Sábado, 31 de Janeiro de 2009
por Daniel Oliveira
Texto escrito para o "Le Monde Diplomatique" (edição portuguesa) de Janeiro, num dossier sobre a Esquerda e o Poder em que participaram também José Neves, André Freire e António Abreu. A esqueda aqui referida é, como se percebe, a esquerda à esquerda dos partidos social-democratas de centro-esquerda tradicionais.



"Aceitemos, antes de mais, que poderes há muitos. Nos movimentos sociais, nas redes informais de influência ou nas novas formas de comunicação mediática está grande parte da luta pela hegemonia da esquerda. Não são apenas espaços de contestação. São espaços de contracultura. Espaços de participação democrática, de transformação social, de novas experiências, de mudança social com efeitos concretos na vida das pessoas. São realidades alternativas ao poder de Estado que não esperam por mudanças institucionais. Quem resume a política às instituições viverá apenas para a preservação do seu próprio poder quando o conquistar.

Mas reconhecer isto não é, não pode ser, criar uma falsa contradição, como se a luta democrática pelo poder de Estado anulasse o combate social. Ou, mais extraordinário: como se a participação no poder de Estado, nas actuais circunstâncias, correspondesse a uma desistência. As razões porque, à esquerda, existe este sentimento, que trata a participação no poder institucional como uma traição, são profundas e não as debaterei aqui. Radicam numa desconfiança ideologicamente sustentada, mas com pouca reflexão feita sobre os regimes autoritários do século XX, em relação aos (evidentes) benefícios da democracia representativa.

A experiência mostra que, em democracia, o poder institucional pode ser um importante indutor de movimentos sociais. Muitos movimentos em defesa das novas causas da esquerda, que casam a luta pela igualdade com a defesa do direito à diferença (causas que alguns, entrincheirados em leituras mecanicistas dos conflitos sociais ou numa confusão entre número de excluídos da democracia e relevância da exclusão, teimam em considerar folclóricas), passaram a ter existência real e importância social em Portugal a partir do momento em que encontraram legitimação no debate político institucional.

Há uma relação entre a força do movimento social e a sua tradução no terreno institucional. Não são duas realidades absolutamente divorciadas. A ideia de que há um país real e um país dos políticos, além de ser bem menos sedutora do que possa parecer, é falsa. Nem os movimentos sociais são, por si só, o povo organizado, nem a política institucional é uma meta-realidade. E em Portugal, onde a sociedade civil é débil, isso é ainda menos verdade. Mesmo os sindicatos, únicas organizações sociais com algum peso, estão longe de representar a realidade do mundo do trabalho. Não quer isto dizer que se desista da organização da luta social. Quer apenas dizer que devemos desconfiar da falsa (e por vezes tão conveniente) dicotomia entre combate institucional e combate social.

Partindo do princípio de que a esquerda quer ter influência real na vida concreta das pessoas, vale a pena perguntar, antes de mais, se a participação no poder de Estado cumpre esse objectivo. A resposta é óbvia: depende.

Olhemos para o Brasil. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva foi uma enorme desilusão, dirão muitos, carregados de razão. Muita da esperança que a vitória do Partido dos Trabalhadores (PT) espalhou no Brasil e fora dele foi desbaratada. As condições políticas permitiam mais. Mas em qualquer balanço que seja feito com alguma honestidade ter‑se‑á de concluir que, ainda assim, apesar de todos os casos de corrupção e de todas as traições, se assistiu a uma das mais profundas transformações políticas e sociais da história daquele país. Resume‑se numa palavra: acesso. Acesso ao Estado, antes de mais. Na educação, na saúde, em todos os serviços públicos, passou a existir Estado para partes significativas da população que dele estavam distantes. E acesso ao mínimo de dignidade. O ponto de partida era tão recuado, a desigualdade era e é de tal forma pornográfica, que ter o PT no poder fez uma enorme diferença. E essa diferença teve um impacto real na vida de milhões de pessoas. Dirão que não mudou o fundamental. Mas cada mudança é fundamental quando se traduz no acesso de muitos aos mais elementares dos direitos.

Pelo contrário, a participação da Refundação Comunista no governo de Romano Prodi não teve qualquer tradução prática na vida dos italianos. Algumas coisas até pioraram no curto e conturbado mandato de dois anos. E, no fim, a esquerda e os movimentos sociais que lhe eram próximos ficaram muito mais frágeis. Isto não determina que tenha sido errada a opção dos comunistas de participar no governo. Apenas porque ali estava em causa, como está, a defesa da própria democracia que o poder político‑mediático de Sílvio Berlusconi punha e continua a pôr em causa. Mas, naquele caso, bem ou mal, não se tratava de cumprir, como no Brasil, uma agenda de transformação. O caso italiano não é, por isso, significativo para este debate. Ou só o é na medida em que torna claras as contradições inerentes à decisão de, em cada momento e em determinadas circunstâncias, participar em soluções governativas.

A questão fundamental resume ‑se assim: quando a esquerda sente que pode determinar mudanças fundamentais através da participação no poder deve ou não correr esse risco? Na minha opinião, está obrigada a isso. É tão irresponsável matar o movimento social em troca de lugares num governo que não terá qualquer relevância em transformações concretas na vida das pessoas como ficar de fora, para não correr riscos, quando existem condições para transformações significativas.

Na realidade, a esquerda aproxima ‑se da cumplicidade quando determina, por acção ou por omissão, que, nas actuais circunstâncias, o poder não pode ser exercido de forma diferente. Passa a reservar para si própria um papel de mero tubo de escape do sistema, dando apenas ao que existe a legitimidade da sua oposição sem consequências. A partir do momento em que se instala a ideia de que a esquerda transformadora não vai, na realidade, transformar coisa nenhuma, são os próprios cidadãos que assumem que esse não é o seu papel. Esperam que não seja mais do que um espaço de protesto, não a querem no poder.

Conservadorismo, populismo e motim

As forças de esquerda ficam assim entrincheiradas na sua própria personagem. E é natural que assim seja. Quem não tem na sua agenda a participação no poder dispensa‑se de procurar as alternativas. Porque as alternativas só nascem da necessidade, da expectativa do exercício do poder. Mesmo os movimentos revolucionários só ganharam densidade na sua proposta quando o poder se tornou uma realidade provável.

Ao contrário do que parece, a recusa do poder, a cultura de contrapoder, não fortalece a construção de alternativas, nem é mais democrática nem mais participativa. Tem um efeito perverso, não apenas na forma como os destinatários dessas supostas alternativas olham para os seus supostos portadores, mas neles próprios. Sem o horizonte próximo da conquista do poder ou da influência directa no poder, as forças de esquerda transformam‑se ou em «partidos‑fortaleza», ou em «partidos‑megafone» ou em caos sem direcção política.

No primeiro caso, a defesa de uma identidade e a resistência em defesa das conquistas do passado substitui a construção de um programa ou de uma agenda. O conservadorismo, em vez de ser eficaz na defesa de direitos conquistados, está condenado à derrota sistemática. Porque o que não conquista definha, o que não cria deixa de pensar, o que só resiste está condenado a perder na luta pela hegemonia política. E é da derrota que estas forças se alimentam. A cultura de seita, a defesa da pureza ideológica e o ressentimento ocupam o lugar do combate político que conta.

No segundo caso, a conquista das sobras do desespero da acumulação de derrotas, apanhando o protesto e a insatisfação de cada momento, dispensa a apresentação de propostas exequíveis. O populismo torna‑se demasiado sedutor. A insatisfação pode criar movimentos pontuais, mas sem horizonte não tem rumo. E, na realidade política actual, ficará dependente de uma lógica mediática que não controla, privilegiando o episódio em detrimento da solidez da proposta política.

No terceiro caso, menos evidente a curto prazo mas mais preocupante a médio prazo, a ausência de uma verdadeira agenda política dá lugar ao protesto sem rumo, confundido fenómenos de revolta sem destinatário com redes sociais imaginárias e a estetização da violência com uma contracultura que, na realidade, se limita a copiar a cultura dominante da opressão e do medo.

São três becos sem saída: o conservadorismo, o populismo e o motim resultam da ausência de perspectivas de transformação e da convicção generalizada de que o poder é apenas uma miragem.

Sentido da história

Uma das angústias da esquerda, depois de tantos anos de recuo político, é a ausência de um programa congregador para a conquista do poder. Antes de convergirem, têm as esquerdas de construir um programa comum? Não. A esquerda só saberá o que fazer se acreditar que o fará. A construção de um programa comum não é a condição para convergências para a conquista do poder de Estado. O programa nasce, sempre nasceu, da necessidade. As soluções são sempre uma resposta a problemas. O programa comum será, assim, uma consequência.

A convergência tem de nascer, antes de mais, de um «sentido da história» partilhado. Um sentido da história visto como um devir difuso, como um horizonte provável. E um sentido da história que determina uma agenda comum a quem tem a consciência de que vive num momento de viragem, em que ser actor e não espectador fará toda a diferença.

Passadas duas décadas de ressaca da queda do Muro de Berlim e da vitória sem combate do neoliberalismo, vivemos um desses momentos. Ronald Reagan e Margaret Thatcher foram derrotados. A questão é saber quem está disponível para tomar o seu lugar. Será a esquerda ou o neoliberalismo adocicado encarregar‑se‑á disso mesmo. Ou, muito pior, o desespero dará lugar a derivas radicais de direita.

É hoje evidente que é nas políticas económicas e sociais de Estado que a esquerda está obrigada a assentar as suas alternativas. O anti‑estatismo militante, nas condições actuais, seria um aliado natural do Estado mínimo neoliberal. Seria um erro histórico. E se é no Estado e nas estruturas transnacionais de Estados que pode estar a resposta deste momento, é na participação no poder de Estado democrático que a esquerda pode operar importantes transformações que invertam o acumular de derrotas das últimas três décadas.

E voltamos ao princípio: a luta pelo poder nas instituições de Estado não só não dispensa os movimentos sociais como precisa deles se quiser mudar alguma coisa. Estamos perante uma pescadinha de rabo na boca: a política institucional precisa da pressão, do apoio e da energia dos movimentos sociais e os movimentos sociais precisam de vitórias, precisam de correspondência no poder institucional, precisam de reformas que mudem. As pessoas precisam de acreditar que pode ser diferente. Precisam que alguma coisa fique melhor. Precisam de esperança. Porque ela é a condição para vencer a injustiça. Quem se limita a acumular forças vive, enquanto a opressão marca o quotidiano da maioria, numa ilusão egoísta. Não acumula nada. É só o tempo a passar. Porque quem não quer contar, não conta."

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (71) | partilhar

Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009
por Pedro Sales
O aumento da pobreza está associado ao divórcio e, garante Cavaco Silva, a situação só vai piorar com a nova lei. Passando ao lado da óbvia constatação que o novo regime não termina com as obrigações decorrentes das pensões de alimentos - até as reforça, especialmente nas situações motivadas por carência económica -, as insistentes declarações do Presidente da República sobre o tema demonstram como continua a olhar para o casamento como uma vulgar relação contratual. O casamento e a vida em comum não se esgota no porta-moedas. Envolve afectos. O que é que espera Cavaco Silva? Que duas pessoas que deixaram de ter algo a ver uma com a outra permaneçam juntas para poupar na factura da energia e no empréstimo ao banco? O PR não fez mais do que aproveitar-se das preocupações económicas e sociais dos portugueses para tentar fazer passar a sua agenda conservadora. Isso tem um nome e é muito pouco simpático. Chama-se oportunismo político. O mais sintomático foi o local escolhido para expressar as suas preocupações sobre a nova lei do divórcio. Fátima.

Nota: Este post foi editado. Na caixa de comentários pode encontrar-se a explicação.

por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (31) | partilhar

por Daniel Oliveira
A propósito do post que aqui deixei, sobre a prisão de Hossein Derakhshan, o pai da blogosfera iraniana, aqui fica um pequeno filme sobre os blogues no Irão e a luta pela democracia. Via jugular.


Iran: A nation of bloggers from Mr.Aaron on Vimeo.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

por Daniel Oliveira
Aqui fica, via Expresso, a versão completa da carta rogatória inglesa.

Ao ler a carta na íntegra fiquei com duas dúvidas:
1. Se a polícia inglesa se baseia na investigação de um polícia que foi julgado, alguém a informou do destino que levou essa investigação?
2. Por que raio retirou o DN o excerto fundamental da carta na edição de hoje?

A carta não resolve outras dúvidas que tenho em relação ao processo, que gostava de ver esclarecidas. Mas esse é outro assunto.

PS: Por ser um assunto relevante (o facto da informação ter vindo da PJ do Montijo) e ter tido nenhum destaque no ""Diário de Notícias", não dei por ela no jornal. Afinal estava lá. Apesar de ser critico em relação ao tratamento dado, é falsa a afirmação que fiz, de que o DN teria retirado um excerto fundamental da carta. Pelo menos não retirou aquele em que tinha pensado. Para os leitores, mas sobretudo aos jornalistas do DN, as minhas desculpas.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (24) | partilhar

por Daniel Oliveira


Davos: Recep Tayyip Erdogan, primeiro-ministro da Turquia, em resposta a Shimon Peres, Presidente de Israel.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (114) | partilhar

por Pedro Sales


por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009
por Pedro Vieira

© rabiscos vieira



a minutos de embarcar rumo a Londres em visita relâmpago assumo a intenção de encontrar e trazer provas esclarecedoras sobre o freeport, o sonho do tio e o meu (dele) primo vinnie. regresso no domingo, contando ter tempo suficiente para desenrolar o novelo da investigação ou pelo menos para apurar se o gordon brown se está a armar-se em ve(n)detta a reboque da pequena maddie. ou das luvas do ricardo. luvas de guarda-redes, bem entendido.

por Pedro Vieira
link do post | comentar | ver comentários (19) | partilhar

por Daniel Oliveira
Quem tivesse dúvidas sobre a carta dos ingleses e sobre o caso Freeport ficou na mesma. Nenhum esclarecimento em relação aos novos factos (a carta é um facto novo), ataques à comunicação social (o que começa a ser uma imagem de marca de Sócrates) e a tese da campanha de ataques pessoais (estarão os ingleses envolvidos?). Sócrates voltou à estratégiada vitimização, não se percebendo para que serviu esta conferência de imprensa, a não ser para libertar a ira dos seus apoiantes. O assunto é grave e o país precisa de se sentir esclarecido para podermos voltar à normalidade do debate político. Um primeiro-ministro responsável reage com serenidade a estas situações. Não foi o caso.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (70) | partilhar

por Daniel Oliveira
Um manifesto subscrito por juízes denuncia o facto de o poder político ter acesso a todos os processos judiciais, mesmo os que estão sob segredo de justiça. Neste documento, os juízes dizem mesmo que é possível o acesso em tempo real a estes processos.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (20) | partilhar

por Daniel Oliveira



Por causa da recusa do presidente da ERC em ser entrevistado por um jornalista específico (jornalista do "Expresso" que, devo esclarecer, conheço há 20 anos e sobre o qual tenho a melhor opinião profissional possível, não sendo este texto sobre o caso especifico), começou um debate indignado sobre o direito dos entrevistados "vetarem" os entrevistadores.

Confesso que nem consigo perceber onde está o debate. Ninguém pode impedir um jornalista de ter acesso a acontecimentos públicos, a conferências de imprensa, a comícios, a reuniões abertas e, sobretudo, a documentos públicos. A liberdade de imprensa não selecciona jornalistas e órgãos de comunicação social. Mas há outro tipo de relação e essa tem escolha. É por isso que uns jornalistas têm fontes e outros não, que uns jornalistas conseguem grandes entrevistas e outros não, que uns jornalistas conseguem exclusivos e outros não. Qualquer entrevistado pode escolher a quem dá ou não dá uma entrevista. Claro que, se os jornalistas preferirem, o convidado a uma entrevista pode dar outras desculpas e mentir nas motivações da recusa. Mas, no fim, vai dar ao mesmo.

É mesmo o único poder que um potencial entrevistado tem: não responder a uma pergunta ou responder nos exactos termos em que o entende fazer, não dar entrevistas a ninguém ou não dar uma entrevista a um órgão de comunicação social específico ou a jornalista específico. E isto está sempre a acontecer. Claro que, ao fazê-lo, pode estar a alimentar um conflito com um jornal. Assim como um jornal, ao atacar em termos violentos uma determinada pessoa, está a alimentar um conflito com essa pessoa. E o jornalismo e o poder sempre viveram deste equilíbrio dificil que não se resolve nunca. Vai-se gerindo. Quanto melhores forem os jornalistas, mais exigentes forem os leitores e mais respeito os políticos tiverem pela comunicação social mais fáceis serão os conflitos de resolver.

No "Público", pergunta-se: "Teria sentido o inverso, o jornalista só entrevistar alguém em quem confiasse? Será jornalismo, isto?" O "Público" está a brincar com as palavras.O jornalista escolhe, o seu critério é que não é o mesmo porque é diferente o seu papel. Um jornalista só entrevista quem acha que tem relevância. A confiança, aqui, tem um papel secundário (mas existe: não entrevista quem vai desmentir tudo o que disse no dia seguinte, um mitómano compulsivo, etc). O do entrevistado, que não controla (nem deve controlar) o resultado final, só pode ser mesmo o da confiança. Um e outro escolhem.

Da mesma maneira que os jornais e os jornalistas estabelecem uma relação de confiança com os leitores e com as suas fontes, também têm de a estabelecer uma relação de confiança com os objectos das suas notícias. O jornalismo vive e sempre viveu dessa capacidade informal de negociação e equilíbrio. Não escolher, para fazer uma entrevista, um entrevistador que tenha conflitos com o entrevistado (não sei, sinceramente, se era o caso) é um acto de bom senso. E cabe ao jornal ter esse cuidado. Até porque um entrevistado pode aceitar a entrevista e boicota-la. Basta dar respostas redondas e neutras a tudo. Uma entrevista é como uma dança, precisa de dois.

O debate a ter é outro: quais são, para Azeredo Lopes, presidente da Entidade Reguladora de Comunicação, os critérios de confiança. Ao que parece, não confia em quem o critica. E isso sim, por o que revela da falta de espirito democrático, é que é perturbante. Já o direito de cada entrevistado aceitar ou não uma determinada entrevista é, pelo menos para mim, assunto pacífico. Misturar os assuntos é perigoso. Não tanto pelo caso em apreço, mas pela absurda doutrina que pode nascer daqui.

Este texto estava desnecessariamente enorme e mal estrurado. Não está muito melhor, mas ficou um pouco cortado para ser menos redundante. As minhas desculpas.

Aqui fica o esclarecimento que Azeredo Lopes deixou na caixa de comentários:

"Caro Daniel Oliveira,

Lança uma dúvida (que contém, implicitamente, um repto) a propósito da minha decisão de não mais conceder entrevistas a um determinado jornalista do Expresso:

“O debate a ter é outro: quais são, para Azeredo Lopes, presidente da Entidade Reguladora de Comunicação, os critérios de confiança. Ao que parece, não confia em quem o critica. E isso sim, por o que revela da falta de espirito democrático, é que é perturbante”.

Não creio que possa dizer-se que o meu “critério de confiança”, para empregar a sua expressão, seja o de não falar com quem me critica.
De facto, se há algo que me deixa tranquilo é a circunstância de muitos outros, para além do jornalista em causa, me terem criticado (pessoalmente) ou na qualidade de Presidente da ERC - no espaço público como alhures. Fosse assim, aliás, e não falaria com muita gente - e creio que, sob esta abordagem, concordará com a minha proposição.
Trata-se, efectivamente, de um critério bem mais apertado, que, como tive ocasião de declarar publicamente, apenas apliquei, desde que exerço funções, relativamente a UM jornalista.
E, para esclarecimento, o meu critério não é, de todo, o da crítica, por virulenta que seja, mas uma conjugação de outros, que apresento de forma sintética:

1) Deverá tratar-se de um comportamento padrão, isto é, reiterado, de omissões, descontextualizações ou, pura e simplesmente, falsidades;
2) Essas falsidades (ou inverdades, para empregar um termo talvez mais aceitável) devem poder ser comprovadas de forma objectiva, e não assentar numa mera sensibilidade de carácter subjectivo;
3) A recusa em falar com um jornalista apenas poderá incidir sobre a possibilidade de por ele ser entrevistado;
4) O órgão de comunicação social tem todo o direito de, não aceitando eu ser entrevistado por aquele jornalista, recusar alocar outro jornalista para esse efeito;
5) O jornalista conserva todo o direito de presença e de colocação de questões em outras situações (p.e., conferências de imprensa), tendo eu o dever - ético - de lhe responder.

Quanto ao seu post e à “doutrina” que nele expende, subscrevo-os na íntegra.
Melhores cumprimentos,
Azeredo Lopes"

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (11) | partilhar

por Pedro Vieira
o spam que todos recebemos ainda acabará por prometer o engrossar do pénis avalizado pela OCDE. ou pelo menos por alguém muito parecido.

por Pedro Vieira
link do post | comentar | ver comentários (18) | partilhar

Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009
por Daniel Oliveira
Segundo a revista "Visão", as autoridades inglesas consideram José Sócrates suspeito de envolvimento no Caso Freeport. Ao que parece, os investigadores ingleses querem ver as contas bancárias do primeiro-ministro. As autoridades portuguesas estarão, segundo a "Sabado", a investigar um email que terá sido enviado pela empresa Smith & Pedro para um alegado domínio pessoal de Sócrates.

Escusado será dizer que esta informação e estas suspeitas são de uma enorme gravidade. Agora, a vitimização e a irritação de nada servem. Desta vez, não é nem Sócrates, nem o PS, nem mesmo o governo que estão em causa. É o País.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (52) | partilhar

por Pedro Sales



Para os crédulos que insistem, nesta caixa de comentários e nos blogues do costume, que o Governo nunca disse que o estudo era da OCDE, informação que chegou a constar no próprio site do PS (!), e que acham que as notícias acontecem por acaso, aqui segue o press release que o governo enviou para as redacções referindo o "estudo da OCDE" e a "avaliação feita pela OCDE". Uma "conveniente" errata foi enviada, pelas 22 horas, onde deve ter encontrado dezenas de jornalistas que iriam cobrir um evento meia dúzia de horas depois... Os jornalistas podem não ter feito o trabalho todo, e é fácil acusar a imprensa pelo "engano", mas as notícias não caem do céu aos trambolhões. Como resume o Vasco Barreto, este caso é um case study dos processos de propaganda do governo. Neste caso, de desinformação.

adenda: agradeço ao comentador "J" a informação sobre o site do PS.

por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (44) | partilhar

por Pedro Vieira

© rabiscos vieira


john updike, 1932-2009


por Pedro Vieira
link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009
por Pedro Sales
Ao contrário do que refere Paulo Pedroso, a questão levantada por este meu post sobre a discriminação dos doadores homossexuais de sangue, só muito lateralmente tem a ver com o seu sentido de voto. Se me parece perfeitamente normal que um deputado acompanhe a sua bancada, já me parece difícil de compreender os argumentos de quem, dizendo-se “conhecedor de que há pessoas que se queixam dessa discriminação”, diga depois que “agi em consciência, perguntei, sem cuidar de saber se isso era cómodo ou incómodo para o meu partido”.

Pode ser que o deputado não se aperceba, mas é esse registo que torna a sua incompreensível a sua acção neste caso. Como é que se compreende que, na segunda ou na terça alguém dê a cara por uma pergunta que é encarada publicamente como representando a preocupação do PS com a discriminação dos homossexuais, e poucos dias depois vote contra uma proposta colocada nos precisos termos referenciados. Não é obrigado a votar com a oposição, como é normal, mas também ninguém o obrigou a tomar uma iniciativa que ia no mesmo sentido de uma proposta que sabia contar com a sua rejeição.

É que, como bem refere Paulo Pedroso, o que está em causa é mesmo saber que as “interrogações sobre a orientação sexual e não sobre nenhum comportamento em concreto” violam a lei e a constituição. Mais. Não há nenhum estudo internacional que suporte essa existência de grupos de risco. Existem comportamentos de risco. A julgar pelos últimos indicadores, que referem que mais de metade dos novos casos de contaminação ocorrem na população heterossexual, contra os 11% entre a homossexual, dá-nos para perceber como esta discriminação não responde perante mais nada que não o preconceito.

Não só não há nenhum suporte legal para esta política nos documentos da União Europeia, como a Cruz Vermelha se encontra empenhada em acabar com as actuais limitações ainda existente em países como os EUA. Mesmo assim, e como se pode ver num cartaz que já aqui reproduzi e que se encontra em vários postos de recolha de sangue, e das incongruentes declarações do responsável pelo Instituto Português do Sangue, a discriminação existe e existe nos precisos termos em que o deputado socialista os coloca.

O que não esperava é ver Paulo Pedroso a chamar “oportunista” a quem pretende que o governo emita normas para acabar com uma discriminação que o próprio considera ilegal. O argumento já é estafado e vem desde a votação do PS no “oportunista” agendamento do casamento entre pessoas do mesmo sexo. O tal que, três meses passados, passou a representar o fim de uma “discriminação histórica”. Começa a ser um padrão. As propostas não valem pelo que defendem, mas pelos juízos de valor sobre as intenções dos proponentes. A oposição, como se sabe, é geneticamente oportunista. Está-lhe no sangue.

por Pedro Sales
link do post | comentar | partilhar

por Pedro Sales



Parte da imprensa ocupou o dia de ontem a noticiar os elogios da OCDE à política da ministra da Educação. Alguns blogues chegaram mesmo a criticar a indiferença a que o Público votou o relatório. Uma vergonha. Anda para aí um governo a trabalhar, e a ver o seu trabalho reconhecido internacionalmente pelos principais organismos internacionais, e ainda há quem não dê o devido destaque a um estudo com esta importância. O pior é que, como reparou o blogue profavaliação, não há nenhum relatório da OCDE, mas um estudo encomendado pelo governo a uma equipa internacional que alega seguir as metodologias da OCDE. Já tínhamos as salsichas tipo Frankfurt, e o queijo tipo serra, agora temos os relatórios tipo OCDE.À força de tanto insistir na propaganda, este governo começa a perder a noção do ridículo e o contacto com a realidade. Vale a pena ler os posts de Ramiro Marques, no já referido blogue, para perceber a “fiabilidade” da metodologia “tipo OCDE” que se parece resumir a uma interminável série de reuniões com parceiros institucionais.

por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (49) | partilhar

por Pedro Sales
Segundo o 24 horas, o irmão de Júlio Monteiro diz que o tio de Sócrates tem uma doença neurológica e, por isso, "esquece-se das coisas, dos factos". “A idade é uma daquelas coisas chatas que não perdoam”, remata o outro tio do primeiro-ministro, para desvalorizar a memória do seu irmão dois anos mais velho (68 anos).

por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (21) | partilhar

por Daniel Oliveira
Ao inquérito anterior (em que votaram 879 leitores), 50% consideraram que a ofensiva israelita contra Gaza foi um crime, 22% uma necessidade, 16% que foi excessiva e 11% que foi compreensível. Assim, 66% discordaram dela, considerando-a criminosa ou excessiva, e os restantes concordaram com ela, considerando-a uma necessidade ou compreensível.

Novo inquérito: Os esclarecimentos públicos de José Sócrates sobre o caso Freeport foram suficientes?

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (28) | partilhar

Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009
por Pedro Vieira


 


© rabiscos vieira


deve ser a primeira vez que o mesquita machado se demite de qualquer coisa.


por Pedro Vieira
link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

por Daniel Oliveira
...Felícia Cabrita.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (38) | partilhar

por Daniel Oliveira
Leio os jornais e, como levo a sério as teorias do PS, ou Belmiro de Azevedo já é dono de quase toda a imprensa ou quase todos os donos da imprensa queriam ficar com a PT.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (13) | partilhar

por Pedro Sales



Independentemente do juízo que se faça do caso Freeport, uma coisa parece certa. A última reunião do conselho de ministros de Guterres foi um balão de ensaio para algumas das medidas mais emblemáticas do actual governo. Não são só o licenciamento do Freeport parece ter sido a primeira empresa na hora, como aqui se diz com alguma graça, como foi o primeiro dos muitos projectos PIN. O facilitismo simplex do licenciamento discricionário destes grandes projectos imobiliários, foi o expediente rapidamente encontrado pelo governo Sócrates para contornar a legislação comunitária de protecção ambiental. Uma engenharia legal que já despertou a atenção e oposição de Bruxelas. Ninguém defende que não se construam projectos turísticos de baixa intensidade em zonas ambientalmente protegidas, mas uma breve passagem de olhos pelo mapa dos principais investimentos PIN é suficiente para perceber a estranha atracção que estes projectos parecem encontrar pelas zonas ambientalmente protegidas, como se só existissem entraves burocráticos ao investimento no turismo e, neste sector, só valesse a pena investir em reservas ecológicas ou rede natura 2000. Neste aspecto reconheça-se a coerência do primeiro-ministro. A forma expedita como despachou os últimos licenciamentos da sua passagem pelo ministério do ambiente, tornaram-se a regra do seu executivo. Belo legado para o primeiro governo liderado por um antigo ministro do ambiente. Subordinar a política de ordenamento do território ao lobby do betão, fazendo tábua rasa de anos de legislação ambiental em nome do poder quase discricionário de uma obscura agência de investimento.

por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

por Pedro Sales



Mas quem gosta verdadeiramente de futebol, não tem qualquer desculpa para perder os jogos do Barcelona. Para quem não tem a Sport TV, há sempre um café ou a net para poder ver os melhores jogos dos últimos anos. Depois de recambiar Deco e Ronaldinho, Guardiola está a construir a equipa mais goleadora da história de um emblema que sempre privilegiou a posse de bola e o futebol ofensivo. E depois, bem, depois há Messi, Xavi, Iniesta, Eto'o, Bojan, Daniel Alves...

por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (10) | partilhar

por Pedro Sales
O partido no poder na Grã-Bretanha, o Partido Trabalhista, ficou 15 pontos percentuais abaixo do Partido Conservador, na oposição, numa sondagem de opinião cujos resultados foram conhecidos hoje, revelando também uma queda de confiança no modo como o primeiro-ministro Gordon Brown está a lidar com a recessão económica. A sondagem da empresa Com RES no jornal “The Independent” coloca o apoio aos trabalhistas nos 28 por cento, seis pontos abaixo do valor da sondagem de Dezembro, e o apoio aos conservadores de David Cameron nos 43 por cento, quatro pontos acima dos valores do mês passado. (público)

por Pedro Sales
link do post | comentar | partilhar

Domingo, 25 de Janeiro de 2009
por Pedro Vieira


© rabiscos vieira 


este é o homem que enrolou a scarlett com a penélope. os outros, roam-se de inveja.


por Pedro Vieira
link do post | comentar | ver comentários (25) | partilhar

por Pedro Sales
Enquanto o tio de Sócrates se queixa que só queria que lhe tivessem agradecido as diligências que tomou para desbloquear o imbróglio do Freeport, o tal obrigadinho que nunca apareceu, parece que o seu filho enviava mails para Inglaterra a pedir contrapartidas financeiras pela celeridade no licenciamento.

por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (18) | partilhar

Sábado, 24 de Janeiro de 2009
por Pedro Sales



Faz ontem uma semana que o Grupo Parlamentar do Partido Socialista questionou a ministra da Saúde sobre a alegada discriminação de homossexuais como dadores de sangue, após queixas de vários cidadãos. Paulo Pedroso desdobrou-se todo o dia em declarações às rádios e televisões, dizendo que as "interrogações sobre a orientação sexual e não sobre nenhum comportamento em concreto" violam a lei e a constituição. Tem razão. Quando se pronunciou nestes termos, Pedroso já sabia que o Parlamento se preparava para votar uma proposta do Bloco de Esquerda que recomendava ao governo a adopção de medidas para combater a discriminação dos homossexuais e bissexuais nos serviços de recolha de sangue. Sabia também que, na Comissão de Saúde, o PS já tinha anunciado que iria votar contra, argumentando que não existe discriminação mas apenas "casos de precaução". Casos de precaução que, como se pode ver pelas normas do Instituto Português do Sangue, excluem, à partida, todos os homossexuais masculinos - confirmando as questões levantadas pelo grupo parlamentar do PS. Mas nada disso importa. Se a proposta vem da oposição é para chumbar. Foi o que ontem aconteceu, com os votos contrários do PS, abstenção do PP e votos favoráveis de todas as restantes bancadas. Paulo Pedroso foi um dos deputados que votou contra. Bem pode o ministro Santos Silva ir ao Parlamento fazer os histriónicos comícios contra os alegados condicionamentos aos "deputados livres" que se sentam na bancada do PS. O papel a que Paulo Pedroso se prestou, preocupado na sexta-feira com a inconstitucionalidade de uma situação que nada lhe diz na semana seguinte, é o triste resumo dos "deputados livres" que se preocupam em questionar o governo para o show off mediático, mas que depois asseguram o funcionamento da "câmara coorporativa" da clubite rosa.

por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (56) | partilhar

por Pedro Vieira


© rabiscos vieira


por Pedro Vieira
link do post | comentar | ver comentários (56) | partilhar

por Pedro Sales



A caixa que mudou o mundo faz hoje 25 anos. Ainda hoje, com a empresa a viver o melhor período da sua história, não devem existir mais de 30 milhões de Macs a funcionar em todo o mundo. Mas esse é o lado menos importante da história da empresa da maçã. De uma forma ou de outra, todos os computadores são descendentes da interface gráfica que se tornou acessível pela Apple, tornando obsoletos os tortuosos comandos em linha. Apresentar uma interface gráfica nuns risíveis 128 k de memória é um feito técnico dificilmente perceptível nos tempos em que se encontram potentes portáteis por menos de 300 euros, mas foram estes computadores, hoje usados como aquários por muito boa gente, que abriram o caminho para a verdadeira democratização da informática.

Completíssimo site com as origens da empresa que tinha uma bandeira de pirata à porta das suas instalações. A Macworld dedica uma série especial ao aniversário, a Arstechnica escolheu alguns dos principais momentos dos 25 anos do Macintosh.


por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (38) | partilhar

por Pedro Vieira


© rabiscos vieira


por Pedro Vieira
link do post | comentar | ver comentários (38) | partilhar

Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009
por Pedro Sales
Qual Marcelo Rebelo de Sousa da blogosfera, Pacheco Pereira agora dá notas sobre a actualidade que vai marcando a semana. Melhor. Da forma como a imprensa noticia a actualidade política. Pacheco Pereira passou anos a , mas ele próprio enferma dos mesmos erros e defeitos que critica aos seus adversários no PSD. Ver o mundo pelo prisma das notícas e da pequena intriga a propósito de uma notícia do jornal é próprio da "má moeda" em que se tornou todo o PSD. Que o tenha provedor da imprensa, usando o seu olhar parcial para criticar a parcialidade da imprensa, é

Para ser justo, em vez de dar notas ao situacisnimo, justo era que lhe atribuisse pachecos. Bom para a Manuela são 5 Pachecos, mau para a Leite são 4 Pachecos negativos.

por Pedro Sales
link do post | comentar | partilhar

por Pedro Sales
Vítor Constâncio foi ontem à noite ao Parlamento criticar o pessimismo das previsões económicas de Bruxelas para o nosso país. Doze horas depois fechou a empresa , a maior exportadora nacional e a principal responsável pela balança comercial em .O timing perfeito

por Pedro Sales
link do post | comentar | partilhar

por Pedro Sales



O Parlamento votou hoje, com a abstenção do PCP e os votos favoráveis de todas as restantes bancadas, um voto de congratulação pela tomada de posse do novo presidente dos EUA que era, de facto, um voto sobre Guantanamo. “Por entender que a tortura não tem lugar na aplicação do direito em sociedades democráticas”, o documento ”considera particularmente relevante, o anúncio do cumprimento da promessa de encerrar a prisão de Guantanamo”. O facto politicamente mais relevante nem é o voto em si, cujo texto é perfeitamente justificável, mas que o seu autor seja o Partido Popular (PP)

O mesmo PP que votou contra o voto, aprovado com os votos do PS, PCP e Bloco, onde se apelava “à Administração dos Estados Unidos da América para que encerre o campo prisional da Baia de Guantanamo”. O mesmo PP que repetiu, durante anos, que Guantanamo tinha um "contexto". O mesmo PP que esteve na linha da frente do apoio a uma guerra justificada com uma das maiores operações de mistificação internacional de que há memória, com hora e data marcadas em território nacional. O mesmo PP cujo líder ganhou o "Distinguished Public Service Award" , do Departamento de Defesa Americano, " for his leadership and service as Portugal's minister of defense". O mesmo Paulo Portas que, ao receber a distinção do próprio Runsfeld, ainda fazia piadas sobre o desfecho da guerra do Iraque e da sua sobrevivência política.

Durante anos, num registo pavloviano sem mácula, acenaram a todo e qualquer desmando da administração Bush. Onde Guantanamo tinha sempre um contexto, agora é um empecilho que urge encerrar. Qualquer um pode mudar de posição. Mas convém retirar ilações dessa mudança e não limitar-se a ir despudoradamente, como é manifestamente o caso, ao pronto a vestir das ideias da última estação. Mas, reconheçamos, é preciso “contextualizar” e lembrar-mo-nos que estamos a falar do projecto unipessoal de Paulo Portas.

por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (34) | partilhar

por Pedro Vieira


 © rabiscos vieira


Fundadores do "Sol" invocam dificuldade financeira para vender jornal a angolanos


por Pedro Vieira
link do post | comentar | ver comentários (38) | partilhar

por Pedro Sales
Os licenciamentos continuam a ser o maior problema de José Sócrates.

por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (11) | partilhar

Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009
por Pedro Sales
Um primeiro-ministro insinuar que o timing de uma investigação policial, ainda por cima realizada a pedido das autoridades britânicas, se deve ao calendário eleitoral nacional. José Sócrates não é um comentador político. É o primeiro-ministro do país. Faz toda a diferença.

por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (60) | partilhar

por Pedro Vieira


© rabiscos vieira

a presidência da república já chegou ao twitter



por Pedro Vieira
link do post | comentar | ver comentários (21) | partilhar

por Pedro Sales
Menos de uma semana depois de ter chumbado as propostas da oposição para alargar o alcance do subsídio de desemprego, o conselho de ministros aprovou ontem o alargamento, de 12 para 18 meses, do prazo de concessão do subsídio social de desemprego. Foi o suficiente para preencher, ininterruptamente, os espaços informativos das rádios e televisões com comentários sobre o reforço dos apoios que o governo está a conceder aos desempregados. Como pouca gente percebe o que é, realmente, o subsídio social de desemprego, a medida passou como um aumento do subsídio de desemprego. Mas não é.

Não há nada como os números para vermos a diferença. O subsídio social de desemprego garante 251,5 euros a cada desempregado, com um acréscimo de 10% por cada filho. Um desempregado com seis filhos pode ver-se, assim, com uns fulgurantes 419 euros ao fim do mês. Pode parecer pouco mas é o suficiente para o governo fazer a festa e anunciar que está a promover “o reforço da garantia de acesso aos direitos de protecção social dos cidadãos”.

Mas é pena que a generalidade da imprensa ande distraída. Se estivesse mais atenta às notícias de rodapé da imprensa económica, teria reparado que os mapas suplementares do orçamento rectificativo indicam que o governo vai reduzir a transferência de verbas para o depauperado Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social. São menos 104 milhões de euros - precisamente o dobro do que custa o aumento do subsídio social de desemprego -, descapitalizando ainda mais o fundo que garante a sustentabilidade do sistema previdencial de reformas. Dá com uma mão para tirar com as duas. Com a vantagem que ninguém vê as últimas e se garante mais um dia de (boas) notícias na imprensa.
tags:

por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (24) | partilhar

Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009
por Daniel Oliveira



Jorge Drexler. Neto de judeu pocaco fugido da Segunda Guerra Mundial, filho de um judeu alemão com uma "uruguaia da terra" e pai de um espanhol de seis anos. Um mouro judeu que vive com os cristãos, não sabe que Deus é o seu, nem quais são os seus irmãos. Não se alista por nenhuma bandeira, não dá o permissão a ninguém para matar em seu nome.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (24) | partilhar

por Pedro Sales
Teixeira dos Santos deslocou-se a Londres, na passada sexta-feira, para tentar convencer a Standard & Poor’s a não descer o rating da dívida da República portuguesa. Hoje, e antecipando em 11 semanas o período de vigilância negativa em que tinha colocado a economia nacional, a Standard & Poor’s desceu o rating da república, tornando mais difícil o recurso ao crédito. A Espanha e a Grécia, que se encontravam na mesma situação que Portugal, continuam com o rating inalterado. O Arrastão ainda não conseguiu percebe se os seus ministros das finanças foram tomar o chá das 5 com os responsáveis da Standard & Poor’s.

por Pedro Sales
link do post | comentar | partilhar

pesquisa
 
TV Arrastão
Inquérito
Outras leituras
Outras leituras
Subscrever


RSSPosts via RSS Sapo

RSSPosts via feedburner (temp/ indisponível)

RSSComentários

arquivos
2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


Contador