Sábado, 31 de Outubro de 2009
por Daniel Oliveira
Do que vimos nos últimos dias, não é Marcelo Rebelo de Sousa que consegue unir os "notáveis" do PSD. É Passos Coelho. Contra ele, claro. Porque será que o rapaz tanto os assusta?

por Daniel Oliveira
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Sexta-feira, 30 de Outubro de 2009
por Daniel Oliveira
Há quem se espante com o baixo valor de 10 mil euros que, caso seja verdade, Armando Vara cobraria por mexer uns cordelinhos e fazer uns contactos para facilitar as coisas a um sucateiro. Mas vejam bem: o homem ganha 500 mil euros por ano para estar na administração do BCP onde, apesar de tudo, há de ter de fazer alguma coisa. Com cinquenta telefonemas ou reuniões num ano, cumprindo, ao que parece, as tabelas em vigor, consegue o mesmo valor. Como biscate não é mau. E só prova que, ao contrário do que se pensa, Vara não está acomodado ao seu lugar e às respectivas mordomias. Ele continua a ser um empreendedor. E isso deve ser valorizado.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Continua a série "Guerra Fria". Com esta série de documentários o Arrastão quer assinalar os 20 anos da queda do Muro de Berlim. O documentário tem 24 episódios, é de Jeremy Isaacs e foi produzido em 1998 pela CNN e BBC.

O primeiro episódio foi sobre o período até ao fim da guerra; o segundo sobre os primeiros anos pós-guerra e a Europa nascida de Yalta; o terceiro sobre o Plano Marshall; o quarto sobre o bloqueio soviético a Berlim Ocidental e as pontes aéreas então criadas; e o quinto sobre a Guerra da Coreia.

O sexto episódio trata da propaganda nos EUA contra o comunismo e o ambiente de paranóia e medo, com especial destaque para o trabalho do senador McCarthy e a limitação de direitos cívicos. E, do lado da URSS, o terror estalinista contra o seu próprio povo.


por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Hoje, no “Público”, lá estava um artigo de opinião sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Era de Jorge Bacelar Gouveia. Começava da mesma forma que tantos outros: que, perante uma crise económica, o tema não é prioritário. Mesmo que aceitasse que a igualdade de todos perante a lei não é sempre prioritária, este argumento deixar-me-ia perplexo. Permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo não exige recursos financeiros, não exige grandes esforços do Estado, não exige grande mobilização da sociedade. É questão que se resolve em duas horas, no Parlamento. Ora, as prioridades só são relevantes quando se tem de escolher e por isso hierarquizar. Tal não sucede neste caso. Alguém me explique em que é que a aprovação de um projecto que anula uma expressão na lei do casamento atrasa o combate à crise económica. A verdade é que o argumento da crise é de uma enorme preguiça intelectual e de uma razoável demagogia. Usa-se a crise para impedir a aprovação de qualquer coisa que nos desagrada sem ter de trocar argumentos sobre ela. Diz-se às pessoas: não gaste os seus neurónios com isto que há assuntos mais importantes na vida.

Claro que há um argumento possível, para quem acha que os portugueses, sendo pobres de cabeça, só conseguem discutir um assunto de cada vez: que perdendo tempo com o debate público deste tema a sociedade se distrai do que é fundamental. Mas então fica uma perplexidade: não perdeu o senhor Bacelar Gouveia o seu precioso tempo a escrever sobre um tema para explicar que ele não era prioritário? Não distraiu ele os leitores do importante combate à crise económica para falar de um assunto irrelevante? Pior: não o fez só para explicar que o assunto era irrelevante? Ou seja, não confessou o colunista que o assunto é para ele suficientemente importante para que nele gaste tanto latim e nos faça gastar a nós o tempo de o ler?

Mas o que é mais extraordinário é que, tendo como principal argumento o facto do assunto não ser prioritário, o senhor Bacelar Gouveia, que acha que os deputados não têm legitimidade para cumprir o programa com o qual foram eleitos há dois meses, propõe a realização de um referendo. Ou seja, propõe que o país se mobilize todo para um tema que ele próprio acha, por causa da crise económica, secundário.

Talvez seja altura destes activistas assumirem que este assunto é para eles tão prioritário como é para as associações LGBT. Só que no seu caso a prioridade vai para o chumbo da proposta. A dos outros vai para a sua aprovação. Por isso, talvez fosse melhor abandonar este recurso pouco sério à crise económica e assumir que, sendo contra ou a favor, se dá prioridade ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Se chegarmos a acordo sobre isto e deixarmos de tomar quem nos ouve e lê por parvo talvez seja possível fazer um debate sem truques.

por Daniel Oliveira
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por Pedro Vieira
no dia em que josé manuel fernandes assume pela última vez o cargo de director o Público publica no seu site um video captado por câmaras de vigilância onde se assiste ao homicídio de um homem, ao vivo e a cores,  a Verdade nua e crua, o jornalismo a favorecer o Real, naquele que é um passo extraordinário do jornal em direcção ao estatuto de referência em snuff-movies, acho óptimo, a internet está cheia deles e nem todos são legitimados pelo carimbo "de referência", aliás, a pornografia há muito que tinha entrado pelos editoriais a dentro, agora é só casar tópicos e desejar a melhor das sortes à nova direcção. só espero que o video não enerve os sócios do belenenses, caso contrário a estratégia snuff chic vem toda por água abaixo.

por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira
Deixei passar um dia mas não quero deixar aqui de recordar uma data: dia 28 de Outubro de 1999. Nesse dia, "activistas" de extrema-direita assassinaram José Carvalho, dirigente do PSR, mais conhecido pelos amigos como Zé de Messa (fábrica de máquinas de escrever, onde fora membro da Comissão de Trabalhadores). O seu assassino foi condenado mas conseguiu, sem grandes problemas, fugir da prisão. Depois disso esta gente criou um partido. Estiveram várias vezes envolvidos noutros crimes. Mas isso nunca impediu alguns comentadores de tratarem este bando perigoso como simples políticos a quem se tenta tirar a legitima liberdade de expressão. Em memória do José Carvalho e de Alcino Monteiro, teremos de continuar

por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 29 de Outubro de 2009
por Daniel Oliveira
"A Fleximol é uma empresa do Cartaxo que empregava 171 trabalhadores quando entrou em Lay-Off, no passado mês de Janeiro. Recentemente, os trabalhadores decidiram criar uma Comissão de Trabalhadores para enfrentar a situação difícil em que se encontram.

A Administração da Empresa teve uma resposta rápida e eficaz: Despediu todos os trabalhadores da Comissão Sindical e da Comissão de Trabalhadores, efectivos e suplentes. Juntou-lhes mais alguns (todos subscritores da lista vencedora) e chamou-lhe um despedimento colectivo. As razões eram variadas. Umas tão concretas como "falta de versatilidade", outras tão credíveis como "não sabe ler um cartão de trabalho", aplicadas a trabalhadores com mais de dez anos de casa.

O problema é que as normas que protegem os representantes dos trabalhadores só se aplicam nos despedimentos individuais. E como o despedimento colectivo, na nossa legislação, só precisa de justa causa em teoria (na prática, a lista de justificações permite invocar basicamente qualquer pretexto), o único recurso dos trabalhadores é a entidade que fiscaliza a legalidade das relações laborais (ACT), que, contactada por escrito há duas semanas através do Eng.º Pedro Brás, do Centro Local Lezíria e Médio Tejo, ainda não considerou oportuno pronunciar-se."

De José Gusmão, no Ladões de Bicicletas.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira

Para perceber este post é fundamental ver os vídeos.



A nova vítima da FOX News é a ACORN (site aqui), uma associação com dezenas de milhares de voluntários que faz um excelente trabalho nas comunidades mais pobres dos Estados Unidos e que está próxima do Partido Democrático. E, pecado dos pecados, conseguiu que muitos negros e pobres se registassem nas últimas eleições.



Desde então, os republicanos nunca mais os largaram. E, claro, a Fox News. A começar por uma suposta e falsa fraude eleitoral.



Agora, a campanha finalmente resultou. Os erros de meia dúzia de voluntários, entre milhares, (envolvidos num caso de prostituição) chegaram para que o órgão central da direita americana começasse uma campanha sem precedentes que já teve resultados. Daquelas que as grandes corporações nunca conheceram. A ANCORN perdeu os apoios públicos. No país que enterrou milhões em empresas responsáveis por mega-fraudes não deixa de ser irónico.



Atrás da ACORN está a FOX, é verdade, e os lobbies que não apreciam o seu trabalho. E se nasce uma campanha e se quebra, nos media, a espinha aos que incomodam interesses suficientemente poderosos para serem desafiados. No caso: os bancos, os empregadores que não querem o aumento do salário minimo e, claro, o Partido Republicano.

Visit msnbc.com for Breaking News, World News, and News about the Economy



A ver se nos entendemos: a Fox é uma organização política. A sua liberdade de expressão deve ser defendida. Como a de qualquer órgão de comunicação social. Mas as suas campanhas devem ser combatidas politicamente.

Para perceber o que é a Fox News, aqui fica um caso. Apenas um. E em que é dito, de forma clara, o que é aquela organização do magnata Rupert Murdoch.



E deixo aqui, para quando tiverem tempo, um documentário antigo e longo sobre esta extraordinária organização. "Outfox" não é apenas sobre a Fox. É sobre o que está a acontecer às nossas democracias.


por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Armando Vara é um dos 12 arguidos ontem constituídos no âmbito da operação Face Oculta desencadeada pelo Departamento de Investigação Criminal de Aveiro da Polícia Judiciária.

por Daniel Oliveira
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por Pedro Sales



Depois da intensa campanha mediática promovida pelo Partido Socialista destacando a presença de cinco ministras no Governo, sempre quero ver o que é que o PS  tem a dizer sobre os nomes apresentados por José Sócrates para as secretarias de Estado, onde, em 38 lugares, não é possível encontrar mais do que 5 mulheres. Ah, estou a ver, parece que o número permanece inalterado em relação à miséria de há 4 anos e temos direito à "novidade" de  uma secretaria de Estado da Igualdade. A julgar pela composição do Governo, parece que tem muito trabalho para fazer lá para os lados do Largo do Rato

por Pedro Sales
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por Pedro Sales



O que vale é que, depois da nomeação de Santos Silva, o Governo foi buscar um especialista para secretário de Estado da defesa e dos assuntos do mar: Marcos Perestrello.

por Pedro Sales
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Quarta-feira, 28 de Outubro de 2009
por Pedro Sales
O Governo apresentou hoje a lista d

por Pedro Sales
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por Arrastão
Como já aconteceu noutros momentos, pedimos a uma pessoa externa ao blogue uma contribuição para o debate. No caso, sobre as eleições que hoje se realizam em Moçambique. Paulo Granjo é antropólogo, investigador do ICS e professor. Passa longas temporadas naquele país. Tem um blogue e muito trabalho de campo em Moçambique, o que lhe dá um especial conhecimento da realidade política e social moçambicana. Aqui fica então um texto de um observador privilegiado que pode ajudar a compreender o que está em causa nas eleições de hoje. A ilustração é do Pedro Vieira


© rabiscos vieira



Moçambique vai hoje às urnas. Provavelmente, com bastante menos entusiasmo que iria há mês e meio atrás. A expectativa que então se sentia em Maputo e na Beira era, de facto, justificada.

Desde há 17 anos (com o fim da guerra civil e a substituição de um regime que se considerava socialista pelo multipartidarismo e políticas neo-liberais) que as muitas mudanças ocorridas são sentidas como “mais do mesmo”.

A oligarquia governativa não se alterou, criando algo que nem as mais caricaturais visões de Marx puderam imaginar. O Estado não é "o conselho de administração delegado da burguesia", mas o próprio posto de trabalho dos maiores empresários – que o são porque já ocupavam o poder, e que o ocupavam por terem ajudado a conquistar a independência.

Entretanto, o país tem mais ONGs registadas do que médicos, vive fundamentalmente da recirculação do dinheiro vindo do exterior (através das ONGs ou do Orçamento Geral do Estado, custeado na sua maioria por governos estrangeiros) e é enorme o contraste entre um Maputo com melhor parque automóvel que Lisboa e o resto do país, onde a 20Km de uma vila já não há nada para comprar.

Mas também a capital vive a duas velocidades, entre os restritos salários mais altos que na Europa e a ausência de empregos – que, a existirem, podem pagar entre 25 e 50 euros. Nos bairros populares, a maioria das famílias contam com alguém que revende, na rua, alguma coisa às restantes.

Contudo, o desagrado popular com uma elite político-económica que "come sozinha" e "não liga às nossas necessidades" não tem encontrado alternativas.

O peso parlamentar da Renamo foi-se paulatinamente erodindo ao longo das sucessivas eleições, em grande medida por não ser vista como alternativa a um governo de direita com retórica popular. Mas também por insistir num discurso agressivo, violento e revanchista, que desperta receios e memórias urbanas das barbáries da guerra civil que a opôs à Frelimo e que toda a gente quer sepultar no passado.

O sentimento popular (e dos políticos) de que ficaria sempre tudo na mesma foi, no entanto, abalado nas últimas eleições autárquicas. A reeleição de Deviz Simango – presidente do município da Beira que transformou uma das cidades mais sujas de África na mais limpa do país – foi vetada pela direcção da Renamo, devido a queixas de notáveis partidários locais, por ele lhes recusar favorecimentos ilegais. Recandidatou-se como independente e reforçou muito o seu resultado, também à custa de 17% das pessoas que votaram Frelimo para a Assembleia Municipal. Foi, para o cidadão comum, a Frelimo e a Renamo, a descoberta de que os votantes não são propriedade dos partidos e de que não há baluartes eleitoras eternos.

Desta dinâmica local veio a nascer um novo partido (MDM), que despertou um inusitado entusiasmo quer na frelimista Maputo (sobretudo entre os menos idosos e as classes médias emergentes), quer nas renamistas zonas rurais do centro do país. Mais curiosa ainda é a generalizada simpatia nas zonas pobres das cidades, mesmo entre os velhos votantes dos partidos tradicionais.

O que está em causa não são grandes opções ideológicas – que talvez o próprio MDM não tenha.
O conciliador e pacífico discurso de Deviz Simango centra-se na honestidade, na competência e na distribuição mais justa (em termos sociais e regionais) do dinheiro e meios que entram no país. Mas é isso que as pessoas querem ouvir. E é isso que não acreditariam, se fosse outra pessoa a dizer.

Com tudo isto, o MDM representou até há bem pouco a esperança real de uma alternativa àquilo que de mais desagradável as pessoas encontravam no governo e na oposição.

Entretanto, a actualização do recenseamento encontrou, nas zonas centro-norte, sistemáticas dificuldades técnicas a que foi poupada nas mais fortes zonas da Frelimo. Em seguida, a CNE excluiu o MDM de 9 dos 13 círculos eleitorais, num processo de contornos obscuros que suscitou queixas judiciais de extravio de documentos de legalização das candidaturas…

Há dois meses, discutia-se em Maputo a possibilidade bem real de que, roubando votos a ambos os lados, o MDM retirasse à Frelimo a maioria absoluta, forçando-a pela primeira vez a negociar a governação e revolucionando a vida política do país. Hoje em dia, sem que a esperança colocada num futuro mais longínquo pareça ter esmorecido, discute-se se a Frelimo não conseguirá os 2/3 que lhe permitiriam alterar sozinha a Constituição.

Texto de Paulo Granjo

por Arrastão
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por Daniel Oliveira




A secção espanhola da Amnistia Internacional e a organização israelita B'Tselem denunciaram o "poder absoluto" com que Israel controla o acesso à água através controlo dos aquíferos, a proibição de recolha água das chuvas, a proibição de construção de novas infra-estruturas e o bloqueio das estradas. O consumo de água nos Territórios Ocupados é de 70 litros por pessoa ao dia (a Organização Mundial de Saúde recomenda pelo menos 100). O consumo israelita é de 300 litros.

A Autoridade Nacional da Palestina precisa, segundo os acordos sobre a água de 1995, de autorização israelita para construir infra-estruturas hídricas. No entanto, as autoridades israelitas impedem a sua construção na zona C da Cisjordânia, onde vive 60% da população. Israel consome mais de 80% da água que vem das montanhas e do Rio Jordão.

Na Cisjordânia, os colonatos em território palestiniano consomem muita da pouca água ali existente. Os 450.000 colonos israelitas da Cisjordânia a mesma ou mais água do que os 2,3 milhões de palestinianos que ali vivem (no seu país).

A ofensiva em Gaza deixou 800.000 pessoas sem acesso a água corrente. Israel não autoriza o transporte de água da Cisjordânia para Gaza. Os aquíferos de Gaza estão praticamente esgotados e contaminado pela extracção excessiva.

Imagens (pode ampliar): uma piscina de um colonato de Maaleh Adumim, a poucos quilómetros de Jerusalém, em território palestiniano; uma reserva de água vazia, em Jiflik, localidade palestiniana no vale do Jordão; uma bomba de água de um bairro da Cidade de Gaza.

por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 27 de Outubro de 2009
por Daniel Oliveira
mourao001

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Luís Filipe Menezes defendeu hoje que poderia estar neste momento a formar governo, caso não tivesse abandonado a presidência do PSD.


por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 26 de Outubro de 2009
por Daniel Oliveira


por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Que os cristão tenham direito a Saramago e os muçulmanos fiquem com José Rodrigues dos Santos.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
"Recuso-me a ser levado nesta avalancha. Esta avalancha que resume o cristianismo à sua caricatura. Que resume o islamismo à sua violência. Que resume o judaísmo aos avanços e recuos de um Estado. Que resume o ateísmo a uma nova religião científica que esmaga milénios de história. Não, nenhum dos livros das três religiões monoteístas se explica com citações escolhidas ao acaso. E não, não é preciso ser cristão para sentir comoção com o 'Cântico dos Cânticos'. Não é preciso ser crente para perceber que a religião condensa em si as camadas da história de que se faz a humanidade. Que ela tem um tempo e um ritmo que não cabem em conferências de imprensa. Não é preciso ser religioso para compreender esta permanente procura do sentido da vida e da imortalidade."

Ler e comentar aqui.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
O que foi acontecendo à linha do Tua (uma obra-prima da engenharia portuguesa com 120 anos de história) é um retrato fiel da negligência sempre acompanhada de promessas bonitas. O que lhe pode vir a acontecer da absoluta irresponsabilidade e insensibilidade cultural perante o nosso património. Num país governado por patos bravos, o que se fez com a ferrovia diz tudo sobre o tipo de desenvolvimento em que os nossos governantes acreditam.

Um dos grandes vencedores do DocLisboa foi "Pare, Escute, Olhe", de Jorge Pelicano. Exactamente sobre a Linha do Tua o que lhe foi e não foi sendo feito.



Se quer saber mais sobre o assunto acompanhe a página do Movimento Cívico pela Linha do Tua e se quer tomar posição assine esta petição.

Sobre os restantes filmes que vi no DocLisboa e de qua ainda não falei escreverei mais tarde umas linhas.


por Daniel Oliveira
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Domingo, 25 de Outubro de 2009
por Daniel Oliveira
Depois de deixar passar uma semana sem documentários aqui no Arrastão, lá ia mais uma. Aqui fica, com dois dias de atraso, a continuação da série "Guerra Fria". Com esta série o Arrastão quer assinalar os 20 anos da queda do Muro de Berlim. O documentário tem 24 episódios, é de Jeremy Isaacs e foi produzido em 1998 pela CNN e BBC. Depois do primeiro episódio, sobre o período até ao fim da guerra; do segundo, sobre os primeiros anos pós-guerra e a Europa nascida de Yalta; do terceiro sobre o Plano Marshall; do quarto, sobre o bloqueio soviético a Berlim Ocidental e as pontes aéreas então criadas, aqui fica mais um, desta vez sobre a Guerra da Coreia.

Para ver todos os documentários já publicados no Arrastão, basta ir à categoria "Doc à 6ª".


por Daniel Oliveira
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Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009
por Pedro Vieira
pois quando Carreira das Neves tentava contrariar Saramago o Senhor fez-lhe tocar o telemóvel. há minutos, na sic notícias.

por Pedro Vieira
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por Pedro Vieira

© rabiscos vieira





por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira
Independentemente do que se ache das palavras de José Saramago, o texto de Vasco Pulido Valente, hoje, no "Público", é deplorável. Não pelo insulto, que é coisa com que todos devemos viver bem. Mas por outras duas razões que marcam quase tudo o que VPV escreve: pela insuportável arrogância social e pelo tom de ajuste de contas. As repetidas referências à falta de habilitações académicas de Saramago denunciam todos os tiques da pequena aristocracia nacional, sempre pronta a enxotar da corte os que não são da sua estirpe. O azedume degradante Pulido Valente, um homem encurralado na sua própria inteligência, e o enfado que empresta a tudo recorda-nos como o cinismo é uma doença auto-destrutiva. E não tem cura.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira

palácios


Fotografia de Paulete Matos



Morreu Artur Palácios. O nome não dirá muito a muitos leitores. Tinha 74 anos. Militante comunista muito antes do 25 de Abril, foi do PCP [trabalhou com o PCP, nunca tendo chegado a filiar-se], depois da UDP e por fim do Bloco de Esquerda. Foi aí que o conheci. Foi operário e activista na Lisnave e, como morador do Casal Ventoso, em Lisboa, um lutador incansável pelas condições de vida dos seus vizinhos. Um líder de tal forma insistente que todos os poderes locais, mais tarde ou mais cedo, acabavam por lhe ceder. Fosse porque não os largava, fosse porque lhes punha os moradores na Assembleia Municipal ou, quando a coisa era mais grave, a cortar a Avenida de Ceuta para que alguém os ouvisse, com ele nunca nada ficava apenas pelo lamento inconsequente. Dentro do partido, era rijo e muitas vezes crítico.

Discordaríamos em muita coisa, com toda a certeza. Mas o Palácios, que não deixava ninguém parar, que quando eu tinha no partido a tarefa da relação com a imprensa me enchia de papéis e relatórios e comunicados e recortes de jornais e protestos, tinha o mais importante, muito para lá de qualquer discordância: vivia para a política naquilo que ela tem de melhor. No fim, já praticamente cego, continuava a sua militância no Bloco e as lutas no seu bairro. Entregou a sua vida à política e ao trabalho e morreu pobre. Lutou até morrer. Os livros não falarão dele. Na Net, a única foto que se encontra é esta, pequena como ele nunca foi [a fotografia pequena foi substituída por uma maior, enviada pela autora]. Mas os seus vizinhos e os seus camaradas nunca o esquecerão. E é destes homens sem fama que se fez e faz a história da esquerda. Homens como o Palácios.

por Daniel Oliveira
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por Pedro Vieira

© rabiscos vieira





por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira
Diga, na coluna da direita, quais foram as piores e as melhores escolhas de Sócrates para este governo.

por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 22 de Outubro de 2009
por Pedro Vieira
com o menino Santos Silva ao leme da Defesa agora é que se vai poder malhar na oposição, nos quartéis, nos praças da armada e nos caloiros do colégio militar. sem espinhas. e com dois submarinos.

por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira



Manuela Ferreira Leite ficará até depois da aprovação do Orçamento de Estado. Ou seja, o próximo líder do PSD terá de lidar com um orçamento sobre o qual nada teve a dizer. Se o PSD votar à favor, o sucessor de Ferreira Leite fica preso a um voto que não foi seu. Para Sócrates é uma boa notícia. Poderá negociar com quem não terá de gerir as consequências políticas de qualquer decisão. Para o PSD, uma péssima notícia.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Com excepção da transferência de Alberto Martins da liderança parlamentar para a pasta da Justiça e do regresso de Lacão à ribalta, os novos ministros têm, em geral, pouco peso político. É nos rearanjos entre os ministros do governo anterior que José Sócrates definiu novas prioridades. A passagem de Vieira da Silva para a Economia é, desse ponto de vista, uma boa opção. A escolha de Jorge Lacão para a pasta dos assuntos parlamentares (e comunicação social) também.

A manutenção de Ana Jorge na saúde era esperada, assim como a do bom aluno Luís Amado nos Negócios Estrangeiros. Mariano Gago também fica e nada mudará no ensino superior. O que é uma pena. A Universidade portuguesa continuará a definhar.

Quanto às entradas, elas são quase todas uma incógnitas. Ao escolher Isabel Alçada para a Educação Sócrates joga pelo seguro. É, obviamente, uma ministra para travar os disparates da sua antecessora. Mas se as coisas voltarem a aquecer, falta à nova ministra experiência política. Viu-se, no governo anterior, como esse pode ser um grave problema. A escolha de um técnico para as obra públicas, quando quase tudo o que há para gerir agora é político, é difícil de perceber.

Escolher uma sindicalista da área da UGT para o Trabalho e Segurança Social parece-me um erro. Poderemos assistir a uma tendência para se transferirem para as relações entre a principal central sindical e o governo os conflitos (e a concorrência) entre a CGTP e a UGT.

Na cultura, a escolha de uma figura de 20ª linha (e não de um político), apenas nos garante que nada mudará: este ministério continuará a ser uma inexistência. Sem peso político não há dinheiro. Sem dinheiro não há política cultural.

Santos Silva foi aparentemente promovido. Mas só aparentemente. Trata-se de um chuto para cima. Fica com a Defesa, um lugar de prestígio mas sem visibilidade política. Talvez para tapar o lugar a outros concorrentes. Talvez para deixar de "malhar", quando se precisa de mais diplomacia.

Conclusão: Sócrates não tinha, fora do seu núcleo duro (governo e liderança parlamentar), reforços políticos.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Como encara os campos de trabalhos forçados, denominados gulags, nos quais morreram milhares de pessoas?
Não sou capaz de lhe responder porque, em concreto, nunca estudei nem li nada sobre isso.

Mas foi bem documentado...
Por isso mesmo, admito que possa ter acontecido essa experiência.

Mas não sentiu curiosidade em descobrir mais?
Sim, mas sinto necessidade de saber mais sobre tanta outra coisa...

Rita Rato, deputada do PCP, licenciada em Ciência Política e Relações Internacionais.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Tirando a tirada idiota de um eurodeputado até há uns dias anónimo (e que nesse estado de graça deveria ter permanecido), tudo o que li e ouvi nas reacções às declarações de Saramago resumem-se ao simples exercício da liberdade de expressão. E começo a ficar um pouco cansado de ver gente a dar caneladas e depois a atirar-se para o chão num pranto. Quando alguém critica um jornal ou uma televisão, aqui D’el-rei que querem "matar o mensageiro" (como eu odeio esta expressão que transforma os jornalistas em meros veículos neutros e assépticos), como está a acontecer com a irritação da administração Obama com a Fox News. Quando alguém se indigna com uns cartoons, temos todos de defender o que não gostamos para não sermos vistos como censores. Quando alguém faz afirmações polémicas sobre a Bíblia qualquer reacção tem de ser vinte vezes mais cuidadosa do que a provocação inicial, não vá o provocado ser chamado de talibã.

A liberdade de expressão tem, para quem a usa, o seu troco: a liberdade, dentro dos limites da lei e da democracia, de reacção. Não há é paciência para provocadores que se armam em sonsos (Manuel Alegre veio dizer que “não se perdoa a Saramago ser Nobel e não ser religioso” e que o país “não perdoa a grandeza daqueles que se distinguem”, como se estivéssemos todos obrigados a beber as palavras do Nobel num silêncio respeitoso). Quem vai à guerra, dá e leva. O debate é sobre a Bíblia, não é sobre a liberdade de expressão. Saramago disse o que queria dizer. Todos são filhos de Deus (salvo seja) e têm direito à mesma incontinência verbal.

Ontem, na SIC Notícias, um teólogo teve uma intervenção bastante interessante. Estragou a pintura quando disse que "Saramago não gosta de Deus, mas Deus gosta muito Saramago”. Parece inocente e até simpático. Mas não é. Saramago é ateu. Não se trata por isso de não gostar de Deus. Saramago não acredita na existência de Deus. Fingir que essa descrença não existe e ter um discurso condescendente é aquilo que faz muitos ateus como eu mandarem por vezes às malvas o respeito supostamente devido à fé dos outros. Se eles não respeitam a nossa falta de fé e a tomam como uma simples fraqueza, porque não podemos fazer nós o mesmo com as suas convicções religiosas?

Sobre toda esta polémica escrevi para o "Expresso".

por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009
por Pedro Sales
Um estranho vírus parece ter atacado hoje as máquinas de voto dos eurodeputados do PCP. Quando se votava uma resolução contra Berlusconi e a sua cruzada contra a liberdade de imprensa em Itália, as máquinas dos dois eurodeputados do PCP – que se encontram separados por nove filas - falharam e impediram-nos de se juntar a todas as outras bancadas da esquerda europeia. A resolução foi chumbada por três votos. O PCP tem dois e não recorreu da votação, como teria direito dado alegar tratar-se de um “problema técnico”.

A estranheza do vírus não é tanto o sentido de voto, uma vez que Ilda Figueiredo até considera que “alguns aspectos desta resolução que raiam a ingerência na vida democrática de cada país”, mas antes o facto de no espaço de poucos minutos terem sido efectuadas mais de 20 votações e as diligentes maquinetas terem cumprido o seu papel imaculadamente. É que é mesmo preciso galo para ser precisamente nesta, onde o voto do PCP teria tudo para ser decisivo, que o raio dos aparelhos falharam.

Actualização: Vale a pena ler Rita jovem que lê pouco e só sabe o que lhe mandam saber, do João Tunes. O desconhecimento da existência do Gulag também deve ser um problema técnico. Mais um.

por Pedro Sales
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por Pedro Sales
Não faz assim tanto tempo que uma secretária de Estado da Educação, do PP, se deslocou à Assembleia da República para defender que "a religião católica é a religião oficial de Portugal". A julgar pelas declarações de Mário David, eurodeputado do PSD e vice-presidente do PPE, o argumento parece ter feito escola, atirando-se a Saramago pelas suas críticas às "confissões religiosas, valores que certamente desconhece mas que definem as pessoas de bom carácter". Como se sabe, o verdadeio tuga é do Benfica e pessoa de carácter. Talvez isso explique tamanha vontade de excomungar Saramago. Desculpem, de lhe retirar a nacionalidade.

por Pedro Sales
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por Pedro Vieira
quem já tinha ouvido falar no eurodeputado Mário David ponha o dedo no ar.

por Pedro Vieira
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Terça-feira, 20 de Outubro de 2009
por Daniel Oliveira



Como tento fazer todos os anos, consegui organizar a minha vida para não perder o DocLisboa. Dos muitos filmes que já vi, escolho apenas alguns. Não obrigatoriamente os que mais gostei, mas aqueles que permitem um debate interessante. Não sou critico de cinema, por isso falo aqui mais do conteúdo político do que do resto. O que nem sempre quer dizer que seja o mais relevante ou que mais me interessou em cada filme.

Bassidji

Pode ver dois excertos do filme aqui.



Os bassidjis ficaram recentemente conhecidos no ocidente pelas imagens da repressão das manifestações pró-democracia (lembram-se dos tipos das motas?). Esta milícia funciona como um poderoso instrumento civil de repressão, vigilância e delação. Ainda antes das eleições e das manifestações, Mehran Tamadon, um jovem ateu iraniano, conseguiu entrar no seu mundo. Não fez sobre as correntes mais radicais do islamismo xiita iraniano um retrato a preto e branco nem grandes julgamentos morais. O filme é, aliás, a tentativa de encontro entre dois mundos que não se cruzam. Em que um (o do realizador) tenta ganhar a confiança do outro e ouvi-lo.

Ao meu lado, no cinema, estava, por coincidência, um coreografo iraniano que vive em Portugal e que eu conheci durante os protestos internacionais contra a repressão da oposição iraniana. E recordei-me do que ele me dissera nessa altura: que não sabia explicar o que o outro lado pensava porque pura e simplesmente não os conhecia. Não se dava com aquelas pessoas no Irão. Não iam aos mesmos sítios, não tinham nada que os ligasse. E este filme é exactamente sobre isto: sobre a incomunicabilidade de mundos feitos de valores e de experiências políticas, sociais, culturais e religiosas que não se tocam.

Devo dizer que só por uma vez senti qualquer coisa de aproximado (com todas as devidas distâncias, como é evidente) no meu país: na campanha para o último referendo à descriminalização do aborto. Não é que não houvesse pontes de contacto e compreensão, até porque os nossos procedimentos democráticos estão bem estabelecidos e firmes. Mas para mim, vindo de um meio minoritário, com uma educação familiar muito liberal, aquela outra minoria (muito conservadora, muito religiosa e também ela minoritária) funcionava quase como “estrangeira”, distante em quase todas as minhas referências. Estou seguro que, por mais tolerantes que fossem, eles sentiam o mesmo em relação a mim, pessoa a quem o casamento nada diz, o papel da mulher é outro, a homossexualidade ou bissexualidade são as coisas mais banais do Mundo e a religião é algo de muito distante (não tenho um único crente na família). Não estou, como é evidente, a falar do campo do “sim” ou do “não”, bem mais variados do que isto. Estou a falar das suas franjas (onde me incluo) de culturas e modos de vida que quase não se tocam.

E, no entanto, este exercício de diálogo e compreensão, que vai à nossa própria fronteira à procura de algum ponto de encontro, no fundo da humanidade que a todos nos une, diz-me imenso. É o exercício que temos de fazer com o “estrangeiro”. Com ele aprendemos coisas extraordinárias. A primeira delas: que as motivações do outro são muitas vezes, mesmo que não pareçam, tão generosas como as nossas.

Mas falando com os bassidji, o filme acaba por ser também sobre a vigilância social e cultural repressiva feita por estes grupos. O que é extraordinário é conseguir-se ultrapassar o exotismo da diferença e o julgamento moral demasiado fácil. Isso é que é difícil. Calçarmos os sapatos dos outros, mesmo quando eles são tão desconfortáveis. E é isso que Tamadon tenta fazer.

"Bassidji", Mehran Tamadon, Irão, França, Suiça, 2009, 114'
Próxima exibição: 21 Out, 21h00, Cinema Londres 2


Hasta la Victoria


“Hasta la Victoria” é provavelmente o primeiro documentário que vejo que não é nem contra nem a favor do regime cubano. Melhor: ele até é acima de tudo critico, mas não parte de abstracções ideológicas ou morais. É sobre um casal de médicos. Eles não são da oposição. São apenas dois jovens com vontade de viver de outra forma. Querem fugir. Ela consegue, ele não. E o filme é um conjunto de “cartas-vídeo” entre os dois, marcados pelas saudades, pelo fascínio crítico por um Mundo desconhecido e pelo desespero da claustrofobia. O fim não vos conto.

O que impressiona é a lucidez quase ingénua dos dois protagonistas. Que, como explica o rapaz, viver no socialismo é como ter 30 anos e ficar em casa dos pais. Eles dão-nos o essencial (educação, saúde, etc.) e não percebem porque havemos nós de querer sair de casa. Nós queremos conquistar as coisas e não que elas nos sejam dadas. "Ser a flecha e não o alvo". É sobre o valor da liberdade que eles falam. É por isso mentira quando se diz, noutro documentário de que falo mais abaixo, que ninguém come liberdade. Como se pode ver neste documentário, a sua falta sente-se como a sede e a fome. E sente-se ainda mais quando nos dão a possibilidade de estudar e sonhar com mais. Como eles dizem, de que serve aprender a ler se tantos livros nos estão vedados?

Os dois não deixam, no entanto, perante a experiência da mulher e os vídeos que ela vai enviando, de estranhar o desperdício e a frieza da vida na Suíça. E a dada altura ele diz uma coisa que pode ficar como reflexão: as ditaduras de direita são fáceis de combater. Elas quase só reprimem, e reprimem a maioria das pessoas. As de esquerda dão mais e a repressão dirige-se sobretudo às minorias sociais. São por isso muito mais resistentes.

"Hasta la Victoria", Chris Guidotti, Matteo Besomi, Suiça, 2009, 85'

Behid the Rainbow




Já tinha visto dois documentários de Jihan El-Tahri (“A Casa de Saud” e “Cuba, Une Odysée Africaine”), e agora até pude conversar um pouco com a realizadora sobre estes dois filmes. “Behid the Rainbow” segue a linha dos anteriores: muita informação, muitos depoimentos, mais jornalismo do que cinema e nenhuma cedência à emoção fácil. O mesmo rigor. É sobre o período de transição na África do Sul e pretende ser também uma metáfora para a política africana. Nele se relatam os conflitos e tensões no interior do ANC, que ficaram claros com a vtória da Zuma, desmontando o “conto de fadas” que a Europa quer ali encontrar.

Para lá do fim do Apartheid, o que sobra das aspirações sociais dos sul-africanos? O que fez Mandela, a quem El-Tahri parece acusar de demissão e de cumprir quase exclusivamente um papel honorário, em todo este processo? Que preço pagou a África do Sul, as suas instituições e a democracia, para garantir a apaziguamento com a elite branca? Que cultura dirigente fabricou a clandestinidade e o exílio? E o que é que isso tem a ver com a corrupção? Mas, acima de tudo, o que significou o mandato de Thabo Mbeki e a sua derrota para Jacob Zuma? Quais os riscos de um sistema partidário em que apenas um partido pode ambicionar a vitória e em que é no seu interior que decidem todas as disputas de liderança?

O filme é de tal forma denso e contraditório, sério e sem respostas fechadas, que não as vou dar eu aqui. Apenas reforço uma ideia: ao olhar para a África do Sul teimamos em ficar pela mera questão racial. Esquecendo que ali, como aqui, as tensões politicas, os problemas sociais e as diferentes formas de ver o papel do mercado e do Estado também contam. Ali, a política e a vida continuou depois do fim do sistema de segregação racial. E depois da história bonita de Mandela.

Behind the Rainbow, Jihan El-Tahri, Fraça, África do Sul, 2009, 138'
Próxima exibição: 20 Out, 22h30, Cinema Londres 1


MGM Sarajevo: Man, God, Monster



“MGM Sarajevo: Man, God, Monster” é um murro no estômago. Um diário de guerra, pela voz de gente banal. Um soldado criminoso que espera pela sua execução, um grupo de actores que, com Susan Sontag, ensaia “À Espera de Godot”, enquanto luta pelas mais pequenas coisas, como a água ou a luz. Tirando uma ou outra excepção, as imagens nem são especialmente impressionantes. É o quotidiano da guerra que se torna terrivelmente opressivo. É a sua absoluta irracionalidade, que faz o homem recuar no tempo e na civilização, que nos deixa agoniados. A guerra, sem banda sonora nem acção, crua e fria.

MGM Sarajevo: Man, Good, Monster, Colectivo SAGA, Bósnia-Herzgovina, 1994, 45'

Petition



Ver excertos aqui



"Petition" é, até agora, um dos melhores documentários que vi neste Doc. Como instância de recurso contra as arbitrariedades do poder local, a ditadura chinesa criou uma instituição: a petição. Uma fantasia. Pior: uma ratoeira. Aqueles que resolvem denunciar os abusos do poder acabam envolvidos em processos kafkianos, internados em instituições psiquiátricas, banidos das suas aldeias, espoliados de todos os seus bens, presos, mortos. E é a saga desta gente, que de repente não tem nada a perder e vagueia por Pequim à espera do fim – uns sonhando com um momento de justiça que nunca chegará, outros esperando apenas a morte – que este magnifico filme relata. Gente de uma coragem (ou será apenas desespero?) imensa. O filme acaba com o começo dos Jogos Olímpicos, quando estes inadaptados a um sistema burocrático e corrupto são expulsos da cidade. Esse momento em que o Mundo todo se tornou cúmplice da maior e mais poderosa ditadura do Planeta.

Petition, Zhao Linag, França, China, 2009, 123'

Black Business


Apesar de ter algumas pontes com o documentário anterior (a arbitrariedade do poder), “Black Business” dá-nos alguns sinais de reflexão, com muitas e devidas diferenças, para alguns debates que aqui costumamos ter. É a história de uma unidade contra o banditismo que, na cidade de Douala (Camarões), teve direito a poderes sem limites. Executou, sem julgamento, mais de mil pessoas, muitas delas inocentes, apenas acusadas por vizinhos. Apesar da chacina, apenas uma pequena minoria continua a bater-se por justiça. No fim, depois de todas as descrições de horror, como uma estalada que nos faz acordar, o realizador recolhe depoimentos de rua. A maioria gostaria de ver essa unidade de novo em acção. E fica a pergunta: diz-se que África não está preparada para a democracia. Estará então preparada para a ditadura?

Black Business, Oslvalde Levat, França, Camarões, 2007, 90'

Dos filmes que já vi, recomendo também uma trilogia sobre um cigano sérvio que tenta emigrar (“Kenedi Goes Back Home”, "Kenedi Lost and Found” e “Kenedi is Getting Married”) e um belíssimo filme sobre uma escola na Argélia (“China is Still Far”) que consegue levantar, a partir dali, quase todas as questões difíceis que hoje se põem aos países do Norte de África.

Continuarei noutro dia o relato de mais um exclente DocLisboa.

por Daniel Oliveira
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por Pedro Vieira


© rabiscos vieira



a propósito do lançamento do Caim, Saramago malha na bíblia para atingir de tabela a Igreja, sing me something new (caralho, é preciso audácia para glosar um disco do narcótico david fonseca num post sobre o nosso prémio nobel, mas o david tem direito à vidinha, afinal leiria não é só castelos, isabel damasceno e um estádio com bolor), digamos então que o Saramago também tem direito à opinião, e há que dar o desconto a um ancião que vive enfiado há anos num aglomerado de calhaus vulcânicos com praias piores do que o eixo esposende-apúlia, e nem estou a ser condescendente, adoro-lhe os livros, deploro-lhe a tendência para as declarações públicas, mas enfim, caiu-lhe no goto o espicaçar e as madalenas vão atrás, umas bradam contra a ignorância, outras contra a má-educação e as mais equivocadas censuram-lhe o golpe publicitário em favor das vendas, como se o tipo precisasse de campanhas extra para vender a rodos, não é preciso ser um gajo do ramo para saber que os livros do bicho são best-sellers por natureza há anos a fio, o que se passa é que ele tem a língua solta e quanto mais velho mais impune, acontece a todos, do patriarca dos simpsons aos cotas de jardim, aliás, quando li as declarações em forma de bulldozer do José lembrei-me até de um casamento a que fui aqui há um ror de anos, na igreja da pontinha. Um calor dos diabos, os noivos nas assinaturas e o povoléu à saída, à espera de bradar um viva os noivos acompanhado da clássica chuva de arroz carolino, e o casalinho que nunca mais saía, e uma convidada septuagenária que se toma de impaciências, e os ares da pontinha que são propícios à maluqueira, e quando eles finalmente assolam à soleira da porta da igreja, dois segundos antes de se passearem entre a turba, a velha dá o passo em frente, sozinha contra todos num espectacular gesto de antecipação, e assesta-lhes com o arroz nas fuças, tem idade para fazer o que quer, para ser impune, para desconcertar os noivos, o patriarca de lisboa e o líder da comunidade judaica, os crentes e os que não gostam de troglodices, mesmo que caucionadas pela academia sueca. Dizer que a bíblia é uma farsa cruel aquece pouco, arrefece ainda menos, é tão relevante como uma chuvinha de Cigala antes do copo de água, deixem lá o Saramago brincar aos bagos. O que importa é que se este Caim chegar aos calcanhares do elefante Salomão já não será mau, graças a deus. Ou não.

em stereo



por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira


por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009
por Pedro Sales



A ideia que serve de premissa a Interview Project, coordenado por David Linch, é simples. Todas as pessoas têm uma história que merece ser contada e escutada. Ao longo de 121 pequenos documentários, de três a cinco minutos, Lynch entrevista sem guião prévio os cidadãos anónimos do interior da América escolhidos ao acaso pela sua equipa. O projecto demorou 70 dias a filmar, percorrendo milhares de quilómetros num sem número de estados, e tem vindo a ser publicado na net à razão de uma entrevista a cada três dias (a última será publicada em Junho de 2010).

Individualmente falando, o resultado de cada pequena peça consegue variar entre o divertido, o desconcertante, o comovente e, não raras vezes, trágico (como é o caso de Lynn). Mas é o efeito de conjunto de Interview Project que o torna ainda mais interessante, oferecendo um mosaico variado e um retrato do cidadão comum que é raro encontrar em projectos supostamente mais ambiciosos. Não por acaso, a maioria dos entrevistados parece sair dos papeis  secundários de straigh story, mas isso só reforça o interesse de Interview Project. "What I hope people will get out of Interview Project is the chance to meet these people. It's something that's human, and you can't stay away from it", diz David Lynch no vídeo que serve de apresentação às entrevistas. Tem razão.


por Pedro Sales
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por Daniel Oliveira
Pragmatismo a mais é falta de princípios, pragmatismo a menos é falta de bom senso. Os eleitores não têm sempre razão. Mas uma coisa é certa: nenhuma direcção partidária é dona dos votos. Daqueles que em Braga, sendo de esquerda, votaram no PSD, que em Sines se estiveram nas tintas para as confianças políticas do PCP, que em Oeiras passaram ao lado da ética pública e que em Lisboa explicaram ao Bloco que não gostaram da sua falta de flexibilidade política. Ao contrário do que muitos pensam, Portugal já não é uma partidocracia. Para o mal e para o bem, é mesmo uma democracia.

Ler texto completo e comentar no "Expresso"

por Daniel Oliveira
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