Sexta-feira, 31 de Agosto de 2007
por Daniel Oliveira
O governo vai proibir a publicação de escutas telefónicas sem a autorização dos escutados. As que estão em segredo de justiça, acho muitíssimo bem. Mas isso a lei já proibe. Mas ao proibir a publicação de escutas que, por exemplo, tenham sido fundamentais para a condenação de um arguido, o que se está a impedir é a verificação pública das decisões dos tribunais. É um absurdo e mais um atentado à liberdade de imprensa. Espero que os jornalistas cumpram a sua função. Ou seja, que usem, e agora com toda a propriedade, do direito à desobediência civil.
tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (15) | partilhar

por Daniel Oliveira
Na primeira viagem da companhia "low cost" do Vaticano entre Roma e Lourdes a água benta dos peregrinos foi confiscada por razões de segurança.

Lembrando António Aleixo:
Para-raios nas igrejas
É para mostrar aos ateus
Que os crentes - por mais que o sejam -
Não têm confiança em Deus


Pensar que a água mente pode ser a arma do crime? Sacrilégio!
tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (23) | partilhar

por Daniel Oliveira
Vale a pena ler este post do Devaneios Desintéricos sobre a criação de uma plataforma europeia anti-islâmica composta por partidos de extrema-direita europeus para perceber duas coisas: que os seus argumentos contra os muçulmanos são muito semelhantes aos que vamos ouvindo de alguma direita que se diz democrática e que o ódio aos muçulmanos não é diferente do ódio aos judeus e tem os mesmos protagonistas. Começa é a estar mais na moda. Por isso, alguns dos que vão alertando até à náusea contra a o perigo islâmico na Europa e bramindo pela defesa dos valores ocidentais, quase nos mesmos termos que faz esta rapaziada que se juntará em Bruxelas no dia 11 de Setembro, deviam pensar em que lado querem estar da história.
tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (16) | partilhar

por Daniel Oliveira



É coisa rara vir uma notícia destas do matadouro do Texas: a pena de Kenneth Foster, um homem condenado à morte sem que tivesse matado alguém, foi comutada. Pela especial barbaridade da sentença (ele estava no carro quando, durante um assalto, o seu amigo matou um homem), Foster, preso desde os 19 anos, transformou-se num símbolo contra o homicídio que tem o Estado como mandante.

Pela sua frieza, por ser cometido em nome da "justiça" e por fazer de todos os cidadãos seus cúmplices, a pena de morte é dos piores crimes com que a humanidade convive. Desta vez salvou-se uma vida. Foster seria o 401º cidadão assassinado pelo Estado do Texas, desde 1982, quando a pena de morte foi reintroduzida. 152 execuções tiveram a assinatura do actual Presidente George Bush.

Ver blogue e site dedicados a Kenneth Foster.

tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (11) | partilhar

por Daniel Oliveira


Fotografia roubada ao Instante Fatal

tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (9) | partilhar

por Daniel Oliveira
Acaba aqui a série "God's Warriors". Hoje, os judeus.



God's Warriors - Judeus I

God's Warriors - Judeus II

God's Warriors - Judeus III

God's Warriors - Judeus IV

God's Warriors - Judeus V

God's Warriors - Judeus VI

God's Warriors - Judeus VII

God's Warriors - Judeus VIII

God's Warriors - Judeus IX

God's Warriors - Judeus X



God's Warriors - Cristãos

God's Warriors - Muçulmanos

tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 30 de Agosto de 2007
por Daniel Oliveira
Os links da coluna da direita estavam quase todos marados. A parte relativa aos blogues já está certinha. Aproveitei para acrescentar meia dúzia de blogues, retirar aqueles que estão há demasiado tempo parados e alterar os endereços dos que mudaram de casa. Vou aproveitar o balanço para acrescentar alguns blogues. Se conhecerem blogues interessantes (incluindo o vosso, claro) ponham aqui na caixa de comentários, para os visitar e acrescentar alguns deles, se fizer sentido, na coluna da direita.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (58) | partilhar

por Daniel Oliveira
A China proibiu os monges buditas do Tibet de reencarnarem sem a devida autorização do governo. Ainda quero saber que meios administrativos vão ser accionados para aplicar esta proibição. Os critérios são claros: monges que vivam no estrangeiro não reencarnam. A medida tem como objectivo matar Dalai Lama depois dele estar morto e escolher o seu sucessor. Até porque o próprio já disse que se recusava a reencarnar no Tibete, o que também me deixa um pouco confuso, já que não fazia ideia que isto da reencarnação era à vontade do freguês: A verdade é que sou pouco entendido na matéria. Espero apenas não pagar pela minha ignorância e regressar ao Mundo como mediador de seguros.

Via Porque Posso
tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (13) | partilhar

por Daniel Oliveira
Ramos-Horta discursou hoje no Parlamento e fez o que se esperava: atacou a oposição ao governo. O presidente disse que os timorenses "não aprenderam nada com o passado". Mais à frente, lamentou-se: "O nosso ego tem sido sempre demasiado grande". Se ao dizer "nosso ego" Ramos-Horta estiver a utilizar o plural majestático (o que não me espantaria), só posso assinar por baixo. Se não, compreendo a angústia: há egos que aguentam outros pela vizinhança.
tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (9) | partilhar

por Daniel Oliveira



«Dois polícias em forma de desenho animado aparecerão de meia em meia hora nos écrãs dos cibernautas chineses com o fim de monitorizar as suas actividades. A pé, de moto ou de carro, as figuras patrulharão a partir de sábado as páginas noticiosas e, até ao fim do ano, todos os sites controlados por Pequim. Clicando sobre as figuras, os navegadores poderão assinalar excessos presentes na página, contribuindo para a iniciativa.
Trata-se de um combate às actividades ilegais na Internet, como a pornografia, o jogo a dinheiro, a fraude ou a divulgação de conteúdos que incitem à dissidência, informou ontem a agência Xinhua. O Governo pretende assim proteger os cidadãos de "fontes de danos públicos e de perturbação da ordem social", segundo o Gabinete de Segurança Pública de Pequim.» (Público, sem link)


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (14) | partilhar

por Daniel Oliveira


Imagem de satélite da NASA, clique na fotografia para aumentar e depois use o cursor

tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

por Daniel Oliveira


Flight of the Conchords- Business Time

tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | partilhar

por Daniel Oliveira
Continua a série "God's Warriors", hoje dedicada aos muçulmanos. Ontem foi dedicada aos cristãos. Amanhã será a vez dos judeus.



God's Warriors - Muçulmanos I

God's Warriors - Muçulmanos II

God's Warriors - Muçulmanos III

God's Warriors - Muçulmanos IV

God's Warriors - Muçulmanos V

God's Warriors - Muçulmanos VI

God's Warriors - Muçulmanos VII

God's Warriors - Muçulmanos VIII

God's Warriors - Muçulmanos IX

God's Warriors - Muçulmanos X

God's Warriors - Muçulmanos XI



God's Warriors - Cristãos

tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | partilhar

por Daniel Oliveira

tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Quarta-feira, 29 de Agosto de 2007
por Daniel Oliveira



Como os portugueses não querem importunar o senhor Durão, são eurodeputados belgas a fazer perguntas ao senhor Barroso sobre o financiamento ilegal do PSD. E o senhor Barroso disse que o senhor Durão não teve qualquer conhecimento ou intervenção no assunto até porque "nos termos legais e estatutários vigentes em Portugal não é da competência do presidente do partido" tratar destas coisas. Nos hábitos "vigentes em Portugal" os presidentes são para as ocasiões. E para nós chega, que não queremos envergonhar este valoroso emigrante que anda lá fora a lutar pela vida.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

por Daniel Oliveira



Fátima prepara-se para receber voos religiosos.

tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (27) | partilhar

por Daniel Oliveira
Aqui está uma história exemplar. Perante uns graffitis num monumento, feito por uns miúdos, o presidente da Junta de Foz do Arelho, em vez da gritaria e da indignação do costume, resolveu o problema com bom senso. Livrou os putos do tribunal e fez um "negócio" com eles: limpavam o que tinha feito. No fim, até lhes pagou o pequeno-almoço e eles ofereceram-se para tratar das redondezas. Às vezes a forma mais eficaz de fazer política é mesmo a mais simples.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (9) | partilhar

por Daniel Oliveira
Sobre o texto de Vital Moreira no "Público" a propósito dos empréstimos as estudantes do ensino superior, vale a pena ler João Rodrigues e Pedo Sales.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

por Daniel Oliveira
Há cerca de dois anos e três meses cruzei-me no metro (estação Baixa-Chiado) com um sujeito que, por o que me recordo da fisionomia, podia bem ser Gualter Baptista.
Atenuante: distávamos um do outro para cima de 10 metros e os nossos olhares nem se cruzaram.
tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

por Daniel Oliveira


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

por Daniel Oliveira
Responde-me Francisco Mendes da Silva: «Ao promover a desobediência civil (ao defender como acções legítimas, por exemplo, o buzinão da Ponte 25 de Abril ou o boicote às propinas), o Bloco está, de facto, a transportar-se "para fora da lei e da democracia".»

Ou seja, transportou-se para fora da democracia o PS e Mário Soares quando apoiaram o buzinão. E a jornalista do New York Times quando se recusou a dar os nomes das suas fontes e cumpriu uma pena de dois meses. E Gandhi. E Martin Luther King. Dois promotores da desobediência civil como forma legitima de combate político, um deles numa democracia. E inúmeros juristas que não têm dúvidas em afirmar que uma lei injusta não pertence ao direito. A ideia de que a "lei é lei" e nos cabe apenas obedecer é, ao contrário do que Francisco parece defender, a semente da ditadura. Cria cidadãos passivos e disponíveis para acatar todas as injustiças e arbitrariedades, desde que devidamente enquadradas pela lei. A existência de lei é fundamental para a democracia. Mas não a garante por si só. E, por vezes, é a defesa da democracia que obriga à desobediência.

Não foi isso que aconteceu em Silves, nem aquilo tinha nada a ver com desobediência civil (a bold para comentadores com dificuldades de leitura). Mas Francisco acompanhou-me neste debate mais alargado (e ainda bem) e vale a pena continua-lo.

O problema é que para o Francisco a democracia está garantida desde que haja um corpo legal e eleições periódicas. Aos cidadãos resta-lhes votar, de quatro em quatro anos, e depois obedecer. O Francisco acredita numa democracia intermitente, em que depois do voto vem a obediência. Não é assim que vejo a democracia e não é assim que as democracias foram pensadas. A desobediência civil , a recusa em obedecer a uma lei injusta pagando as consequências dessa recusa, é uma forma nobre de resistência cívica, que recusa, em simultâneo, a obediência e a violência. É a forma mais corajosa de resistir. Em ditaduras e em democracias.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (25) | partilhar

por Daniel Oliveira



Já aqui falei de Kids Nation, o novo realaty show que vai estrear nos EUA. Crianças numa pequena aldeia, durante 40 dias, sem os seus pais por perto. Não há adultos para além da produção. Contrato assinado pelos pais: assumem a responsabilidade por ferimentos, acidentes, falta de assistência médica, doenças sexualmente transmissíveis, gravidez e morte durante as gravações. Aqui fica a promoção.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

por Daniel Oliveira



Via Teoria da Suspiração


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (10) | partilhar

por Daniel Oliveira
Nos próximos três dias, aqui no Arrastão, um documentário de Christiane Amanpour (CNN) sobre fanáticos religiosos: "God's Warriors". Três partes, sobre os "Guerreiros de Deus" cristãos, muçulmanos e judeus, partida em 11 vídeos cada. A primeira parte, que hoje aqui linko, é sobre os cristãos. Amanhã, os muçulmanos. Por fim, na sexta-feira, os judeus. Os documentários (com o total de seis horas) conseguiram o impossível: juntar muçulmanos, judeus e cristãos na indignação.



God's Warriors - Cristãos I

God's Warriors - Cristãos II

God's Warriors - Cristãos III

God's Warriors - Cristãos IV

God's Warriors - Cristãos V

God's Warriors - Cristãos VI

God's Warriors - Cristãos VII

God's Warriors - Cristãos VIII

God's Warriors - Cristãos IX

God's Warriors - Cristãos X

God's Warriors - Cristãos XI

tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Terça-feira, 28 de Agosto de 2007
por Daniel Oliveira
«Quanto tiver um filho vou chamar-lhe Eduardo Prado Coelho - tem um nome próprio, tem flora e tem fauna. Além disso ainda é um intelectual.»

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | partilhar

por Daniel Oliveira
Há professores com leucemia que morrem a dar aulas porque a burocracia não os deixa ir para a reforma. Há professores capazes, exemplares e com vontade de trabalhar que são mantidos em casa à força. Já por aí se escreveu sobre o inenarrável caso de Luísa Moniz. Mas nem assim o nó kafkiano a que está atada se desfaz. Esteve entre a vida e a morte duas vezes. Ficou, por causa da recuperação, um ano lectivo de baixa. Era directora da escola básica Luiza Neto Jorge, em Marvila. Sobre o trabalho que deixou boas memórias em alunos e pais os serviços só escreviam mais do que elogios. Mas quando regressou à escola para ocupar o cargo para o qual fora eleita, estava no seu lugar um colega. Luísa foi mandada para casa. A presidente do Conselho Executivo, seguramente especialista, dizia que, ao contrário do que afirmava o médico que a autorizara a regressar ao trabalho, ela não estava bem. Não estava bem da cabeça. Ao bom estilo estalinista, mandou-a para uma Junta Médica Psiquiátrica. Luísa, que além de competente tem todo o sentido da dignidade, recusou a humilhação e recorreu a um tribunal. Está há um ano sem trabalhar e a receber. Não tem nenhum problema psiquiátrico. É competente e isso é coisa que não compensa. Nas escolas portuguesas? Só se esforça quem for maluco.
tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | partilhar

por Daniel Oliveira
Atacar uma cultura de milho transgénico de um agricultor é injusto porque é escolher o elo mais fraco. É desproporcionado porque opta por uma acção extrema quando não se tentou nenhuma outra via. É preguiçoso porque prefere a televisão à criação de um movimento ecológico sólido. E é estúpido porque envenena um debate que mal começou em Portugal. Por isso e porque estamos em Agosto, esta acção imbecil só podia ter um resultado: uma semana de imbecilidade nacional. A Marques Mendes, em campanha, só faltou pegar ele mesmo no bastão e ir em busca destes autênticos "cereal killers", como lhes chamaram na blogosfera. Pacheco Pereira comparou-os aos "skinheads", pondo a vida de imigrantes e maçarocas de milho ao mesmo nível, e vestiu a sua fatiota preferida: a de cabo-de-esquadra. Cavaco Silva, que há uns meses nos explicou que nada faria contra o facto de Alberto João Jardim se recusar a cumprir a lei do aborto, porque isso era um assunto para os tribunais, lembrou-se agora que é o garante do Estado de direito. Talvez com saudades do tempo em que era primeiro-ministro e em que se lidava com as manifestações à bastonada. E Vasco Graça Moura pediu a demissão de meio país. Mas Vasco Graça Moura é Vasco Graça Moura, devemos dar sempre o desconto. O que eu gostava mesmo é que toda esta indignação tivesse dado a cara quando foram abatidos ilegalmente 2600 sobreiros no que ficou conhecido como 'caso Portucale'. Só que aí a caça era graúda. Esta polémica de Verão teve pelo menos um mérito: finalmente a classe política uniu-se para condenar a destruição de um terreno agrícola no Algarve. Talvez faça escola.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

por Daniel Oliveira



Raramente um debate tem apenas o seu valor facial. Quase sempre, quando correntes de opinião se envolvem em disputas argumentativas em torno de um caso concreto estão a debater mais do que estão a debater. É o caso do Verde-Eufémia. A prova está até neste blogue. Depois de condenar o acto e de desvalorizar a sua importância, escrevi muito sobre o assunto. Porque que me pareceu que quem ia alimentando este assunto tinha uma agenda que ultrapassava o caso concreto. Hoje é evidente que assim era.

Os objectivos são fáceis de identificar: criminalizar o Bloco de Esquerda, desacreditar a agenda ecologista, tornar o valor da propriedade privada num valor absoluto e condicionar as formas de contestação muito para lá dos limites do que tem sido habitual.

Vamos por partes:

1. Não é a primeira vez que perante uma acção em que o BE não está envolvido se tenta, de todas as formas, envolvê-lo. E são sempre casos em que tenha sido violada a lei. Se não há qualquer prova procuram-se indícios atrás de indícios, por mais longínquos que sejam, tentando criar a suspeita sem que ela tenha alguma vez de encontrar comprovação. Quem conhece quem? Quem esteve um dia com quem? Quem já falou com quem? Quem apoiou ou convidou no passado quem, numa investigação quase pidesca.

Nesta prespectiva, um partido político teria de se responsabilizar não só por o que fazem os seus dirigentes e militantes, mas também pelos actos de apoiantes ou mesmo de pessoas com quem se tenha cruzado numa sala.

O objectivo é transportar, no imaginário das pessoas, o Bloco para fora da lei e da democracia. Antes fazia-se isso com o PCP, hoje faz-se com o BE e voltará a faze-se com qualquer outra força que esteja fora do consenso ao centro. Tanto mais quanto maiores sejam as possibilidades de essa força influenciar a governação.

Com as tentativas de fazer um paralelo com extrema-direita pretende-se criar o mesmo cordão sanitário que a nossa história obrigou a manter com eles. É um exercício perigoso, porque, para manter o paralelo, os seus advogados terão de desvalorizar actos como homicídios e espancamentos pelos quais os grupos de extrema-direita europeus são conhecidos. Mas, acima de tudo, trata-se de corrupção moral.

Outro paralelo: com o terrorismo. Não é de hoje. Há anos que alguns comentadores se esforçam por provar, analisando cada palavra à lupa, que os bloquistas terão uma simpatia escondida para com o terrorismo, seja ele o do nacionalismo basco ou do fundamentalismo islâmico. E se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé. Se a ideia não pega, então chama-se terrorismo a tudo o que possa ser condenável e que o BE não tenha condenado nos exactos termos definidos por quem o ataca. A irresponsabilidade é evidente: de tanto banalizar a palavra acabará por se enfraquecer o seu significado.

Há nesta tentativa de criminalização do adversário político duas motivações.

Uma é pessoal, quase psicanalítica. Se repararmos, entre os mais obcecados com o Bloco de Esquerda (muito para lá do que a sua real influência justifica) estão pessoas que têm em comum um dado biográfico: foram de extrema-esquerda. Nada de mal, cada um tem o passado que tem e deve viver bem com isso. Em muitos casos é evidente que vivem mal. A vontade de “matar o pai” ou a pura incapacidade pessoal de analisar a mutação que aconteceu na extrema-esquerda ultrapassa em muito o domínio do racional.

Mas há uma outra razão, bem mais pragmática. Reparem que é a mesma direita que nestes dias tem apontado o dedo acusador ao BE que nas semanas anteriores nos explicou que o BE se tinha aburguesado e moderado e que se preparava para cair nos braços do PS. Claro que a tese da aliança com o PS pretende, antes de mais, irritar a base eleitoral do Bloco. Mas aceitemos que quem a defende acredita mesmo nela. E é pelo menos incontestável que o Bloco desbloqueou a impossibilidade da esquerda à esquerda do PS participar no poder. Perante esta constatação, que na cabeça destes opinadores estará eminente, criar um cordão sanitário em volta do Bloco é uma urgência. Apesar da evidente contradição - um partido cada vez mais moderado e reformista e cada vez mais revolucionário e “terrorista” -, assustar a extrema-esquerda com a rendição ao poder e o centro com os excessos cumpre a mesma função política: excluir o BE de qualquer ambição de crescimento e de conquista de poder.

O episódio de Silves foi apenas mais um pretexto para mostrar a suposta “agenda escondida” do Bloco, que Pacheco Pereira há tanto tempo denuncia. É uma táctica antiga: se o nosso adversários não diz nem faz aquilo pelo qual o condenamos tentamos provar que não o dizendo ou fazendo o pensa e apoia quem o faz e assim não debatemos com ele, mas com os nossos próprios fantasmas.

2. Depois da falência do comunismo e da crise da social-democracia, a agenda ecologista é das poucas com capacidade de mobilização transversal e de alargamento de influência que a esquerda transporta. Sobretudo entre os jovens. O sucesso (exagerado) do documentário de Al Gore é prova disso mesmo. Mais: nos países desenvolvidos os argumentos ecológicos são, na prática, dos poucos que conseguem ser maioritários no “main stream” e que simultaneamente põem em causa o capitalismo selvagem. Quando todas as evidências científicas dão força aos movimentos “verdes”, quando o que está em causa é a própria sobrevivência do Planeta e saúde das pessoas, é preciso retirar aos argumentos ecológicos credibilidade política. Acções como as do Verde Eufémia são sopa no mel para este objectivo. Cavalgar nesta rara oportunidade é fundamental para a direita.

Para além da agenda ecológica, o debate sobre os transgénicos carrega consigo outro, bem mais interessante e com enormes implicações políticas e económicas, referente ao domínio das multinacionais sobre toda a nossa cadeia alimentar e a criação de uma dependência da população mundial para com meia dúzia de corporações. Um debate assustador e que pode bem ter-se perdido, em Portugal, graças a esta acção disparatada.

3. Uma das grandes linhas divisórias entre esquerda e direita é o valor da propriedade privada. Era ainda, até hoje, consensual na maioria das sociedades que se trata de um valor subalterno em relação a outros, como o da vida, o da defesa da saúde e o da liberdade. Uma das coisas que a direita mais liberal (e até menos liberal) se tem esforçado é para alterar esta hierarquia. É mesmo a única forma de se tornarem culturalmente incontestados, transformado o seu corpo ideológico num sistema de valores universal. Ao comparar a violação da propriedade privada com o terrorismo podem perder credibilidade, mas de tanto o repetir vão fazendo o seu caminho.

4. Em Portugal, a liberdade foi conquistada na rua. A democracia nasceu da desordem e da desobediência. O PREC acabou e assistimos à normalização que, na minha opinião pouco popular a muita esquerda, era necessária. Mas a semente da desobediência ficou. Ocupações de fábricas e empresas, em momentos socialmente mais conturbados, não eram vistas pela generalidade das pessoas com reprovação. Nem cortes de estrada. Quem não se lembra do bloqueio na ponte 25 de Abril e de Mário Soares, como Presidente da República, a defender o direito à indignação? Restaurar a sentido de obediência é, para a direita portuguesa, geneticamente autoritária, quase um desígnio.

Neste debate em torno do que se passou em Silves, que a esquerda perdeu por não poder defender uma acção indefensável, e que a direita ganhou ( só não ganhou totalmente por ter forçado demasiado a nota ) ao conseguir impor na agenda informativa a sua própria agenda, não me juntaria nunca, mesmo condenado, ao coro de indignação. Uma acção idiota não me leva a escolher como aliados aqueles que nas motivações que os levam a este debate só podem ser adversários.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (18) | partilhar

por Daniel Oliveira



Repetindo a gracinha que levou às últimas eleições que reforçaram o AKP, o exército turco voltou a declarar publicamente que o Estado secular está em perigo.

tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (9) | partilhar

por Daniel Oliveira



O jornalismo Fox News, em que os entrevistadores não querem respostas, querem antes brilhar à custa dos entrevistados, esmagando-os e humilhando-os em directo, chegou finalmente a Portugal. Não sou ninguém para dar lições de jornalismo a Mário Crespo. Mas uma entrevista não é um debate. Não é um debate, antes de mais, porque entrevistador e entrevistado têm ao seu dispor armas desiguais. Um conduz, outro é conduzido. Um é dono da casa e outro convidado. Um domina o meio e outro muitas vezes não.

Entrevistas duras, em que se fazem perguntas difíceis, é uma coisa. Para essas deve o entrevistado esta preparado quando aceita uma entrevista. Se não está, estivesse. Transformar um entrevistado (ainda mais um entrevistado inexperiente) no palhaço de serviço (por mais que ele se preste ao papel) para um espectáculo televisivo (ou um show, como com satisfação lhe chamou o Gabriel do Blasfémias), é mau jornalismo. Claro que Crespo tem o aplauso geral. Dizem que é frontal. Permitam-me que discorde. Um jornalista não tem nada que ser frontal. Tem que não ter medo de fazer as perguntas que têm de ser feitas (convenhamos que seria estranho que Mário Crespo tivesse medo de Gualter Baptista), estar preparado, ser perspicaz e conseguir que o entrevistado diga o que realmente pensa. A frontalidade não é necessária porque a opinião do entrevistador tem de ser irrelevante numa entrevista. O que ele tenha a dizer (e não a perguntar) ao entrevistado não nos interessa para nada. Não é ele o protagonista da notícia. Numa boa entrevista ficaríamos a saber quase tudo sobre as opiniões de Gualter Baptista (mesmo as que ele preferia que nós não soubéssemos) e sobre o que aconteceu em Silves e rigorosamente nada sobre o que Mário Crespo pensa sobre o assunto.

Já agora, faço o exercício de imaginar Mário Crespo a entrevistar nestes termos o Presidente do Conselho de Administração da Somague para falar sobre o financiamento ao PSD. Impossível, não é? É mais fácil brilhar com os gualteres desta vida.

Vale a pena ler este post de Paulo Querido. Subscrevo de uma ponta à outra.

Para os comentadores que insistem em acusar-me de simpatia com a acção de Silves, está aqui a minha opinião, desde a primeira hora. Mas não contem comigo para embarcar no ambiente de histeria que artificialmente se tentou instalar.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (35) | partilhar

Segunda-feira, 27 de Agosto de 2007
por Daniel Oliveira



Depois do afastamento humilhante de Paul Wolfowitz do cargo de presidente do Banco Mundial, da saída de Donald Rumsfeld atolado no deserto iraquiano, da partida de Karl Rove deixando um vazio no crânio do presidente, é agora a vez do procurador Alberto Gonzales fazer as malas por ter despedido, por motivos políticos, oito procuradores federais. Abuso de poder, como vem sendo costume neste grupinho que ocupou o poder nos últimos anos. Sobram Condoleezza Rice e Dick Cheney. Bush está quase sozinho em casa. E Bush sozinho é apenas um idiota com direito a uma secretária numa sala oval.

tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (9) | partilhar

por Daniel Oliveira

tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | partilhar

por Daniel Oliveira
O terrorismo continua a servir de argumento para o cinema. No 11 de Setembro tivemos de esperar uns anos para ver "United 93" e "World Trade Center". Mas com o atentado de Silves tudo foi mais rápido. "Os Miúdos do Milho" já está no cinema. A evitar por pessoas mais sensíveis, claro.


Via Zero de Conduta

tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Domingo, 26 de Agosto de 2007
por Daniel Oliveira
A propósito dos anunciados empréstimos para estudantes do ensino superior, vale a pena ver estes números compilados pelo Zero de Conduta: na Europa dos 15, não há propinas em sete países. Na Alemanha, o Tribunal Federal remeteu a decisão para os governos locais, mas a esmagadora maioria das faculdades continua a não exigir pagamento de propinas. Sendo o mais pobres dos 15, Portugal é o quinto país da União Europeia onde as propinas são mais elevadas e o segundo em que o Estado investe menos dinheiro por aluno. Portugal é também o segundo país que menor percentagem de dinheiro destina ao apoio aos estudantes mais desfavorecidos. E a bolsa média é de 49 euros mensais. Uma pipa de massa, portanto.

Perante este cenário, qual é a prioridade de um governo socialista? Criar um regime de empréstimos, que tendo um spread mais baixo do que o praticado no mercado, tem, na realidade, taxas de juro superiores às de outros bancos. O estudante tem de começar a pagar um ano depois de acabar o curso, tenha ou não tenha emprego. Ou seja, um regime de empréstimos para estudantes que, não sabendo se terão emprego mais tarde (56 mil licenciados no desemprego), sabem que podem contar com a ajuda da família. Estes empréstimos não se destinam seguramente aos estudantes mais carenciados. Três a quatro mil estudantes poderão vir a utiliza-los, diz o governo. Menos de dois por cento.

Olhando para os valores das bolsas, para o baixíssimo investimento na Acção Social Escolar e para esta prioridade na criação de um empréstimo que só um estudante de famílias abonadas (ou completamente irresponsável) se aventura a contrair, ficamos a saber quase tudo sobre as preocupações sociais deste governo.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (10) | partilhar

por Daniel Oliveira



Aqui, as crónicas de Eduardo Prado Coelho desde 1998.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

por Daniel Oliveira
Passaram quatro dias e o 31 da Armada mantém a notícia falsa que divulgou e recusa-se a fazer a devida correcção, apesar de todos os desmentidos feitos na sua caixa de comentários com links para a prova de que mentiam. Podia ser um engano. Acontece aos melhores. Agora já não é.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Sábado, 25 de Agosto de 2007
por Daniel Oliveira



O Tiago Barbosa Ribeiroo aproveita Silves, como aproveita qualquer coisa, para vir em defesa de Israel. Parece que uns tipos ocuparam as instalações de uma empresa israelita em Londres, bloquearam as suas entradas e ergueram uma bandeira palestiniana.

Acho alguma graça ao facto do Tiago se chocar com esta violação da propriedade privada. Há décadas que o mesmíssimo Estado que ele apoia incentiva os seus cidadãos a entrar pela propriedade privada alheia (que por acaso até fica noutro país), ocupa-la, expulsar de lá os seus proprietários, espetar a bandeira israelita e ali ficar a viver deste roubo com a protecção de forças de segurança. Há décadas que as casas construidas, compradas ou herdadas por palestinianos são roubadas e destruidas e as suas terras são ocupadas por recém-chegados ao território. Não se trata de nenhuma acto simbólico. Quem viola assim a tão sagrada propriedade privada ali fica para sempre, dando à ocupação e ao roubo o nome de colonato.

Se há tema que o Tiago não devia trazer para a discussão sobre o respeito pela propriedade alheia é o do conflito israelo-palestiniano. Todas estas "acções directas", por mais criticáveis que sejam, são brincadeiras de criança ao pé do comportamento ilegal dos governos que ele aqui defende. Haja algum decoro. Que a indignação não sirva para meter tudo na agenda.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (9) | partilhar

por Daniel Oliveira



«Manadel al-Jamadi morreu a 4 de Novembro de 2003 durante um interrogatório conduzido pela CIA na secção Alfa da prisão de Abou Graib, perto de Bagdad. Este iraquiano, suspeito de ter cometido um atentado na capital iraquiana, morreu quarenta e cinco minutos depois da sua entrada na prisão. Uma autópsia revelará que tinha seis costelas partidas, provavelmente em consequência dos golpes aplicados pelas forças especiais que o tinham detido. No local da CIA, Al-Jamadi, que se queixa de dificuldades respiratórias, tinha a cabeça coberta com um capuz de plástico. Ele é algemado com os pulsos atrás das costas e foi pendurado «à palestiniana», de pé, com os braços fortemente esticados para trás e por cima da cabeça. Muito rapidamente, Al-Jamadi morre de asfixia. O seu corpo, envolvido em gelo e embrulhado em filme plástico, é levado a um duche, antes de sair da prisão de forma dissimulada. Foi aquando da descoberta das fotos de tortura em Abou Graib que este caso foi revelado. Até hoje, nenhum funcionário da CIA foi incomodado por causa desta morte.»
De O tempo das cerejas

tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

por Daniel Oliveira
«A Entidade de Contas e Financiamentos Políticos (ECFP) está a investigar o financiamento da campanha eleitoral para as Legislativas de 2005 dos candidatos do PS pelo círculo da emigração levada a cabo no Brasil. A Polícia Judiciária já foi chamada a colaborar na investigação, e também já recebeu da Polícia Federal brasileira documentação sobre a ligação da chamada ‘Máfia dos Bingos’ a Portugal.»
Expresso, hoje

O financiamento dos partidos é dos assuntos mais relevantes para a democracia. E para não ficar pela suspeita e pelo populismo só vale a pena discuti-lo com base em casos concretos. Pacheco Pereira, que faz críticas gerais à forma como seu partido se comporta nesta matéria, decide não o fazer quando uma história concreta aparece. E no PS, alguém vai querer falar para que alguma coisa comece a mudar?
tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

por Daniel Oliveira



«Os pais das crianças norte-americanas que participaram no polémico e ainda não estreado reality show Kid Nation, da cadeia de televisão CBS, assinaram contratos em que concordaram que os seus filhos deviam obedecer a tudo o que a produção do programa lhes dissesse durante as gravações, sob pena de expulsão, e que atribuem à CBS os direitos sobre as histórias dos 40 miúdos "de forma perpétua e em todo o universo".

O conteúdo do contrato estabelecido com os pais das crianças com idades entre os 8 e os 15 anos, que durante 40 dias habitaram uma cidade fantasma no Novo México para criarem uma sociedade sem adultos (apenas com elementos da produção presentes), foi revelado quinta-feira pelo New York Times. As crianças estão, ao contrário do que dizia a CBS, sujeitas a expulsão e foram tratadas como se de adultos se tratassem.

No contrato de 22 páginas, a CBS protege-se legalmente das limitações ao trabalho infantil, estipulando que as crianças podem ser pagas pela sua participação, mas que tal não constitui um ordenado. São também utilizadas fórmulas legais já comuns na reality-tv em que os participantes (e, neste caso, os seus pais) assumem a responsabilidade por quaisquer danos ocorridos durante as gravações, desde ferimentos a acidentes devidos a más condições de alojamento, parca assistência médica, até à morte.

Também se lê no documento que pais e menores assumem total responsabilidade por quaisquer doenças psicológicas ou físicas contraídas durante o programa, especificando mesmo que tal abrange "doenças sexualmente transmissíveis, HIV e gravidez".»

Público, hoje


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

pesquisa
 
TV Arrastão
Inquérito
Outras leituras
Outras leituras
Subscrever


RSSPosts via RSS Sapo

RSSPosts via feedburner (temp/ indisponível)

RSSComentários

arquivos
2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


Contador