Quinta-feira, 31 de Julho de 2008
por Daniel Oliveira
Estou um pouco baralhado. Se a principal crítica que Cavaco Silva tem a fazer ao Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores não está incluinda nas normais que o TC coinsiderou inconstitucionais porque não usou ele do veto político? Não é para isso que ele serve?

É normal fazer uma comunicação ao país por causa deste assunto? Não deverá guardar o senhor Presidente tão pomposo momento para assuntos mais relevantes para a vida dos portugueses do que o facto dele ter de ouvir o presidente da Assembleia Legislativa dos Açores quando a quiser dissolver? Terá reparado que o país anda apertadinho com a crise e que esta comunicação dá a ideia que o Presidente está um pouco a leste?

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
«A juíza Ana Gabriela Freitas, do Tribunal de Felgueiras, proferiu ontem uma sentença em que considera que a comunidade cigana tem um estilo de vida com "pouca higiene", é "traiçoeira" e "subsídio-dependente". "Pessoas mal vistas socialmente, marginais, traiçoeiras, integralmente subsídio-dependentes de um Estado a quem pagam desobedecendo e atentando contra a integridade física e moral dos seus agentes".» No levantamento sócio-económico da vida dos arguidos, Ana Gabriela Freitas escreveu no processo que as condições habitacionais "são fracas, não por força do espaço físico em si, mas pelo estilo de vida da sua etnia (pouca higiene)". Ana Gabriela Freitas salientou ainda não se vislumbrar "a menor razão para acolher a rábula da 'perseguição e vitimização dos ciganos, coitadinhos!".

Na sentença a cinco elementos de etnia cigana a juíza resolveu colocar no banco dos réus milhares de pessoas. Quando temos uma juíza que deve zelar pelo direito e pela justiça a fazer julgamentos colectivos de toda uma comunidade podemos ficar descansados quanto ao estado do nosso Estado de Direito. Esta senhora, que deve aplicar a lei, violou o Decreto-Lei n.º 111/2000 que proíbe «a adopção de acto em que, publicamente ou com intenção de ampla divulgação, pessoa singular ou colectiva emita uma declaração ou transmita uma informação em virtude da qual um grupo de pessoas seja ameaçado, insultado ou aviltado por motivos de discriminação racial.» Não concorda com a lei? Tem todo o direito. Mas tem de a cumprir. E sendo juíza tem de a cumprir de forma escrupulosa e exemplar.

Vale a pena ler os comentários às várias notícias nos vários jornais e alguns links feitos por blogues à notícia do público. Não paira um ambiente de delírio racista neste país? Claro que não!

PS: Esta juíza já deu que falar no caso de Fátima Felgueiras.

A Alta-Comissária para a Imigração e o Diálogo Intercultural (ACIDI), Rosário Farmhouse, recuou na intenção de apresentar uma queixa ao Conselho Superior da Magistratura por causa de uma sentença de uma juíza de Felgueiras que alegadamente ofendia a comunidade cigana. Depois de ter lido o documento>, Farmhouse constatou que a magistrada citava testemunhas que falaram no decorrer no processo

Pena que o jornalismo português seja pouco rigoroso.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Depois de duas semanas a receber mails (em quantidades nunca vistas) e a ler comentários a propósito do que fui escrevendo e dizendo por causa do que aconteceu na Quinta da Fonte, estou em condições de resumir a opinião aparentemente dominante: os que vivem nos bairros sociais e os ciganos em particular são quase todos ladrões e criminosos, vivem à conta dos cidadãos honestos e têm de ser postos na ordem. Ainda bem que os alicerces do "politicamente correcto" foram finalmente abalados. O debate evoluiu. Chegou finalmente às cavernas mais profundas.

por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 30 de Julho de 2008
por Daniel Oliveira


Esta capa diz mais do que quer dizer. Berlusconi com as cores de Itália, claro. Mas a coincidência interessante é mesmo o P2, a designação mais comum para a Loja Maçónica italiana Propaganda Due, ilegalizada por suspeita de actividade ilícita, que Berlusconi tão bem conhece. Ver no mais no Metrografismos.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
«Qualquer gesto que possa ser interpretado como uma "situação mais íntima" nas praias algarvias está proibido, por ordem do Comando Marítimo do Sul (CMS). Pedir ajuda para espalhar protector solar nas costas, ainda vá que não vá, mas se o movimento deslizar para uma prática que possa ser interpretada como massagem, a Polícia Marítima avança para aplicar uma coima, não vá algum turista queixar-se de atentado ao pudor.

O presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Elidérico Viegas, considera que a notícia, divulgada ontem pela TSF, só pode ser entendida como "uma piada" própria da silly season. Mas o responsável do CMS, Reis Agoas, diz que se pretende evitar "situações mais íntimas" porque "há massagens e massagens". (...)

O comandante CMS, em declarações às rádios, explicou o que o levou a proibir as massagens: "Toda a gente sabe como começam mas ninguém sabe como acabam", justificou.» (Público de hoje)

por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 29 de Julho de 2008
por Daniel Oliveira
Portugueses que vivem abaixo do limiar da pobreza: cerca de 2.000.000.
Beneficiários do Rendimento Social de Inserção: 311 mil (quase 40% são menores)
Despesas anuais com o Rendimento Social de Inserção: 371 milhões de euros.
O valor médio da prestação de RSI por beneficiário: 83 euros.

Lucro dos cinco maiores bancos portugueses em 2007: 8,7 milhões de euros por dia.
Perda anual de receita fiscal devido aos benefícios fiscais à banca: cerca de 700 milhões euros.

Agora comparem o tempo que se dedica a um assunto e a outro.

PS: alguns comentadores tiveram alguma dificuldade em acompanhar este simples raciocínio lógico: o que se compara neste post com as despesas com o RSI são os benefícios fiscais à banca e não o lucro da dita. E em que contexto é que se gasta o RSI? O da existência de dois milhões de pobres. E em que contexto é que se dão os benefícios fiscais à banca? Quando ela tem quase nove milhões de euros de lucro diário. Assim trocado por miúdos já está claro?

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Os 26,8 milhões de euros representam um valor médio por cada administração (que pode ter entre três e onze elementos) de 349 mil euros, segundo o documento sobre o bom governo das sociedades que acompanha o relatório sobre o sector empresarial do Estado, divulgado na semana passada.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Despesas anuais com o Rendimento Social de Inserção: cerca de 370 milhões de euros.
Portugueses que vivem abaixo do limiar da pobreza: cerca de 2.000.000.
Beneficiários do RSI: cerca de 370 mil (quase 40% são menores)
O valor médio da prestação de RSI por beneficiário em 2007: 82,76 euros.

Perda anual de receita fiscal devido aos benefícios fiscais à banca: cerca de 700 milhões euros.
Lucro dos cinco maiores bancos portugueses em 2007: cerca de 3.000 milhões de euros.

Agora comparem o tempo que a direita dedica a um assunto e a outro.

por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 28 de Julho de 2008
por Daniel Oliveira
Os seis artigos do Expresso das três semanas anteriores já estão disponíveis aqui no Arrastão. Os da semana passada estão no link da direita. Pode deixar lá os comentários. O primeiro é sobre o caso Maddie, a comunicação social e os julgamentos populares.

Também na coluna da direita passaram a estar banners para os posts que aqui fui escrevendo em algumas viagens que tenho feito.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Desconfia-se sempre da televisão. Faz o velho parecer novo. Vizinhos tratarem das suas desavenças à estalada e até ao tiro não é novidade. Era assim que se fazia nas aldeias deste país. Focos de violência entre diferentes comunidades também não. É assim desde que existe humanidade. Que a intolerância é a forma mais imediata de nos relacionarmos com quem é diferente é ainda menos novo. E não está escrito em lado nenhum que as vítimas da discriminação são imunes a sentimentos racistas. As proporções do que se passou na Quinta da Fonte é que são maiores do que o habitual.

Podia acrescentar a tudo isto algumas considerações: que o estilo de vida dos ciganos foi destruído pelas novas realidades económicas e que eles ficaram sem lugar numa terra que é também sua e que há cinco séculos os trata com desconfiança; que as segundas e terceiras gerações de imigrantes (que se envolveram neste conflito) tendem a devolver em ressentimento o desrespeito com que a sociedade tratou os seus pais e os seus avós; que os bairros de realojamento erguidos nas periferias são uma bomba-relógio que acumula todos os problemas no mesmo lugar; que o que vimos na televisão é, em Portugal, a excepção e não a regra.

Mas não posso dizer nada disto. A ditadura do politicamente incorrecto que recentemente se abateu sobre o debate político tem uma lei sagrada: explicar é justificar. E como não se pode explicar, não se pode compreender. E como não se pode compreender, não se pode prevenir ou resolver. E assim nos orgulhamos da nossa ignorância e da boçalidade transformada em doutrina. O resultado do politicamente incorrecto está à vista na Itália de Berlusconi: a recolha de impressões digitais dos cidadãos ciganos, crianças incluídas - informação de que estão isentos os restantes italianos. A mesma Itália que enviou ciganos para Auschwitz esqueceu o seu passado. Porque também ela não quer ser refém do 'politicamente correcto'. Apesar deste ter sido, durante sessenta anos, uma eficaz barragem aos nossos piores fantasmas.
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por Daniel Oliveira
Omar Khadr é um cidadão canadiano e foi preso no Afeganistão quando tinha 15 anos. Vivia desde os 11 anos entre fundamentalistas e era menor quando foi acusado de matar com uma granada um soldado americano. Está há seis anos em Guantánamo e vimos agora um vídeo de um interrogatório que durou sete horas.

Tudo na história da sua prisão é uma aberração. É acusado de um crime de guerra por fazer o que na guerra se faz: matar. Coisa que, como é evidente, o homem que ele terá morto por ali andava a fazer. É acusado de um crime de guerra apesar de não ser um prisioneiro de guerra e por isso a ele não se aplicar a Convenção de Genebra. Não teve direito à defesa e às garantias que o Estado de direito dá a qualquer arguido, porque, apesar de não ser um prisioneiro de guerra, também não é um prisioneiro comum. Era um soldado-criança mas é tratado como um perigoso terrorista. Na realidade, está preso porque o seu pai era amigo de Bin Laden. A história de Omar, que já passou um quarto da sua vida numa prisão ilegal, é o legado desta Administração americana: sete anos de atropelos à lei internacional e aos direitos humanos. Num mundo com alguma noção de justiça, George Bush seria julgado. Com todas as garantias de defesa, claro.
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por Daniel Oliveira
Há um acordo no regime. Os piores ministros, depois de saírem do cargo, podem transitar para uma empresa pública ou privada ou para um organismo nacional ou internacional. Em troca, o país só lhes pede que se calem durante uns tempos. Infelizmente ninguém deu o que fazer a Isabel Pires de Lima e não há dia que a senhora não dê um ar da sua graça, atacando o que defendeu e propondo o que não fez. Agora quer um pólo da Cinemateca no Porto porque por lá se vêem poucos filmes antigos. Imagino que até Pires de Lima saiba que uma cinemateca não é uma sala de cinema. Mas o bairrismo, se vier com a devida vitimização perante a arrogância dos doutores de Lisboa, tem bilheteira garantida. É mesmo um clássico em exibição contínua.

Estou à vontade: reconhecendo o trabalho de Bénard da Costa, defendi, quando esse foi um debate, a saudável renovação dos cargos públicos, a que a cultura não deve estar imune. Não farei seguramente parte da "corte de Bénard". Mas tal não me chega para tolerar o triplo descaramento: que a mais incompetente titular da pasta da Cultura (que retirou a Santana um estatuto que parecia seguro) continue a massacrar o país com o seu ressentimento, em vez de prestar contas pelos crimes que cometeu no São Carlos ou no Teatro Nacional; que insista em insultar a nossa inteligência, falando do que não sabe ou fingindo que não sabe do que fala; e que transforme o debate sobre a política cultural em picardias regionais mais dignas do mundo da bola.

Por isso, doutora Isabel Pires de Lima, faça-se a si própria e a todos nós um enorme favor: fique na clandestinidade durante uns anos e dê-nos algum tempo para nos esquecermos da catástrofe do seu consulado. Se o fizer, e tendo este país memória curta, quase lhe posso garantir que voltará a ser ministra. Talvez da Agricultura.
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por Daniel Oliveira
Em Valpaços, o padre Manuel Alves andava aborrecido com as noites de perdição de um bar vizinho. Era o barulho, mas também uns supostos "desfiles de mulheres nuas". Sabemos que a Igreja Católica se comove com os descamisados, mas acima de tudo não tolera as descamisadas. Contra o ruído e a nudez o pároco fez greve de silêncio: enquanto não fechassem aquilo os sinos da igreja não tocariam. E do altar começou a sua cruzada. Não contra a fome no mundo ou as injustiças na terra, não pela paz entre os homens ou a salvação das almas. Queria era as senhoras vestidas e dormir descansado. De nada serviu a boa vontade do gerente: "no mês de Maria, na hora do terço, desligávamos sempre a música e a televisão". A família valpacense não tem horas marcadas para a virtude e prefere os sinos eclesiásticos ao deboche do café local. Gostos não se discutem. Conta o 'Jornal de Notícias' que a ASAE, sempre alerta no combate à colher de pau, ao pastel de bacalhau caseiro e a todos os vícios não regulamentados, tomou conta da ocorrência. Encontrou, claro, várias irregularidades e fechou o estabelecimento. A defesa da família tradicional e da culinária liofilizada deram as mãos e numa cidade deste país voltou-se a viver na paz da lei e do senhor. Em Valpaços já se ouvem os sinos.
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por Daniel Oliveira
Assisti esta semana, em Nova Iorque, a uma Marcha do Orgulho Gay. Numa área metropolitana com mais de meio milhão de homossexuais, centenas de milhares de pessoas encheram Manhattan. Pastores de igrejas mais liberais; polícias e bombeiros que saíram fardados do armário; congressistas, um senador e o governador do Estado desceram, ao lado de travestis, a 5ª Avenida. Trata-se de uma luta por direitos cívicos. Ou se está de um lado ou do outro e não há espaço para conservadorismos envergonhados ou liberalismos inconsequentes, tão ao gosto português. Este é o país do Ku Klux Klan e de Malcom X, das feministas mais radicais e dos cristãos mais tresloucados, de São Francisco e de Salt Lake City.

"Para os americanos branco é branco, preto é preto (e a mulata não é a tal), bicha é bicha, macho é macho, mulher é mulher e dinheiro é dinheiro. E assim ganham-se, barganham-se, perdem-se concedem-se, conquistam-se direitos". São assim os americanos, nas palavras de Caetano Veloso. Ingénuos até à irresponsabilidade, francos até à crueldade, claros até ao fanatismo. Não há tempo para subtilezas. É tudo recente, é tudo urgente.

Só que mesmo no conflito a América tem os seus consensos. Não eram só associações religiosas, cívicas ou étnicas que marchavam na 5ª Avenida. O acontecimento era patrocinado por muitas marcas e grande parte dos manifestantes vinha em nome das suas empresas e fazia-lhes publicidade agressiva. A imagem dos gays a manifestar-se com a T-shirt que lhes ofereceu o patrão e a distribuir os seus porta-chaves não podia ser mais americana. É-se livre de escolher um lado e ser-se de alguma coisa. Mas, seja do que se for, é no mercado que todas as liberdades se consumem e se consomem. Porque é no mercado que se cumpre o sonho de ser americano. Como diz Caetano: "dinheiro é dinheiro".
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A biografia autorizada de José Sócrates foi finalmente lançada. O país esperava por este panegírico. Nada mais empolgante do que revisitar a vida de um homem sem passado e conhecer as reflexões de um líder a quem nunca ninguém conheceu uma ideia política. Para atestar das qualidades do biografado foram buscar os melhores padrinhos: Dias Loureiro e António Vitorino. E eles encontraram-lhe extraordinárias qualidades. Loureiro entusiasmou-se: "o optimismo de Sócrates faz muito bem a Portugal". Não se sente o caro leitor contagiado pela onda de esperança que o nosso primeiro espalhou do Minho ao Algarve? Temos Obama.

A escolha de Loureiro e Vitorino foi uma excelente metáfora. Os dois representam o centrão mais profundo: o dos políticos que depois de se retirarem saltitam por empresas; o dos consultores e administradores que se movem nos corredores do poder como se estivessem em casa; o dos comentadores que estão na política sem nunca lá estarem. São os homens que nunca estão em lado nenhum mas andam sempre por aí, num limbo em que não se sabe onde acabam os negócios e começa a política. Aí estão para abençoar o seu menino de ouro.
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O economista Nuno Teles, que escreve no Ladrões de Bicicletas, entrevista, a convite do Esquerda.net, Francisco Louçã sobre a crise financeira internacional.

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Seja quem for o autor de cada crítica (neste caso Cravinho), a resposta do PS é sempre a mesma: apenas e só arrogância. Sócrates não recebe lições de ninguém sobre coisa nenhuma. E nem as vozes que vêm de dentro do partido têm direito a alguma atenção ou a respostas mais polidas. Com tamanha auto-suficiência, este primeiro-ministro (e os seus mais excitados seguidores) está a precisar de uma lição a sério. Daquelas que não se conseguem recusar. Lá para o fim do próximo ano. Talvez com essa aprenda alguma coisa.

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Domingo, 27 de Julho de 2008
por Daniel Oliveira
Os 486 leitores do Arrastão que responderam à pergunta "Qual a solução que mais lhe agrada ou menos lhe desagrada depois das próximas eleições?" dividiram-se bastante. 24% (117 votos) responderam que desejavam um governo de maioria absoluta do PS; 19% (93) um governo do PS coligado com o BE; 17% (83) um governo do PS coligado com o PCP e com o BE; 15% (73) um governo de maioria simples do PS; 8% (40) um governo de maioria absoluta do PSD; 6% (28) um governo do PS coligado com o PCP; 4% (20) um governo de maioria simples do PSD; 3% (16) um governo do PSD coligado com o CDS; 3% (16) um governo de coligação entre o PS e o PSD. No entanto, se juntarmos os que defenderam um governo do PS coligado com o BE, com o PCP ou com os dois, passamos a ter a resposta de longe mais votada: 42% das respostas. Para que fique registado: votei em um governo de maioria simples do PS como a solução menos má. Não quero o PSD no governo mas, enquanto o líder do PS for Sócrates, também não quero que a esquerda se alie a ele.

Próximo inquérito, já com todos os candidatos à presidência americana alinhados: Em que votaria nos EUA? Barack Obama, John McCain, Ralph Nader ou Bob Barr.

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por Daniel Oliveira


O vídeo que passou no Eixo do Mal para quem vai de férias esta semana se roer de inveja.


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Para acompanhar as eleições americanas em português o melhor blogue é o de Nuno Gouveia. O Eleições Americanas 2008 é por isso mesmo o blogue da semana.

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Sexta-feira, 25 de Julho de 2008
por Daniel Oliveira


Hoje, no “Público”, Vasco Pulido Valente critica, a propósito do que se passa no Bairro do Aleixo, a política de bairros sociais. Subscrevo grande parte do que escreve. Por palavras minhas, que são seguramente diferentes das de VPV, também acho que é quase impossível garantir o mínimo de qualidade de vida nestes bairros. Que eles colaboram para a criação de culturas de criminalidade.Que eles tendem a ser abandonados pelos poderes públicos e não facilitam a responsabilização (e a defesa dos direitos) dos seus moradores. Que o realojamento tem de corresponder a estratégias de integração social e de criação de direitos e deveres sociais. A pobreza, a mais profunda e que não está apenas ligada ao rendimento, não se resolve apenas com casas novas. Por isso, há uma diferença entre solidariedade social e o assistencialismo (no sentido em que o termo se aproxima da caridade), que muitas vezes corresponde a uma desistência do poder político.

Tenho defendido que o realojamento deve ser feito na cidade consolidada e de forma dispersa. Porque os guetos são sempre uma má solução. Porque a integração também deve corresponder a uma integração no espaço. Porque as infraestruturas já lá estão e porque nas zonas de realojamento o comércio não se instala, os serviços públicos tendem a ser negligenciados e o estigma social é mais do que garantido. Esta solução não é fácil nem está isenta de riscos. Mas terá seguramente melhores resultados. Mas isto é o que eu defendo. O que ainda não percebi é o que defendem muitos dos que criticam a existência destes bairros mas parecem ser contra todas as soluções possíveis.

Percebo o que quer Rui Rio: vender um terreno valioso e atirar os moradores para onde calhar. Um presidente da Câmara sério começaria por mostrar que estratégia tem para aquelas pessoas e só depois, quando resolvesse esse problema, trataria dos terrenos. Rio começou pelo negócio porque o negócio é tudo o que lhe interessa. As pessoas que ali vivem sempre foram, para ele, cidadãos de segunda.

Desde a forma como tratou a questão dos arrumadores até este caso, Rio sempre deixou muito claros os seus tiques populistas, a roçar o que de pior podemos encontrar nalguma direita que faz escola por essa Europa fora. O seu “racismo social” (sentimento maioritário no país), que trata as “franjas” da sociedade como lixo indesejável, não é de hoje. Se um dia o PSD resolver ter este homem como líder não se deve esquecer de que está a trilhar um caminho. Um caminho que, apesar de tudo, é contrário à sua origem. Pelo menos contrário ao que o PSD julga ser a sua tradição. Pode ganhar votos, mas perde a sua alma. As direitas italiana e francesa seguiram esse caminho. Vão arrepender-se.

por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 24 de Julho de 2008
por Daniel Oliveira


Cem mil alemães foram ouvir Obama. Claro que a obamomania chegou à Europa. Chegou até antes de se instalar nos EUA. Mas as razões de tamanha multidão são talvez mais simples: muitos quiseram assistir a um momento histórico e Obama poderá vir a ser o presidente depois de Bush. E, para a maioria dos europeus, depois de Bush só pode ser melhor.

Obama começa a sua caminhada pela a Europa a pedir aos europeus mais tropas no Afeganistão. Um pouco repetitivo, isto dos presidentes ou apenas candidatos verem a Europa como centro de recrutamento militar. Que tal falar da crise económica e da crise do petróleo que está a deixar os europeus de tanga? Ou sobre Quioto? Só para variar um pouco. Bem sei que esta visita é para consumo interno e que os europeus não votam. Mas, apesar de tudo, podiam ser mais do que um cenário. Digo eu, que até simpatizo com o homem.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Os pais de Madeleine McCann, Kate e Gerry, vão processar o antigo inspector da Polícia Judiciária, Gonçalo Amaral, pelos danos morais causados com a publicação do livro “Maddie, a verdade da mentira”, lançado hoje em Lisboa.

De acordo com a notícia avançada pelo site da SIC os pais da menina inglesa estão também a analisar vários órgãos de comunicação social portugueses que podem, também, vir a ser processados.

por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 23 de Julho de 2008
por Daniel Oliveira
A Comissão Europeia decidiu suspender os fundos destinados à Bulgária, num valor aproximado de 500 milhões de euros, por falta de resultados no combate à corrupção. Pela mesma razão, Bruxelas teceu duras críticas à Roménia que, ainda assim, evitou as sanções.

Roménia e a Bulgária aderiram à UE em Janeiro de 2007, mas a Comissão Europeia avisou que os iria manter sob apertada vigilância, tendo em conta as preocupações dos outros Estados-membros que alegavam que os dois países não tinham cumprido todos os critérios para a adesão.

Em tantos anos, não me recordo de ter existido este tipo de vigilância para com a Itália.

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por Daniel Oliveira
Estou a ouvir Mário Crespo fazer generalizações inacreditáveis sobre a comunidade cigana (usando termos como "esta gente" para falar dos ciganos que viviam na Quinta da Fonte) perante um ministro que vai dizendo que sim a cada afirmação. Os ministros interiorizaram que são técnicos que apenas têm obrigação de debitar estatísticas, decretos-lei e portarias, estando dispensados de ser políticos. E que devem ser subserviente para com os jornalistas e não os podem contrariar.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira


Duas crianças ciganas, de 11 e 13 anos, morreram na praia de Torregaveta, perto de Nápoles. A mesma cidade onde acampamentos ciganos foram recentemente incendiados. As raparigas morreram afogadas. Duas foram salvas por nadadores-salvadores, as outras duas morreram. Os cadávares ficaram na praia durante uma hora. E o que causou espanto nas pessoas mais normais foi que, contrariamente ao que seria de esperar, praticamente nenhum banhista se incomodou e continuou, com as duas crianças mortas o seu dia normal de lazer. Os banhistas indiferentes continuaram a apanhar Sol, a jogar à bola e a petiscar no bar da praia, a poucos metros dos cadáveres. «Estas são as imagens da nossa cidade que não queríamos ver», afirmou Crescenzo Sepe, o arcebispo de Nápoles, que considerou que a ideia que as fotos dão de Nápoles é pior do que aquela que percorreu o mundo por causa da crise de lixo. Talvez para alguns daqueles banhistas a diferença seja pouca.

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por Daniel Oliveira
Manifesto contra a directiva de retorno:

«Alguns de nossos antepassados, poucos, muitos ou todos, vieram da Europa. O Mundo inteiro recebeu com generosidade os trabalhadores que de lá vieram. Agora, uma nova lei europeia, ditada pela crescente crise económica, castiga como crime o livre movimento das pessoas, que é um direito há muitos anos consagrado pela legislação internacional. Isto nada tem de espantoso, porque os trabalhadores estrangeiros são sempre os bodes-expiatórios, os culpados das crises de um sistema que os usa enquanto necessita e depois os despeja no caixote de lixo! Nada tem de espantoso, mas muito de infame!

O esquecimento, nada inocente, impede que a Europa recorde que não seria Europa sem a mão-de-obra barata vinda de fora e sem as riquezas que o mundo inteiro lhes deu. A Europa não seria Europa sem o genocídio praticado contra os povos indígenas nas Américas e sem a escravidão imposta aos filhos da África, para colocar apenas dois exemplos a esses esquecimentos.. A Europa deveria pedir perdão ao mundo, ou pelo menos agradecer-lhe, em vez de impor por lei a perseguição e o castigo aos trabalhadores migrantes, que ali chegam expulsos pela fome e pelas guerras que os donos do mundo lhes impõem, em seus países de origem.»

Assinado por 90 intelectuais e activistas políticos de 15 países americanos, incluindo Adolfo Pérez Esquivel (Nobel da Paz argentino), Naomi Kleim (jornalista e escritora canadiana), Noam Chomsky (linguista norte-americano), Fernando Lugo (Presidente do Paraguai) e Eduardo Galeano (escritor uruguaio).
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Terça-feira, 22 de Julho de 2008
por Daniel Oliveira
De Janeiro a Julho deste ano a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) já fiscalizou mais de 80 sex-shop e de 52 operadores económicos ligados ao negócio do sexo.

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por Daniel Oliveira
Eles não são os terroristas

Homem preso, amarrado e vendado é

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por Daniel Oliveira


Para qualquer pessoa amante da justiça a prisão de Radovan Karadzic (na foto, com a sua actual aparência) é uma boa notícia. Pena que a justiça teime em ser apenas a dos vencedores e que uma vítimas possam esperar dela menos do que outras. E na guerra dos Balcãs isso foi escandalosamente evidente. Ainda assim, melhor preso do que livre.

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Segunda-feira, 21 de Julho de 2008
por Daniel Oliveira
O link para os meus textos do Expresso já está na coluna da direita. O caso da Quinta da Fonte e a nova ditadura do "politicamente incorrecto". Para ler e comentar por lá, também pode seguir para o texto por aqui.

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por Daniel Oliveira
Tudo o que se escreveu sobre os pais de Madeleine McCann, aparentemente vindo de dentro da PJ, e o arquivamento deste caso, põe a nu as fragilidades da investigação judicial portuguesa e do jornalismo que se vai fazendo. Mas só põe a nu. Não faltam por aí kates, gerrys e murats um pouco mais anónimos e talvez com menos capacidade de defesa. Os que passam a vida a exigir mais ligeireza na utilização da prisão preventiva têm neste caso um ponto de partida para alguma reflexão. Já o tiveram no caso Casa Pia. Mas aí o aproveitamento político falou mais alto. E, como aqui, o sensacionalismo valeu mais do que a cautela.

Aqui pode ler o relatório da Polícia Judiciária, via Expresso.

por Daniel Oliveira
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Domingo, 20 de Julho de 2008
por Daniel Oliveira


Vi agora uma excelente reportagem na SIC sobre a pulseira electrónica. As Penas de Permanência na Habitação com Vigilância Electrónica são solução pouco usada pelos juízes. E a Adaptação à Liberdade Condicional, em casa e com a pulseira, uma raridade absoluta. Da cadeia, já saíram, desde Setembro do ano passado, 1700 presos em Liberdade Condicional, mas só 22 beneficiaram deste regime. E desses 22, 19 foram por acção de uma mesma juíza de Coimbra.

A pulseira dá mais trabalho aos juízes, mas, pelo que vi na reportagem, parece fazer, para alguns reclusos, muito mais sentido. Por ser mais fácil para eles? Não. Os técnicos dizem que até pode ser mais sufocante do que a prisão. Mas porque em alguns casos permite trabalhar e em todos eles estar com a família. Porque implica mais disciplina e responsabilidade e garante menor contacto com o mundo do crime. Nos casos que a reportagem mostrou, parece abrir mais portas para a reiteração sem pôr em risco a segurança de terceiros. Não dá para todos os crimes nem para todos os reclusos, mas seria uma excelente solução para muitos casos. Falta é vencer a rotina.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira


Vídeo do concerto em Edimburgo, no dia 25 de Junho, integrado no Lou Reed Berlin Tour. Ontem à noite no Campo Pequeno estava menos gente do que eu esperava. Talvez pelo excesso de oferta desta semana. Mas com muita ou pouca gente, valeu mesmo a pena.


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por Daniel Oliveira
Em Portugal, só tem direito ao bom-nome quem tenha estatuto para tanto. João Miranda escreve:

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Sábado, 19 de Julho de 2008
por Daniel Oliveira


Um anúncio excelente que vai passar no Eixo do Mal


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No mesmo dia em que foi condenado por um tribunal Valentim Loureiro anunciou que se tenciona recandidatar e que vai ganhar. É capaz de ter razão. Porque ainda é pouco exigente a nossa democracia e ainda há quem se sinta, até ao fim, acima da lei.

Imagem roubada daqui.

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Quinta-feira, 17 de Julho de 2008
por Daniel Oliveira


Via Random Precision



Para serenar o espírito de quem vive atormentado por não saber o que se canta realmente nas missas, alguém tentou fazer uma transcrição fiel. O resultado não foi mau, mas infelizmente o tipo era um pouco duro de ouvido. Ou então estamos perante uma corrente muito especial do cristianismo.

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Quarta-feira, 16 de Julho de 2008
por Daniel Oliveira


A ATTAC de Lausana tornou público que estava a organizar um livro sobre as práticas comerciais da Nestlé. A Nestlé pagou 65 milhões de euros à Securitas para que se infiltrasse uma ex-agente policial na ATTAC. (Via Zero de Conduta)

por Daniel Oliveira
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