Quarta-feira, 30 de Junho de 2010
por Sérgio Lavos


Lembrei-me desta música do Bob Dylan ontem à noite, quando pensava no que haveria de escrever sobre a derrota da selecção portuguesa, mas como não tinha qualquer obrigação, deixei para hoje, quando já deixou de ser assunto do dia. A música de Bob Dylan foi o hino informal da selecção de Scolari no Europeu de 2008 e aparecia num anúncio da Galp. Nunca cheguei a perceber por que razão Dylan acedeu a que a música fosse usada para tais fins, mas no fundo quem ficou a ganhar foi a equipa portuguesa - e acabaria por se ficar pelos quartos-de-final*, no fim de contas o nosso lugar natural.

Somos obrigados a ver as coisas de modo realista: uma selecção que joga contra a melhor equipa europeia com uma ala direita composta por Ricardo Costa e Simão está a brincar perigosamente com o destino, neste caso arriscando a eliminação na altura certa. Continuo a achar que tivemos três azares neste campeonato: a lesão de Bosingwa; a lesão de Nani; o carácter de Carlos Queiroz. Sinceramente, e arriscando uma espécie de futurologia retroactiva, não estou a ver Bosingwa a ser ultrapassado cerca de 150 vezes sem fazer uma falta que se visse, como ontem aconteceu com Costa. O rapaz não tem culpa, de resto, visto que nem Ronaldo nem Simão tiveram um treinador que os obrigasse a descer e a ajudar o defesa direito. Relembremos: Carlos Queiroz teve noventa minutos para fazer qualquer coisa em relação à permanente ameaça de um Villa encostado à esquerda. Duvido que tenha sequer percebido a natureza da ameaça. Um defesa apenas seria sempre insuficiente; um Ricardo Costa foi um convite à miséria. Não interessa que o árbitro fosse hispânico ou o ridículo que é comparar os dois pontas-de-lança que levámos (Hugo Almeida e Liedson) com os das outras equipas de topo (Villa, Torres, Higuain, Tevez, Milito, Aguero, Klose, Cacau, Luís Fabiano, Van Persie, Fórlan, Suarez), por muito que nos custe ver Almeida falhar um centro milimétrico de Meireles na primeira parte. As insuficiências individuais e o egoísmo desvairado de Ronaldo poderiam ter sido mitigados se Queiroz soubesse como aplicar de forma competente a lição de Mourinho perante o Barcelona. Já que jogámos à defesa, então era preciso ter sido levado a sério o empreendimento. Mourinho, quando hoje falou do empenhamento defensivo de Eto'o em comparação com o desacerto de Simão, disse tudo. Queiroz quis defender com jogadores que, ou não o sabem fazer, ou não estão para aí virados, até porque já se percebeu que não existe qualquer empatia entre o treinador e os homens que dirige. E, consequentemente, falhou. O que mais doeu foi ter falhado frente uma equipa que joga bem mas é entediadamente previsível, ainda mais do que o Barcelona. Podem ser campeões do mundo, há piores destinos, mas apenas se não apanharem a Alemanha pela frente. Não estou a ver o tiki-taka a não ser dominado pelo estilo atacante e imprevisível da Mannschaft.

Agora que chegámos ao campeonato a sério e os adeptos sazonais dos grandes campeonatos de selecções vão deixar de incomodar, desfrutemos do que resta como deveria sempre ser, sem qualquer tipo de ansiedade patriótica ou outra fraqueza do género; futebol sem espinhas.

*corrigido.

por Sérgio Lavos
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por Arrastão
Na coluna do lado volta a estar o inquérito para saber quem será o campeão do Mundial. Foram retirados os eliminados, mas ficaram os restantes com a votação que tinham até agora. Mas quem votou no inquérito anterior pode voltar a votar.

por Arrastão
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por Daniel Oliveira
A maldita golden share, que era o pecado dos pecados, foi usada para impedir que a maior empresa portuguesa perdesse o seu principal activo. Ainda bem. Mas quero ouvir os liberais defender que o Estado devia ter ficado quieto. Ninguém quer o Estado. Até ao dia que precisa do Estado. Mas, sendo sincero, há também os coerentes: como bons dogmáticos, sonhando com a utopia neoliberal, defendem a terra queimada para a construção de um Novo Mundo.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira


Há uma minoria que não gosta de futebol. Para essa minoria, mesmo que não o digam, a derrota de ontem foi uma boa notícia. Eu compreendo-os. Nada mais desesperante do que ver um país parado, excitado, obcecado, vidrado com uma coisa que não nos interessa. Liga-se a televisão e é Mundial. Muda-se de canal e é Mundial. Vai-se ao café e é do Mundial que se fala. Chega-se ao emprego e o Mundial é o tema de conversa.

Compreendo esta angústia do português solitário que não gosta de bola. O pior é quando se começa a racionalizar a coisa.

Racionalizar a nossa entrega à selecção e a nossa depressão com a sua eliminação é estúpido. Diz-se que as vitórias dão bom nome ao País. É verdade que não fez mal ao ego nacional ver os títulos dos jornais internacionais depois da goleada com a Coreia, em tudo diferentes das referências habituais dos jornais económicos a Portugal. Mas os bons resultados futebolísticos não têm qualquer efeito na imagem do País. Diz-se que mostram que somos capazes do melhor. Não mostram coisa nenhuma, porque uma selecção não é retrato de um País. Nem a França é a tragédia que foi a sua selecção, nem a Argentina tem o génio da sua equipa. Diz-se que ajuda a unir o País. É uma falsa unidade em torno de um objectivo demasiado simples para contar: ganhar um jogo, depois outro, depois outro.

Mas racionalizar o desprezo pelo futebol não é melhor. O mais comum é criticar a alienação a que o povo se entrega enquanto o País se desmorona. E é aí que eu perco a compostura. Esta ideia bem portuguesa de que quando tudo está mal nos devemos entregar à depressão colectiva é absurda. Como se ela resolvesse alguma coisa. Como se a alegria fosse um crime de lesa Pátria. Uma irresponsabilidade.

Desde que nasci que vivo em crise quase permanente. A palavra já quase se limita a traduzir a normalidade. E, no entanto, durante estas crises cíclicas fui-me divertindo. Num País onde grande parte dos portugueses vive mal, há alguns luxos que não se dispensam. As pequenas alegrias inconsequentes são um deles. Chamem-lhe alienação, se quiserem. Mas sabe bem. E para quem quase tudo é mau, umas coisas saberem bem de vez em quando não há de ser um crime. O intervalo da depressão nacional podia bem ter durado mais uma semana.

Publicado no Expresso Online

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira


Apesar de em quase todos os jogos o público ter escolhido Cristiano Ronaldo como homem do jogo - suponho que assim seria mesmo que tivesse ficado no banco -, é justo dizer que neste campeonato a selecção teve duas estrelas: Fábio Coentrão e Eduardo.

por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 29 de Junho de 2010
por Daniel Oliveira
Segundo um estudo realizado por sociólogos do ISCTE, vinte por cento dos portugueses estão abaixo do limiar de pobreza. Ou seja, não conseguem garantir o mínimo das necessidades familiares. Se não fossem as ajudas do Estado este número passaria para os 40%.

31% das famílias estão no escalão imediatamente acima do limiar de pobreza - ganham entre 379 e 799 euros. 21% não têm qualquer margem para qualquer despesa inesperada. 12% não conseguem comprar os medicamentos que precisam. Muitos deles, apesar de terem mais qualificações do que os seus pais, vivem pior do que eles. 35% vivem confrontadas com situações frequentes de escassez, o que inclui a impossibilidade de aquecer a casa ou de usufruir de baixas médicas para não perder rendimentos. 57% vivem com um orçamento familiar abaixo dos 900 euros.

Este povo pobre desconfia dos outros, desconfia do poder (70%), não está satisfeito com as suas condições de vida mas, extraordinariamente, considera-se feliz. Mais de um terço dos insatisfeitos diz que nada faz para mudar de emprego, 63% recusa a possibilidade de emigrar e apenas uma minoria diz que deseja voltar a estudar.

Este estudo diz-nos duas coisas.

A primeira é evidente para quem conheça o País: os portugueses não vivem acima das suas possibilidades. Vivem abaixo delas. Há uma minoria, isso sim, que garante para si a quase totalidade dos recursos públicos e privados. Somos, como se sabe, o País mais desigual da Europa. Temos dos gestores mais bem pagos e os trabalhadores que menos recebem. Somos desiguais na distribuição do salário, do conhecimento, da saúde, da justiça. E essa desigualdade é o nosso problema estrutural. É esse o nosso défice. Ele cria problemas económicos - deixando de fora do mercado interno uma imensa massa de pessoas -, orçamentais - deixando muitos excluídos dependentes do apoio do Estado -, sociais, culturais e políticos.

A segunda tem a ver com isto mesmo: a pobreza estrutural não leva à revolta. Dela não resulta exigência. Provoca desespero e resignação. Resignação com a sua própria vida, resignação com a desigualdade e resignação com a incompetência dos poderes públicos. A pobreza não apela ao risco. Não ajuda à acção. O atraso apenas promove o atraso.

Nos últimos 25 anos entraram em Portugal rios de fundos europeus. Aconteceu com eles o que aconteceu com todas as oportunidades que Portugal teve nos últimos séculos. Desde o ouro do Brasil, passando pelo condicionalismo industrial do Estado Novo e acabando nos fundos europeus, nos processos de privatização para amigos e no desperdício em obras públicas entregues a quem tem boas agendas de contactos, que temos uma elite económica que vive do dinheiro fácil, do orçamento público e da desigualdade na distribuição de recursos. Essa mesma que, em tempo de crise, o que pede éredução do salário e despedimento fácil.

Repito: os portugueses não vivem acima das suas possibilidades. Apenas vivem num País onde as possibilidades nunca lhes tocam à porta. O nosso problema é político. É o de uma economia parasitária de um Estado sequestrado por uma minoria que não inova, não produz e não distribui. De um Estado e de um tecido empresarial onde os actores se confundem. De um regime pouco democrático e nada igualitário. E de um povo que se habituou a viver assim. De tal forma resignado que aceita sem revolta que essa mesma elite lhe diga que ele, mesmo sendo pobre, tem mais do que devia.

Publicado no Expresso Online

por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 28 de Junho de 2010
por Bruno Sena Martins

por Bruno Sena Martins
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por João Rodrigues


O debate democrático e o envolvimento na tomada de decisão sobre o uso dos recursos ou a existência de níveis de desigualdade socioeconómica reduzidos são alguns dos ingredientes do compromisso duradouro entre indivíduos, da confiança, que permite conjugar a primeira pessoa do plural na economia. O curso de formação, que terá lugar em Lisboa no próximo Sábado, organizado pelo CES e pelo Le Monde diplomatique – edição portuguesa, é precisamente sobre a economia dos bens comuns: um mapa das discussões na economia comportamental, na ciência política ou nas políticas públicas. Um curso para contrariar o atrofiamento da imaginação institucional. Mais pormenores aqui.

por João Rodrigues
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por João Rodrigues
Nos intervalos do bloco central, o PSD tem andado numa azáfama constitucional. Trata-se, qual plano inclinado, de levar até às últimas consequências políticas, ou seja, até à Constituição, a lógica da erosão do Estado social e da fragilização das classes populares presente na perversa política de austeridade permanente com escala europeia. É isto que está por trás da ideia, que circula por aí, de dar dignidade constitucional a limites totalmente arbitrários, como os que proibiriam um défice orçamental superior a 3% do PIB ou uma dívida pública superior a 60%.

Limites que nenhum governo democrático em tempos de crise aguda do capitalismo maduro poderá cumprir sem gerar ainda mais desemprego e exclusão. Por muito que isto desgoste os moralistas das finanças públicas, os défices e a dívida são a consequência do andamento da economia. Por exemplo, a incensada e muito liberal Irlanda, que tinha uma dívida pública de 25% do PIB em 2007, ultrapassará os 77% em 2010. É o colapso da magia do mercado a gerar os défices que nenhuma Constituição trava.

Para não ficar atrás na utopia liberal, o jurista Diogo Leite Campos, eminente ideólogo da direcção de Passos Coelho, defendeu que a passagem de um Estado democrático para um Estado totalitário só poderia ser impedida com a fixação legal de um limite para a carga fiscal. Que tal 40% do PIB, já que estamos no domínio dos números mágicos? Leite Campos já tinha demonstrado o seu conhecimento profundo do país ao afirmar que auferir menos de 1000 euros por mês equivale a ser miserável. Agora demonstra desconhecer que os Estados democráticos mais avançados, com as economias mais competitivas e solidárias - da Dinamarca à Suécia, passando pela Finlândia -, têm em comum, entre outras coisas, uma carga fiscal superior a 40%. A carga fiscal "elevada", longe de ser uma ameaça à democracia e às liberdades amplamente partilhadas, ajuda a efectivá-las. Por muito que isso custe a quem cai no último escalão do IRS.

Este é, de resto, um padrão bem identificado: as democracias mais participadas, com movimentos sindicais fortes, com maior igualdade salarial antes de impostos e confiança mais elevada nas instituições, tendem a ter Estados sociais universais mais redistributivos e impostos mais elevados e progressivos. Escolhas políticas que espevitam a inovação económica e ajudam a competitividade das nações. É que os empresários não têm alternativa. Têm mesmo de ser bons.

O país pode escolher: em vez de constitucionalizar utopias liberais que acentuam a prepotência e a indolência empresariais, mais vale seguir os bons exemplos. Definitivamente, as obsessões constitucionais alemãs, que podem bem provocar uma crise europeia, não são a referência...

Crónica i

por João Rodrigues
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por Daniel Oliveira


É justo as SCUT serem pagas pelos seus utilizadores? No caso em que não haja nenhuma alternativa viável, não é justo. Porque estamos a punir quem vive nas regiões mais isoladas do País. Mas, para passageiros, essa alternativa não tem de ser exactamente igual. Nem sequer tem de ser rodoviária. Tem de garantir que o direito à mobilidade não pode estar em causa.

Em todos os restantes casos é injusto e irracional manter auto-estradas (ou vias que a ela se assemelham) gratuitas. Repare-se no absurdo: ninguém anda de borla em transportes colectivos. E não paga apenas o combustível e a viatura. Paga também as infra-estruturas. E todos sabemos que são as pessoas menos favorecidas que mais usam os transportes colectivos. É justo que elas contribuam através dos seus impostos para as deslocações dos que andam em transportes individuais? Claro que não.

Não é justo nem é racional. Para o País, quando comparado com o transporte individual, o transporte colectivo só tem benefícios: reduz a nossa dependência energética, é menos poluidor, cria menos problemas de tráfego, tem menos efeitos negativos no ordenamento do território, é melhor para a qualidade de vida nas cidades, é mais barato para o Estado... Ou seja, é absurdo que alguém pague para usar as linhas férreas e não pague para usar uma auto-estrada.

Mas aqui chegamos a outro ponto. Dirá o caro leitor, já irritado, que tudo isto é muito bonito, mas nos casos de que estamos a falar não há alternativas de transporte colectivo. E tem toda a razão. Só é pena que nós, enquanto comunidade, só agora pensemos nisso.

Na verdade, desde o governo de Cavaco Silva (continuando com António Guterres, Durão Barroso e José Sócrates) que não paramos de construir auto-estradas. Chegámos finalmente ao ponto em que temos, proporcionalmente à dimensão do território, a maior rede de auto-estradas da Europa. Nesse mesmo período foi desmantelada grande parte da rede ferroviária. Será, provavelmente, das mais pequenas da Europa. Em simultâneo, privatizou-se a Rodoviária Nacional sem qualquer contrapartida de serviço público. E deixou-se a rede rodoviária secundária ao abandono. Ou seja, não sobraram alternativas para podermos prescindir de muitas das auto-estradas e do uso permanente do transporte individual. A prometida privatização da CP apenas agravará este problema, deixando as zonas menos rendíveis ainda mais abandonadas e ainda mais dependentes dos carros.

Dirá o cidadão que tenho razão e que essa é a responsabilidade de quem agora quer cobrar o que prometeu vir a ser gratuito. Discordo. A responsabilidade também é nossa.

Onde estavam muitos dos cidadãos que agora se revoltam quando se acabou com o passe social único em Lisboa? Onde estavam quando se fecharam, uma a uma, estações de comboio e linhas ferroviárias no interior? Onde estavam quando se privatizou a Rodoviária Nacional?

Eu digo onde estava a maioria: fascinada com esse sinal exterior de abundância que era o carro para todos e para tudo. Fascinada e exigindo mais e mais auto-estradas, prescindido sem um "ai!" das linhas de comboio. Indiferente aos problemas de parte da população - os velhos, os pobres e as crianças dos pobres - que não tinha acesso a esse maravilhoso mundo novo e que via o seu direito à mobilidade reduzido ao mínimo ou a nada.

Onde estavam os autarcas do Interior, que agora se revoltam, quando tudo isto aconteceu? A vender às populações a ideia de que bastava uma tira de alcatrão para garantir o desenvolvimento local e que a linha de comboio que encerrava podia ir embora porque não era viável.

Onde estavam os eleitores quando a destruição do transporte colectivo e muito em especial da ferrovia aconteceu? Convencidos que os que levavam a cabo este crime lhes traziam o desenvolvimento. E a premiá-los por isso.

Não é só passado: onde está o grito de revolta contra o encerramento criminoso da linha do Tua e de tantas estações e apeadeiros por esse país fora? À espera que uma nova auto-estrada chegue com políticos satisfeitos e autarcas orgulhosos para a inaugurar.

Resumindo: a promoção do transporte individual e a destruição do transporte colectivo foi errada, irracional e prova-se agora que era economicamente insustentável. Mas não seria justo dizer que não foi uma opção com um largo apoio popular. Tudo o que se faça agora serve para remediar. Os que lutam contra as portagens nas SCUT terão a minha solidariedade. Mas, para serem coerentes, têm de exigir uma linha de comboio, um paragem de autocarro, uma carreira de um transporte rodoviário como alternativa. Até lá, o que pedem é a continuação de um erro.

Publicado no Expresso Online

por Daniel Oliveira
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Sábado, 26 de Junho de 2010
por Daniel Oliveira
Vale a pena ler hoje, no Expresso, a história do senhor que trabalhava para o governo que decidiu os chips e depois para a empresa pública que gere o sistema de portagens nas auto-estradas e depois na empresa privada que o vai fornecer os aparelhos. Não que seja uma notícia. É a história da nossa vida. Mas é sempre bom saber que está tudo na mesma.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Quem viu as peças dos jornalistas de televisão, que estavam no local, não pode ter ficado com qualquer dúvida sobre o abuso de violência no Parque das Nações. E quem tem estado atento não pode deixar de reparar que a PSP de Lisboa parece ter adoptado este uso de violência em acontecimentos públicos como uma coisa banal. Eu assisti aos episódios pós-manifestação da CGTP, há um mês. Vi, como mero espectador, o que aconteceu. Ouvi depois a versão da PSP, que era falsa da primeira à última palavra. Fiquei calado poque o protagonismo era para a manifestação, não para aqueles inidentes com um cliente de uma esplanada (foi disso que se tratou). Vi depois a história dos vários espancamentos, num mesmo dia, no Bairro Alto.

Agora isto. Reparam que não há nem uma imagem de um carro danificado? Neste caso parece nem haver sequer o cuidado de querer disfarçar a desproporção da violência. Afinal de contas são só brasileiros. Gostava de saber onde estava este empenho da polícia quando a claque do meu clube apedrejava espanhóis na saída do metro. Não estavam só a festejar com mais alegria. Estavam a agredir pessoas. Mas eram portugueses. Por isso, a coisa fez com calma de doçura.

por Daniel Oliveira
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Sexta-feira, 25 de Junho de 2010
por Arrastão


Depois dos vitoriosos dos grupos e dos jogos de Portugal, aqui fica o vencedor: CONTRA-CORRENTE. Acertou no resultado de 27 dos 48 jogos. E em oito resultados exactos. Conseguiu 1.130 pontos dos 1.920 possíveis. Mas a luta pelo primeiro lugar foi renhida. Aqui ficam as 10 primeiras posições (entre parentesis a posição no fim da jornada anterior). No link em baixo, as restantes dos 70 concorrentes.

1º (1) Contra-Corrente 1.130
2º (6) LAM 1.120
3º (5) Tiago 1.110
4º (2) Procrastinador 1.105
5º (14) Daniel Oliveira 1.090
6º (9) Diogo 1.070
7º (10) sam wise 1.050
8º (6) José Bastos 1.045
9º (3) João André 1.040
9º (11) Jorge Soares 1.040
9 (15) Bruno Sena Martins 1.040
9 (15) Marco Garcia 1.040


13 (29) Daniel 1035
14 (11) José Oliveira 1030
14 (20) João (2) 1030
16 (8) Portela menos 1 1025
16 (21) Alex 1025
18 (32) Von 1020
19 (4) Mauro Rebelo 1015
20 (13) Miguel F. Carvalho 1010
20 (32) LGF Lizard 1010
22 (18) Henrique Morais 1005
23 (27) Paulo Rui Ramalho 1000
23 (35) Gustavo B 1000
25 (21) Pedro Vieira 995
25 (48) José Figueira 995
27 (15) Eurico Ricardo 985
27 (29) Fábio Rocha 985
29 (23) Ricardo Vaz 980
29 (29) Branco 980
31 (35) Jamila 975
32 (18) Ramiro Morais 970
33 (35) Estúpido 965
34 (35) Andreu de Vallvidrera 960
34 (44) João Malainho 960
36 (27) Acid 950
36 (46) AMCD 950
38 (46) Pedro L 940
39 (23) RJ 935
40 (39) Hugo Dias 930
40 (41) Rui Sousa 930
40 (41) Pedro Lourenço 930
40 (44) Ramsés II 930
44 (25) bico de lacre 925
44 (53) José R. 925
46 (41) Fermelanidades Coelho de Matos 920
47 (53) GGL 910
47 (60) Loren 910
49 (51) André Carapinha 905
50 (32) João (1) 900
50 (51) GHT 900
50 (53) LFM 900
53 (25) Sérgio Lavos 895
53 (39) Sara Figueiredo Costa 895
55 (63) Pimpão 875
56 (49) JP Carvalho 870
56 (61) António Cunha 870
58 (57) LF 865
59 (59) Lisboeta 865
59 (63) Boy Job 865
59 (66) Economista 555 865
62 (61) victor 860
63 (49) Armando 830
64 (63) Kamone 825
65 (57) Esquerdino 815
66 (70) Maria dos Anzóis 815
67 (53) zé 810
68 (67) Luís Machado 805
69 (69) Radagast 800
70 (68) Diogo Martins 765

por Arrastão
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por Daniel Oliveira
Com o fim dos jogos do grupo H, aqui ficam as pontuações dos três primeiros nas apostas neste grupo.
Vencedor: Bruno Sena Martins, com 195 pontos. Acertou em cinco resultados (todos). Quatro resultados exactos.
Segundo ex aequo: João Malainho, com 185 pontos. Acertou em cinco resultados. Três resultado exacto.
Segundo ex aequo: Acid, com 185 pontos. Acertou em cinco resultados. Dois resultados exactos.
A pontuação máxima possível seria de 240 pontos. Passaram a Espanha e o Chile.

por Daniel Oliveira
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por Arrastão
Já só estão 80 pontos em disputa no consurso de apostas do Arrastão. Depois dos dois jogos de hoje ficaremos a saber quem são os vencedores. Os que matematicamente ainda podem ganhar são os seguintes:
Tiago (1065), Contra-Corrente (1050), Procrastinador (1050), Daniel Oliveira (1050), LAM (1045), Diogo (1025), sam wise (1010), José Bastos (1000), Portela menos 1 (1000), Jorge Soares (995), João André (990), Marco Garcia (990), Mauro Rebelo (985), João 2 (985) e Daniel (985)

por Arrastão
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por Arrastão
Com o fim dos jogos de Portugal, aqui ficam as pontuações dos três primeiros nas apostas.
Vencedor: Von, com 100 pontos. Acertou em três resultados (todos). Um resultado exacto (com a Costa do Marfim).
Segundo: Contra-Corrente, com 90 pontos. Acertou em três resultados (todos). Nenhum resultado exacto.
Terceiro ex aequo: Paulo Rui Ramalho, com 80 pontos. Acertou em dois resultados. Um resultado exacto (com o Brasil).
Terceiro ex aequo: Branco, com 80 pontos. Acertou em três resultados. Nenhum resultado exacto.
Terceiro ex aequo: Alex, com 80 pontos. Acertou em três resultados. Um resultado exacto (com o Brasil).
Terceiro ex aequo: Jamila, com 80 pontos. Acertou em três resultados. Nenhum resultado exacto.
A pontuação máxima é de 120 pontos

por Arrastão
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por Arrastão
Com o fim dos jogos do grupo G, aqui ficam as pontuações dos três primeiros nas apostas neste grupo.
Vencedor: Contra-Corrente, com 195 pontos. Acertou em seis resultados (todos). Nenhum resultado exacto.
Segundo: Branco, com 180 pontos. Acertou em seis resultados (todos). Nenhum resultado exacto.
Terceiro ex aequo: Mauro Rebelo, com 175 pontos. Acertou em cinco resultados. Um resultado exacto.
Terceiro ex aequo: Pedro L, com 175 pontos. Acertou em cinco resultados. Um resultado exacto.
A pontuação máxima possível seria de 240 pontos. Passaram o Brasil e Portugal.

por Arrastão
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por Daniel Oliveira
Publicado no Expresso Online.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira


Queria falar-vos de um filme. Chama-se "O segredo dos seus olhos" (Juan Jose Campanella), é argentino e ganhou o Oscar para melhor filme estrangeiro. A sua suavidade pode ser confundida com facilidade. Um erro.

Um funcionário judicial e uma magistrada vivem durante anos uma paixão platónica nunca consumada. Habituam-se a viver assim, com palavras por dizer, apenas denunciando-se pelos olhares. Sendo uma paixão que não se confronta consigo mesma nunca chega a consumir-se. Está ali parada, encalhada. Parece-me que nem chega a perturbá-los. Acompanha-os apenas.

Um colega do protagonista, Pablo Sandoval (Gullermo Francella), é alcoólico. Vive, também ele, uma paixão que o degrada. Não a enfrenta. Está apenas encalhado nela. Vive-a e pronto.

Um dia, Bejamin Espósito (Ricardo Darín) tropeça num crime. Violação seguida de homicídio. Talvez pela brutalidade do que vê, talvez pela beleza da vítima, talvez pela paixão que ela vivia com o seu marido recente, aquele caso torna-se numa obsessão. Acabará por encontrar o culpado - mais uma vez é o olhar que denuncia - e por conseguir a sua condenação. Graças a uma paixão do criminoso, que o leva a ser imprudente: o futebol. Aliás, essa imprudência oferecerá ao filme uma sequência para a antologia do cinema.

Só que o violador homicida será solto para trabalhar para a "tripla A", a Aliança Anticomunista Argentina, grupo paramilitar que recuperava criminosos para os usar na repressão a activistas de esquerda. Isto passa-se durante a Presidência da Isabelita Perón, última mulher de Juan Domingo Perón e sua sucessora no poder entre 1974 e 1976. O governo de Isabel tinha forte presença da extrema-direita. A mesma que viria a apoiar o golpe da Junta Militar de Videla. Voltando ao filme: Espósito e a magistrada terão de fugir para não sofrerem as consequências de investigarem um operacional da "Triplo A". O amigo alcoólico será quem se sacrifica por eles.

Revoltados mas resignados, magistrada e funcionário refazem as suas vidas durante aquela que foi uma das mais violentas das ditaduras latino-americanas. Cada um a sua. Durante 25 anos passam por ela, numa "vida cheia de nada". O viúvo da mulher assassinada também parece conformado. Mas não esquecem nem o crime, nem as suas paixões por resolver. Não esquecem a injustiça.

Até que, 25 anos depois, já em democracia e no começo do ocaso das suas vidas, tudo regressa: a injustiça do crime por punir e o seu amor sereno. O oficial de justiça revista o passado para escrever um livro. E acaba por descobrir que houve quem tivesse tratando de fazer, pelas suas próprias mãos, a justiça que o Estado não fez. E descobre que ele próprio não se conformou.

Não vos conto o fim do filme que ainda está em exibição. Para além da sua simplicidade comovente, para além das interpretações magníficas de Ricardo Darín e Soledad Villamil, vale a pena prestar atenção a esta história sobre a memória e o silêncio. Para responder à pergunta: e se tivéssemos feito alguma coisa para ser diferente? E o que podemos fazer agora para seguir em frente?

O filme não é sobre política. Não é sequer sobre o amor (talvez mais sobre paixões), apesar de ser por aí que é promovido. É sobre a memória, o esquecimento e o silêncio. Mas também pode ser visto, se quisermos (os bons filmes têm a capacidade de nos deixar espaço para o que queremos), como uma metáfora da história da Argentina. Não por acaso, começa nas vésperas da ditadura militar e acaba no período democrático em que os argentinos tentam reparar os crimes do seu passado.

Espósito representa uma geração marcada pelo medo e pela repressão. E desse ponto de vista, podia ser em Portugal, em Espanha, na América Latina ou na Europa de Leste. Como nos relacionamos com os nossos silêncios, com a justiça por fazer, com as suas vítimas esquecidas?

Há dez anos que muitos espanhóis fazem o mesmo que Espósito: revistam o seu passado para o poder ultrapassar. Graças à lei da memória histórica de Zapatero ou a homens como Baltazar Garzón, confrontam o silêncios e a indiferença. Já aqui escrevi sobre isso .

O assunto é pouco popular. Porque a maioria prefere sempre o consenso do esquecimento. Mas quando esquecemos só o fazemos na aparência. "Quem vive fixado na sua memória vive com muitos passados e nenhum futuro", diz (cito de cor), sem acreditar, uma das personagens. É falso. Quem não leva a sério a memória vive apenas a ilusão de ter futuro. Porque os confrontos sobre o passado são sempre confrontos de hoje. São sobre nós em qualquer tempo.

A Argentina fez o seu, e com que dor. O Chile deixou-o por fazer e continua encalhado em muitos equívocos. A Espanha está a tentar fazê-lo. Portugal nunca o fez. E por isso confundem-se com tanta facilidade vítimas e carrascos, como se fossem todos feitos da mesma massa.

Parece que meio século de ditadura é coisa do passado. Não é. É constitutivo do que somos enquanto povo. Parece que a democracia e a liberdade são irreversíveis? Parece. Mas ainda estamos encalhados nessas memórias nunca resolvidas. Meio século de ditadura ainda se sente em muitos cantos da nossa identidade. Porque não o revisitamos para o resolver.

Publicado no Expresso Online.

por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 24 de Junho de 2010
por Daniel Oliveira
Com o fim dos jogos do grupo E, aqui ficam as pontuações dos três primeiros nas apostas neste grupo.
Vencedor: Procrastinador, com 200 pontos. Acertou em cinco resultados. Quatro resultados exactos.
Segundo: Miguel F. Carvalho, com 190 pontos. Acertou em cinco resultados. Quatro resultados exactos.
Terceiro: Pedro Vieira, com 185 pontos. Acertou em cinco resultados. Um resultado exacto.
A pontuação máxima possível seria de 240 pontos. Passaram a Holanda e o Japão.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Ver legandas aqui.

por Daniel Oliveira
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por Arrastão
Com o fim dos jogos do grupo F, aqui ficam as pontuações dos três primeiros nas apostas neste grupo.
Vencedor: Portela menos 1, com 175 pontos. Acertou em quatro resultados. Três resultados exactos.
Segundo: Ramiro Morais, com 170 pontos. Acertou em quatro resultados. Dois resultados exactos.
Terceiro: LAM, com 165 pontos. Acertou em quatro resultados. Dois resultados exactos.
A pontuação máxima possível seria de 240 pontos. Passaram o Paraguai e a Eslováquia.

por Arrastão
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por Daniel Oliveira


Pedro Almodovar, Maribel Verdú, Javier Bardem, Almudena Grandes, Juan Diego Botto, María Galiana, Carmen Machi, Juan José Millás, Aitana Sánchez-Gijón, Oaco León, Pilar Bardem, José Manuel Seda, Hugo Silva, Miguel Ríos y Juan Diego dão voz a quinze vítimas do franquismo. Vídeo da Plataforma contra a Impunidade. A Espanha continua a enfrentar as suas memórias.

por Daniel Oliveira
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por Bruno Sena Martins
Nem tudo é prazer irresponsável na vida de John Terry:

por Bruno Sena Martins
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por Daniel Oliveira


A Europa está velha. A prosperidade permitiu que vivêssemos até mais tarde e os reformados são já uma parte muito significativa da população europeia.

Nesta Europa, onde o trabalho infantil quase não existe, mais filhos não significam mais mão para trabalhar. Faz-se planeamento familiar. O emprego para vida já não existe - não é o que ouvimos todos os dias? -, fazendo com que a decisão de constituir família seja sempre muito ponderada. E atingimos um nível de bem-estar em que já não nos permitimos deixar descendência sem lhe poder garantir qualidade de vida. Resultado: temos cada vez menos filhos.

Há cada vez menos gente em idade activa a descontar para quem já trabalhou. A segurança social, nestas circunstâncias, não é sustentável.
Sete caminhos para sair deste labirinto:

1 - Promover a natalidade;

2 - Aumentar os descontos para a segurança social;

3 - Reduzir o valor geral das reformas;

5 - Reduzir apenas as reformas mais altas;

4 - Adiar a idade de reforma;

6 - Alterar a lógica de financiamento;

7 - Permitir e fomentar a imigração

Garantir que as famílias têm mais filhos não é coisa com que um Estado se possa comprometer. O máximo que podemos fazer é o contrário do que temos feito: dar estabilidade a quem trabalha para poder planear a sua vida. Ainda assim, não é provável que chegue para repor o equilíbrio demográfico.

Aumentar os descontos para o sistema teria como efeito a redução do consumo e o estrangulamento financeiro de muitas empresas, com efeitos terríveis para a economia.

Reduzir os valores das reformas significaria condenar os nossos velhos à miséria. No caso de Portugal, manter na miséria centenas de milhares de reformados. No melhor dos casos, transferiam-se para as famílias os custos de apoio aos reformados. Do ponto de vista do rendimentos disponível, acabaria por ser o mesmo que aumentar os descontos para segurança social.

Se é verdade que a redução das reformas mais altas permitiria dar alguma respiração aos cofres públicos, não devemos ignorar as consequências que tal decisão acabaria por ter a médio prazo. A pressão para o plafonamento dos descontos - quem recebe menos do que recebia vai querer descontar menos do que descontava -, vinda de grupos sociais com uma enorme capacidade de influência junto do poder político, acabaria por acelerar a falência do próprio sistema. Porque se as reformas mais altas chocam, são os descontos mais altos que garantem a sustentabilidade da segurança social.

Parece fazer sentido aumentar a idade de reforma. O sistema foi pensado para um tempo em que as pessoas tinham uma esperança de vida pouco superior à idade em que deixavam de trabalhar. Mas este caminho é um logro. Na verdade, é hoje quase impossível para um trabalhador com mais de cinquenta anos e que não seja muito qualificado arranjar emprego. Como a tendência é a de flexibilizar as leis laborais, o número de desempregados acima desta idade tenderá a aumentar. Ou seja, ao aumentar a idade de reforma não estamos a fazer mais do que a transferir pensionistas para o desemprego. Ou lhes damos apoio social e vai dar ao mesmo ou os condenamos à miséria enquanto esperam pela reforma.

Faz sentido mudar a forma de financiamento, indo buscar ao lucro o que até agora íamos buscar ao trabalho. O que temos hoje penaliza quem cria emprego e favorece quem não o faz. Claro que é uma opção com perigos económicos. Mas pelo menos, ao contrário das anteriores, não é uma mentira.

Ao mesmo tempo que a Europa se queixa de estar velha luta com todas as suas forças contra a imigração. Sabendo-se por muitos estudos que não há uma relação entre imigração e desemprego (dava outro texto e este já vai longo), trata-se de um absurdo. Mais imigração levaria ao rejuvenescimento e à sustentabilidade do sistema. Mas esta política levanta pelo menos três problemas: um aumento repentino de imigrantes vindos de países pobres significaria uma enorme pressão para a redução de salários; criaria inevitáveis tensões culturais e sociais para as quais a Europa se teria de preparar; e seria necessário ter em conta que as segundas gerações, quando a integração é feita com sucesso, tendem a reproduzir alguns dos hábitos do país de acolhimento. Um deles: ter poucos filhos.

Grande parte das soluções que nos vão sendo apresentadas (algumas estão aqui) não são mais do que a destruição do próprio sistema. É na mudança da forma de financiamento, na imigração e na promoção do emprego que está a resposta. Mas nenhuma solução será definitiva. Voltaremos sempre a encontrarmo-nos com o problema e temos de saber viver com a gestão dos seus efeitos, sem anúncios diários do Apocalipse.

Quem nos diz que o sistema que temos é incomportável esquece-se de retirar daí as devidas consequências: se ele é incomportável a longevidade dos europeus com o mínimo de dignidade também o será. Desistir do sistema só é uma opção para os que, ganhando muito acima da média, podem garantir o seu futuro. Para os restantes - a esmagadora maioria - seria uma tragédia. E esquece-se de dizer outra coisa: a crise demográfica é economicamente tão insustentável como um desemprego acima dos dez por cento. De nada serve termos mais população activa se o que temos para lhe dar é um lugar na fila do centro de emprego.

E quem nos diz que só estamos a adiar o problema não percebe que é isso que se faz com quase todos os problemas. Vão se resolvendo até voltarem a piorar. Nenhum médico diz a um doente que não vale a pena tratá-lo porque no fim ele vai acabar por morrer.

Texto publicado no Expresso Online.

por Daniel Oliveira
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por Arrastão
Com o fim dos jogos do grupo D, aqui ficam as pontuações dos três primeiros nas apostas neste grupo.
Vencedor: Fermelanidades Coelho de Matos, com 165 pontos. Acertou em quatro resultados. Um resultado exacto.
Segundo: António Cunha, com 145 pontos. Acertou em quatro resultados. Um resultado exacto.
Terceiro: sam wise, com 140 pontos. Acertou em três resultados. Um resultado exacto.
A pontuação máxima possível seria de 240 pontos. Passaram o Gana e a Alemanha.

por Arrastão
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por Arrastão
Com o fim dos jogos do grupo C, aqui ficam as pontuações dos cinco primeiros nas apostas neste grupo (neste caso são cinco, por ter havido muitos empates).
Vencedor, Ex aequo: Bruno Sena Martins, com 165 pontos. Acertou em quatro resultados. Dois resultados exactos.
Vencedor, Ex aequo: Pimpão, com 165 pontos. Acertou em cinco resultados. Um resultado exacto. Mas quando falhou foi por mais do que o primeiro.
Terceiro, Ex aequo: Rui Sousa, com 155 pontos. Acertou em três resultados. Três resultados exactos.
Terceiro, Ex aequo: Miguel F. Carvalho, com 155 pontos. Acertou em quatro resultados. Um resultado exacto.
Terceiro, Ex aequo: Pedro Vieira, com 155 pontos. Acertou em quatro resultados. Um resultado exacto.
A pontuação máxima possível seria de 240 pontos. Passaram os Estados Unidos e a Inglaterra.

por Arrastão
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Quarta-feira, 23 de Junho de 2010
por Bruno Sena Martins
[caption id="" align="alignnone" width="400" caption=""Isto não é um hambúrger""][/caption]

Muitos acólitos salivares defenderam que a vitória contra a Coreia do Norte não poderia deixar de representar o esmagamento daquela monarquia comunista pelo capitalismo,  mais: tamanho arraso teria ficado sintetizado pelo modo como Simão festejou o segundo golo com a dança do Hambúrguer ("BigMacMacLocoBigMac", ao que parece), no fundo, coreografia de um oportuno piscar de olho de Simão a mais uns trocos do seu patrocinador, a Mcdonalds.

Mas, devidamente ridicularizada a tentativa de fazer do futebol um jogo político-moral, coisa para a qual não tenho tempo, se bem que possa adiantar que jamais cederei à chantagem moral de torcer por uma equipa que apresenta a Unicef como patrocinador, que jamais me inibiria de torcer pela Coreia do Norte face ao mal vestir do Dunga, que não acredito na hipótese de que a França tenha sido justa vítima da ignomiosa mão de Henry (a França foi apenas um equipa que, incapaz de fazer frente à ilegitimidade pública da sua qualificação, sentiu o secreto desejo de se boicotar, de algum modo a selecção francesa teve demasiados pruridos morais para poder levar o crime até ao fim, pelo que jogadores, dirigentes, treinadores não foram minimamente castigados, serviço a que o futebol raramente se presta, antes se suicidaram em fundo remorso, provavelmente por serem demasiado boas pessoas),  devidamente ridicularizada a tentativa de fazer do futebol um jogo político-moral, dizia, o que fica para a posteridade, do ponto de vista simbólico, é o modo como o gesto de Simão veio colonizar um festejo há muito estabelecido nos relvados, refiro-me ao coração que os jogadores costumam dedicar lá para casa, deduz-se, às suas senhoras.

Senão recorde-se: depois do golo do Simão, Hugo Almeida e Liédson celebraram os seus golos fazendo ternos coraçãozinhos com as mãos, mas o comum adepto, condicionado pela publicidade do Simão, já só consegue ver tenros hambúrgueres onde antes estava o eterno amor à mulher do Liédson. Portanto, quando muito, o jogo contra a Coreia é  uma cintilante expressão de como, uma vez mais, o capitalismo vingou em colonizar a utopia do amor.

por Bruno Sena Martins
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por Daniel Oliveira

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
O PSD pretende seguir o exemplo da Alemanha e definir no texto constitucional um limite de três por cento para o défice. Esta é a mesma direita que passou décadas a queixar-se de termos uma Constituição programática e não apenas com princípios gerais. Afinal, o que a incomodava era não concordarem com o programa. Podiam ter avisado.

Acontece que a Constituição de 1976 foi elaborada e aprovada (com os votos favoráveis do então PPD) num período pós-revolucionário. Seria então compreensível que a Constituição definisse um rumo económico. Rumo esse que, pouco a pouco, foi sendo alterado.

Hoje, passados 36 anos, que sentido faz impor ao texto constitucional uma norma orçamental? Norma essa que só pode ser alterada por dois terços do Parlamento. Ou seja, que será imposta a uma maioria parlamentar futura. Nenhum. No fundo, o PSD, que espera vencer as eleições que aí virão, quer aproveitar o momento em que o seu discurso passa bem para constitucionalizar o seu programa económico, impondo às próximas maiorias a sua vontade.

Isto não pode passar. Por três razões:

1 - Não é função de uma Constituição definir políticas financeiras conjunturais. O facto da Alemanha ter optado por esta originalidade não torna a coisa menos absurda.

2 - O défice pode ser um instrumento económico como qualquer outro. Impor esta regra independentemente das circunstâncias é sinal de cegueira. Com esta imposição os EUA nunca teriam saído da depressão dos anos 30. A Alemanha não teria conseguido fazer a sua reunificação e teria, mesmo na última década, violado a sua Constituição. Bem sei que se institui a ideia de que os Estados não podem ter défice. Trata-se de um absurdo económico, sem qualquer base de sustentação técnica, ditado por critérios ideológicos de quem defende o Estado mínimo. Ou seja, um Estado que em momento de crise deixe os seus cidadãos à míngua e a sua economia entregue à desgraça.

3 - Argumentar, como vi o deputado Paulo Mota Pinto fazer, que esta alteração serviria para dar confiança aos mercados é a apenas uma prova do processo de degradação da democracia que estamos a viver. São os cidadãos, e não os mercados, os destinatários da Constituição.

Tudo isto parece apenas um pormenor técnico. Mas é "pormaior" político. A constitucionalização dos limites ao défice significaria a derrota definitiva da soberania popular em favor de uma soberania dos mercados. Rejeitar esta proposta é um imperativo democrático.

Não será fácil, com o massacre ideológico de que temos sido vítimas, chumbar esta ideia. Exige coragem. Nada se muda na Constituição sem o PS. E face ao discurso sacrificial tão em voga temos poucas razões para confiar na sua firmeza política. Seria bom que deixasse já claro que tal coisa nunca passará com o seu voto.

Publicado no Expresso Online.

por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 22 de Junho de 2010
por Arrastão
Com o fim dos jogos do grupo B, aqui ficam as pontuações dos três primeiros nas apostas neste grupo.
Vencedor: Daniel Oliveira, com 185 pontos. Acertou em cinco resultados. Dois resultados exactos.
Segundo, Ex aequo: bico de lacre, com 180 pontos. Acertou em cinco resultados. Dois resultados exactos. Mas quando falhou foi por mais do que o primeiro.
Segundo, Ex aequo: José Bastos, com 180 pontos. Acertou em cinco resultados. Dois resultados exactos. Mas quando falhou foi por mais do que o primeiro.
A pontuação máxima possível seria de 240 pontos. Passaram a Argentina e a Coreia do Sul

por Arrastão
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por Arrastão
Com o fim dos jogos do grupo A, aqui ficam as pontuações dos três primeiros nas apostas neste grupo.
Vencedor: Tiago, com 170 pontos. Acertou em quatro resultados. Dois resultados exactos.
Segundo: Paulo Rui Ramalho, com 160 pontos. Acertou em quatro resultados. Dois resultados exactos.
Terceiro: Contra-Corrente, com 150 pontos. Acertou em três resultados. Três resultados exactos.
A pontuação máxima possível seria de 240 pontos. Passaram o Uruguai e o México

por Arrastão
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por Arrastão


Com tantas surpresas no Mundial houve muitas mudanças na pontuação dos apostadores do nosso concurso. Os primeiros 10 estão aqui visíveis. Os restantes no link em baixo. Verifiquem as vossas pontuações para serem corrigidas caso haja algum erro.

1 (1) Contra-Corrente 800
2 (9) Procrastinador 780
3 (3) João André 770
4 (5) Mauro Rebelo 760
5 (6) Tiago 755
6 (15) LAM 740
6 (29) José Bastos 740
8 (15) Portela menos 1 735
9 (19) Diogo 730
10 (2) sam wise 725

11 (19) José Oliveira 720
11 (29) Jorge Soares 720
13 (9) Miguel F. Carvalho 715
14 (9) Daniel Oliveira 710
15 (12) Eurico Ricardo 705
15 (13) Marco Garcia 705
15 (50) Bruno Sena Martins 705
18 (33) Henrique Morais 700
18 (35) Ramiro Morais 700
20 (29) João (2) 695
21 (19) Alex 680
21 (19) Pedro Vieira 680
23 (33) Ricardo Vaz 675
23 (57) RJ 675
25 (15) Sérgio Lavos 665
25 (26) bico de lacre 665
27 (4) Paulo Rui Ramalho 660
27 (66) Acid 660
29 (35) Branco 655
29 (37) Fábio Rocha 655
29 (53) Daniel 655
32 (13) Von 650
32 (26) LGF Lizard 650
32 (43) João (1) 650
32 (59) Andreu de Vallvidrera 650
36 (6) Estúpido 645
36 (19) Gustavo B 645
36 (43) Jamila 645
39 (37) Sara Figueiredo Costa 635
39 (43) Hugo Dias 635
41 (6) Rui Sousa 630
41 (29) Pedro Lourenço 630
41 (39) Fermelanidades Coelho de Matos 630
44 (55) Ramsés II 625
44 (62) João Malainho 625
46 (39) AMCD 620
46 (55) Pedro L 620
48 (19) José Figueira 615
49 (43) JP Carvalho 610
49 (50) Armando 610
51 (50) André Carapinha 605
51 (59) GHT 605
53 (19) GGL 600
53 (26) LFM 600
53 (62) zé 600
53 (62) José R. 600
57 (39) LF 595
57 (43) Esquerdino 595
59 (68) Lisboeta 590
60 (15) Loren 585
61 (39) victor 580
61 (43) António Cunha 580
63 (43) Pimpão 565
63 (59) Kamone 565
63 (70) Boy Job 565
66 (62) Economista 555 545
67 (53) Luís Machado 540
68 (57) Diogo Martins 525
69 (67) Radagast 515
70 (69) Maria dos Anzóis 505

por Arrastão
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por Daniel Oliveira


Vamos esquecer a ausência de Cavaco Silva no funeral de Saramago e a sua muito particular forma de ver o cargo que ocupa. Aceitemos uma coisa: que Saramago, como qualquer intelectual que tenha algum interesse, não era consensual.

Não era consensual o seu posicionamento político. Mas era um heterodoxo. Sendo comunista convicto, tanto podia fazer críticas contundentes ao regime cubano como o defender com unhas e dentes. Ia a Israel e não hesitava em dizer o que pensava. Mas não deixava de ir. Discutia a democracia. Era um intelectual empenhado, mas não era um mero instrumento de uma agenda política.

Não era consensual a sua obra. Como escreveu Manuel Gusmão, recontou "a história já contada pelos vencedores" . Foi isso que fez em "Levantado do Chão" e no "Memorial do Convento", transformando os camponeses alentejanos e os servos que construíram o Convento de Mafra (e não os grandes homens) em sujeitos da História, assumindo assim como sua a "tradição dos oprimidos" (Walter Benjamin, citado mais uma vez por Manuel Gusmão). É essa história recontada que está em "O ano da morte de Ricardo Reis" ou na "História do Cerco de Lisboa".

Também refez a história bíblica, que tantos dissabores lhe causou. Como leitor, teria ficado por "O Evangelho segundo Jesus Cristo". Muitos dos seus livros eram "alegorias do presente" - "Ensaio sobre a cegueira", "Ensaio sobre a lucidez" ou "Jangada de Pedra" - ou apenas alegorias das ansiedades humanas de todos os tempos - "O Homem Duplicado" e "As Intermitências da Morte".

Mas à volta de cada um dos livros nasceu quase sempre uma polémica. Por vezes estéril e pobre - foi, na minha opinião, o caso de "Caim" e do "Ensaio sobre a Lucidez" -, outras marcantes e profundas. Não faltou quem visse em cada uma delas apenas a forma, acusando o autor de golpes publicitários, e ignorasse o conteúdo. Seja como for, Saramago e a sua obra nunca estiveram fora do Mundo. E isso causou incómodo. Uma qualidade, portanto.

Não era consensual na sua personalidade. Os seus "Cadernos de Lanzarote" revelam o melhor o pior. Por vezes um homem grande e generoso. Outras, tão mesquinho e mundano como qualquer homem. Ainda assim, nunca chegou, nessa aparente trivialidade, aos calcanhares da "Conta-Corrente" de Vergílio Ferreira, hoje aceite - e bem - como um nome indiscutível da literatura portuguesa.

Não sendo um homem consensual, não o foi também na sua morte. Mas vale a pena perceber as diferenças entre a forma como Portugal e Espanha lidaram com isso.

Em Espanha, o presidente do governo não se ficou pelas obrigações protocolares. Escreveu um belíssimo texto no El Pais sobre o autor. Só que não foi o único. O católico conservador de direita, Mariano Rajoy, também deixou a sua mensagem elogiosa que foi para lá da mera formalidade. O rei manifestou a sua tristeza. Em Lanzarote o povo anónimo dedicou-se a leituras espontâneas da sua obra. Em Lisboa, vários ministros espanhóis, incluindo a número dois do governo, marcaram presença.

Em Portugal, o campo ideológico oposto a Saramago não se fez representar no funeral. Não esteve lá nem Pedro Passos Coelho, nem Paulo Portas. Cavaco Silva fez o que fez e o que fez seria uma impossibilidade em Espanha. Foram ditas frases de circunstância, mas nos fora de debate, na blogosfera e nas caixas de comentários dos jornais desaguaram insultos, ressentimento e mesquinhas acusações de gente que dizendo-se patriota dedica a sua energia a cuspir na sua própria cultura.

Em Espanha, o homem polémico foi incorporado como fazendo parte da cultura espanhola. Como um seu. "Os espanhóis choram hoje Saramago como um dos nossos, porque sempre o sentimos a nosso lado", escreveu Zapatero a Pilar del Rio.

Em Portugal, Saramago foi linha de fronteira e renegado por parte do País. Com o pequeno pormenor do homem em causa ser português, escrever em português e ter regressado na sua morte a terra portuguesa.

A forma como Espanha lida com o que tem, mesmo que o tenha por adopção, e Portugal lida com a sua cultura ajuda a explicar porque uma é uma potência cultural e o outro apenas um país cheio de talentos que acabam, mais tarde ou mais cedo, por partir ou viver próximo da indigência.

Os nossos escritores são tratados como adereço para citações em discursos e os nossos criadores como "subsidiodependentes". Somos um país pequeno, onde toda a gente se conhece. Isso ajuda a explicar a nossa mesquinhez, em que o ressentimento conta mais do que o orgulho. É normal. O que é estranho é que façamos questão de não deixar de ser uma aldeia.

Publicado no Expresso Online

por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 21 de Junho de 2010
por Daniel Oliveira
"Portugal va en serio" Marca (Espanha)
"Portugal hace trizas la muralla norcoreana y logra la goleada del Mundial" Mundo Desportivo (Espanha)
"Portugal golea y ridiculiza a Corea del Norte" Sport (Espanha)
"Portugal arrolla y Cristiano se luce" As (Espanha)
"Le Portugal marche sur l'eau" L'Equipe (França)
"Une bonne leçon de Portugais" France Football (França)
"Le Portugal étrille la Corée du Nord" Le Meuse (Bélgica)
"Portugal in seventh heaven" Sporting Live (Inglaterra)
"Portogallo senza limiti. Nordcoreani senza difese" La Gazzetta dello Sport (Itália)
"Portugiesen feiern Tor-Party, auch Ronaldo trifft" Sport Bild (Alemanha)
"Portugiesen demütigen Nordkorea" Sportelive (Áustria)
"Португалия разгромила КНДР" Sport Express (Rússia)
"Portugal 'sedmicom' prema osmini, Sjeverna Koreja potpuno razbijena!" Sportskenovosti (Croácia)
"Diktatur-retur: 0-7 mod Portugal" Sporten (Dinamarca)
"Portugalci rozobrali Severokórejčanov" Sport (Eslováquia)
"Sem dó, Portugal impõe 7 a 0 sobre norte-coreanos" Jornal do Sport (Brasil)
"Portugal pinta o 7 contra a Coreia. Alerta, Brasil!" Lance (Brasil)
"Portugalazo: CR7... a 0" Ole (Argentina)
"Portugal le propinó una goleada histórica a Corea del Norte" Ovacion (Argentina)
"¡Festival luso!" Sipergol (Argentina)
"Portugal masacró a Corea del Norte" La Aficion (México)
"Portugal logra la goleada del Mundial" Meridiano (Venezuela)
"Lo de Portugal fue una verdadera fiesta" Lider (Venezuela)
"Goleada histórica" Líbero (Perú)
"Portugal annihilate Korea DPR" Sport 24 (África do Sul)
"Stylish Portugal thrash North Korea" Super Sport (África do Sul)

por Daniel Oliveira
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por Bruno Sena Martins


Chama-se Larissa Riquelme e tornou-se famosa desde que foi fotografada a torcer pelas cores do Paraguai contra a Itália. Mesmo depois de um épico 7-0 é bom lembrar que o futebol não é tudo.

por Bruno Sena Martins
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por João Rodrigues


As medidas de austeridade em curso por toda a União Europeia, mas com especial violência nas suas periferias, põem em causa a recuperação económica, aumentam o desemprego, aprofundam a fractura social e não resolvem, longe disso, o problema dos desequilíbrios nas relações económicas entre países com profundos desníveis de desenvolvimento. O resto da crónica do i pode ser lido aqui.

por João Rodrigues
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por Daniel Oliveira
E tudo indica que o segundo lugar é que nos dá jeito.

PS: É a maior vitória da selecção em fases finais do Mundial.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
"Essa negatividade marca a relação entre ficção e história no que se poderia considerar a primeira fase da nova maneira de Saramago. Nela conta-se sempre de outra maneira algo que já foi contado, designadamente porque se conta algo que nunca mereceu ser narrado, nomeadamente a história dos servos e dos que transportam a pedra e constroem Mafra. Assim é em Memorial do Convento, em O ano da morte de Ricardo Reis, História do Cerco de Lisboa, O Evangelho segundo Jesus Cristo. (...)
Ele permaneceu fiel à longa e denegada “tradição dos oprimidos” (Walter Benjamin). Nós que nessa tradição temos vindo, sabemos que a memória é uma condição do desejo de futuro; sabemos que o cuidar da memória integra o longo trabalho da emancipação. Eu sei que há quem deteste palavras como estas – memória, futuro, trabalho, emancipação –, mas que hei-de fazer, ó boas almas, é que ele era um dos nossos."
Manuel Gusmão, via Cinco Dias

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira


José Saramago e Cavaco Silva nunca se admiraram um ao outro. Por causa de um obscuro subsecretário de Estado de Cavaco o escritor terá mesmo abandonado o País. Por isso, se Aníbal Cavaco Silva tivesse comparecido no funeral de José Saramago muitos diriam que se tratava de hipocrisia. Mas, ainda assim, o Presidente da República tinha de ir e aguentar com dignidade essa acusação. Porque as críticas que lhe fariam, pondo em causa o homem, deixariam intacta a instituição que ele representa. Porque quem lá estaria não seria Cavaco Silva. Seria o Presidente da República Portuguesa.

A justificação que Cavaco apresentou - não era amigo ou conhecido do escritor - e a verdadeira razão porque esteve ausente - não suporta prestar homenagem a alguém que o enfrentou - são absurdas mas reveladoras. Absurdas porque as funções de representação de um Presidente não são para os amigos. Reveladoras porque mostram que temos como Presidente da República alguém que não consegue ser maior do que o cidadão Aníbal e do que o político Cavaco.

É indiferente se o cidadão Aníbal alguma vez conheceu ou foi amigo de Saramago. É irrelevante o que o político Cavaco sente em relação ao escritor Saramago. Sendo um momento importante para o Estado português, ninguém faria questão que lá estivessem o Aníbal ou o Cavaco. Mas o Presidente da República, esse, nunca poderia faltar à última homenagem ao único prémio Nobel da Literatura de língua portuguesa. A um dos mais importantes escritores do século XX. Àquele que, com Pessoa, atingiu maior notoriedade internacional. É incoerente decretar dois dias de luto nacional e depois estar ausente da cerimónia oficial.

Cavaco Silva mostrou este fim-de-semana que, mesmo no cargo que ocupa, não consegue ser mais do que ele próprio. Não consegue representar o País. E um Presidente que não está acima da sua pequenez, que não percebe a grandeza de um cargo que o transcende, é e será sempre um mau Presidente.

Dito tudo isto, este episódio infeliz com Cavaco Silva, a ignorância de Sousa Lara, a triste reacção do jornal oficial do Vaticano à morte de um grande escritor e outras tantas irrelevâncias não merecerão uma nota de rodapé na História. Já o "Memorial do Convento", o "Levantados do Chão", o "Ano da Morte de Ricardo Reis" ou a "História do Cerco de Lisboa" ninguém tira à nossa literatura. E isso é que conta.

Publicado no Expresso Online.

por Daniel Oliveira
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