Domingo, 31 de Janeiro de 2010
por Daniel Oliveira
Países que têm mais despesa pública e mais receita fiscal (em relação ao PIB) na Europa: Suécia, Dinamarca, França, Finlândia, Bélgica. Países que têm menos receita mas poupam na despesa: Roménia, Bulgária, Eslováquia, Lituânia, Malta. Ler o post completo aqui.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira


É verdade que proibimos coisas e limitamos liberdades individuais a bem de uma ideia de "bem comum" (termo que nunca gostei). É verdade que, como diz Miguel Serras Pereira (que insiste na questão religiosa, que é aqui, por razões históricas e políticas que deixarei para outro debate, secundária), podemos falar de uma “servidão voluntária”.

Mas sobre este assunto gostaria de deixar apenas dois argumentos. O primeiro é simples: a fronteira da intervenção do Estado e do colectivo sobre o indivíduo acaba sempre no corpo do outro. Quem se lembra de alguns debates sobre o aborto terá facilidade em compreender o que estou a dizer. Têm razão os que dizem que o rosto é, nas sociedades ocidentais, um elemento central da identidade individual. E não apenas na sociedade ocidental. Mas é exactamente por isso que ele é também o domínio absoluto da nossa liberdade. E por isso mesmo é tão perigoso dar ao Estado o direito qualquer tipo de tutela nessa matéria.

Fica o problema da "servidão voluntária", que é, reconheço com facilidade, a melhor forma de pôr a questão. Começando por dizer que ela está longe de ser um exclusivo da mulher e da mulher muçulmana (falemos, só como exemplos próximos, do voto de silêncio ou de clausura de algumas ordens religiosas). O problema é que, como aqui já escrevi, apenas pedimos à mulher muçulmana que aceite que em vez do seu marido seja o Estado a decidir por ela. A servidão continua lá. Talvez ainda menos voluntária, apenas. E legitimada pela lei.

Continuar a ler no link em baixo.

Não escondo que o problema não é fácil. Ele não é novo nem nasceu com as mulheres muçulmanas. Ele existiu com as mulheres europeias e ainda existe entre muitas. Ele existiu e existe com quase todos os grupos oprimidos na nossa sociedade. E há duas formas de gerirmos o problema. A democrática e a outra. A outra determina que a mulher é incapaz de conquistar a sua própria liberdade. Nem discuto aqui, porque já discuti, o paternalismo da coisa quando estamos a falar de direitos individuais. Acrescento apenas que tendo em conta o pormenor de legislarmos para uma "comunidade" específica a medida torna-se ainda mais contraproducente.

A democrática é a que me parece eficaz. Ela é mesmo a única que não desiste dos valores que diz defender. Acredita mesmo que a liberdade tem a capacidade de se impor pelas suas qualidades. Procura aliadas na própria comunidade (e recordo que a maioria das feministas muçulmanas que tenho ouvido e lido são contra este tipo de legislação, que tende a usar os direitos das mulheres como argumentos para guerras religiosas, dando armas tremendamente eficazes ao machismo dominante entre os muçulmanos), assumindo que os símbolos representam uma realidade social determinada e que de pouco vale atacar os símbolos sem que essa realidade se altere. Eu consigo imaginar o que esta guerra estéril fará de mal à progressão dos direitos das mulheres muçulmanas. Alguém me consegue dizer o que mudará de positivo nas condições reais de autonomia daquelas mulheres?

Dirão que aquilo a que assistimos é a um crescente número de mulheres muçulmanas a usar véu (ao qual não dou qualquer importância simbólica) e véu integral. Aqui o número não é irrelevante – 1.900 mulheres em três milhões diz-nos, apesar de tudo, qualquer coisa sobre a dimensão marginal do problema em comparação com a centralidade que lhe é dada no plano político. Nesta matéria, estou seguro de uma coisa: a imposição legal tem um efeito perverso. Exactamente porque transforma aquele símbolo no que ele nunca poderia ser: numa afirmação de identidade cultural, e por isso de autonomia e de liberdade perante a autoridade do outro. Quem paga esta luta de galos identitários?

O problema de algumas feministas – poucas, felizmente – e gente “progressista” terem escolhido este campo de batalha não é apenas nem especialmente as péssimas companhias que encontram no caminho. De más companhias ninguém se safa. É as péssimas companhias em que põem aqueles e aquelas que do outro lado tentam bater-se, simultaneamente, pela liberdade de serem quem são (não aceitando imposições de supostas superioridades culturais) e pela liberdade das mulheres. Ou seja, põem aqueles que, entre os muçulmanos, defendem a autodeterminação dos indivíduos numa situação insustentável de isolamento político e social nas suas próprias comunidades. Contribuem, objectivamente, para a legitimação do machismo. De duas formas: retirando àquelas mulheres o poder delas próprias, com a solidariedade que merecem, encontrarem os seus caminhos de libertação, e legitimando o machismo como forma de afirmação cultural dos muçulmanos. Tudo errado, portanto.

Nem nos países que fizeram a ocidentalização à força da bastonada e que tantas vezes são dados como exemplo estes símbolos foram destruídos. Pelo contrário, eles hoje são muitos vezes usados como afirmação de resistência a imposições totalitárias. Em democracia, que é como queremos viver, tudo demora mais tempo. Faz-se aos poucos. Escolhendo os aliados certos. E nunca desistindo da verdadeira autodeterminação do outro, que por assim se chamar só pode partir mesmo dele (ou dela). No fim, de pouco serve se a mulher deixa de usar o véu se dela não foi a decisão de o fazer. Acaba-se com o símbolo, agrava-se o problema. Bem sei que olhos não vêem, coração não sente. Mas o problema continuará lá. E no caminho abrimos perigosos precedentes e ficámos ainda mais longe do que queríamos.

por Daniel Oliveira
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por João Rodrigues


A Comissão Nacional Justiça e Paz é uma organização católica que “tem a finalidade genérica de promover e defender a Justiça e a Paz, à luz do Evangelho e da Doutrina Social da Igreja”. O seu grupo de trabalho “Economia e Sociedade”, dinamizado pela economista Manuela Silva, uma referência para os que acham que a economia deve estar subordinada a fins genuinamente humanos, tem organizado uma série de seminários e de encontros de reflexão.

O próximo é no dia 4 de Fevereiro às 17h30: “A caminho de uma nova ordem económica?” José Castro Caldas, Mário Murteira e José Manuel Pureza são os oradores. Manuela Silva modera. O seminário decorrerá na Sala de Conferências da Estação do Metropolitano do Alto dos Moinhos em Lisboa.

Acho que doutrina social da igreja continua a oferecer recursos para pensar criticamente a economia e as transformações necessárias para a tornar mais solidária. Basta ler última Encíclica Papal - Caridade na Verdade -, um documento que merece ser amplamente discutido, em especial os capítulos que se debruçam sobre a chamada “ecologia moral dos mercados” e de outras formas de provisão.

[Publicado, em simultâneo, no Ladrões de Bicicletas]

por João Rodrigues
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Sábado, 30 de Janeiro de 2010
por Pedro Vieira
esta semana li na Newsweek que Portugal é o 3º país do mundo com maior desigualdade e fiquei admirado

Vicente Jorge Silva à SIC Notícias



por Pedro Vieira
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por Bruno Sena Martins
[caption id="" align="alignnone" width="485" caption="foto Joana Bourgard/jn"][/caption]

Poucos minutos depois do primeiro jogo oficial de Rúben Micael pelo FCP para o campeonato nacional português (aka Liga Sagres), estou condições de vos garantir: está encontrado o sucessor de Deco para a selecção nacional  - sei que Micael tem características diferentes das de Deco, mas acreditem que não trafico com boutades em temas tão sensíveis.

Mais um problema nacional resolvido pelo clube da região norte.

por Bruno Sena Martins
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por Daniel Oliveira
"Haverá mulheres que as usam [o véu integral] livremente? Sim, umas porque não conhecem alternativa e outras porque são soldados conscientes do islamismo integrista. Às primeiras, devemos explicar que na Europa as mulheres são livres e iguais em direitos aos homens."

Melhor ainda: "Serão realmente livres as mulheres que usam o véu? Serão realmente mulheres que tomam a pílula, vão para casa e põem os maridos a lavar a louça, que os metem em tribunal quando eles as violentam? Mulheres que têm relações sexuais antes ou até «ao lado» do matrimónio? E, se assim é, porque será que sentem necessidade de usar a burca?"

O Ricardo Alves já tem todo um programa para a liberdade das mulheres. É só perguntarem-lhe e seguirem o guião. Ele sabe o que elas devem ser. A opinião de cada uma delas? Julgam que são o quê para decidirem se só querem fazer sexo depois e dentro do casamento? Para decidirem que não tomam a pílula? Para decidirem que lavam a louça? Para decidirem, veja-se lá, que na cozinha só elas é que entram? Liberdade, tudo bem. Mas vontade própria? Não queremos mulheres livres. Queremos mulheres como as que gostamos. E só essas. E se não for assim fazemos queixa à DECO.

A violência doméstica é, como é evidente, outra coisa. Apenas porque não aceitamos o direito de ninguém espancar ninguém, seja homem ou mulher. Já o direito a não tomar a pílula, enrrolar-se quando querem e com quem querem e até de serem insuportavelmente conservadoras, se não é constitucional devia ser.´

Através do Jugular, este excelente post da Segunda Língua: "Malak Hifni Nassef (1886 - 1918), feminista egípcia, dizia a propósito do livro “Emancipação da Mulher” de Qasim Amin, que se no passado o homem as mandava cobrir o rosto, elas cobriam-no e se agora as mandava descobri-lo, elas descobriam-no, afirmando de seguida que se não havia dúvidas que ele tinha errado contra elas diminuindo os seus direitos no passado, errava agora também diminuindo os seus direitos no presente. A decisão de tirar ou pôr nunca era delas." A questão é saber, digo agora eu, se para lutar contra um símbolo de subjugação da mulher estamos dispostos a subjugar a sua vontade. Se para combater o símbolo repetimos o que ele simboliza.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Depois de 15 dias de intervalo, continua o doc à 6ª, desta vez, excepcionalmente, ao sábado. O 15º episódio de "Guerra Fria" é sobre a China.



Episódios anteriores:
1: Camaradas 1917-1945 ; 2: o Cortina de Ferro 1945-1947; 3: Plano Marshall 1947-1952; 4: Berlim 1948-1949; 5: Coreia 1949-1953; 6: Reds 1947-1953; 7: Depois de Estaline 1953-1956; 8: Sputnik 1949-1961; 9: O Muro 1958-1963: 10: Cuba 1959-1962; 11: Vietname 1954-1968, 12: M.A.D. 1960-1972: 13: Make Love Not War 60's; 14: Red Spring 60's

por Daniel Oliveira
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por Pedro Sales

por Pedro Sales
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por João Rodrigues
Vale a pena ler a entrevista que o Nuno Teles, economista e co-autor do Ladrões de Bicicletas, deu ao esquerda.net: desemprego, salários e política económica para vencer a crise. Para lá da economia-2012 que quase monopoliza o debate público.

por João Rodrigues
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por João Rodrigues


Perante as sugestões de João Cardoso Rosas para se alcançar uma maior justiça fiscal, jcd fez um comentário esclarecedor, que se resume a uma chantagem limitadora da democracia. Como sublinhou o filósofo G. A. Cohen, esta ameaça de fuga dos capitais e dos “talentosos” geralmente nunca é feita na primeira pessoa do singular – se me subirem os impostos, eu vou para outro sítio –, o que pode indicar a sua dúbia natureza moral. De qualquer forma, será que esta ameaça é para ser levada a sério? Depende.

Não: as reformas fiscais propostas estão na linha das melhores práticas entre os países desenvolvidos e, de qualquer forma, existem, e existirão sempre, muitas "fricções" à mobilidade de capitais. Além disso, o sistema fiscal não é, longe disso, o único elemento que orienta as decisões de investimento e de poupança. 

Sim: a verdade é que a instituição política da mobilidade mais ou menos ilimitada de capitais, que vem dos anos oitenta e que tem tido péssimos resultados socioeconómicos, incrementou a credibilidade da chantagem e é por isso que temos assistido a uma corrida para o fundo na progressividade dos sistemas fiscais e na tributação dos activos. Esta não é tão pronunciada como se possa pensar, mas é real.

Que fazer? Vejo duas orientações que se podem complementar: reintroduzir controlos de capitais e taxas que penalizem a fuga, de forma coordenada à escala europeia, e caminhar para uma uniformização da fiscalidade europeia. Pesadas tarefas. Tarefas necessárias para que a discussão e a troca de argumentos democráticos não sejam tão pervertidas pela chantagem do capital e dos seus ideólogos. Estes nunca esconderam o seu desdém pela democracia: sabemos que quanto mais democráticos são os países, maior é a carga fiscal, menores são as desigualdades e mais activa é a participação cívica.

por João Rodrigues
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por Sérgio Lavos


John Carlin, autor do livro a partir do qual foi feito Invictus, afirmou numa entrevista que a melhor época e lugar para um jornalista trabalhar foram os anos 90, na África do Sul. Quando regressou a Washington, apanhou com o escândalo Clinton/Monica Lewinski, depois de ter testemunhado o fim do apartheid e a reconciliação nacional encetada por Nelson Mandela. Numa época de descrédito geral dos políticos, Mandela continua a ser um exemplo certamente digno de inveja por parte de quem tem boas intenções e de vergonha por parte dos outros.

Clint Eastwood viu em Mandela mais um dos seus heróis solitários, de ideias fixas, casmurros que acabam por provar estar certos no fim. O filme , apesar de resvalar aqui e ali para o mau gosto - as câmaras lentas, a banda-sonora discutível, as panorâmicas sobre os bairros de lata de Joanesburgo - é um hino ao extraordinário percurso do político mais marcante da segunda metade do século XX, uma figura maior que a vida que pedia nada menos que a hagiografia que o realizador lhe dedica. Mas é também a história pessoal da relação do político com o outro herói do filme, o capitão dos Springboks, François Pienaar (Matt Damon), que no final do jogo acaba por ter uma daquelas frases grandiosas que julgamos serem exclusivas da ficção - "não eram 65000, mas sim 43 milhões de sul-africanos a apoiar-nos".

A unidade temporal - um ano apenas - que acaba por concentrar toda as circunstâncias de uma vida, é o segredo do filme: o encarceramento de trinta anos, a libertação, a vitória nas eleições, o respeito da minoria branca, antigos opressores aceites na nova África do Sul, país do arco-íris. O desporto, em especial os grandes acontecimentos desportivos, ultrapassa em muito o seu universo; várias vezes Mandela (grande Morgan Freeman) repete que o interesse mostrado pelo acontecimento é político. Quando chegamos aos derradeiros jogos, o torneio transforma-se em batalha - a vontade dos guerreiros, o suor, o sangue, a superação. Os planos aproximados captando as formações no campo de rugby descrevem em tons heróicos o esforço dos jogadores, e por momentos estamos num filme de guerra, em pleno combate.

Luta contra a adversidade, superação: o território preferido de Clint Eastwood, a sua linguagem. O filme não é perfeito - é melhor do que outro qualquer faria com a mesma história.

por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010
por Pedro Sales


Cavaco Silva convoca Conselho de Estado sobre novo quadro parlamentar.

por Pedro Sales
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por Daniel Oliveira
"Aquilo que o país precisa neste momento não é de políticos, é de estadistas", disse Manuela Ferreira Leite para explicar a viabilização do Orçamento de Estado. É extraordinário o subtexto que se esconde em algumas frases de circunstância. Antes de tudo, Ferreira Leite comete o erro suicida do populismo: associar a sua própria actividade - a política - a algo de negativo e estéril.

Mas muito mais grave: da frase retira-se que, sendo os políticos os que discutem, confrontam e debatem alternativas – querem, pecado dos pecados, votos – são dispensáveis. Os Estadistas, sendo o consenso e a anulação da diferença, é que são necessários. A frase é, na realidade, um excelente retrato da falta de maturidade democrática de um país que viveu meio século com "um Estadista". A desconfiança perante o que de mais substancial existe na democracia. A afirmação de que o confronto político de alternativas tantas vezes inconciliáveis é uma pura perda de tempo. Na verdade, Ferreira Leite e Cavaco Silva, que nesta matéria seguem a mesma partitura, são os fieis representantes do atraso democrático português.

por Daniel Oliveira
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por Pedro Sales


A forma expedita como o responsável pelo Observatório da Segurança se apressou a refutar as preocupações da Comissão Nacional de Protecção de Dados, defendendo que - em nome do combate ao “crescente sentimento de insegurança” - devemos estar preparados para aceitar a presença cada vez mais visível de mecanismos de vigilância, são o mais preocupante sinal do acerto das declarações desta Comissão sobre a crescente intromissão na privacidade dos cidadãos.

Para lá da chantagem do costume, de quem nos garante que a única forma do Estado garantir a segurança colectiva passa pela crescente delegação de informação que sempre pensámos pertencer ao nosso direito à imagem e privacidade, vale a pena verificar que estes mecanismos nem sequer garantem a eficácia que os seus defensores alegam, como se pode ver aqui, aqui e aqui.

por Pedro Sales
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por Daniel Oliveira


O PSD é contra o despesismo. Não, o PSD é contra o despesismo se a despesa não for dele. Na Madeira, onde um homem mantém o maior partido da oposição e o país refém dos seus caprichos, o PSD acha que se deve gastar sem grandes limites. E é isso que propõe ao país.

É verdade que a lei das finanças regionais tem uma injustiça: contar no seu PIB com os dinheiros de um offshore que nada dá à Madeira em emprego, receitas ou impulso à economia. Porque existe, então? Vão perguntar a quem o mantém. Mas o PSD quer mais. Quer, depois de fazer do endividamento o alfa e ómega da política nacional, que a Madeira se possa endividar sem freio. Que a Madeira, com duas ilhas próximas uma da outra, continue a gastar o mesmo ou mais em despesas de funcionamento do que os Açores, com nove ilhas distantes.

Mas apesar de tudo isto, não deixa de ser reveladora a dramatização que o governo faz da Lei das Finanças regionais, lei que tem um efeito orçamental marginal. Não se limita a apresentar argumentos, como seria normal. Faz uma chantagem extraordinária, como se a estabilidade política estivesse em jogo de cada vez que a vontade do PS, que não tem maioria, é contrariada.

Aprovado que está o seu orçamento, sem nenhuma concessão de monta da qual se possa queixar, este episódio revela, em toda a sua crueza, a estratégia de José Sócrates para os próximos tempos: usar a sua minoria e a eventualidade da queda do governo como uma espada de Dâmocles sobre o país. A culpa, na verdade, é do PSD. Sem liderança e em autogestão, não assusta os socialistas. E enquanto isto durar podem continuar a fazer o jogo do "agarrem-me, senão eu caio". Governar com sentido de responsabilidade e negociando, como tem de fazer qualquer governo em minoria, com os outros partidos? Só em versão encenada. E sempre contrariado. Acabado de sair das urnas, o governo sonha com eleições. E o país fica adiado.

Em stereo com Expresso Online

por Daniel Oliveira
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por João Rodrigues
"Neste OE, a tributação dos prémios dos gestores tem um valor simbólico e moralizador, mas não mais do que isso. Muito mais importante seria a penalização fiscal de rendimentos especialmente elevados, a eventual tributação das mais-valias bolsistas ou a introdução de um imposto sobre as heranças (a sua inexistência é um absurdo, como tem defendido Warren Buffet). Porém, sobre o papel da justiça fiscal no combate às desigualdades, o Orçamento do Estado é silencioso. Este, como outros problemas estruturais, fica adiado."

João Cardoso Rosas, jornal i.

por João Rodrigues
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por Bruno Sena Martins
"Quando esta manhã Tony Blair entrar no Centro de Conferências Rainha Isabel II, junto ao Parlamento em Londres, ninguém vai lembrar o político que reformou o Labour e conduziu o partido a três vitórias consecutivas, ou o primeiro-ministro que presidiu a um dos períodos mais prósperos da economia britânica. Será o homem que arrastou o Reino Unido para uma guerra que a maioria já então não apoiava e cuja ilegalidade é cada vez mais evidente. À sua espera, terá familiares dos soldados mortos no Iraque e opositores do conflito, para quem a audição de hoje é uma derradeira oportunidade para sentar Blair no banco dos réus."

Deixo-vos em baixo com o discurso de demissão de Robin Cook (1946-2005), de 17 Março de 2003 (merece ser ouvido e re-ouvido). Como muitos se recordarão, Cook demitiu-se demarcando-se do governo de Blair por discordar da invasão do Iraque. Conforme poderão recapitular se tiverem 10 minutos para tal, trata-se de um momento de singular simbolismo histórico não só pelo substantivo da uma decisão cuidadosamente sustentada (a oposição à Guerra do Iraque), mas também pelo que a tomada de posição de Cook representa em termos de compromisso pessoal com uma dimensão ética em política: é essa dimensão que a cada momento define os limites de dissensão comportáveis pela lealdade a um partido, a um governo ou a uma ideologia. Cook já não está entre nós, mas este seu discurso absolutamente profético permanece, porventura,  como o texto mais marcante da contestação à invasão do Iraque.

"A História ficará estupefacta"



Parte 1 (5:47)


Parte 2 (5:48)


Adaptação parcial de um post publicado em 2008 no avatares de um desejo.

por Bruno Sena Martins
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por João Rodrigues


Congelamento dos salários dos funcionários públicos, cortes no investimento público orçamentado, novas privatizações, continuação do aumento do peso dos regressivos impostos indirectos, caso do IVA (isto num país onde o seu peso no total dos impostos arrecadados é dos mais elevados da UE), novo adiamento de promessas eleitorais em matéria de taxação das mais-valias bolsistas. Um orçamento negociado à direita é assim. Um orçamento de uma democracia limitada pela pressão dos mercados financeiros ainda liberalizados é assim. Um orçamento na periferia europeia é assim. Por que é que é assim? Dou a palavra a Joseph Stiglitz, que acabou de publicar um livro sobre as origens intelectuais e políticas da actual crise sistémica, em artigo no The Guardian:

“Se a Europa tivesse um melhor quadro de solidariedade e de estabilização, então os défices na sua periferia podiam ter sido menores e mais fáceis de gerir. As crises económicas têm um maior impacto nas periferias (…) Uma das razões para o sucesso do ‘mercado comum’ norte-americano é a existência de um sentido de coesão social e de um orçamento federal significativo para o suportar: quando uma parte do país tem dificuldades, a despesa federal pode ajudar os que estão com dificuldades.”

O euro, tal como foi instituido, é uma utopia monetária, construída para favorecer políticas liberais e que corre o risco de se autodestruir: uma moeda sem um orçamento central digno desse nome – o orçamento da UE representa menos de 1% do produto – é coisa nunca vista. Os resultados estão à vista e a irresponsabilidade dos dirigentes europeus, que insistem em atiçar os especuladores contra as periferias europeias, também.

Podemos vislumbrar três saídas: (1) criar rapidamente um sistema de apoio às zonas periféricas, o que implica mudar as prioridades do BCE e da Comissão; (2) criar um qualquer mecanismo cambial dual (reintroduzir uma espécie de escudo para as transacções internas e manter o euro para as externas), na linha desta proposta, que tem por objectivo replicar os efeitos de uma desvalorização cambial (haja imaginação…); (3) deixar tudo como está e assistir aos efeitos perversos das políticas de austeridade assimétrica mais ou menos assumidas: cortes na despesa e no investimento públicos, quebra da actividade económica, desindustrialização e crescimento do desemprego, perda de poder de compra dos salários, diminuição das receitas fiscais e assim sucessivamente (até à saída do euro?), ao mesmo tempo que se mantêm os insustentáveis desequilíbrios de que fala o Ricardo (estas coisas têm de ser vistas à escala global).

Enfim, é bom que mais tarde ou mais cedo comecemos a falar em refragmentar, de forma controlada, a economia global, como já aqui defendi. É que isto como está é insustentável. No entanto, os pesados constrangimentos externos, que resultam da configuração neoliberal da economia mundial, não eliminam totalmente as escolhas políticas. Ainda somos uma democracia, uma democracia muito limitada, mas uma democracia.

por João Rodrigues
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por Pedro Sales


Se for Governo, o PS garante que não vai privatizar a ANA, empresa que gere os aeroportos portugueses. A garantia foi dada por Alberto Martins durante um debate na RTPN com os cabeças-de-lista pelo Porto.

http://tv1.rtp.pt/noticias/index.php?t=PS-exclui-privatizacao-da-ANA.rtp&headline=20&visual=9&tm=58&article=277448&videos_page=3

“Vamos avançar com a privatização da ANA que é uma medida que faz parte da construção do novo aeroporto”
Teixeira dos Santos, hoje, na Grande Entrevista

por Pedro Sales
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Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010
por Daniel Oliveira

J. D. Salinger (1919-2010)
PS: Com as devidas desculpas pela repetição. Post simultâneo.

por Daniel Oliveira
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por Pedro Vieira


© rabiscos vieira


O escritor norte-americano J.D. Salinger, autor do clássico "À espera no centeio" ("Catcher in the rye" no título original), morreu hoje, no estado do New Hampshire aos 91 anos.

por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira
"Há duas formas de intervir sobre o défice: Através do aumento da receita ou da diminuição da despesa. O aumento do défice no último ano deu-se essencialmente por via de uma enorme perda de receita fiscal, muito mais do que por despesismo ou por causa de um miserável pacote de investimento público, dos mais baixos da Europa e, mesmo assim, executado em 70%. Por isso, pensar que o ajustamento se poderia fazer unicamente pela despesa é um delírio que só gente insensata ou demagógica poderia alimentar."

José Gusmão, no nosso blogue amigo "Ladrões de Bicicletas", num diário do Orçamento que está a escrever e que podem continuar a acompanhar. Bom para desanuviar dos papagaios do costume.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira


A Apple lançou ontem o seu tablet. Não sendo uma novidade, a sua ligação à maior loja virtual de conteúdos até hoje criada, o iTunes, pode significar um primeiro passo para uma mudança radical nos suportes de media – livros, filmes, jornais, sites. Por ser mais portátil do que os portáteis e mais fácil de usar e ter mais funções do que os telemóveis. Mas, acima de tudo, por se aproximar do formato a que sempre nos habituámos a usar quando lemos.

Não, não venho aqui para fazer publicidade. Steve Jobs tem talento de sobra para o fazer sozinho. O que me interessa aqui é outra coisa: o futuro. Não sendo a panaceia dos media, estes novos suportes são a sua maior oportunidade desde há muito tempo, como percebeu o "The New York Times", que já está em campo. Massacrados pelos novos media, os jornais e as televisões tiveram dificuldade em adaptar-se e vivem a maior crise da sua história. Adaptar-se ao meio e à rede, antes de mais. E adaptar-se ao negócio, depois disso. Se aproveitarem o momento em que o suporte se aproxima da sua natureza, os jornais (mas também as editoras) poderão recuperar algum do tempo perdido.

Não podemos viver sem imprensa. Os sites e blogues feitos por amadores acrescentaram pluralismo, vigilância cidadã e democracia aos media e à política. Mas eles nunca terão os meios, o dinheiro e a organização que o jornalismo de investigação exige. Nem as regras deontológicas a que o jornalismo deveria estar orbigado.

Duas prioridades, então. Antes de mais, fazer, desta vez, uma adaptação mais rápida aos tempos que aí vêm. Não começar, como no passado, pela arrogância e o autismo (quem não se recorda das primeiras reacções à blogosfera e às redes sociais?). Depois, voltar atrás em algumas coisas. Perceber que se a imprensa tradicional servir apenas para umas bocas e tratar de uns fait divers, está condenada. A blogosfera faz o mesmo de forma mais livre. Se não ponderar o que se escreve na ânsia de chegar primeiro, perde a corrida - na rede as coisas já se espalham sem crivo e ainda mais depressa - e a credibilidade. O jornalismo tem de voltar à reportagem e à investigação. Mais mediação e menos directo. Voltar às regras deontológicas e à credibilidade. Dar aquilo que os outros não podem.

Se andarem mais depressa para a frente na adaptação aos novos meios e rapidamente para trás no rigor, talvez ainda se salve uma dos elementos centrais das nossas democracias. Porque em papel ou no iPad!, o jornalismo faz ainda mais falta do que antes.

Em stereo no Expreso Online

por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010
por Pedro Sales



Pequeno clip da Mad TV, gravado em 2006, a gozar com um suposto novo produto da Apple, o iPad. O gozo repete-se hoje. iTampon é 2.º tópico mais comentado no Twitter e as fotomontagens já começaram a circular.


por Pedro Sales
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por Pedro Vieira

© rabiscos vieira



Martin Amis, the novelist known for his outspoken comments, has dismissed the Nobel Prize-winning author JM Coetzee as "having no talent"




por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira


Apresentado há minutos em São Francisco. Desculpem, cada um tem as suas fraquezas. Podem ver mais aqui.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
"É fácil ver que os direitos humanos das mulheres são violados quando um governo exige que cubram o seu corpo e cara num véu integral, como os taliban faziam quando governavam o Afeganistão. Deveria ser igualmente fácil ver essa violação quando uma comissão do Parlamento francês recomenda, como aconteceu esta semana, que se barrasse a entrada de mulheres que usassem esses véus - burka e niqab - em serviços públicos, incluindo escolas, hospitais e transportes públicos. As pessoas devem ser livres de tomar as suas decisões por elas próprias, não por imposição dos governos ou forçadas pela polícia."
"Os taliban aplaudiriam", editorial do New York Times

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
962 471 130 e 925 495 547

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira


O Parlamento francês resolveu nomear uma comissão para debater um magno assunto: o uso de véu integral no espaço público. A coisa é de uma enorme importância. Afinal de contas, o niqab e a burka são usados por menos de duas mil mulheres num total de cinco a seis milhões de muçulmanos. Ou seja, menos de 0,1% das muçulmanas em França.

O conselho parlamentar é o de proibir o uso destas vestimentas em edifícios e transportes públicos. Segundo a comissão, não se pode permitir que as mulheres sejam obrigadas a tapar a cara. Claro que é difícil determinar as que são obrigadas e as que querem mesmo usar a coisa. Por isso, em defesa da liberdade da mulher, o Estado determina o que pode e não pode vestir a mulher.

Não tenho qualquer esperança de que aqueles que se dizem liberais percebam a contradição de defender a liberdade e pôr o Estado a determinar como cada um se pode vestir. Que aqueles que dizem defender a liberdade compreendam que ela nem sempre nos é confortável. Mas espero ao menos que percebam qual é, tendo em conta o reduzidíssimo número de mulheres que em toda a França usa o véu integral, o objectivo desta encenação.

A recente obsessão pelo véu, mesmo quando não é integral - apesar de em versões diferentes também ser comum entre as judias ortodoxas casadas (no caso, o uso de peruca) e, por exemplo, as freiras católicas -, merecia séria psicanálise. Quando da sua glória passada restam pouco mais do que cacos, sobram estas patéticas demonstrações de testosterona para a França e a Europa encontrarem a sua própria identidade. E este é o campo de batalha de políticos que nada têm a fazer pelo seu povo e precisam, como sempre precisaram os medíocres, de perigos externos.

Disse o presidente do Parlamento: "O véu integral representa de uma maneira extraordinária tudo o que a França espontaneamente rejeita". Está quase tudo dito sobre o entendimento que um eleito tem da democracia quando fala de rejeições espontâneas. E explicou: "É a bandeira do integrismo extremista".

É coisa sabida que a simplificação é filha da ignorância - pensa-se que o niqab é anterior ao próprio Islão. Mas não se queixe dos resultados dos seus actos quem faz de uma prática que é excepção entre as mulheres muçulmanas a sua bandeira política pela intolerância. Apenas darão força ao que dizem querer combater. Muito provavelmente muitas muçulmanas que nunca usariam tal coisa terão agora um pouco mais de vontade de o fazer.

A comissão parecia querer ir mais longe e proibir pura e simplesmente o uso do véu em todas as circunstâncias (é provável que o partido de Sarkozy tente chegar aí). Mas tal seria inconstitucional. Contrário, isso sim, aos valores da República. Um ataque a esse valor que eu gostava de acreditar que ainda é europeu: o da liberdade individual. E essa liberdade individual inclui o direito a ser conservador. Posso não gostar. Mas a liberdade dos outros é para isso mesmo: para aquilo que eu não gosto nos outros.

Publicado em stereo no Expresso Online.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira


Os sobreviventes que estavam demasiado fracos para sair do campo de Auschwitz foram encontrados pelas tropas soviéticas há exactamente 65 anos.

por Daniel Oliveira
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por Pedro Sales
"Eu trabalho 24 horas por dia. E de noite, se for preciso, também."

Teixeira dos Santos, na conferência de imprensa de apresentação do OE 2010 (no vídeo da coluna da direita)

por Pedro Sales
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Terça-feira, 26 de Janeiro de 2010
por Sérgio Lavos
Ontem, foi chumbada no Conselho Europeu a proposta para discutir a questão do conflito de interesses de membros da Organização Mundial de Saúde, em concreto a proximidade que alguns têm à indústria farmacêutica que lucrou com a declaração de pandemia da gripe A. Julgo que não se ficará por aqui o esforço dos parlamentares que querem saber as razões que levaram a que dezenas de países gastassem milhões em vacinas e medicamentos anti-virais (em tempos de crise) que acabaram por não ser utilizados.

Mas a questão que temos de colocar é esta: abrirão um dia os telejornais com a notícia da investigação à actuação da OMS neste caso da pseudo-pandemia? Dormiremos mais descansados, então?

(Já agora, será que é possível algum órgão de informação investigar e divulgar o número de pessoas que morreram em Portugal em consequência da gripe sazonal, a partir do momento em que foi declarada a pandemia de gripe A? Não é para isso que também serve o jornalismo?)

por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira


"Há vários anos que há uma pressão sem precedentes sobre Moscovo exigindo a realização de uma parada gay aqui, que só pode ser considerada um acto satanista. Mas não permitimos nem permitiremos semelhante parada"
Iuri Lujkov, presidente da câmara de Moscovo

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
"Portugal comprometeu-se com o Fundo Monetário Internacional (FMI) a emprestar a Angola até 200 milhões de dólares (cerca de 140 milhões de euros) já em 2010, ao abrigo do megaempréstimo no valor de 2,35 mil milhões de euros organizado pelo Fundo à ex-colónia portuguesa e a entrar nos cofres de Luanda já em Março próximo. (...) O crédito obrigará Portugal a endividar-se ainda mais no exterior, num contexto de aumento das taxas de juro, para, por sua vez, emprestar ao Governo de Eduardo dos Santos. (...)

O crédito a Angola destina-se a fazer face ao elevado défice externo do país, neste momento com uma grave crise na balança de pagamentos, provocada por uma forte queda nas exportações de ramas petrolíferas e dos respectivos preços em finais de 2008 e 2009. Uma crise na balança de pagamento que já estava, desde o ano passado, a causar problemas financeiros a algumas empresas que realizam negócios com angolanos."
Aqui

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira

Foi há uma década que o secretário de Estado das Finanças, Ricardo Sá Fernandes, propôs no seu pacote fiscal a tributação das mais-valias bolsistas. O argumento era simples: se a produção paga imposto, se o trabalho paga imposto, se todas as actividades comerciais pagam imposto, se as doações pagam imposto, se a venda de imóveis paga imposto, como raio se justifica que o lucro conseguido pela venda de acções não o pague?

A ameaça veio rápida: Belmiro de Azevedo prometeu debandar para a bolsa holandesa. Ninguém acreditou, mas não foi preciso esperar muito. Uma desculpa mal amanhada - uma frase qualquer sobre o caso Camarate em que Sá Fernandes fora advogado das famílias das vítimas - serviu para mandar borda fora o incómodo secretário de Estado. O pacote fiscal morreu ali e com ele a proposta de acabar com esta excepção difícil de explicar com qualquer argumento moral, económico ou fiscal.

Depois veio o Orçamento Limiano e o pântano e Guterres partiu. Durão Barroso chegou a São Bento e a excepção manteve-se. Um tabu manteve-se intocável, mesmo quando o combate ao défice se dizia desígnio nacional. Sempre que foi ao Parlamento morreu às mãos da maioria.

Voltou o PS. Passaram-se quatro anos. O défice afinal ainda era incomportável. Todos tinham de se sacrificar um pouco. Todos? Não. As mais-valias para acções compradas há mais de um ano continuaram e continuam isentas de qualquer imposto. Nada. Zero. Mesmo sabendo-se que em quase toda a Europa e nos Estados Unidos elas são, como é evidente, tributadas. Que restam poucos países civilizados para onde Belmiro partir. Que só no último ano os 16 principais investidores viram os seus títulos valorizados em 5,3 mil milhões de euros. E que se vendessem o que têm nem um tostão do seu lucro pagaria imposto. E ainda assim nem uma agulha buliu num Estado que teima em financiar-se quase exclusivamente através do esforço dos que trabalham.

Nas últimas eleições o PS voltou a pôr, como ornamento, esta proposta no seu programa eleitoral. Ontem, no programa "Prós e Contras" da RTP, Jorge Lacão confessou, sem se esforçar muito com argumentos aceitáveis, que ainda não é desta. Que é preciso combater o défice, sim. Que todos têm de ajudar, claro. Que por isso não se pode acabar com o Pagamento Especial por Conta, evidentemente. Mas que assustar a bolsa com uma medida que existe em quase toda a Europa é que não pode ser. A bolsa que teve o seu melhor ano dos últimos doze em 2009 é sensível a qualquer contrariedade.

Talvez no dia em que as galinhas tenham dentes o lucro do jogo bolsista se junte ao trabalho, à agricultura, ao comércio, à produção para ajudar às contas públicas. Talvez nessa altura também a banca, que está muitíssimo bem e recomenda-se, pague tanto de IRC como o resto das empresas. Mas isso será na altura em que os nossos governantes peçam realmente sacrifícios a todos. Que palavras como "rigor" e "responsabilidade" queiram realmente dizer alguma coisa.

Até lá, caro leitor, saiba que o seu trabalho, taxado sem apelo nem agravo ao fim de cada mês, tem menos dignidade para o Estado do que a compra e venda acções. A si, não se importa o governo de contrariar. Afinal de contas, dificilmente fará cair um secretário de Estado com a ameaça de abalar para a Holanda.

Em stereo com o Expresso Online

por Daniel Oliveira
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por Bruno Sena Martins
"Viajar de comboio pelo país pode dar muito trabalho e a culpa é da manta de retalhos em que a transportadora ferroviária se transformou. CP Lisboa, CP Porto, CP Regional e CP Longo Curso trabalham com tarifários e horários que nem sempre são integrados."  (Público)

Entre muitas outras coisas, eu gostaria de perceber porque é que a manhosa distribuição de horários me obriga tantas vezes a viajar no Alfa Pendular (mais caro, mais desconfortável, pouco mais rápido), quando até prefiro o Intercidades.

por Bruno Sena Martins
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por Daniel Oliveira
É impressão minha ou esta malta, antes de andar à porrada, faz-se sempre de coxa?

por Daniel Oliveira
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