos a recibos verdes, ganhando muitos deles pouco mais que o salário mínimo, sendo frequentemente substituídos por trabalhadores ilegais, esta é a sua grande urgência. Cheira-me que não. E talvez com mais direitos também eles pudessem começar a escolher onde preferem trabalhar. Ainda assim, defendo que os estabelecimentos que decidam ser para fumadores tenham regras rigorosas de exaustão de ar. Porque o fumo acumulado incomoda fumadores e não-fumadores.

5. O facto de ser proibido fumar, sem excepção, em órgãos da administração pública denuncia a verdadeira natureza desta lei. O que tem administração pública de diferente de qualquer local de trabalho? Dá o exemplo. Esta lei quer ser mais do que uma lei de defesa da saúde dos não-fumadores. É uma lei contra o tabaco. Basta ver o nível grosseiro das campanhas anti-tabágicas para perceber que quem as faz não está apenas a pensar na saúde pública. Presente-se nestas campanhas o desprezo e até o nojo (como lamber um cinzeiro) pelo vício alheio.

6. Sobre o valor das coimas diria o mesmo que digo sobre os valores exorbitantes dos impostos sobre o tabaco. Os fumadores são uma minoria. E, no caso, uma minoria carregada de sentimentos de culpa. A culpa dos toxicodependentes. Não se organizam nem como consumidores nem como cidadãos. Por isso, o Estado sente-se no direito de não ter noção das proporções. Fumar é o pecado do século XXI. Ser saudável é a pureza do século XXI (e de outros séculos).

Um dos argumentos mais aterradores que surge frequentemente são as despesas em saúde. Espero que quem argumenta assim se aperceba do mundo em que quer viver. Nele, as pessoas deviam ser punidas por não serem saudáveis. A não ser que não tivessem culpa. Mas alguém que trabalha demais tem culpa. Alguém que bebe demais tem culpa. Alguém que come demais tem culpa. Alguém que dorme de menos tem culpa. Enfim, alguém que viva demais tem culpa. O Estado fiscalizaria tudo e definiria o preço a pagar. Na realidade, nada tem de novo. As seguradoras já o fazem. Mas essa é uma das razões porque sou a favor de um Serviço Nacional de Saúde público de qualidade. Porque, para além da saúde e da igualdade, defende um valor que o sector privado diz defender mas que as seguradoras mostram bem não ser o seu: o valor da liberdade. E não há espaço mais fundamental da nossa liberdade do que o corpo.

Se esta lei não fosse uma perseguição ao vicio não destacava quase um terço do dinheiro das coimas para os organismos de fiscalização. Dirigia-os para o tratamento das doenças associadas ao consumo de tabaco. Mas, talvez mais interessante: porque não criar, com parte do dinheiro que pagamos nos impostos sobre tabaco e com o dinheiro das coimas, programas de desabituação que os privados já têm nos hospitais públicos? Aí sim, provava-se que é mais do que uma campanha moralizadora que move o legislador.

7. Proibir alguém que tem 16 ou 17 anos de comprar tabaco é patético. Um rapaz ou uma rapariga de 16 anos pode pagar impostos e ser criminalmente responsável pelos seus actos. Melhor: pode comprar bebidas alcoólicas. Mas não pode fumar. Pode beber um shot, mas não pode fumar um cigarro enquanto o bebe. Pode dar uma queca. Mas não pode fumar um cigarro depois dela.

A lei do tabaco repete a tentação de outras leis noutros tempos. Com a vantagem de não ter qualquer custo para o Estado, faz o papel de lei pela saúde. A tendência será cada vez mais esta: quanto menos papel regulador na economia e prestador de serviços públicos (incluindo os relacionados com a saúde) o Estado venha a ter, quanto mais tenderá a legislar sobre os hábitos dos cidadãos. O Estado perde poder para afrontar o poder económico, afronta o cidadão. O Estado perde recursos para oferecer cuidados de saúde ao cidadão, obriga o cidadão a ter uma vida saudável. De Estado Providência, passaremos para um Estado Moralizador, que tem a repressão onde antes tinha hospitais e escolas. Era assim antes da democracia e muito antes do Estado Social, assim pode voltar a ser.

Esta lei, que contará seguramente com largo apoio na população, é também um sinal dos tempos em que vivemos. Nada se resolve entre as pessoas. Tudo se resolve através de leis e tribunais. E o espaço mais perigoso é exactamente este: o espaço das pequenas liberdades individuais. Ele é a primeira esfera da nossa liberdade e até de alguma ideia de individualidade. Não vale a pena ficarmos todos contentes porque finalmente podemos ser mulheres, negros ou homossexuais sem sermos discriminados se passarmos a ter de pedir desculpas ao Estado por ser gordos, fumadores ou alcoólicos. Se é a verdade que a nossa liberdade acaba onde começa a do outro, é sempre bom que o outro pondere muito bem onde começa a sua liberdade. Caso contrário temos boas razões para pensar que é apenas a nossa liberdade que o incómoda.

Venha uma lei que defenda a saúde dos não-fumadores. E que respeite o direito dos fumadores a serem fumadores. A escolha é deles. E, como sabem, pagarão bem cara a escolha que fizeram. Chega para redimir o seu pecado, não chega?


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (42) | partilhar

por Daniel Oliveira
Por razões de saúde estive ausante desde quinta-feira. Por isso, para além de não ter postado, não aprovei comentários. As minhas desculpas a todos os que comentaram e tiveram de esperar este tempo todo. Estou melhor e o blogue segue a partir de agora.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Quinta-feira, 22 de Março de 2007
por Daniel Oliveira
O Conselho de Jurisdição do CDS reúne-se hoje em Fátima.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (14) | partilhar

por Daniel Oliveira
Uma juíza alemã a invocar o Corão para não dar o divórcio a uma cidadã de origem marroquina vitima de violência doméstica é a suprema inversão dos valores.

1. O Ocidente não conseguirá impor os seus valores (aceitando a ideia um pouco forçada de que o respeito pelos direitos das mulheres é um valor consensual no Ocidente), mas deve apoiar todos os que no Mundo lutam pelos direitos humanos, pelo menos pelos seus direitos. Não se liberta a mulher muçulmana contra a sua vontade. Mas não seria mau ser solidário com as mulheres muçulmanas que querem ser livres (e são muitas).

2. O Estados Ocidentais não têm nem devem ter leis religiosas. E isso aplica-se a todas as religiões.

3. Para a maioria dos religiosos muçulmanos o Corão não aceita a violência sobre as mulheres. A juíza limitou-se a aprofundar o preconceito e a alinhar com o islamismo mais conservador e radical que tenta impor a sua leitura teológica e política do Corão nos países muçulmanos e no Ocidente.

4. No "confronto de civilizações" advogado pelos conservadores do lado de cá, os fanáticos religiosos têm sido escolhidos como os verdadeiros representantes dos sentimentos muçulmanos. Mal. Parecendo ser tolerante, esta juíza fez exactamente o mesmo. Uns e outros vivem num equivoco: que há um homogeneidade religiosa e cultural no Islão.

5. A juíza prestou um péssimo serviço ao incipiente mas corajoso feminismo muçulmano e ao diálogo com as comunidades muçulmanas na Europa.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (21) | partilhar

por Daniel Oliveira
Medeiros Ferreira lamenta que Portugal continue obcecado com os títulos nobiliárquicos, dantes «duques e marquezes, depois conselheiros, agora doutores e engenheiros». Tem toda a razão e quem lho diz é alguém que deixou o curso por acabar e é a todos os níveis um plebeu sem direito a qualquer título, herdado ou adquirido. Por razões práticas, até me dava jeito arrecadar o canudo num aninho, sem grande esforço. Mas não posso. E acho muito bem que não possa porque há uns quantos a esfalfarem-se para o fazer.

Não sei se há ou não há qualquer irregularidade no diploma de José Sócrates. Talvez não haja e a investigação do "Público" não prova grande coisa. Mas, ao contrário do que se depreende do post de Medeiros Ferreira, é apenas o rigor processual que se exige à generalidade das pessoas que acabam os cursos superiores que está a ser investigado. O debate, a haver debate, não é sobre a importância de ter um titulo. Que, na actividade política, é nenhuma. Para atestar a legitimidade de um político exige-se apenas que tenha ultrapassado satisfatoriamente uma prova: a dos votos. Seja doutor, arquitecto, engenheiro ou (coisa mais rara) apenas um senhor ou uma senhora.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

por Daniel Oliveira



Hoje, no "Público, uma investigação que começou com rumores na blogosfera. O jornal descobriu falhas no dossier do curso do primeiro-ministro, acabado na Universidade Independente quando Sócrates já se preparava para ir para o governo de Guterres. Passagem administrativa por favor ou apenas má-vontade de invejosos? Acredito que tudo se esclarecerá muito em breve.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (25) | partilhar

por Daniel Oliveira



Hoje, no "Público, uma investigação que começou com rumores na blogosfera. O jornal descobriu falhas no dossier do curso do primeiro-ministro, acabado na Universidade Independente quando Sócrates já se preparava para ir para o governo de Guterres. Passagem administrativa por favor ou apenas má-vontade de invejosos? Acredito que tudo se esclarecerá muito em breve.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (25) | partilhar

Quarta-feira, 21 de Março de 2007
por Daniel Oliveira
Já aqui postei um vídeo bem demonstrativo de como os adolescentes que tratam da ocupação do Iraque se divertem, parecendo que domina o desrespeito absoluto pelo país onde nem convidados são. Segue outro, que vem via oBitoque:


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (17) | partilhar

por Daniel Oliveira
Os allgarvios estão zangados porque porque a região ganhou subitamente imenso pedigree: tem dois l's. Mas a tradução tem uma leitura subliminar. Se Garve (Gharb) quer dizer Ocidente em árabe, All Garve quer dizer, em linguagem global, "Tudo Ocidente". Muito neocon, não é?

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

por Daniel Oliveira


Via Renas e Veados.

Isto é o "Bela e o Mestre" em versão italiana. Os senhores a comportarem-se como se estivessem num Conselho Nacional do CDS são Vittorio Sgarbi, ex-colaborador de Berlusconi condenado por corrupção, e Alessandra Mussolini, neta de Mussolini e dirigente da extrema-direita italiana. Talvez seja bom Rui Zink e Clara Pinto Correia saberem quem são os seus homólogos italianos. E o CDS saber que não está sozinho na direita europeia.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

pesquisa
 
TV Arrastão
Inquérito
Outras leituras
Outras leituras
Subscrever


RSSPosts via RSS Sapo

RSSPosts via feedburner (temp/ indisponível)

RSSComentários

arquivos
2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


Contador