Quarta-feira, 30 de Abril de 2008
por Daniel Oliveira


1965 - Sol de Inverno - Simone de Oliveira


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A polícia chinesa encontrou milhares de bandeiras do Tibete nos armazéns de uma fábrica no Sul da China. Segundo o dono da empresa, a encomenda foi feita a partir do estrangeiro e os trabalhadores não sabiam que estavam a fabricar um símbolo proibido na China.
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por Daniel Oliveira
A semana passada não postei os meus dois textos do "Expresso". Hoje postei o dessa semana e da última. Manuela Ferreira Leite e as dificuldades que Sócrates pode esperar, o PCP e Angola, o regresso de Santana e o filme "Tropa de Elite". Está tudo na página do Arrastão para os artigos no Expresso. O texto (com um trailer) sobre o filme brasileiro fica também aqui, para debate.



Tropa de elite

O filme mostra as favelas do Rio de Janeiro pelos olhos de um agente do Batalhão de Operações Policiais Especiais, a tropa de elite da Polícia Militar. Baseado num relato na primeira pessoa, ganhou prémios por todo o mundo. O filme não é apenas um retrato do estado de guerra em que se vive no Rio. É um manifesto em defesa da lei sem lei como única forma de combater a criminalidade. Um manifesto contra as explicações sociais para a delinquência. Um manifesto que não se limita a justificar, antes defende de forma explícita, as execuções sumárias e a tortura. Que trata os brasileiros das favelas como gente que vive em terreno inimigo e por isso é inimiga. Gente com quem não há pontes possíveis.

Seria de esperar o choque e a indignação. No Brasil, a aceitação foi quase geral. Muito mais entusiasmo do que com 'Cidade de Deus', que vê as favelas pelos olhos dos favelados. Além da adrenalina, 'Tropa de Elite', de José Padilha, que acabará por estrear em Portugal e já tem a sua versão literária disponível nas livrarias, dá uma resposta rápida ao medo, quando não há resposta nenhuma. E a resposta é a bala. É assim quando deixamos que a injustiça crie uma multidão de miseráveis à nossa volta. Podemos fechar-nos nas nossas fortalezas para nos escondermos do caos. Mas os que têm de viver todos os dias paredes-meias com o crime acabarão por aceitar que, "na brincadeira sinistra de polícia e ladrão, não se saiba ao certo quem é herói ou vilão, não se saiba ao certo quem vai e quem vem na contramão", como diz o polícia narrador num dos seus poucos assomos de hesitação moral. Porque no momento certo, perante o medo sem remédio, todos temos um fascista na nossa cabeça. Todos cedemos à resposta do desespero. Todos queremos ver sangue.

Outros textos aqui.

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por Daniel Oliveira
Deixou Lisboa na bancarrota e sem uma única promessa cumprida. Ainda nem tinha aquecido o lugar e já estava farto. Ameaçava ir para Belém. O país sorria. Acabou por aterrar em São Bento sem ser eleito. O país estarrecia. A sua experiência nacional foi ainda mais desastrosa do que a local. Com o país em gargalhada foi corrido por indecente figura. Poucos meses chegaram para deixar uma forte impressão. Conquistou o pior resultado eleitoral na história do PSD. O país aliviava. Santana ia à sua vida. Engano. Santana não tem para onde ir. Dois anos depois de uma fantasiada vida profissional lá estava ele à frente da bancada do PSD, não se incomodando com a despromoção. Com o partido em ruínas, entreteve-se num concurso de protagonismo com o líder mais irrelevante da história do PSD. O país bocejava.

Perante este currículo, Santana não se enxerga. Não percebe que o seu momento alto já foi e que coincidiu com um momento baixo do país. Agora, é demasiado confrangedor assistir ao seu regresso. É demais. Já chega de tanta humilhação. Saber que veremos de novo as mesmas rábulas, os mesmos números de ilusionista trapalhão, as mesmas lágrimas de menino guerreiro. Da primeira teve pouca graça. Agora cansa. Cansa tanto. Algum amigo que lhe diga para sair de cena com alguma dignidade. O país já não consegue rir. Mete só pena.
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O filme mostra as favelas do Rio de Janeiro pelos olhos de um agente do Batalhão de Operações Policiais Especiais, a tropa de elite da Polícia Militar. Baseado num relato na primeira pessoa, ganhou prémios por todo o mundo. O filme não é apenas um retrato do estado de guerra em que se vive no Rio. É um manifesto em defesa da lei sem lei como única forma de combater a criminalidade. Um manifesto contra as explicações sociais para a delinquência. Um manifesto que não se limita a justificar, antes defende de forma explícita, as execuções sumárias e a tortura. Que trata os brasileiros das favelas como gente que vive em terreno inimigo e por isso é inimiga. Gente com quem não há pontes possíveis.

Seria de esperar o choque e a indignação. No Brasil, a aceitação foi quase geral. Muito mais entusiasmo do que com 'Cidade de Deus', que vê as favelas pelos olhos dos favelados. Além da adrenalina, 'Tropa de Elite', de José Padilha, que acabará por estrear em Portugal e já tem a sua versão literária disponível nas livrarias, dá uma resposta rápida ao medo, quando não há resposta nenhuma. E a resposta é a bala. É assim quando deixamos que a injustiça crie uma multidão de miseráveis à nossa volta. Podemos fechar-nos nas nossas fortalezas para nos escondermos do caos. Mas os que têm de viver todos os dias paredes-meias com o crime acabarão por aceitar que, "na brincadeira sinistra de polícia e ladrão, não se saiba ao certo quem é herói ou vilão, não se saiba ao certo quem vai e quem vem na contramão", como diz o polícia narrador num dos seus poucos assomos de hesitação moral. Porque no momento certo, perante o medo sem remédio, todos temos um fascista na nossa cabeça. Todos cedemos à resposta do desespero. Todos queremos ver sangue.
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Caso tenham algum contacto com o país, os militantes do PSD irão livrar-se de Luís Filipe Menezes. Porque o ridículo mata e o partido está moribundo há demasiado tempo. Mas não é de excluir que, dominando o aparelho, as pequenas ambições internas contem mais e mantenham Menezes ao leme do barco, rumo ao desastre. Que não se ria o PS. Daqui a uns anos viverá a mesma experiência. Com a agenda social do centro-esquerda reduzida ao mínimo e um centro-direita que sabe que a agenda ultraliberal é impraticável neste país, resta pouco que distinga os dois maiores partidos. Na oposição, sem lugares para distribuir nem programa alternativo para apresentar, sobra apenas a competição entre personalidades. Quando o poder está longe, quem está na oposição fica com o refugo. Quando cheira a poder regressam os pesos pesados.

Se se confirmar a candidatura de Manuela Ferreira Leite, Sócrates deve preocupar-se. Tem contra si o original de que ele é apenas uma cópia forçada. Uma mulher que aparece aos olhos dos eleitores como sendo rigorosa, determinada e autoritária. Tudo o que Sócrates quis ser, mas sem uma vida de trapalhadas no currículo. Ferreira Leite é o arquétipo da direita nacional. A mesma direita que, à falta de quem no seu campo representasse esse papel, adoptou Sócrates. Se o modelo concorrer contra a falsificação, resta a Sócrates voltar à casa-mãe. Será tarde de mais. Ficará entalado entre uma esquerda desiludida com o seu Governo e uma direita entusiasmada com a nova liderança. E uma coisa pode esquecer: a maioria absoluta.
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Jerónimo de Sousa foi a Angola. Chegado a Lisboa, transmitiu ao 'Avante!' algumas das suas impressões. Primeira: "sentimos haver um esforço claro do MPLA no combate à corrupção. Neste aspecto, pode dizer-se que, havendo um problema, não se sente a corrupção como um fenómeno instalado e em desenvolvimento, mas antes como uma situação que está a ser encarada e combatida pelo MPLA". Ou seja, o MPLA e José Eduardo dos Santos, eles próprios o centro da pornográfica corrupção angolana, querem curar-se. Segunda: "existe a vontade de não transformar a sociedade angolana numa sociedade capitalista no sentido clássico". Não sei qual é o sentido menos clássico, mas pela amostra é ainda pior do que o tradicional.

Determinado a não fazer nenhuma reavaliação do passado, o PCP move-se, em matéria internacional, guiado pelos seus próprios reflexos condicionados e pelas memórias de um mundo desaparecido. Procura amigos em qualquer buraco, achando que se fizer muito esforço para não ver a realidade ela desaparece. Isso explica a simpatia para com o regime chinês, que, enquanto impõe ao país um capitalismo selvagem sem liberdade se aproxima da Internacional Socialista, ou esta solidariedade com a alta burguesia cleptomaníaca de Angola, que mantém fortes relações com os EUA.

Podemos visitar velhos amigos para os rever. Até podemos ter o pudor de fingir não notar como estão mudados. Mas nem eles nos exigem que façamos desta ilusão um programa político.
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Durante o mês de Maio o Arrastão recordará todos os dias o Maio de 68. 40 anos depois, da Primavera de Praga à revolta francesa. Hoje, para começar, fica um documentário. Uma hora e meia dividida em cinco partes.











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Terça-feira, 29 de Abril de 2008
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1964 - Oração - António Calvário


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A Vereadora da Cultura e Educação do Município de Macedo de Cavaleiros, Sílvia Garcia do PSD, em entrevista à Rádio Onda Livre, afirmou-se saudosista de Salazar no que concerne à Educação. Numa entrevista sobre o espectáculo “ Salazar – Ascensão e Queda”, Sílvia Garcia considera que o 25 de Abril foi “um momento de viragem que marcou o nosso país e deve ser perpetuada” no entanto considera que faz existe um défice de autoridade dos professores neste momento e confessa-se saudosista de Salazar ao afirmar peremptoriamente “se calhar em relação a esta situação, e muitas outras, precisávamos novamente do Salazar”.

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1966 - Ele e Ela - Madalena Iglésias


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Durante o mês de Maio o Arrastão recorda o Maio de 68. Hoje, para começar, fica o documentário. Para ver com tempo.

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Segunda-feira, 28 de Abril de 2008
por Daniel Oliveira


O fascista recauchutado Gianni Alemanno, da Aliança Nacional, venceu as eleições para a Câmara Municipal de Roma. Alemanno foi secretário-geral da juventude do partido neo-fascista Movimento Social Italiano (MSI) de 1988 a 1991 e baseou a sua campanha na exploração de episódios de insegurança.

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Entre 20 e 24 de Maio, Belgrado recebe a 53ª edição do Festival Eurovisão da Canção. O Festival da Canção já conheceu melhores dias na Europa e em Portugal. Durante a minha infância e adolescência o País parava para ver os seus ilustres representantes serem humilhados. E gostava. Continuamos a ser humilhados mas já nem damos por ela. O que é uma pena. Este ano a nossa representante é Vânia Fernandes. Quem é esta serigaita ao pé de um António Calvário, Carlos Mendes, Simone de Oliveira, as Doce, José Cid, Armando Gama ou Maria Guinot? Que falta de respeito pela memória de Shegundo Galarza e Thilo Krassman.

Aqui, diariamente, recordarei o que de melhor na cultura portuguesa se produziu. Excertos da melhor poesia. Sempre a mesma história de amor. Ele só pensa nela a toda a hora, sonha com ela p'la noite fora, chora por ela se ela não vem. E assim continua de ano para ano. O vento muda e ela não volta, ele sabe que ela mentiu, para sempre fugiu. Anda fugida nas asas do sonho. Acha ela que é bom andar sem Norte, não precisar visto, nem usar passaporte. E ele perdido como o fumo subindo no aaaaaaa-aaaaaa-aaaaaaar, como balão que sobe sobe, como o papagaio que voa, dai li, dai li, dai li, dai li dou, anda pelas ruas indiferente, caminhando sem mais notar a gente que por ele vê passaaaaaaa-aaaaaa-aaaaaaar. Anda assim ele no meio de tanta gente recordando esse amor sem grade, fronteira, barreira, muro em Berlim. Um sonho, um livro, uma aventura sem igual. Recorda aquelas noites que duravam até às seis e meia de loucura, em que ela vinha em flor e ele a desfolhava. E a desfolhada era com amor amor amor amor amor presente. No meio da loucura ela implorava «Não sejas mau p'ra mim, oh oh...». E ele dizia: «Bem bom!». Ái, que foram vidas tão cheias, foram oceanos de amor!

Desde António Calvário simulando uma reza às escandalosas Doce, passando por Pedro Osório de cravo ao peito, o Festival da Canção era um excelente retrato do país. Mas chegou uma altura em que a coisa descarrilou. Tornou-se, por assim dizer, demasiado estrangeirado - apesar de, no início dos 80, o «Addio, adieu, aufwiedersehen, goodbye, amore, amour, meine liebe, love of my life» de José Cid e o "Play Back" de Paião ter começado esse processo. Por isso irei apenas até 1989. E mesmo este é um ano de excepção, com os Da Vici a devolverem alguma dignidade coreográfica, poética e musical ao acontecimento. Antes disso, páro em em 1986, com o memorável "Não Sejas Mau para Mim", da inesquecível Dora. De 1964 ao final dos anos 80, aqui ficam, diariamente, até dia 20, os ilustres representantes do nacional-cançonetismo. Ái que saudades!

Excepcionalmente, começo esta autêntica cronologia da história musical portuguesa por um derrotado entre os derrotados. Um vulto da nossa cultura que em 1967 foi injustamente excluído em favor de Eduardo Nascimento. Já então o politicamente correcto fazia as suas vítimas. Senhoras e senhores telespectadores, a canção número 3: "Sou tão Feliz»:


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A entrevista de António Cunha Vaz ao "Público" é surreal. O homem responde como se tivesse liderado o PSD. Tirando os erros, claro. Esses são de outros. A vaidade do senhor explica o que foram os últimos meses no PSD. Um partido que julga que pode ser liderado por "publicitários" sem qualquer experiência política acaba no estado em que está o PSD. Que sirva de lição.

Na entrevista, Cunha Vaz diz que talvez o Estado não o contrate por «ser pequenino». É uma explicação. Se Cunha Vaz não estiver a falar da sua estatura física, irrelevante para o caso. Basta ler a entrevista. Quer na estratégia, quer na táctica, uma miséria confrangedora. Faz Menezes parecer um gigante político. Mas vale a pena ler para perceber como alguns partidos são dirigidos em Portugal. A política e as convicções são irrelevantes, o que não é novidade. O mais estranho é serem substituidas pelo tacticismo de aprendizes.

E para perceber como há gente que não se enxerga, vale a pena ler o fim da entrevista:
Vai tornar-se político?
Agora não posso abandonar a agência. Mas estou farto dos comentadores, de alguns jornalistas e de alguns clientes.
Na política, teria de os aturar todos.
Não, porque não queria ser o número 2 ou o número 3. Só vou para a política, se for para mandar.
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Público: Mas para que serve estar perto do poder? Para atrair clientes, para ter influência?
António Cunha Vaz: Eu nunca disse a um cliente meu: "Olhe que sou muito amigo do dr. Menezes, e, quando ele estiver no governo, faço isto e aquilo."
Público: Não disse, mas eles podem pensar isso.
António Cunha Vaz: Já agora! Não os posso impedir de pensar, ou posso?
Público: O interesse de trabalhar com políticos tem a ver com isso.
António Cunha Vaz: Também tem a ver com isso. O importante é a percepção que se cria nas pessoas. O mercado vai atrás de quem? Das empresas ganhadoras. Mas é claro que dá alguma sensação poder dizer: "Ó Sócrates, recebes-me aí o Manuel Joaquim amanhã?"
Público: Mas para além desse prazer pessoal, isso pode trazer benefícios aos seus clientes.
António Cunha Vaz: Eles não me pagam mais por isso. Mas abre portas.

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«Os jornalistas da área enonómica são mais rigorosos na análise dos temas do que os da política.»
António Cunha Vaz

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António Cunha Vaz: No livro, ele diz que você se ofereceu para trabalhar com ele, garantindo que conseguia dirigir a opinião pública em qualquer direcção e que "tudo se compra". Isso é completamente mentira. O dr. Carrilho acha que eu fiz uma OPA sobre os comentadores. Vou explicar-lhe uma coisa: eu chego ao pé da direcção do Correio da Manhã, ou do Diário Económico, e peço: "Importas-te de pôr aí o Patinha Antão a escrever uma peça, ou o Ângelo Correia?" A seguir, quem trabalha com o PS faz o mesmo: "Põe o Jorge Coelho, o António Vitorino a escrever um artigo." O que é que estes colunistas fazem? A partir do momento em que têm o seu palco, começam a andar à volta, a andar à volta, e esquecem-se de defender a estratégia do dr. Menezes, ou seja de quem for. Quando se apanham com aquele glamour... Ficam em roda-livre.
Público: Sim? Porque fazem eles isso?
António Cunha Vaz: Porque há um deslumbramento.
Público: Mas eles são livres de escrever o que quiserem.
António Cunha Vaz: Sim. Mas eu não posso trabalhar, quando não há seriedade na praça.

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Público: as acusações de Carrilho contra si, e o livro que escreveu, afectaram-no.
António Cunha Vaz: Gravemente. Um dia cheguei a casa e a minha filha vinha a chorar, porque, na escola, uma amiga lhe dissera que eu comprava jornalistas.
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Como era previsível, Pedro Passos Coelho vai contar com o apoio dos "menezistas" (estranha coisa para se ser) que não perdoam a Santana a sombra que fez ao líder demissionário. E com o apoio daqueles que, não querendo Ferreira Leite, ainda têm alguma noção do país onde vivem e sabem que um regresso de Santana será motivo de chacota nacional. É provável que Passos Coelho precise do apoio de gente como Marco António para ganhar parte do partido e colocar-se em boa posição para, a prazo, vir a substituir ou Santana ou Ferreira Leite depois da derrota do PSD nas próximas eleições. Mas estar associado a figuras como estas terá sempre o seu preço.

Como personagem política, Pedro Passos Coelho tem muito pouco interesse. A sua notoriedade fez-se na liderança de uma "jota", a sua imagem está colada à de um homem de aparelho sem currículo, o seu discurso é redondo e baço. Mas parece ter a inteligência de perceber que ou o PSD encontra um espaço ideológico claro ou está condenado a viver de crise em crise. Ele escolheu uma espécie de liberalismo mitigado. Não sei se resulta, mas é um caminho. Ter um passado político pouco marcante, ser facilmente moldável, ser relativamente jovem e parecer ter poucos anti-corpos fora e dentro do PSD joga a seu favor num partido que parece perdido e ansioso por começar do zero. A sua imagem não está assim tão distante da de Sócrates, quando se candidatou à liderança do PS. É um cabide onde se pode pendurar uma nova roupagem.

E uma coisa parece provável: dividindo votos, vai dar a vitória a Ferreira Leite e afastar Santana do regresso à liderança. Talvez o PSD ainda não o perceba, mas ficará a dever esta a Passos Coelho.
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As mudanças em Cuba, levadas a cabo por Raul Castro, são um sinal. Por enquanto, são o fim de restrições anacrónicas e quase ridículas: direito a comprar telemóveis e microndas. Na economia, falta o passo de pôr fim à absoluta estatização de todas as actividades económicas (até as mais pequenas), que resultam nesta injustiça: os estrangeiros podem ter negócios em Cuba, os cubanos não. E a existência do pso normal e do peso convertível (para fazer frente ao dólar), que prepectua a existência de duas sociedades associadas a duas economias num país que defende a igualdade. E falta quase tudo no que toca às liberdades cívicas, apesar da publicação de cartas críticas no Gramma ser uma boa notícia.

Se o objectivo de Raul Castro for a abertura política e a democracia, com liberdade de expressão e de associação, com multipartidarismo e o fim da censura e das prisões políticas, com liberdade de movimentos para os cubanos que desejem viajar e emigrar, desejo-lhe boa-sorte. Há processos rápidos e lentos, e perante a vizinhança dos EUA este pode ser um caminho com menores riscos. Se, pelo contrário, o objectivo de Raul for conter a mudança abrindo um pouco a porta, vai-lhe correr mal. Há processos que quando se começam não podem ser travados. Felizmente.
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As mudanças em Cuba, levadas a cabo por Raul Castro, são um sinal. Por enquanto, são o fim de restrições anacrónicas e quase ridículas: direito a comprar telemóveis e microndas. Na economia, falta o passo de pôr fim à absoluta estatização de todas as actividades económicas (até as mais pequenas), que resultam nesta injustiça: os estrangeiros podem ter negócios em Cuba, os cubanos não. E a existência do pso normal e do peso convertível (para fazer frente ao dólar), que prepectua a existência de duas sociedades associadas a duas economias num país que defende a igualdade. E falta quase tudo no que toca às liberdades cívicas, apesar da publicação de cartas críticas no Gramma ser uma boa notícia.

Se o objectivo de Raul Castro for a abertura política e a democracia, com liberdade de expressão e de associação, com multipartidarismo e o fim da censura e das prisões políticas, com liberdade de movimentos para os cubanos que desejem viajar e emigrar, desejo-lhe boa-sorte. Há processos rápidos e lentos, e perante a vizinhança dos EUA este pode ser o caminho mais. Se, pelo contrário, o objectivo de Raul for conter a mudança abrindo um pouco a porta, vai-lhe correr mal. Há processos que quando se começam não podem ser travados. Felizmente.

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Numa empresa moderna, uma desenhadora-projectista a trabalhar numa firma de engenharia que resolvesse tirar o curso de engenharia seria apoiada e acarinhada. A qualificação de um trabalhadora, ainda por cima feita apenas com o seu esforço, seria motivo de aplauso e entusiasmo. Na maior poarte da empresas portuguesas é ao contrário. Por cegueira, receio de ter trabalhadores que façam sombra a «quem manda» ou por pura mesquinhez. Aqui fica esta história, relatada no "Público" de hoje:

«Durante nove anos, Miriam Martins, 34 anos, nunca teve problemas na empresa de engenharia civil onde era efectiva e trabalhava como desenhadora-projectista. Nem no ano passado quando decidiu voltar a estudar e inscrever-se no ensino superior, no curso de Engenharia Civil da Universidade Lusófona, e o comunicou aos sócios da empresa. Seis meses depois, enfrenta um processo disciplinar e de despedimento por justa causa.

A história começa em Setembro de 2007. Depois de ter conseguido entrar na universidade, pediu o estatuto de trabalhador-estudante, cumpriu todas as formalidades, apresentando o horário das aulas na empresa e, com um mês de antecedência, o calendário das frequências. Durante meses, tentou gerir um horário laboral e escolar que dava pouca margem de manobra, com a hora de saída do emprego (às 18h00) a coincidir com a hora de começo das aulas e levando a que o dia só terminasse entre as onze e a meia-noite. "Nunca gozei da dispensa até seis horas semanais a que tinha direito como trabalhadora-estudante. Chegava sempre atrasada às aulas", conta.

Mas os problemas no emprego acabaram por surgir em Fevereiro, na altura dos exames, quando Miriam invocou o direito, contemplado no estatuto do trabalhador-estudante, de tirar dispensas na semana das frequências. "Apesar de ter entregue as datas dos exames atempadamente e de a empresa ter tempo para recorrer a mais alguém se fosse necessário, foi dois dias antes das provas que me disseram que eu não podia tirar os dias, que havia muito trabalho para fazer", recorda.

Tirou-os na mesma, para conseguir estudar e fazer os testes. Mas no regresso ao emprego, apercebeu-se de que o ambiente era de "alguma pressão e desagrado". Para não piorar a situação, e como ainda tinha de fazer mais dois exames, Miriam abdicou de tirar os respectivos dias. De nada lhe valeu. "Na véspera do segundo exame, barraram-me a entrada no emprego. Disseram-me que tinha um processo disciplinar [com efeitos suspensivos imediatos], que não podia entrar naquele momento, nem para ir buscar as minhas coisas."

Voltou para casa e foi só na semana passada que teve acesso ao processo onde leu que a empresa accionara o despedimento por justa causa. Motivo: atrasos na chegada ao emprego. Admitindo que por vezes chegava 15, 30 minutos depois das 9h00 (algo que durante anos, e até começar a ter aulas, compensou ficando a trabalhar até mais tarde), Miriam garante que não é essa razão que está por trás do processo, mas o facto de ter gozado das dispensas para fazer as frequências. "Nunca antes tinham feito qualquer referência a um processo disciplinar."

De resto, Miriam garante que não é caso único. "Tenho colegas na turma que tiveram medo de pedir o estatuto de trabalhador-estudante por causa dos direitos que isso lhes dá e outros que ficaram desempregados quando começaram a estudar."

O caso vai agora para tribunal e, enquanto continua à espera de saber se tem direito a uma bolsa (requisitada em Setembro), Miriam ainda não sabe se terá condições para pagar os quase 300 euros de propina mensal e concluir o curso que lhe abria novas perspectivas de carreira.»
Isabel Leiria
A história de Miriam Martins começa em Setembro de 2007 quando conseguiu entrar na Universidade Lusófona

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Domingo, 27 de Abril de 2008
por Daniel Oliveira



Tem razão o deputado Paulo Rangel (do PSD) quando escreveu, ontem no "Público", que esta intervenção de José Soeiro (do BE), concorde-se ou discorde-se dela, é das melhores que se fizeram nos últimos anos em comemorações do 25 de Abril. E cito Rangel porque ele foi autor, há dois anos, de outro excelente discurso sobre a qualidade da nossa democracia e os direitos cívicos. Aqui é Soeiro a ir para lá da espuma dos dias e a fazer uma intervenção de fundo sobre a escola e a democracia. Talvez a melhor resposta (involuntária) ao discurso beato de Cavaco sobre o suposto alheamento dos jovens em relação à política.

É importante repetir o óbvio: a democracia não é "assunto" pelo qual as pessoas se devam interessar. É uma prática diária. E quem, a cada momento, por razões de eficácia ou de saudosismo de uma autoridade perdida, quer reduzir a sua vivência nas escolas, nas empresas, no Estado ou no espaço público não se pode espantar quando os cidadãos (jovens ou não) tratam a democracia como uma coisa que lhes é estranha.

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Sábado, 26 de Abril de 2008
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Como pode esperar que os jovens entendam a dignidade da democracia quem, sendo Chefe de Estado, se rebaixa perante um cacique local e se cala diante tantos atropelos às regras democráticas? Os jovens esqueceram-se do 25 de Abril? Não o esqueceu Cavaco Silva durante toda a semana que esteve na ilha da Madeira?

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Com a minha prima passei longas e por vezes desesperantes horas a tentar chegar a este nível de perfeição. A minha falta de jeito frustrou todas as tentativas. Tantos anos depois, foi ela que me enviou este vídeo. Tivéssemos contado com a ajuda de tantos...

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Sexta-feira, 25 de Abril de 2008
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Quinta-feira, 24 de Abril de 2008
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FMI


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Na semana entre o 25 de Abril e o 1º de Maio dedico o espaço para o blogue escolhido aos trabalhadores precários. O blogue da semana é o dos Precários Inflexíveis. Mas ficam outros: o blogue do MayDay, o Ferve (Fartos d'Estes Recibos Verdes), o Contra os Recibos Verdes, o Mind This Gap, de licenciados que abandonam o país, o Lisboa em Alerta, dos trabalhadores precários da CML, o Exige-Arq, de jovens arquitectos, e o dos bolseiros.

Aqui ficam também alguns vídeos:



Veja mais no link em baixo








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Às vezes o mais óbvio, por ser o mais desinteressante, nem nos passa pela cabeça. Mas a verdade é que Santana Lopes não tem mesmo qualquer consciência da memória que deixou atrás de si. E insiste. O inquérito, que já sofreu demasiadas alterações desde que começou, foi abaixo. Começou um novo. Vamos lá ver se não vou ter de o mudar de novo.

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Às vezes o mais óbvio, por ser o mais desinteressante, nem nos passa pela cabeça. Santana Lopes não tem mesmo qualquer consciência da memória que deixou atrás de si. E insiste. O inquérito, que já sofre demasiadas alterações desde que começou, foi abaixo. Começou um novo. Vamos lá ver se não vou ter de o mudar.

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Quarta-feira, 23 de Abril de 2008
por Daniel Oliveira
Precário Inflexíveis

Na semana entre o 25 de Abril e o 1º de Maio, dedico o blogue da semana aos trabalhadores precários, os mais explorados de todos os trabalhadores. Aqui ficam alguns vídeos dedicados às empresas de tra

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por Daniel Oliveira
Vejo a televisão. Desfilam personagens como Mendes Bota, Ribau Esteves, Patinha Antão, Marco António, Hugo Velosa, Santana Lopes, Alberto João Jardim... E pergunto-me: o que aconteceu ao PSD para que os cromos se tenham transformado nas figuras?
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José Sócrates considera que a aprovação parlamentar (sem referendo) do Tratado de Lisboa, na ante-véspera do 25 de Abril, "é uma forma particularmente feliz de assinalar a revolução democrática". A mim parece-me que comemorar a democracia com o não cumprimento de uma promessa eleitoral é a pior homenagem que se pode fazer à democracia. Ainda mais se essa promessa era a de dar o voto aos portugueses.

por Daniel Oliveira
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