Sábado, 30 de Junho de 2007
por Daniel Oliveira
Há aí muita gente a propor o fim do Ministério da Cultura. Acho que seria um desperdício. Proponho uma OPA. Joe Berardo tem o perfil indicado, imensas opiniões, o mediatismo necessário e parece ter mais apoio de José Sócrates do que qualquer ministro possível. Vamos a isso. O CCB (Centro Comendador Berardo) podia ser só o começo de uma época dourada. E para secretário de Estado, o La Féria, claro.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

por Daniel Oliveira



Há 20 anos que José Sá Fernandes dá o litro por Lisboa. Poderão discordar dele. Poderão achar que o que fez foi mau para Lisboa. Não concordo, mas são sempre criticas legítimas. O que ninguém poderá duvidar é que se candidata exclusivamente devido à sua ligação à cidade. E eu acho que mais do que discursos redondos sobre cidadania, fazem falta pessoas que se candidatam aos cargos porque os cargos lhes dizem realmente alguma coisa.

Sá Fernandes não tolera a corrupção. Não a acha natural ou inevitável. E leva a sério a ideia de que a corrupção não é apenas moralmente condenável. É um roubo à democracia. Apesar disto, nunca ouvi de Sá Fernandes uma frase sobre “os políticos”. E, não sendo geralmente visto como um político e tendo provas dadas no combate à corrupção, estaria na posição ideal para esse caminho fácil. Sá Fernandes respeita as funções públicas. Populismo não é combater a corrupção, é combater a democracia usando o argumento da corrupção. Por isso mesmo Sá Fernandes fez o que tinha de fazer. Usou, como cidadão, a arma que o Estado de Direito lhe dá: a justiça. E como autarca o poder que o voto lhe deu: o de denúncia e da oposição a decisões erradas. Que haja quem ache que isto é condenável é coisa que me deixa boqueaberto.

Sá Fernandes conhece Lisboa como nunca conheci ninguém que a conhecesse. Para quem vive nesta cidade é uma experiência magnifica passear por ela com José Sá Fernandes. É impressionante as coisas que nos passam ao lado. Conhece cada canto, cada segredo. Para uma pessoa como eu, que nasceu e viveu em Lisboa, que se sente mais lisboeta do que português ou europeu e que sabe que ter nascido numa das cidades mais bonitas da Europa é um privilégio que tanta gente despreza, esta é uma razão forte para o querer na Câmara. Confesso que, de todas as razões, é a que, emocionalmente, mais me move. Quero ter na câmara alguém que trate esta cidade com respeito. Que se sinta ferido de cada vez que ferem a minha cidade. E pelo menos disto só tenho certezas em relação a Sá Fernandes.

Quando decidi que, apesar de abandonar todas as minhas responsabilidades dirigentes no Bloco, queria ainda trabalhar afincadamente nesta campanha, foi por uma razão que resulta de todas estas: seria de uma injustiça insuportável para mim que depois dos últimos dois anos, Sá Fernandes não reforçasse a sua votação. Teria de o aceitar, porque se tem sempre de aceitar o voto popular em democracia. Mas não ficaria descansado se não tivesse feito tudo para que Sá Fernandes tivesse a confirmação eleitoral de que o seu comportamento moral e político merece admiração dos eleitores. Se não fosse por outra razão, a do exemplo.

Na coluna da direita estará, até ao fim da campanha eleitoral, o meu apoio a Sá Fernandes. Ele gosta de Lisboa e eu também. Aos que aqui me visitem, sejam do concelho de Lisboa, tenham blogue e apoiem Sá Fernandes, fica o pedido para deixarem na caixa de comentários o vosso link para que possam ficar na coluna da direita, logo em baixo deste apoio expresso.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (34) | partilhar

por Daniel Oliveira



Há 20 anos que José Sá Fernandes dá o litro por Lisboa. Poderão discordar dele. Poderão achar que o que fez foi mau para Lisboa. Não concordo, mas são sempre criticas legítimas. O que ninguém poderá duvidar é que se candidata exclusivamente devido à sua ligação à cidade. E eu acho que mais do que discursos redondos sobre cidadania, fazem falta pessoas que se candidatam aos cargos porque os cargos lhes dizem realmente alguma coisa.

Sá Fernandes não tolera a corrupção. Não a acha natural ou inevitável. E leva a sério a ideia de que a corrupção não é apenas moralmente condenável. É um roubo à democracia. Apesar disto, nunca ouvi de Sá Fernandes uma frase sobre “os políticos”. E, não sendo geralmente visto como um político e tendo provas dadas no combate à corrupção, estaria na posição ideal para esse caminho fácil. Sá Fernandes respeita as funções públicas. Populismo não é combater a corrupção, é combater a democracia usando o argumento da corrupção. Por isso mesmo Sá Fernandes fez o que tinha de fazer. Usou, como cidadão, a arma que o Estado de Direito lhe dá: a justiça. E como autarca o poder que o voto lhe deu: o de denúncia e da oposição a decisões erradas. Que haja quem ache que isto é condenável é coisa que me deixa boqueaberto.

Sá Fernandes conhece Lisboa como nunca conheci ninguém que a conhecesse. Para quem vive nesta cidade é uma experiência magnifica passear por ela com José Sá Fernandes. É impressionante as coisas que nos passam ao lado. Conhece cada canto, cada segredo. Para uma pessoa como eu, que nasceu e viveu em Lisboa, que se sente mais lisboeta do que português ou europeu e que sabe que ter nascido numa das cidades mais bonitas da Europa é um privilégio que tanta gente despreza, esta é uma razão forte para o querer na Câmara. Confesso que, de todas as razões, é a que, emocionalmente, mais me move. Quero ter na câmara alguém que trate esta cidade com respeito. Que se sinta ferido de cada vez que ferem a minha cidade. E pelo menos disto só tenho certezas em relação a Sá Fernandes.

Quando decidi que, apesar de abandonar todas as minhas responsabilidades dirigentes no Bloco, queria ainda trabalhar afincadamente nesta campanha, foi por uma razão que resulta de todas estas: seria de uma injustiça insuportável para mim que depois dos últimos dois anos, Sá Fernandes não reforçasse a sua votação. Teria de o aceitar, porque se tem sempre de aceitar o voto popular em democracia. Mas não ficaria descansado se não tivesse feito tudo para que Sá Fernandes tivesse a confirmação eleitoral de que o seu comportamento moral e político merece admiração dos eleitores. Se não fosse por outra razão, a do exemplo.

Na coluna da direita estará, até ao fim da campanha eleitoral, o meu apoio a Sá Fernandes. Ele gosta de Lisboa e eu também. Aos que aqui me visitem, sejam do concelho de Lisboa, tenham blogue e apoiem Sá Fernandes, fica o pedido para deixarem na caixa de comentários o vosso link para que possam ficar na coluna da direita, logo em baixo deste apoio expresso.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (35) | partilhar

Sexta-feira, 29 de Junho de 2007
por Daniel Oliveira
O ministro Vieira da Silva e outros comentadores têm usado o acordo da Autoeuropa para defender algumas das propostas feitas no inenarrável Livro Branco para as leis laborais. Houve mesmo quem dissesse que o acordo assinado naquela empresa não era de facto possível perante a legislação de trabalho actual. E que outros trabalhadores deveriam seguir o exemplo dos trabalhadores da Autoeuropa em matéria de adaptabilidade de horários. Pedi ao meu amigo António Chora, coordenador da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa e operário naquela fábrica, para escrever um texto para eu publicar aqui para ajudar as pessoas a perceber do que se estava a falar. E ele, simpaticamente, escreveu. Aqui está:




Nos últimos dias várias referencias tem sido feitas ao acordo de 2003 na Autoeuropa a propósito das conclusões do livro branco para as relações laborais e da anunciada flexigurança.

Houve mesmo quem, com responsabilidades, tivesse garantido que face à lei actual o acordo que assinamos não seria legalmente possível. Não é verdade. Tal acordo de ilegal não tem nada. Baseado num acordo de não aumento salarial por dois anos (de 2003 a 2005), ele só foi possível porque as tabelas salariais da Autoeropa estão muito acima das negociadas com os sindicatos.

Ao contrário do que se tem dito, a Autoeuropa não tem adaptabilidade de horários. O que temos é a possibilidade de, havendo trabalho normal, trabalhar 230 dias por ano. Não havendo, o trabalhador fica em casa os dias que forem necessários, cobrando exactamente o mesmo. Não é simples de explicar mas tentarei: todos os anos temos direito a 22 dias “não trabalháveis”. São dias em que recebemos na mesma e podemos trabalhar ou não, conforme a empresa decida. Recebemos sempre. No fim do ano são feitos acertos. Houve, por exemplo, um ano em que ficámos 36 dias sem trabalhar e a receber. Os 14 dias que não estavam incluídos nos dias “não trabalháveis” passaram para o ano seguinte como dívida dos trabalhadores. O que quer isto dizer? Que no ano seguinte ficámos apenas com 8 dias “não trabalháveis” em vez de 22. Se o saldo for positivo (infelizmente ainda não aconteceu à maioria), a empresa paga por isso. E se o saldo for nulo, os trabalhadores recebem, na realidade, 15 meses de salário em vez de 14. É isto que se propõe para o resto das empresas? Não me parece.

Quanto às férias, temos 23 dias de férias garantidos (em vez dos 22 do resto das empresas) e dois dependendo da assiduidade (em vez dos três do resto das empresas). E a avaliação da assiduidade é mais favorável para os trabalhadores do que o que está definido no Código de Trabalho.

O acordo de então também nada tem a ver com o que alguns entendem por flexigurança. Tendo havido uma redução da produção em 60 000 unidades, que punha em perigo 850 postos de trabalho e no limite a continuidade da empresa, o que foi negociado não é nem uma versão local de flexinsegurança, nem qualquer liberdade de despedir. Pelo contrário: ele só foi possível perante a garantia de que não haveria um único despedimento até Dezembro de 2008. Garantia que está a ser cumprida. Em troca, os trabalhadores prescindiram do aumento salarial por dois anos. Em 2005 voltou a haver aumento. E em 2006 o aumento foi decidido para dois anos e foi de 4,5% (o que quer dizer que o aumento do ano seguinte entrou um ano antes) e em Setembro de 2008 haverá, antes de qualquer negociação, um aumento de um por cento logo à partida. Logo em Dezembro de 2006 recebemos um prémio de 1,2 salários no mínimo de 1.200 euros, para todos. Estão as empresas portuguesas disponíveis para este tipo de acordos?

Que não haja enganos. A empresa ganhou com isto. Foi acordado a redução do custo de trabalho extraordinário ao sábado de 200% para 100% em troco da vinda de um novo produto que implicou um investimento de 500 milhões de euros. E a empresa manteve ao seu serviço uma mão-de-obra com excelente formação, para utilizar logo que as encomendas o justificassem, como veio a acontecer.

Comparar isto com a possibilidade de cada empresa despedir a seu belo prazer, pela cor dos olhos, ou por que se é delegado ou activista sindical, com o direito arbitrário do patrão mexer nos horários dos trabalhadores e com a perda de dias de férias é um truque de ilusionismo extraordinário. Os acordos assinados foram exactamente no sentido inverso. Aqui, na Autoeuropa, não há menos férias, menos subsídios ou mais facilidade de despedimentos do que no resto do país. Antes pelo contrario.

O segredo destes acordos não tem segredo nenhum. Está num diálogo permanente, em reuniões semanais com a Administração, e na informação que recebemos sobre a situação da empresa, a todo o momento. Saber utilizar essa informação a favor dos trabalhadores é o que se exige a um dirigente sindical. É isso que fazemos. Não é necessária uma nova lei ou a imposição da flexinsegurança (provavelmente sem segurança nenhuma) para tornar as empresas competitivas. É necessária outra cultura de gestão e de negociação.

Qualquer activista sindical, principalmente os que estão dentro da empresa e que, por isso, dependem da empresa para o seu sustento, está em condições de avaliar, caso a caso, as necessidades de acordos sem interferências governamentais. Mas para isso tem de receber informação e saber passar essa informação para os trabalhadores, discutindo-a com eles, para estar certo de que contará com o seu apoio quando chega e quando não chega a acordo com a administração.

Só que todos sabemos que os patrões portugueses e os administradores da maioria das multinacionais aqui implantadas não querem dar este salto: partilhar informação com as estruturas representativas dos trabalhadores. Preferem continuar, em pleno século XXI, a portar-se como pequenos ditadores, escondendo a situação da empresa, deturpando a informação que dão aos sindicatos e às Comissões de Trabalhadores, trocando a negociação pela imposição, não cumprindo os acordos firmados. É isto e não a lei vigente que leva à desconfiança e a situações de conflito inultrapassáveis dentro das empresas.

Quem queira gerir as empresas e relacionar-se com os trabalhadores de uma forma inovadora e quem queira representar os trabalhadores de forma eficaz, tem de estar preparado para apresentar e receber propostas concretas e criativas que tenham como primeiro objectivo a manutenção dos postos de trabalho.

Infelizmente, esta é a cultura oposta à dos que, aplaudindo as propostas apresentadas no livro branco, não querem nem acordos nem negociações com os representantes dos trabalhadores das suas empresas. A cultura de imposição e da opacidade torna o modelo negocial que temos tido na Autoeuropa numa miragem. Não o usem, por isso, para fazer exactamente o oposto do que aqui temos conseguido.

António Chora


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (25) | partilhar

por Daniel Oliveira
O ministro Vieira da Silva e outros comentadores têm usado o acordo da Autoeuropa para defender algumas das propostas feitas no inenarrável Livro Branco para as leis laborais. Houve mesmo quem dissesse que o acordo assinado naquela empresa não era de facto possível perante a legislação de trabalho actual. E que outros trabalhadores deveriam seguir o exemplo dos trabalhadores da Autoeuropa em matéria de adaptabilidade de horários. Pedi ao meu amigo António Chora, coordenador da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa e operário naquela fábrica, para escrever um texto para eu publicar aqui para ajudar as pessoas a perceber do que se estava a falar. E ele, simpaticamente, escreveu. Aqui está:




Nos últimos dias várias referencias tem sido feitas ao acordo de 2003 na Autoeuropa a propósito das conclusões do livro branco para as relações laborais e da anunciada flexigurança.

Houve mesmo quem, com responsabilidades, tivesse garantido que face à lei actual o acordo que assinamos não seria legalmente possível. Não é verdade. Tal acordo de ilegal não tem nada. Baseado num acordo de não aumento salarial por dois anos (de 2003 a 2005), ele só foi possível porque as tabelas salariais da Autoeropa estão muito acima das negociadas com os sindicatos.

Ao contrário do que se tem dito, a Autoeuropa não tem adaptabilidade de horários. O que temos é a possibilidade de, havendo trabalho normal, trabalhar 230 dias por ano. Não havendo, o trabalhador fica em casa os dias que forem necessários, cobrando exactamente o mesmo. Não é simples de explicar mas tentarei: todos os anos temos direito a 22 dias “não trabalháveis”. São dias em que recebemos na mesma e podemos trabalhar ou não, conforme a empresa decida. Recebemos sempre. No fim do ano são feitos acertos. Houve, por exemplo, um ano em que ficámos 36 dias sem trabalhar e a receber. Os 14 dias que não estavam incluídos nos dias “não trabalháveis” passaram para o ano seguinte como dívida dos trabalhadores. O que quer isto dizer? Que no ano seguinte ficámos apenas com 8 dias “não trabalháveis” em vez de 22. Se o saldo for positivo (infelizmente ainda não aconteceu à maioria), a empresa paga por isso. E se o saldo for nulo, os trabalhadores recebem, na realidade, 15 meses de salário em vez de 14. É isto que se propõe para o resto das empresas? Não me parece.

Quanto às férias, temos 23 dias de férias garantidos (em vez dos 22 do resto das empresas) e dois dependendo da assiduidade (em vez dos três do resto das empresas). E a avaliação da assiduidade é mais favorável para os trabalhadores do que o que está definido no Código de Trabalho.

O acordo de então também nada tem a ver com o que alguns entendem por flexigurança. Tendo havido uma redução da produção em 60 000 unidades, que punha em perigo 850 postos de trabalho e no limite a continuidade da empresa, o que foi negociado não é nem uma versão local de flexinsegurança, nem qualquer liberdade de despedir. Pelo contrário: ele só foi possível perante a garantia de que não haveria um único despedimento até Dezembro de 2008. Garantia que está a ser cumprida. Em troca, os trabalhadores prescindiram do aumento salarial por dois anos. Em 2005 voltou a haver aumento. E em 2006 o aumento foi decidido para dois anos e foi de 4,5% (o que quer dizer que o aumento do ano seguinte entrou um ano antes) e em Setembro de 2008 haverá, antes de qualquer negociação, um aumento de um por cento logo à partida. Logo em Dezembro de 2006 recebemos um prémio de 1,2 salários no mínimo de 1.200 euros, para todos. Estão as empresas portuguesas disponíveis para este tipo de acordos?

Que não haja enganos. A empresa ganhou com isto. Foi acordado a redução do custo de trabalho extraordinário ao sábado de 200% para 100% em troco da vinda de um novo produto que implicou um investimento de 500 milhões de euros. E a empresa manteve ao seu serviço uma mão-de-obra com excelente formação, para utilizar logo que as encomendas o justificassem, como veio a acontecer.

Comparar isto com a possibilidade de cada empresa despedir a seu belo prazer, pela cor dos olhos, ou por que se é delegado ou activista sindical, com o direito arbitrário do patrão mexer nos horários dos trabalhadores e com a perda de dias de férias é um truque de ilusionismo extraordinário. Os acordos assinados foram exactamente no sentido inverso. Aqui, na Autoeuropa, não há menos férias, menos subsídios ou mais facilidade de despedimentos do que no resto do país. Antes pelo contrario.

O segredo destes acordos não tem segredo nenhum. Está num diálogo permanente, em reuniões semanais com a Administração, e na informação que recebemos sobre a situação da empresa, a todo o momento. Saber utilizar essa informação a favor dos trabalhadores é o que se exige a um dirigente sindical. É isso que fazemos. Não é necessária uma nova lei ou a imposição da flexinsegurança (provavelmente sem segurança nenhuma) para tornar as empresas competitivas. É necessária outra cultura de gestão e de negociação.

Qualquer activista sindical, principalmente os que estão dentro da empresa e que, por isso, dependem da empresa para o seu sustento, está em condições de avaliar, caso a caso, as necessidades de acordos sem interferências governamentais. Mas para isso tem de receber informação e saber passar essa informação para os trabalhadores, discutindo-a com eles, para estar certo de que contará com o seu apoio quando chega e quando não chega a acordo com a administração.

Só que todos sabemos que os patrões portugueses e os administradores da maioria das multinacionais aqui implantadas não querem dar este salto: partilhar informação com as estruturas representativas dos trabalhadores. Preferem continuar, em pleno século XXI, a portar-se como pequenos ditadores, escondendo a situação da empresa, deturpando a informação que dão aos sindicatos e às Comissões de Trabalhadores, trocando a negociação pela imposição, não cumprindo os acordos firmados. É isto e não a lei vigente que leva à desconfiança e a situações de conflito inultrapassáveis dentro das empresas.

Quem queira gerir as empresas e relacionar-se com os trabalhadores de uma forma inovadora e quem queira representar os trabalhadores de forma eficaz, tem de estar preparado para apresentar e receber propostas concretas e criativas que tenham como primeiro objectivo a manutenção dos postos de trabalho.

Infelizmente, esta é a cultura oposta à dos que, aplaudindo as propostas apresentadas no livro branco, não querem nem acordos nem negociações com os representantes dos trabalhadores das suas empresas. A cultura de imposição e da opacidade torna o modelo negocial que temos tido na Autoeuropa numa miragem. Não o usem, por isso, para fazer exactamente o oposto do que aqui temos conseguido.

António Chora


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (25) | partilhar

por Daniel Oliveira
O responsável pela colocação do cartaz com uma entrevista ao ministro da Saúde afirmou que fez isto sem o conhecimento da directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho. Salgado Almeida diz que Maria Celeste Cardoso lhe pediu um «esclarecimento» sobre a colocação deste cartaz.

«Quando teve conhecimento a fotocópia foi retirada contra a minha opinião e a directora actuou em conformidade porque me pediu um esclarecimento sobre a afixação dessa fotocópia», explicou.

Segundo a agência Lusa, Salgado Almeida enviou uma carta sobre este assunto à sub-região de Saúde de Braga e à Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, onde admitia a autoria do cartaz.

Entretanto, a ARS do Norte explicou que Maria Celeste Cardoso foi demitida porque quebrou o dever de lealdade com o ministro da Saúde, ao recordar que a directora deveria ter investigado o assunto e dado conhecimento da diligência aos superiores.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (21) | partilhar

por Daniel Oliveira
«O novo texto, que se espera para finais do ano, não será submetido a referendo, como o que os espanhóis votaram em Janeiro de 2005. Segundo explicou o presidente [Zapatero], a diferença é que a Constituição aspirava a juntar todos os tratados anteriores da UE e este não. É um instrumento de simples emenda da legislação anterior, como os tratados de Maastricht ou Niza, que também não foram submetidos a consulta popular.

Evitar os referendos é, em qualquer caso, um objectivo declarado dos governos eurpeus que impulsaram esta reforma, convencidos de que uma nova recusa dos cidadãos ampliaria a crise até limites insuportáveis e poria em serio risco o futuro da integração europeia.»
El País, 26 de Junho

Via Bloguítica

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

por Daniel Oliveira
Patrícia Lança continua a sua cruzada contra o sexo anal (para acompanhar esta interessante polémica ler a este e a este post)E nesta nobre tarefa de criar uma barreira sanitária entre traseiros relativistas e intrusos falos conta agora com um apoio de peso: João Miranda, que só é liberal em coito regular. Claro que Miranda não chega a defender posição nenhuma. Nem a de missionário nem outra qualquer. A lógica mirandesa apenas permite apontar as contradições alheias sem nunca chegar a aborrecer a direita conservadora. Por isso, caro Miranda, por uma vez seja claro e fique de um lado da barricada neste combate civilizacional: afinal, no cu pode ou não? Os liberais mais arrojados esperam por uma palavra sua.

Roubando um comentador aqui do Arrastão, faço uma proposta de compromisso: aceitemos o sexo anal mas apenas quando tenha como fim a reprodução. Pode ser assim?

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (29) | partilhar

por Daniel Oliveira
Entrevista de Bagão Félix ao Correio da Manhã.

Correio da Manhã – Foi o autor político do anterior Código de Trabalho, de 2003. O que acha destas propostas?
Bagão Félix – Antes de mais, deixe-me dizer que ainda não li o Livro Branco. O conhecimento que tenho é das notícias dos jornais mas estou surpreendido porque algumas das pessoas que me criticaram há quatro anos agora foram ainda mais longe. São ex-marxistas mais neoliberais do que os neoliberais.
CM - O que pensa da questão da adaptabilidade?
BF - Os tempos de trabalho têm um princípio subjacente de ajustar o ciclo de trabalho ao das empresas e nesse sentido admito que se aprofundasse nesse sentido. Mas tem de ser com o mínimo de respeito pelo tempo de lazer, de família e de descanso das pessoas. Reduzir a pausa para meia hora, como se consegue almoçar?
CM - E quanto às reduções salariais?
BF - Algumas parecem-me mais uma dádiva ao patronato do que uma necessidade. Aliás, as propostas parecem-me mais uma coligação PS/CIP. Vou estar muito atento a qual vai ser a reacção do Governo. Há quatro anos o PS votou contra e algumas das pessoas disseram que iriam repor uma série de direitos que eu tinha retirado.

Via Troll Urbano.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Quinta-feira, 28 de Junho de 2007
por Daniel Oliveira


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (20) | partilhar

por Daniel Oliveira


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (20) | partilhar

por Daniel Oliveira


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (20) | partilhar

por Daniel Oliveira


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (20) | partilhar

por Daniel Oliveira


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (20) | partilhar

por Daniel Oliveira


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (20) | partilhar

por Daniel Oliveira
A directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, Maria Celeste Cardoso, foi exonerada pelo ministro da Saúde por não ter retirado do centro um cartaz que apresentava declarações de Correia de Campos "em termos jocosos". No seu lugar foi colocado um homem que não mandará piadas sobre Sócrates: o vereador do Partido Socialista na Câmara Municipal de Ponte da Barca, Ricardo Armada.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (10) | partilhar

por Daniel Oliveira



Vale a pena ler este post do Zero de Conduta. A realidade que levou aos trágicos acontecimentos narrados em "Mississipi em Chamas" não é uma memória assim tão distante. A cultura da supremacia ainda vive. No Luisiana ainda há sombras só para brancos e penas absurdas só para negros.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

por Daniel Oliveira



“Ele [Mega Ferreira] é intelectual, tem sangue azul, eu [Joe Berardo] sou de origem humilde”. Berardo usa assim o argumento do homem que vem debaixo para tratar o que é pago por nós (o CCB) como se fosse pago por ele.

A estratégia resulta. O pior insulto: é um "intelectual". Ou seja, um parasita de sangue azul. Mas a confusão é evidente: a intelectualidade não nobilita. Mega Ferreira não tem sangue azul, tem massa cinzenta o que é, quando o termo "sangue azul" é usado pejorativamente, exactamente o oposto. A razão porque tratamos com desprezo a suposta superioridade da nobreza é ela ter a superioridade sem o mérito. Não é nem o caso de quem acumula conhecimento nem seguramente o caso de Mega Ferreira, que está muito longe de ser um diletante.

O auto-elogio: eu sou humilde, diminuído por esta gente. Na realidade, isto apenas mostra que Berardo pode ter sido humilde, mas já não o é. O discurso anti-intelectual é de uma enorme arrogância. Joe Berardo acha que para acumular dinheiro e transforma-lo em mais dinheiro é necessário mais esforço do que o esforço que Mega Ferreira aplicou a acumular conhecimento e transforma-lo em mais conhecimento.

Conheci na vida muita gente sem dinheiro que arrancou da sua experiência muita informação, muitos livros, muitos jornais. Gente que investiu as suas energias nisso mesmo. Muitos autodidactas. Na área política e cultural onde cresci (os comunistas) havia e ainda há muita gente assim. Operários com a quarta classe que leram, cresceram e aprenderam no pouco tempo que lhes restava entre o trabalho duro e o combate político. Gente com uma curiosidade imensa, uma inteligência enorme, um sentido crítico demolidor e uma força de vontade imperturbável. Deram a volta ao mundo sem viajar. Fora desta minha experiência também não faltam exemplos que todos conhecemos.

Joe Berardo fez o mesmo. Porque fazer dinheiro quando não se tem dinheiro exige conhecimento, inteligência e muita curiosidade. Ou seja, Joe Berardo tem obrigação de não desprezar os "intelectuais". Berardo tem a melhor colecção de arte contemporânea portuguesa. Teve a argúcia que falta à maioria dos empresários portugueses: a de perceber que a arte cria riqueza. Ou seja, que os intelectuais criam riqueza imaterial que, no caso das obras que Berardo comprou, se traduz em riqueza material. Pode orgulhar-se disso. Desprezar os intelectuais é desprezar o que comprou. E quem despreza o que compra está apenas a comprar a arrogância. Para isso não faz grande sentido pedir aplausos. Para comprar a arrogância basta ter dinheiro e arrogância e querer mais dinheiro e mais arrogância. Não é preciso ter muita inteligência.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (20) | partilhar

por Daniel Oliveira



“Ele [Mega Ferreira] é intelectual, tem sangue azul, eu [Joe Berardo] sou de origem humilde”. Berardo usa assim o argumento do homem que vem debaixo para tratar o que é pago por nós (o CCB) como se fosse pago por ele.

A estratégia resulta. O pior insulto: é um "intelectual". Ou seja, um parasita de sangue azul. Mas a confusão é evidente: a intelectualidade não nobilita. Mega Ferreira não tem sangue azul, tem massa cinzenta o que é, quando o termo "sangue azul" é usado pejorativamente, exactamente o oposto. A razão porque tratamos com desprezo a suposta superioridade da nobreza é ela ter a superioridade sem o mérito. Não é nem o caso de quem acumula conhecimento nem seguramente o caso de Mega Ferreira, que está muito longe de ser um diletante.

O auto-elogio: eu sou humilde, diminuído por esta gente. Na realidade, isto apenas mostra que Berardo pode ter sido humilde, mas já não o é. O discurso anti-intelectual é de uma enorme arrogância. Joe Berardo acha que para acumular dinheiro e transforma-lo em mais dinheiro é necessário mais esforço do que o esforço que Mega Ferreira aplicou a acumular conhecimento e transforma-lo em mais conhecimento.

Conheci na vida muita gente sem dinheiro que arrancou da sua experiência muita informação, muitos livros, muitos jornais. Gente que investiu as suas energias nisso mesmo. Muitos autodidactas. Na área política e cultural onde cresci (os comunistas) havia e ainda há muita gente assim. Operários com a quarta classe que leram, cresceram e aprenderam no pouco tempo que lhes restava entre o trabalho duro e o combate político. Gente com uma curiosidade imensa, uma inteligência enorme, um sentido crítico demolidor e uma força de vontade imperturbável. Deram a volta ao mundo sem viajar. Fora desta minha experiência também não faltam exemplos que todos conhecemos.

Joe Berardo fez o mesmo. Porque fazer dinheiro quando não se tem dinheiro exige conhecimento, inteligência e muita curiosidade. Ou seja, Joe Berardo tem obrigação de não desprezar os "intelectuais". Berardo tem a melhor colecção de arte contemporânea portuguesa. Teve a argúcia que falta à maioria dos empresários portugueses: a de perceber que a arte cria riqueza. Ou seja, que os intelectuais criam riqueza imaterial que, no caso das obras que Berardo comprou, se traduz em riqueza material. Pode orgulhar-se disso. Desprezar os intelectuais é desprezar o que comprou. E quem despreza o que compra está apenas a comprar a arrogância. Para isso não faz grande sentido pedir aplausos. Para comprar a arrogância basta ter dinheiro e arrogância e querer mais dinheiro e mais arrogância. Não é preciso ter muita inteligência.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (20) | partilhar

por Daniel Oliveira



Aqui, num serviço de organismos dependentes do governo em conjunto com a Microsoft, fazem-se denuncias anónimas de qualquer situação que possa configurar um caso de abuso de menores, apologia do racismo e xenofobia, terrorismo e violência na Internet. Dantes, havia a ideia de que a denúncia anónima apenas devia ser usada em casos excepcionais. Agora está banalizada, transformando a delação escondida numa cultura de cidadania. Do meu lado, como cidadão, não pretendo usar este serviço. Se apresentar uma queixa, tenciono fazer o que sempre fiz: dar o meu nome e o meu número de BI. E, em matéria tão sensível como a liberdade de expressão, tenciono fazê-lo directamente junto de entidades judiciais e não usando como intermediários organismos dependentes de ministérios associados a empresas.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

por Daniel Oliveira



Aqui, num serviço de organismos dependentes do governo em conjunto com a Microsoft, fazem-se denuncias anónimas de qualquer situação que possa configurar um caso de abuso de menores, apologia do racismo e xenofobia, terrorismo e violência na Internet. Dantes, havia a ideia de que a denúncia anónima apenas devia ser usada em casos excepcionais. Agora está banalizada, transformando a delação escondida numa cultura de cidadania. Do meu lado, como cidadão, não pretendo usar este serviço. Se apresentar uma queixa, tenciono fazer o que sempre fiz: dar o meu nome e o meu número de BI. E, em matéria tão sensível como a liberdade de expressão, tenciono fazê-lo directamente junto de entidades judiciais e não usando como intermediários organismos dependentes de ministérios associados a empresas.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

por Daniel Oliveira



Propostas da comissão do livro branco das relações laborais:
- Redução das férias
. Despedimento mais fácil, com o alargamento do conceito do despedimento por inadaptação
- Redução da hora de almoço
- Redução do valor do subsídio de férias


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (18) | partilhar

por Daniel Oliveira



Saldanha Sanches, um dos melhores especialistas de direito fiscal, chumbou na prova de agregação da Faculdade de Direito de Lisboa. Não estou, como é evidente, preparado para dar opinião sobre este inesperado chumbo. Mas, sendo onde foi, tenho as minhas desconfianças. São conhecidas as histórias de excelentes juristas que foram fazer os seus doutoramentos para longe da FDUL, perante a certeza de que ali lhes seriam cortadas as pernas. Na Faculdade de Direito reina a mesquinhez, a mediocridade, a inveja e o preconceito. É um bom símbolo de um país que vê, a cada dia que passa, os seus melhores académicos partir para instituições mais qualificadas porque por aqui se despreza o mérito e se temem os melhores. Pode ser que esteja, neste caso, a ser injusto. Mas não me parece.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (18) | partilhar

por Daniel Oliveira



Saldanha Sanches, um dos melhores especialistas de direito fiscal, chumbou na prova de agregação da Faculdade de Direito de Lisboa. Não estou, como é evidente, preparado para dar opinião sobre este inesperado chumbo. Mas, sendo onde foi, tenho as minhas desconfianças. São conhecidas as histórias de excelentes juristas que foram fazer os seus doutoramentos para longe da FDUL, perante a certeza de que ali lhes seriam cortadas as pernas. Na Faculdade de Direito reina a mesquinhez, a mediocridade, a inveja e o preconceito. É um bom símbolo de um país que vê, a cada dia que passa, os seus melhores académicos partir para instituições mais qualificadas porque por aqui se despreza o mérito e se temem os melhores. Pode ser que esteja, neste caso, a ser injusto. Mas não me parece.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (18) | partilhar

por Daniel Oliveira
Segundo percebi do que vi hoje no telejornal, Sócrates acha que discutir a Flexigurança não é um contributo para as políticas europeias. A mim, pelo contrário, parece-me que discutir políticas europeias, para além do simples debate sobre a organização institucional da União, é o debate mais relevante para a Europa. Mas é isto sou eu, que acho que a política deve discutir coisas que tenham vagamente a ver com o quotidiano das pessoas.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | partilhar

por Daniel Oliveira
O Sector de Informação e Propaganda de Lisboa (SIP/DORL) do PCP, anda a espalhar este vídeo por tudo quando é lugar, dando a entender que o BE apoiou o negócio da Bragaparques. Como qualquer pessoa minimamente informada sobre o processo é uma mentira descarada. Faltou-lhe este vídeo para que a história ficasse completa.

Mas vale a pena contar a história toda:
O BE votou favoravelmente,em Março de 2005, um conjunto de condições apresentadas por si para que a permuta pudesse acontecer. Ou seja, impôs uma lista de limitações a este negócio. Essas condições baseavam-se, na realidade, nos vários argumentos que PCP e BE apresentavam repetidamente contra este negócio. O PCP votou favoravelmente estas condições. Assim, a aprovação, no mesmo dia, da permuta incluía todas as condições antes definidas e que alteravam substancialmente todos os pressupostos desta troca de terrenos. Só aí, em todo o processo que vinha de antes e continuou depois, os votos do PCP e do BE divergiram. E a divergência fazia pouco sentido. Não se podem aprovar condições a uma proposta sem a proposta.

Aliás, a permuta, em muitíssimo piores condições para a cidade, já tinha sido aceite pela Assembleia Municipal no segundo semestre de 2004. E então não contou com a oposição do PCP. A Bragaparques, ainda cheia de si, é que não a aceitou. Santana Lopes propôs logo depois um Fundo Imobiliário em conjunto com a Bragaparques, o Espírito Santo e a EPUL. Foi rejeitado quase por unanimidade (alguns santanistas votaram a favor).

Só depois de tudo isto se vota a permuta condicionada. É esse debate que o PCP mostra no seu vídeo. Era, como já disse, uma proposta bem melhor do que aquela que o PCP deixou passar, uns meses antes. As quatro condições:
1. Definição prévia das cérceas da Avenida da República que, limitando a densidade de construção limitariam o preço dos terrenos da Feira Popular;
2. A aprovação do Plano de Urbanização da Avenida da Liberdade e das Zonas Envolventes, que acabaria por definir o que podia ir para o Parque Mayer, influenciando assim o preço daqueles terrenos.
3. Saber-se quanto fora pago a Frank Gehry e os compromissos com ele firmados.
4. Pagamento das indemnizações aos feirantes da Feira Popular.
Antes de qualquer uma destas coisas estar feita não haveria permuta nenhuma. Foi isto que a Assembleia Municipal então aprovou, melhorando substancialmente o seu voto anterior. A apresentação das condições deveu-se ao facto do PS ter anunciado o seu voto favorável à permuta. Ou seja, a alternativa era entre a permuta sem condições (que seria aprovada) ou a permuta condicionada a regras que a tornavam muito diferente do que foi. Tudo isto muito antes do cambalacho que se passou na hasta pública. Posso até considerar que houve ingenuidade no voto da Assembleia Municipal, sabendo-se como se deveria saber que Santana e Carmona não cumpriam as deliberações da AML. Mas chamar a isto cumplicidade, sobretudo vindo do PCP (mais à frente irei a isso), é de uma desonestidade inacreditável.

Quando se verificou que a Câmara não tencionava cumprir nenhuma das condições impostas pela Assembleia Municipal, o BE apresentou uma proposta de censura à permuta, retirando a legitimidade política desse negócio que violava todas as condições exigidas pela Assembleia Municipal. Aí sim, se votava (no caso, chumbava-se) o negócio que hoje conhecemos: sem condições nem limites. E, muito bem, o PCP votou a favor da proposta do BE. E isso os vídeos que o PCP espalha omitem. Isso e o que se passou muito antes.

Até agora, a candidatura do BE tinha feito ouvidos moucos a estas acusações do PCP. Por duas razões: porque elas nada têm a ver com Sá Fernandes, que era então um cidadão sem qualquer responsabilidade na Câmara ou na Assembleia Municipal, e porque o PCP não é o adversário do Bloco nesta campanha. Mas tudo o que é demais enjoa. O BE resolveu completar o vídeo do PCP e assim acabar com esta manipulação grosseira.

Aqui está o vídeo da sessão em que a Assembleia Municipal toma posição sobre o negócio que realmente se discute hoje.. Com este vídeo fica a perceber-se a história toda. E fica-se a saber como se manipulam os factos e como o PCP insiste em confundir, em Lisboa, os seus adversários. Acusar o BE de cumplicidade com o negócio da Bragaparques é absurdo (e os deputados municipais do PCP sabem que é uma mentira descarada), como o vídeo deixa evidente. Tentar com isso atingir Sá Fernandes, que foi quem mais se bateu contra os negócios obscuros da Bragaparques em Lisboa, é apenas delirante.

Mas para fazer um dossier completo deste negócio é preciso ir mais longe no tempo. E isso, como é evidente, não consta nos vídeos que o PCP pediu aos seus militantes para espalhar. Tudo começou muito antes. Estava o PCP (aliado ao PS) à frente dos destinos da cidade. Os terrenos do Parque Mayer foram postos à venda e, para espanto de todos, a Câmara Municipal de Lisboa não exerceu o direito de preferência na compra. Teriam custado quinze milhões de euros e não os quarenta milhões em que a permuta se veio a traduzir. Era no exercício desse direito de preferência, que não deixaria a Câmara na situação de ter de arranjar forma de recuperar os terrenos, que tudo deveria e tinha de ser resolvido. Não foi e deveria ser explicado porquê por quem tinha então responsabilidades no governo da cidade. E, já agora, foi também no executivo PS/PCP que a Bragaparques começou os seus obscuros negócios com a Câmara, de que o melhor exemplo é a construção dos parques de estacionamento do Martim Moniz e da Praça da Figueira, sem documentos e à vontade do freguês.

Seria por isso bom que o PCP decidir-se: ou conta a história toda, sem deturpar o que esteve a ser votado em cada momento e assumindo as suas responsabilidades (talvez encontrem forma de responsabilizar quem não estava no executivo), ou pára com esta campanha sectária, absurda e estrábica nos alvos que escolhe. Reposta a verdade dos factos, que cada um faça a sua avaliação. Por mim, que conheço esta história há muito e que ando já há algum tempo farto desta forma de baralhar para ganhar, e depois de tamanho testamento sobre esta guerrilha patética, fechei a loja sobre o assunto. Nada mais tenho a dizer.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (19) | partilhar

Quarta-feira, 27 de Junho de 2007
por Daniel Oliveira
"Antes, o roteiro da arte contemporânea acabava em Madrid. A partir de hoje, começa aqui"
José Sócrates


Museu da Fundação Serralves, algures entre Espanha e França


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (18) | partilhar

por Daniel Oliveira
"Antes, o roteiro da arte contemporânea acabava em Madrid. A partir de hoje, começa aqui"
José Sócrates


Museu da Fundação Serralves, algures entre Espanha e França


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (18) | partilhar

por Daniel Oliveira
Os documentos desclassificados da CIA dão-nos um bom retrato da superioridade moral do poder político EUA. A agência conspirou com gangsters da Cosa Nostra de Chicago para assassinar Fidel Castro.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (10) | partilhar

por Daniel Oliveira



Blair será o representante do quarteto para arbitrar o conflito israelo-palestiniano. Além da imparcialidade evidente, há que ter em conta as boas experiências do ex-primeiro-ministro na região.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

por Daniel Oliveira



Blair será o representante do quarteto para arbitrar o conflito israelo-palestiniano. Além da imparcialidade evidente, há que ter em conta as boas experiências do ex-primeiro-ministro na região.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

por Daniel Oliveira



A Patrícia, do blogue O Insurgente, acordou para este flagelo há muito. Já se tinha apercebido dos riscos que correm os homossexuais por «doenças causadas pelo abuso de um órgão não desenvolvido para uso sexual». A vantagem que temos sobre os romanos, explica, é que conhecendo melhor o corpo humano, «sabemos muito bem que o sistema digestivo, ingestão e excreção, não deve ser confundido com o sistema generativo.» Mas a Patrícia vai para lá destas evidências. E não tem receio em por o dedo na, digamos assim, ferida: o lóbi gay já matou 468,000 americanos. E só «lendo Michel Foucault e outros relativistas pós-modernos» se apercebeu do que a rodeava: «fazia tudo parte de uma campanha bem orquestrada e proclamada para destruir a ‘sociedade burguesa’».

Vale a pena ler tudo: o comentário técnico feito a um post de um colega seu e depois o seu próprio post, a dar o enquadramento ideológico. Qualquer comentário que aqui fizesse tiraria a beleza da coisa. A Patrícia existe. E isso deixa-me feliz. O Mundo guarda-nos sempre tanta surpresa e diversidade.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (23) | partilhar

Terça-feira, 26 de Junho de 2007
por Daniel Oliveira
O Ministério Público emitiu um parecer que considera irregular a concessão do Rivoli Teatro Municipal, no Porto, ao produtor e encenador Filipe La Féria. O parecer foi emitido a pedido do Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto no âmbito da acção cautelar de suspensão da eficácia da concessão do Rivoli a Filipe La Féria interposta pela Plateia - Associação de Profissionais de Artes Cénicas a 20 de Janeiro último. O parecer não é vinculativo.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

por Daniel Oliveira
A Comissão Europeia calcula que a aplicação em Portugal do modelo da flexisegurança teria um custo superior a 4,2 mil milhões de euro por ano, mais do que o custo estimado do aeroporto da Ota.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

por Daniel Oliveira
António Mega Ferreira pediu ontem demissão do cargo de Presidente do Conselho de Fundadores da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea - Colecção Berardo. A carta:


Clique para ampliar


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

por Daniel Oliveira
António Mega Ferreira pediu ontem demissão do cargo de Presidente do Conselho de Fundadores da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea - Colecção Berardo. A carta:


Clique para ampliar


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

por Daniel Oliveira
«Não vale a pena ir muito longe na análise mas pensemos apenas por alguns segundos na tragédia que representa a SIDA, cujas origens – é bem sabido – têm muito a ver com a prática cada vez mais generalizada da sodomia a partir da “revolução sexual” dos anos 60.»
João Paulo Geada, sobre os males da homossexualidade, na página da Plataforma Algarve pela Vida

Não é a primeira vez que João Paulo Geada aprofunda este tema. Foram estas as suas declarações há uns anos, exactamente sobre a mesma matéria:


Via Reino dos Fins.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (12) | partilhar

por Daniel Oliveira


Excertos da entrevista de Fernando Negrão ao Rádio Clube Português

Para não parecer que só digo mal, aqui vão, com simpatia, as sites do IPPAR, EPUL e EPAL. Assim pode ir ganhando alguma familiaridade com os aspectos mais complexos (diria mesmo de uma tecnicidade impenetrável) relacionados com a cidade de Lisboa. Quanto às SRU's (Sociedades de Reabilitação Urbana), fica para uma próxima oportunidade.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Segunda-feira, 25 de Junho de 2007
por Daniel Oliveira



Hoje é dia de festa. Um dos maiores espaços culturais da cidade passou a funcionar como montra da fraqueza negocial do Estado português. A coisa processa-se assim: a colecção Berardo fica nas mãos de Berardo. O Estado oferece o espaço para a exibir. Melhor: paga o melhor espaço que tem para a exibir. Só em 2007, três milhões de euros vindos de um Ministério sem cheta. E todos os anos, sem falhar, enterra centenas de milhares euros para o crescimento do acervo. Se não vier a comprar a exposição foi dinheiro gentilmente oferecido a Berardo.

Como a colecção ia para um dos melhores espaços de exposição do país, não é disparatado pensar que essa perspectiva terá valorizado a colecção. Ou seja, terá prejudicado o Estado. Em troca, o Estado português tem a opção de compra. "O Estado compromete-se, desde já, a comprar a minha colecção, se eu quiser vender”, explicou um dia Berardo, com a enorme vantagem da sua franqueza. E para que este negócio seja possível fica com o CCB a meio gás. Mas não acaba aqui. Quem será o presidente da Fundação que vai gerir a colecção? Berardo, Joe Berardo. Vitalício. Virá agarrado à exposição como um borboto. Resumindo: o Estado paga a valorização, paga a exibição, paga o crescimento para ter a possinbilidade de vir talvez a pagar pela própria exposição com o seu dono agarrado a ela.

Eu adoro o Estado português. Eu adoraria fazer negócios com o Estado português. Mas, infelizmente, o Estado português não é trouxa com todos. Só com aqueles que menos precisam. Enfim, uma injustiça.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (24) | partilhar

por Daniel Oliveira



Hoje é dia de festa. Um dos maiores espaços culturais da cidade passou a funcionar como montra da fraqueza negocial do Estado português. A coisa processa-se assim: a colecção Berardo fica nas mãos de Berardo. O Estado oferece o espaço para a exibir. Melhor: paga o melhor espaço que tem para a exibir. Só em 2007, três milhões de euros vindos de um Ministério sem cheta. E todos os anos, sem falhar, enterra centenas de milhares euros para o crescimento do acervo. Se não vier a comprar a exposição foi dinheiro gentilmente oferecido a Berardo.

Como a colecção ia para um dos melhores espaços de exposição do país, não é disparatado pensar que essa perspectiva terá valorizado a colecção. Ou seja, terá prejudicado o Estado. Em troca, o Estado português tem a opção de compra. "O Estado compromete-se, desde já, a comprar a minha colecção, se eu quiser vender”, explicou um dia Berardo, com a enorme vantagem da sua franqueza. E para que este negócio seja possível fica com o CCB a meio gás. Mas não acaba aqui. Quem será o presidente da Fundação que vai gerir a colecção? Berardo, Joe Berardo. Vitalício. Virá agarrado à exposição como um borboto. Resumindo: o Estado paga a valorização, paga a exibição, paga o crescimento para ter a possinbilidade de vir talvez a pagar pela própria exposição com o seu dono agarrado a ela.

Eu adoro o Estado português. Eu adoraria fazer negócios com o Estado português. Mas, infelizmente, o Estado português não é trouxa com todos. Só com aqueles que menos precisam. Enfim, uma injustiça.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (24) | partilhar

pesquisa
 
TV Arrastão
Inquérito
Outras leituras
Outras leituras
Subscrever


RSSPosts via RSS Sapo

RSSPosts via feedburner (temp/ indisponível)

RSSComentários

arquivos
2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


Contador