Sábado, 31 de Agosto de 2013
por Sérgio Lavos

Aqui está a jogada de Pedro Passos Coelho, em todo o seu esplendor: tentou fazer passar uma lei claramente inconstitucional (a requalificação dos funcionários públicos), para, depois de chumbada, vir pôr as culpas do segundo resgate - que está a ser preparado desde o início do ano, recorde-se - na lei e no Tribunal Constitucional. De uma penada, alivia as claras culpas do Governo e das políticas de austeridade neste segundo resgate e ameaça e amedronta os portugueses: "se não aceitarem as minhas condições - distorcendo a lei - vêm aí coisas ainda muito piores." Pedro Passos Coelho (com a ajuda preciosa de Cavaco Silva) é, neste momento, o maior perigo que a democracia conquistada no 25 de Abril já enfrentou.


por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 30 de Agosto de 2013
por Miguel Cardina
A taxa de desemprego baixou pelo terceiro mês consecutivo, estando agora (dados do Eurostat) nos 16,5%. Passos Coelho comenta dizendo que os números mostram a possibilidade de "recuperação económica do país", ainda que faça notar a pouca probabilidade de uma descida constante, todos os meses, da taxa de desemprego. Óbvio: toda a gente sabe os fortes efeitos da sazonalidade (e da emigração) nesses números. A este respeito, importa sobretudo compará-los com os períodos homólogos: em Julho de 2012, a taxa de desemprego estava em 16%; em Julho de 2011, em 12,5%; em Julho de 2010, em 10,8%. Será que em Julho de 2014 teremos a taxa de desemprego em 18% e Passos Coelho a explicar ao país, com voz colocada, a esperança que esses números indiciam?

por Miguel Cardina
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Quinta-feira, 29 de Agosto de 2013
por Sérgio Lavos

Uma vez mais, o Tribunal Constitucional chumba uma lei do Governo. Agora, por unanimidade. Já foram tantas, as vezes, que lhes perdi a conta. Um Governo que insiste e reinsiste em governar fora-da-lei é um Governo que não tem qualquer legitimidade democrática. Mesmo que apodreça no lugar por ordem e graça de Cavaco Silva. 


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

Conheço várias pessoas que exultaram com o aumento do horário na função pública e com o corte nos subsídios. Pessoas que trabalham no privado, até estão contra o Governo, mas acham os funcionários públicos uns privilegiados. Essas pessoas (e todos os outros trabalhadores do privado) já sofreram vários cortes no seu rendimento. Directamente via aumento de impostos e corte de subsídios e indirectamente por causa das consequências da crise - pessoas com salários em atraso ou que viram os seus salários cortados ou congelados pela empresa, numa falsa negociação com o patrão, sob ameaça de desemprego. E vão continuar a sofrer. O Governo começa a lançar a sua propaganda, preparando a opinião pública para mais cortes nos direitos e no rendimento dos trabalhadores. Ainda não está em vigor a última alteração que reduziu a compensação por despedimento para 12 dias e já vemos notícias que falam em pressões do FMI para que os salários do privado sejam ainda mais reduzidos. O FMI pede um corte no salário mínimo e propõe cortes nos salários (abaixo do salário mínimo) dos jovens até 24 anos ou em alternativa nos três primeiros anos de contrato. A exigência de redução de salários tem como fundamento um relatório com dados viciados, que oculta os cortes que em dois anos já foram feitos (27% dos trabalhadores no privado já sofreram cortes no seu vencimento). O plano do FMI é o que sempre foi, e se for necessário martelar números para confirmar a sua visão ideológica, fazem-no.

 

As pessoas que trabalham no privado e que neste momento estão satisfeitas com os cortes brutais que estão a ser feitos na função pública não perdem pela demora. Na Grécia, também tem sido assim. A cada corte no rendimento dos trabalhadores da função pública segue-se um corte no rendimento dos trabalhadores do privado. E assim sucessivamente. No final, todos ficarão a perder, é assim que funciona a desvalorização salarial que o programa de ajustamento pressupõe. Todos, menos os que estão no topo da pirâmide. Os mais ricos não estão a sofrer com crise e têm visto o seu rendimento a crescer. A transferência de rendimentos do factor trabalho para o factor capital é essencial nesta verdadeira revolução neoliberal. Quem se rirá por último não serão nem os trabalhadores do privado nem a função pública. Será quem acumula fortuna com o trabalho dos outros. E a desunião entre trabalhadores é um bem valioso para esta gente. Quando Vítor Gaspar afirmou que os portugueses eram "o melhor povo do mundo", sabia o que estava a dizer. 

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por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 28 de Agosto de 2013
por Sérgio Lavos

Quando este Governo for varrido do país, serão descobertas as mentiras, manipulações e desvios que diariamente são escondidos dos portugueses. Algumas mentiras vão sendo conhecidas. Ontem, mais uma apareceu. Os números enviados pelo Governo para o FMI sobre cortes salariais foram falsificados. Com base nesses dados, o FMI elaborou gráficos e um relatório no qual defende que Portugal precisa de ajustar ainda mais os salários do privado. Os dados enviados ignoram milhares de casos presentes na amostra que serviu de base para a elaboração do relatório. Milhares de casos de salários que foram cortados, tanto no privado como no público. Até agora, o FMI não corrigiu o seu relatório nem a conclusão que retira. Desde que o relatório foi conhecido, por várias vezes Pedro Passos Coelho se pronunciou a favor da moderação salarial. Logo após o relatório ter sido conhecido, António Borges afirmou: "é urgente a baixa de salários". Só há duas razões para que os números passados ao FMI - em princípio, pelo ministro da Segurança Social, Pedro Mota Soares - sejam errados: por negligência, e nesse caso é grave porque evidencia uma incompetência que se tornou marca do Governo; ou pior, a omissão foi deliberada, e portanto houve dolo, um crime à luz da lei. Pelo historial de Pedro Passos Coelho e do Governo que o acompanha, inclino-me para a segunda. A distorção dos números serve na perfeição o programa ideológico do Governo. Pedro Passos Coelho não olha a meios para chegar aos fins. Se for preciso mentir, ele mente. Se for preciso manipular números, ele autoriza. A canalha que nos governa é assim. 


por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 27 de Agosto de 2013
por Sérgio Lavos

Pedro Passos Coelho sobre os incêndios num ano especialmente gravoso, sobretudo pelas quatro mortes, mas também pelo invulgar número de ocorrências:

 

"Não me parece que exista responsabilidade directa a imputar a alguém."

 

Pode até ter razão - apesar do persistente problema  das matas por limpar antes da época de incêndios e da sucessivas queixas dos bombeiros sobre o subfinanciamento das corporações e da protecção civil -, mas a verdade é que, quando o PSD e o CDS eram oposição, nunca se abstiveram de criticar o Governo de Sócrates. Se juntarmos a isto a ausência do primeiro-ministro do terreno - mas com certeza que ir a banhos na Manta Rota será uma prioridade maior do que visitar os quartéis dos bombeiros ou até fazer uma declaração sobre os mortos e os feridos - e vemos de que fibra este primeiro-ministro é feito. Ele e Cavaco Silva estão bem um para o outro. 


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

 

A ideologia que defende salários baixos e que produziu a segunda maior quebra no emprego entre os países sob resgate vai dando os seus frutos. Esta notícia de hoje dá conta de um estudo da Moody's sobre produtividade nos países resgatados. A produtividade é um dos indicadores de que os ideólogos da depradação actual falam quando pretendem justificar as suas políticas. Este indicador é medido dividindo o PIB pelo número de empregados de um país. É-nos dito há anos que Portugal tem das mais baixas taxas de produtitividade da UE, e este facto é quase sempre imputado ao factor trabalho. O discurso moral dos ideólogos da direita passa sempre pelo enfoque no peso elevado dos custos do trabalho e sobretudo no próprio trabalhador, dando-se a entender que a baixa produtividade resulta do pouco empenho ou reduzido profissionalismo deste - com especial insistência no desempenho dos funcionários públicos. A mentira repetida muitas vezes costuma entrar no discurso quotidiano e a culpa é assimilada facilmente, sobretudo quando a propaganda não dá tréguas nesta luta ideológica. A verdade é que não só os portugueses são os que trabalham mais horas na Europa, como a baixa produtividade é explicada por factores que estão a ser agravados pelas políticas de direita: a baixa competitividade das empresas, a pouca formação dos trabalhadores, a deficiente formação dos empresários e os custos de contexto (em especial combustíveis e energia, mas também burocracia). As próprias especificidades da economia portuguesa, excessivamente dependente das PME's e dos sectores não-transacionáveis (serviços e construção), também explicam esta produtividade. 

 

A conclusão do estudo da Moody's será evidente: ""as melhorias na produtividade de Espanha e Portugal foram largamente ditadas pelas fortes quedas no emprego". Não tardará muito até que um governante qualquer venha gabar-se destas melhorias na produtividade. Quando isso acontecer, sabemos o que está implícito nessas melhorias. "Portugal não está a ser realmente mais produtivo, até porque a recessão acumulada é a terceira mais acentuada da periferia. É o facto da destruição de emprego ser a segunda pior deste grupo de países (12% desde o ponto mais elevado) que explica a melhoria no indicador e não a existência de um fenómeno de revitalização da economia. A segunda destruição de emprego mais pesada ocorreu na Grécia, com quase 19%." É assim, o nosso bonito ajustamento.


por Sérgio Lavos
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Sábado, 24 de Agosto de 2013
por Sérgio Lavos

 

O PSD é um partido de tradições, fiel aos seus princípios, um partido que preza o seu passado e acarinha quem se acoita na sua asa. Os seus antigos líderes são donos de estações televisivas, comentaristas de sucesso ou anões para entreter a malta com prestidigitações que desviam a atenção dos crimes que o seu Governo está a cometer. Luís Filipe Menezes teve uma breve passagem pela cadeira do poder laranja, mas cedo regressou à sua toca em Gaia, empurrado pelos barões do partido e por cavaquistas que queriam experimentar com a Manuela Ferreira Leite que tinham à mão. A sua vigência antecipou o reinado de Passos Coelho em populismo, mentira e demagogia (e seguiu à letra as lições do seu mentor Pedro Santana Lopes). De volta à terrinha, continuou a endividar a autarquia de Vila Nova de Gaia, criando no povo um estado de permanente exaltação amorosa pelo líder, um feito a que apenas grandes estadistas - como Isaltino Morais, Moita Flores ou Fátima Felgueiras - podem aspirar. Este sublime estado de elevação espiritual leva a que todas malfeitorias associadas à podridão do poder autárquico - negociatas com empreiteiros, favorecimentos familiares, caciquismo - sejam não só perdoadas pelo povo como olhadas como o firme pilar do exercício do mandato autárquico. O povo vota em criminosos condenados e em populistas suspeitos precisamente porque confia na sua capacidade de ceder a todos os interesses - mais cedo ou mais tarde, o votante de Oeiras ou de Vila Nova de Gaia espera a autorizaçãozinha camarária para o acrescento à vivenda e é mais fáci esperar distorções à lei se o executivo camarário for naturalmente corrupto. No fundo, o povão vota em corruptos porque a corrupção é a sua verdadeira natureza - num país onde o Estado não funciona e não dá o exemplo, quem não o imita ou é anjo ou é parvo. Ou as duas coisas.

 

Ora, regressado Menezes ao remanso do lar, lá cumpriu o resto do mandato a que tinha direito. Mas o poder não é eterno, e com a lei de limitação dos mandatos o reinado de Menezes corria o risco de chegar definitivamente ao fim. Corria, mas acabou por não correr. O PSD, imbuído de grande sentido democrático, decidiu interpretar a lei à sua maneira, contradizendo o seu espírito, tal como ele é entendido pelo seu autor, por sinal um membro da família laranja, Paulo Rangel. Adiante, até porque quase todos os outros partidos dedidiram ler na lei o que muito bem entenderam, do PSD ao PCP, passando pelo CDS e pelo PS (a excepção é o BE). Empurrado por esta leitura elástica da legislação, Menezes dá um saltinho para o Porto. Abandona uma câmara depenada, das mais endividadas do país, mas nem por isso deixa de ter o apoio do seu partido - o PSD que no Governo está tão empenhado em lutar contra o despesismo. A pré-campanha tem sido um festival de promessas: desde um Porto capital do Norte de Portugal e da Galiza até um Oscar honorário para Manoel de Oliveira, Menezes tem-se desdobrado, tocando a todas as portas, visitando todas as capelinhas do populismo demagógico. Nada o pode parar - nem sequer a lei autárquica. Entre dois despachos na câmara de Vila Nova de Gaia, tem vindo a receber habitantes da cidade do Porto em dificuldades, a quem tem pago contas, facturas, rendas e o que aparecer. Diz-se mesmo que nas festas que tem dado já foram mortos mais de vinte porcos. Uma originalidade, que ultrapassa em muito os cheques passados pelo seu companheiro de partido Fernando Ruas ou os frigoríficos oferecidos em tempos por Valentim Loureiro. É fartar vilanagem. Só há um problema: é um crime comprar votos. E mesmo que os votos sejam comprados com porcos, não deixa de ser crime. Por isso, a Comissão Nacional de Eleições já veio enunciar claramente as ilegalidades que anda a praticar Menezes.

 

Sabemos que nada de sério ou relevante sairá daqui. A partir do momento em que um autarca continua a presidir à sua câmara a partir da prisão, tudo é possível. Sem ondas nem sobressaltos, ouviremos as desculpas de Menezes. O assunto trazer-lhe-á ainda mais visibilidade no Porto, e como o povão gosta de caciques, irá com certeza votar maioritariamente nele. Depois admiram-se do país ter chegado a este ponto. Os políticos são sempre, mas sempre, o espelho claro das pessoas que os elegem. Tão cedo não vamos sair da lama onde chafurdamos.


por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 23 de Agosto de 2013
por Sérgio Lavos

 

Crónica de António Guerreiro sobre os briefings de Pedro Lomba, no Ipsilon de hoje: 

 

"Sobre os briefings de Pedro Lomba recaiu uma espécie de opróbrio público que já o obrigou a colocar-se numa posição de reserva em relação a essa função acidental e quase o compeliu a declarar, à maneira do Mr. Teste, de Paul Valéry: “La bêtise [a idiotia, a estupidez] n’est pas mon fort.” De repente, e de maneira inesperada, Pedro Lomba tinha emergido como uma figura muito parecida com as figuras literárias da história da bêtise, tais como o Simplicius Simplicissimus e o Schlemiel. Estava a imagem em processo de reparação, eis que Pedro Lomba publica, enquanto secretário de Estado adjunto do ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional, um artigo no PÚBLICO do passado domingo intitulado Uma agenda para a imigração. O artigo é mais ou menos anódino — é um briefing por outros meios, sem acidentes — e sem mancha. O problema começa na foto do autor, o secretário de Estado, que é a mesma foto que aparecia nos artigos de opinião de Pedro Lomba quando este era colunista deste jornal. E esta “citação” de um outro tempo é de uma crueldade insuportável, muito pior do que os malfadados briefings. A foto remete-nos para um homem de espírito e de ideias (não um ensaísta, não um escritor, mas um cronista com alguma força); mas o texto é, em toda a sua extensão, um exemplo típico do “idiotismo” (e leia-se esta palavra na sua afinidade semântica com “idioma”) da profissão política: um jargão profissional específico, onde nada a que possamos chamar “ideia” consegue irromper porque os meios de que dispõe estão completamente cristalizados numa langue de bois, como dizem os franceses, num repertório lexical e de fórmulas que fazem surgir o seu actor como alguém que se desloca, feliz, à superfície das coisas, induzido por um entusiasmo que pertence àquele domínio das ilusões a que Kant chamava “ilusão interior”, interna à razão e radicalmente diferente do domínio extrínseco do erro. Temos aqui um sinal eloquente da idiotia, essa “coisa” da qual Rilke, no seu Lied des Idioten (canção do idiota), diz: “Como é bom/ Nada se pode passar”. E, acrescentemos, nada de anormal se passa no texto em questão. Ele é um exemplo típico da produção intelectual de um ministro ou de um secretário de Estado, seja ele adjunto em primeiro grau ou em segundo grau (isto é, adjunto de adjunto), e visto nessa perspectiva “nada se passa”. Mas interpõe-se a memória do cronista Lomba, crítico e combativo, trazida pela fotografia, o que nos leva a reflectir sobre a variante linguística da lei de Gresham: a má linguagem expulsa a boa. Mas esta não é a única lição que este caso pessoal encerra. Há uma questão geral que deve ser formulada sob a forma de uma interrogação: como é que a política prescreve as sua leis mais miseráveis ao espírito (leia-se esta palavra, com todas as cautelas, como um despudorado anacronismo)? Como é que ela acaba sempre por nos confrontar com um inevitável desafio, tão lucidamente observado por Musil, de pensar a conjunção existente entre a política e a idiotia — a estupidez —, que nas suas versões francesa e alemã, a bêtise e a Dummheit, por via de Flaubert e de Robert Musil, se tornaram quase-categorias conceptuais. Será mesmo inevitável que o intelecto se subordine sem reserva ao idioma e ao idiotismo da profissão política e da organização de grupo? A verdade é que o mundo ficou cheio de políticos apóstatas, que mais tarde ou mais cedo sentem a necessidade de proclamar: eu estive lá, mas, acreditem, “la bêtise n’est pas mon fort”."


por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 22 de Agosto de 2013
por Sérgio Lavos

 

Se há indicador económico que continua a crescer a um impressionate ritmo, é o da dívida pública. No final de 2011, alguns meses depois do Governo entrar em funções, estava nos 107,2%. Quem tem memória das coisas, lembra-se do clamor constante da direita contra o Governo de José Sócrates por causa do crescimento da dívida. Ainda hoje, quando se sentem acossada, a matilha saca do endividamento do país e da bancarrota para justificar a destruição que está a levar a cabo. Na verdade, em dois anos a dívida cresceu até aos 131,4% (de acordo com dados tornados públicos hoje pelo Banco de Portugal). Pior: não só cresceu em termos relativos (ao PIB) como em termos absolutos. O seu ritmo de crescimento agravou-se drasticamente, e cada vez se torna mais difícil a Portugal pagar o que deve. Neste momento - e apesar da propaganda neoliberal europeia e nacional nos afiançar o contrário - estamos mais próximos da bancarrota e de um segundo resgate do que estávamos há dois anos. Este segundo resgate, a acontecer durante o próximo ano, junta-se ao terceiro da Grécia, anunciado por Schaüble há uns dias. 

 

E assim será, até não se sabe muito bem onde. As políticas austeritárias diminuem o PIB dos países onde estão a ser aplicadas. Como menos recursos, o Estado, para que consiga atingir as metas a que se propõe (definidas pelo pacto orçamental europeu), precisa de os ir buscar onde é mais fácil: aos mais pobres, aos trabalhadores por conta de outrem, à vasta classe média agora empobrecida. Os cortes no Estado Social são, no limite, a maneira que os Governos austeritários têm de tapar buracos orçamentais provocados por quebras no PIB devido à austeridade. Esta criminosa pescadinha de rabo na boca - corta-se primeiro, provocando a recessão e uma descida no PIB, e que por sua vez apenas poderá ser atenuada para efeitos de défice cortando ainda mais - tem como objectivo, e terá como resultado mais visível, o fim das políticas inclusivas e sociais que trouxeram paz à Europa durante sessenta anos. Outro resultado expectável será uma maior desigualdade social e uma mobilidade social com tendência a desaparecer. Os mecanismos de redistribuição dos rendimentos vão sendo substituídos por mecanismos de transferência de rendimentos do trabalho para o capital - as mexidas na TSU foram uma primeira tentativa falhada, a descida no IRC será o segundo assalto em larga escala tentado de forma directa. Enquanto não chegamos lá, a compressão salarial provocada por um brutal aumento do desemprego está já a permitir essa transferência de rendimento para o capital: pagando salários mais baixos aos trabalhadores, as empresas poderão ter mais lucro e distribuir dividendos por accionistas - no caso do PSI-20, fugindo aos impostos portugueses - em maior escala.

 

Nesta fase do capitalismo de rapina, o capital viaja do Sul para o Norte da Europa, dos países em resgate para a Alemanha e para os seus aliados mais ricos, e do bolso da classe média e dos mais pobres para o poder financeiro e os grandes capitalistas. Os cinquenta anos de prosperidade europeia - e norte-americana - aconteceram não só como consequência do crescimento económico constante, pela criação de riqueza, mas sobretudo por políticas sociais que diminuíram bastante o fosso entre ricos e pobres no mundo ocidental, através da implementação de políticas de redistribuição de riqueza assertivas e solidárias. O que se assiste neste momento vai deixar um rasto de desigualdade e aprofundar medos e rancores nacionalistas. No fundo, o crescimento da dívida não é problema para quem manda na Europa e em Portugal. Um programa ideológico possibilitado por um conjunto de factores excepcional - uma maioria de governos de direita na Europa, a crise de 2008 - está a tomar conta de um espaço que em tempos se dizia fraterno, justo e igualitário. Tudo vai mudar; mas não vai ficar tudo na mesma. 


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

 

Este é um país definitivamente maravilhoso. No caso dos submarinos submergentes e emergentes, toda a gente minimamente relacionada com o negócio é indiciada por corrupção, menos o responsável final pela compra, o irrevogável Paulo Portas. Na Alemanha, a Ferrostal (empresa que vendeu os submarinos a Portugal) foi julgada por corrupção activa, tendo-se provado que pagou luvas a "desconhecidos" portugueses para que a compra dos submarinos fosse efectivada. Quem decidiu a compra foi Portas, mas ele continua por aí, com todo o sentido de Estado, como se nada fosse, e o seu nome nem sequer é referido na maior parte das notícias sobre o caso. Os telejornais ocupam metade do seu tempo com notícias sobre fogos e a outra metade com futilidades mais ou menos políticas, "esquecendo-se" de destacar um caso tão grave como este. Nada nos distingue de uma república das bananas. Continuemos a votar nos mesmos de sempre.


por Sérgio Lavos
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Domingo, 18 de Agosto de 2013
por Bruno Sena Martins

 

Numa entrevista sem outro respaldo editorial que a busca de audiência, Judite de Sousa achou-se na obrigação de escamotear o mais óbvio sensacionalismo cor-de-rosa com a putativa denúncia da extravagância dos ricos em momentos de crise. 

 

Judite de Sousa escolheu um rico conveniente e procurou humilhá-lo em nome de todos os que em Portugal sofrem com a auteridade: foi constrangedor, absurdo e vagamente cruel.

 

Ao contrário do herdeiro mimado que se portou com exemplar temperança perante o ataque desmedido, e cujo dinheiro esbanjado em festas certamente faz mais pela economia portuguesa do que a colecção de sapatos da jornalista, Judite de Sousa não percebeu que foi ela a usar de forma ignominiosa os recursos que nunca fez por merecer:

 

1: Ao usar a denúncia das desigualdades contra alguém que não tem responsabilidades pelas escandalosas injustiças que grassam no país (bem ao contrário dos muitos políticos e poderosos perante quem, semana após semana, baixa a bolinha);

2: Ao acenar a responsabilidade social dos ricos como mecanismo de equalização social (a celebração da caridade e do mecenato é cúmplice com despolitização da desigualdade alicerçada nas prerrogativas do capitalismo neoliberal);

3: E ao usar o sofrimento dos portugueses, de que não hesitou em fazer-se de porta-voz, para dar face noticiosa ao lixo informativo de que é assídua praticante.


por Bruno Sena Martins
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Quinta-feira, 15 de Agosto de 2013
por Sérgio Lavos

Enquanto a claque governativa atira os foguetes e apanha as canas com a queda de 2% na economia em relação ao 2.º trimestre de 2012, os cortes vão sendo feitos ao estilo de um talhante cego, e o pacote de austeridade que obriga a redução de despesa nos ministérios continua a ser aplicado, sem complacência. 

 

Na Educação, sete mil professores entraram na antecâmara do despedimento, empurrados pela redução drástica do número de turmas por todo o país, que vai deixar muitos alunos já inscritos sem saberem sequer se vão ter lugar na escola onde se matricularam durante o mês de Julho. Na melhor das hipóteses, veremos turmas a ultrapassarem os trinta alunos, como já vieram denunciar alguns directores de agrupamentos.

 

Na Saúde, cortes generalizados levaram a que medicamentos não estejam a ser fornecidos nos hospitais, e que tratamentos não estejam a ser feitos aos doentes oncológicos. Do mesmo modo, medicamentos essenciais no pós-tratamento, que evitam o reaparecimento do cancro, também deixaram de ser receitados. Para além disso, a partir de 2 de Setembro apenas haverá uma urgência completa a funcionar em Lisboa durante o período nocturno, servindo mais de 700 000 pessoas. O que significa isto? O reduzido número de especialistas, concentrados apenas numa unidade, levará a que cuidados de saúde urgentes deixem de ser prestados. Sabemos como já funcionam os serviços de urgência na área de Lisboa. Imagine-se o caos que será um espaço apenas recebendo todos os doentes de Lisboa. 

 

Caminhamos em sentido contrário à civilização, mas alegremente há quem aplauda este retrocesso e lhe chame "reforma do Estado". É o melhor dos mundos.

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por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

 

Expor os ladrões onde mais lhes custa leva-os a reagir. Isabel dos Santos, uma das mulheres mais ricas dos mundo, que nunca teve de fazer nada a não ser receber do pai o resultado do saque aos angolanos, começa a perder a respeitabilidade que desejava comprar. Por cá, vai conseguindo. Mas correu-lhe mal onde menos esperava. Já veio dizer que é tudo obra de interesses escondidos, que Rafael Marques não passa de um activista político e de que tudo o que tem nada deve ao cargo ocupado pelo seu pai. É possível que ela própria acredite. Os cleptomaníacos são dados à mitomania. E os mitómanos tendem a acreditar nas suas próprias mentiras.


por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 14 de Agosto de 2013
por Sérgio Lavos

 

O Governo e a troika andam há dois anos a escavar um túnel do qual não se via o fim. Passado todo este tempo, viram uma luzinha, sob a forma de uma ténue recuperação da economia, estimulada pelo aumento das entradas de turistas em Portugal e pela exportação de combustíveis refinados, depois da construção de mais uma unidade de refinação pela Galp em Sines. Este aumento da exportação das combustíveis também teve reflexo no aumento das importações (o primeiro trimestre onde isso aconteceu desde 2011), devido à evidente necessidade de crude que a nova unidade de refinação implica. Claro que também não devemos esquecer que grande parte dos empregos criados são precários - recibos verdes, contratos a prazo ou através de empresas de trabalho temporário -, e que só houve verdadeira criação de emprego nos salários até 310 euros

 

A destruição da economia nacional, levada a cabo com entusiasmo, transformou o mercado laboral numa autêntica selva, bem ao gosto dos espíritos neoliberais que por aí gralham. Chegámos a um ponto em que o desemprego de longa duração nunca foi tão elevado. Por isso, é natural que as pessoas tenham começado a aceitar o que aparece, sendo que o que aparece é trabalho mal remunerado, sem direitos, e em condições sub-humanas (como acontece na agricultura, o sector económico que mais emprego produziu nos últimos dois anos, quase sempre precário ou sazonal). 

 

Mesmo assim, se este abrandar da recessão se traduzisse num verdadeiro florescimento económico, os números revelados hoje pelo INE seriam uma boa notícia. Mas tudo indica que não será assim. Primeiro, porque passado o Verão e os efeitos da sazonalidade, aumentará certamente o desemprego. Segundo, porque o trimestre de abrandamento da recessão corresponde a um período de tempo durante o qual não houve novas medidas de austeridade, tendo até algumas das previstas para 2013 sido travadas pela decisão do Tribunal Constitucional. Com mais dinheiro no bolso dos portugueses, é natural que a confiança e a poupança tenham crescido (ligeiramente) e que a redução de investimento tenha sido menos acentuada. Mas Setembro está aí ao virar da esquina, e com ele mais um corte brutal no rendimento das famílias e um previsível aumento do desemprego, via despedimento colectivo na função pública. O Governo poderia aproveitar esta folga na economia para deixar respirar os portugueses e acabar com a austeridade recessiva. Não o vai fazer. Se assim for, o trimestre que passou será o único positivo do ano. 

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Terça-feira, 13 de Agosto de 2013
por Sérgio Lavos

O Governo decidiu escolher um grupo de sábios para ajudar na distribuição dos fundos comunitários do programa QREN. Poderia parecer a primeira medida sensata em muitos meses, dada a escassez de inteligência, de capacidade de decisão e de sensatez que já é marca deste Governo cavacal. Mas é apenas mais um sinal de uma ausência de cultura democrática. Quando a responsabilidade sobre o destino a dar a milhares de milhões de euros é depositada nas mãos de gente que não foi eleita e cujo mérito funda-se sobretudo na quantidade de aparições televisivas a botar faladura sobre a vida dos cidadãos portugueses, está tudo dito sobre o modo como este Governo olha para o exercício da política: uma elite iluminada pega no poder delegado pelo voto democrático e exerce-o de acordo com os seus interesses, fazendo letra morta, se preciso for, dos interesses daqueles que a elegeu. A mediocridade generalizada, quando aliada a uma profunda ausência de decoro e de ética, dá nisto. E agora é esperar para ver os comentadores nas televisões elogiando esta decisão do Governo - o tempo da democracia acabou há algum tempo, é agora a era da merdiocracia. Bem haja.

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por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 12 de Agosto de 2013
por Sérgio Lavos

 

O que diriam os americanos se fosse construída uma estátua de Bin Laden no centro de Nova Iorque? O que diriam os holandeses se fosse construída uma estátua de Hitler no centro de Amesterdão? O que dirão os portugueses se for construída uma estátua de um reconhecido terrorista de extrema-direita, apoiante de regimes fascistas como o de Salazar e o de Franco, autor moral de dezenas de atentados bombistas que provocaram várias mortes logo a seguir ao 25 de Abril - enquanto apoiante do ELP e do MDLP, a organização terrorista liderada pelo general Spínola* -, e suspeito da morte do padre Max? Se esses portugueses forem vereadores do PS no município de Braga, dirão que é uma excelente ideia e votarão a favor da implementação dessa estátua, um voto em sentido contrário aos do PSD e do CDS, que ou votaram contra ou abstiveram-se. Este voto favorável envergonha qualquer português que preze os valores democráticos e deveria envergonhar ainda mais um partido que mantém a palavra socialista no nome. A estátua, erguida à socapa por um grupo de saudosistas do fascismo numa rua de Braga, é um símbolo do esquecimento que vai tomando conta do país. A estátua do cónego Melo merece o mesmo tratamento dado ao padre Max - cuspir nela é pouco. A memória da noite negra do fascismo não pode ser apagada. 

 

*Corrigido.

 

Adenda: entretanto a estátua já teve o tratamento que merecia, como se pode ver na fotografia retirada do Público.

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por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

Ver a Espanha com os seus enclaves no norte de África às turras com o Reino Unido por causa de Gibraltar tem sempre muita graça. Sim, Rajoy quer distrair os espanhóis dos problemas domésticos, assim como Cameron agradece pela manobra de diversão, que as coisas também não estão famosas lá por casa. Dois governos de direita a divertirem-se com os restos dos seus impérios coloniais é natural. É isto que lhes sobra de patriotismo. Porque em relação aos poderes internacionais que contam, baixam sempre a cabecinha.


por Daniel Oliveira
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Sábado, 10 de Agosto de 2013
por Daniel Oliveira



Em conjunto com a edição portuguesa do "Le Monde Diplomatique" deste mês é vendido o livro "Que fazer com este euro? – Portugal na tragédia europeia". Nele podem ler textos de Sandra Monteiro, Carlos Carvalhas, Francisco Louçã, João Galamba, José Vieira da Silva, Nuno Teles, Alexandre Abreu, Octávio Teixeira, João Rodrigues, Ricardo Noronha, Viriato Soromenho-Marques e Frédéric Lordon. E um texto meu. 

Tenho escrito várias vezes, no Expresso (quer na sua edição impressa, quer na edição online) sobre a saída do euro. Sempre concentrado nas suas repercussões financeiras e económicas. Desta vez, dediquei-me a outro tema, porque este assunto já foi tratado por mim e porque outros, no livro, o tratam bem melhor do que eu. Procuro antes resposta a uma questão política central deste debate: é possível salvar a nossa democracia no quadro desta moeda única? "A democracia ou o euro", é a escolha que ponho em cima da mesa. Vale a pena comprar o livro (em conjunto ou em separado com a edição do Le Monde Diplomatique). Uma reflexão colectiva e com contraditório à esquerda sobre as perguntas mais difíceis dos tempos que vivemos: se devemos sair ou ficar no euro? Como e porquê?


por Daniel Oliveira
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Sexta-feira, 9 de Agosto de 2013
por Daniel Oliveira

por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 7 de Agosto de 2013
por Sérgio Lavos

Extra! Extra! Governo PSD/CDS acusa Governo CDS/PSD de forjar documento que mostra que secretário de Estado do Governo PSD/CDS tentou vender swaps crimininosos ao Governo PS! Ministério público investiga alegações, tendo revistado gabinete do primeiro-ministro, a origem do documento forjado que levou à demissão do secretário de Estado escolhido pelo primeiro-ministro para o Governo! Cavaco, enquanto anilha uma acção do BPN na casa da Coelha, diz que mantém a confiança total nesta tropa fandanga.


por Sérgio Lavos
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por Miguel Cardina
1. os briefings de Pedro Lomba não agradam a ninguém;
2. Joaquim Pais Jorge era o elo mais fraco;
3. o poder económico-financeiro colonizou o poder político já há uns tempos (uau...).

por Miguel Cardina
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por Miguel Cardina

Isabel Vicente: Machete também devia ir a briefing.


por Miguel Cardina
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por Sérgio Lavos

 

Tem sido um fartote de estabilidade e coesão desde que o "novo Governo" tomou posse. O estado de "remodelação permanente", uma inovação conceptual deste Governo, está a dar os seus frutos. Desde ministros que se desirrevogam a secretários de Estado que ocupam o cargo durante pouco mais de um mês, tem havido de tudo. Há quem resista. Os melhores, os mais resilientes, são os que conseguem mentir com maior descaramento. Aquele briefing com Pedro Lomba e Joaquim Pais Jorge, um épico de vergonha alheia como há muito não se via, foi verdadeiramente assassino. A Pais Jorge, o vendedor de swaps criminosos, faltam a graça e o desplante de Maria Luís e de Passos Coelho. O seu problema não foi ter tentado vender um produto que mascarava a dívida pública. Nem sequer ter mentido. Foi ter mentido tão mal, tão atabalhoadamente, de forma tão incompetente, que não restou a Miss Swaps outra hipótese senão deixá-lo cair. Não sem antes encenar mais um golpe mediático, acusando a Visão e a SIC de terem forjado um documento - como se prova no vídeo acima, mais uma mentira forjada por Maria Luís. Entretanto, e para completar o ramalhete e colocar uma cereja em cima do pífio espectáculo que vem sendo encenado, o inefável Marco António Costa (em tempos delfim do presidente de uma das câmaras mais endividadas do país, Vila Nova de Gaia) veio acusar o governo de Sócrates de não ter mandado prender o secretário de estado nomeado pelo governo PSD/CDS e que tinha acabado de se demitir. Um primor de alta política, um cúmulo qualquer de desfaçatez, porventura inalcançável. Sócrates recusou a proposta do swap mas, claro, é o culpado pela nomeação de Pais Jorge, assim como pela nomeação do seu parceiro de venda, Gonçalo Martins Barata, para a administração das Águas de Portugal. É tão evidente, não é? Enquanto isso, o mentiroso mor, Passos Coelho, vai tomando uma prainha lá para os lados dos Algarves e Maria Luís vê os holofotes serem desviados durante algum tempo das suas próprias mentiras. Não duvidemos: é esta a estabilidade que Cavaco defende, em desfavor da democracia. Uma maravilha.


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos
Stephen Colbert dançando com Hugh Laurie, Jeff Bridges, Jimmy Fallon, John Stewart, Charlie Rose, Bryan Cranston, Matt Damon e Henry Kissinger (?) ao som do feel good hit of the summer "Get Lucky", dos Daft Punk. Dedicado com saudade e carinho a Joaquim Pais Jorge, mais uma vítima da "podridão dos hábitos políticos". Melhor sorte para a próxima. 

(História completa aqui.)

por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

"A minha disponibilidade para servir o país foi sempre total. Não tenho, no entanto, grande tolerância para a baixeza que foi evidenciada”

Joaquim Pais Jorge


por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 5 de Agosto de 2013
por Sérgio Lavos

"Não eram nem nunca foram da minha competência. Repito: não eram nem nunca foram da minha competência."

por Sérgio Lavos
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por Bruno Sena Martins

Mourinho, o meu jogador predilecto, não está a conseguir sair da pressão alta criada pelo ressentimento. 

 


por Bruno Sena Martins
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por Sérgio Lavos

As "reformas" no ministério do competentíssimo Paulo Macedo também estão a correr a bom ritmo. Tudo de acordo com o plano: da troika, do Governo, de Deus. Quando hospitais começam a recusar doentes por causa dos cortes orçamentais, como está a acontecer com o de Cascais - que se saiba, porque nos outros a situação não será diferente - sabemos que estamos no bom caminho. E quando esses tratamentos são recusados a doentes oncológicos, nos IPO's do país, então podemos ter a certeza de que tudo de facto não poderia estar a correr melhor. Paulo Macedo é um génio da finança que aumenta taxas moderadoras e corta nos tratamentos a doentes, terminais ou não, tudo em nome da sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde. Este plano divino, posto em prática pelo Governo PSD/CDS com o apoio da troika, deixa de fora as classes privilegiadas do país, incluindo os governantes que decidem, pois claro. Quem tem dinheiro, se por acaso tiver o azar de ser diagnosticado com cancro, poderá sempre ser tratado num hospital privado ou até mesmo no estrangeiro. Os pobres, que morram. Quanto mais depressa, melhor; até porque um doente oncológico é um peso para o SNS, um número que tem de ser melhorado. Está tudo a correr bem, é assim o bonito ajustamento. 


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

Lançado o caos quando os professores já se preparavam para entrar de férias, Nuno Crato está a conseguir atingir os seus objectivos: enviar para horário zero - a antecâmara do despedimento - milhares de professores efectivos, aumentar exponencialmente o número de alunos por turma, reduzir bastante os padrões de qualidade do ensino público, dar uma machadada no ensino profissional - recorde-se, a grande aposta de Crato, imitando a Alemanha. Não duvidemos: o que está a ser feito este ano é implodir, não o ministério da Educação, como fora prometido por Crato, mas as próprias escolas e o ensino público. Com o fim de milhares de turmas que já tinham sido constituídas, os alunos vão ser obrigados a mudar de escola ou até de concelho, sobretudo no primeiro ciclo. Milhares de alunos inscritos no ensino profissional serão forçados a voltar para o ensino regular, aumentando bastante o número de alunos por turma. E tudo isto em pleno Agosto, enquanto os governantes calmamente vão a banhos. É criminoso, o que Nuno Crato está a fazer, e o mínimo que este acto merece é a desobediência civil generalizada dos directores de escola e de agrupamento, que é quem está a tentar menorizar as consequências das acções do ministro. Até à semana quem vem, os directores precisam de enviar para o ministério a informação sobre os professores em horário zero. E se não o fizerem? Se agirem como fez o ministério, atrasando dois meses esse envio? O Estado não é pertença deste Governo. Quando alguém se prepara para destruir quarenta anos de escola pública democratizada, precisa de ser parado. 


por Sérgio Lavos
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Sábado, 3 de Agosto de 2013
por Sérgio Lavos

 

Estamos em Agosto, o mês que em tempos idos era chamado de "silly season", o mês das questões fúteis, sem interesse nenhum, ocupando o prime time televisivo. Mas os tempos mudam. Passou o irrevogável mês de Julho de 2013, o mês de todos os perigos, quando Portugal decidiu suspender durante pelo menos dois anos a democracia.

 

As coisas são como são. Se é verdade que, desde que a troika aportou a este jardim à beira-mar plantado, a nossa soberania não passa de letra morta constitucional, ainda nos fomos entretendo, durante dois anos, com a possibilidade de que, através da lei e dos actos formais democráticos, poderíamos continuar a ter a ilusão de decidirmos o nosso destino. Mas o mês passado deitou por terra essa ilusão. Ao aceitar um Governo que, em qualquer outra situação normal, teria caído, Cavaco Silva chamou a si os destinos do país e decidiu colocar um ponto final, de uma vez por todas, nas regras que regem o estado de direito, a começar por eleições ou pela possibilidade de alternância democrática. Foi uma escolha. Uma escolha que os portugueses aceitaram passivamente - e não adianta afirmarem em inquéritos de opinião que nada mudou com o "novo Governo", a verdade é que preferimos ir a banhos do que ir para a rua lutar pela decência democrática. Tudo mudou, a começar pela possibilidade de termos mão no nosso próprio destino - e nada fizemos para recusar a suspensão decidida por Cavaco Silva.

 

Chegados a este ponto, tudo é, de facto, possível. Os comentadores ainda se surpreendem - ou fingem surpreender-se - com as sucessivas notícias que vão chegando dos palácios do poder, mas a verdade é que o povo está suficientemente anestesiado para achar qualquer coisa que aconteça normal. É normal aceitarmos antigos dirigentes do banco responsável pelo maior roubo aos contribuintes de que há memória como ministros; é normal termos uma ministra a mentir sucessivamente no parlamento e nas televisões, contradizendo-se a cada declaração pública; é normal termos um secretário de Estado que propôs negócios ruinosos ao Governo português vir a ocupar um lugar que decide sobre o destino a dar esses negócios. Tudo é normal, tudo é possível, porque decidimos aceitar a suspensão da democracia. A partir do momento em que um Governo morto e enterrado continua a governar contra o nosso interesse, é perfeitamente natural que ele se sinta em roda livre para fazer o que muito bem entende com o erário público.

 

Não tenhamos dúvidas: não nos devemos surpreender por terem ido para o Governo pessoas com responsabilidades no BPN, pessoas que tentaram vender contratos "swap" para mascarar dívida pública, pessoas que disseram em público desconhecerem os negócios da Ongoing com o Estado. Ninguém esperaria o contrário. Neste momento, ninguém com um mínimo sentido de decência e integridade pessoal aceitaria um convite para ser membro deste Governo. É normal que as recusas de convites de possíveis governantes se tenham multiplicado. A conclusão evidente é que apenas gente sem moral, desonesta ou carreirista almeje alçar-se ao pote. Neste momento, apenas membros da quadrilha, pessoas envolvidas em negócios obscuros ou com uma dissonância cognitiva tão acentuada que acham que pertencer a este Governo traz alguma mais valia à carreira aceitariam ser ministros, secretários de estado ou até assessores do executivo.

 

Este é um Governo que se governa a si próprio e zela pelos interesses do grande capital e do sector financeiro. Tudo é realmente aceitável, nada é surpreendente. Valerá a pena que os media percam tanto tempo a investigar e a revelar as ligações perigosas dos actuais governantes? Se todo e qualquer crime não terá castigo - e Portugal tem uma longa tradição de inimputabilidade dos políticos -, de que servem os jornais que denunciam a corrupção e a mentira em que está enredada a quadrilha que nos governa? Acabe-se com a imprensa, acabe-se com as denúncias, ninguém se importa. Acoitados ao poder, os mentirosos, os criminosos e os corruptos tratam da sua vida. É este o melhor dos mundos. 


por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 1 de Agosto de 2013
por Pedro Vieira

rabiscos vieira


por Pedro Vieira
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por Sérgio Lavos

 

Lembram-se da aposta no ensino profissional prometida por Nuno Crato, no início desta legislatura? Esqueçam-na. O ministro do rigor e da exigência, uma promessa enquanto escritor de best-sellers anti-facilitismo, transformou-se no carrasco do Ensino em Portugal, com terríveis consequências a médio e longo prazo. 

 

A 27 de Julho, dois meses depois da data prevista e a menos de dois meses do início do ano lectivo, o ministério da Educação enviou para as escolas a informação sobre a nova rede escolar. Como os professores e as escolas em geral são mais competentes do que Crato e o ministério da Educação, as turmas, nesta data, já estavam feitas. Os cortes draconianos na rede escolar, que atingem o ensino regular e sobretudo o profissional, apanham milhares de alunos já matriculados em turmas que deixarão de existir. Lá se vai a aposta no ensino profissional, tudo em nome de uma austeridade que agora foi rebaptizada pelos propagandistas do regime como "novo ciclo". O resultado? Dois mil alunos que tinham escolhido a via profissional vão ficar sem aulas durante o próximo ano e mais 300 professores poderão ser despedidos. A meta de pelo menos 50% dos alunos do Secundário no ensino profissional, prometida por Nuno Crato com pompa e circunstância, foi definitivamente esquecida, apesar do ministro continuar a mentir na televisão dizendo que nenhum aluno ficará sem turma. 

 

Já lá vão dois anos desde que esta desgraça em forma de Governo atingiu o país. Dois anos de destruição de conquistas civilizacionais de décadas. Daqui a algum tempo veremos em que lugar Portugal estará nos rankings da educação. Só há uma classe que o ministro Nuno Crato não descura: o ensino corporativo. O aumento da dotação orçamental, tanto em 2012 como 2013, prova quais são os objectivos deste Governo. Com mais ou menos fogo-de-artifício, o desmantelamento do ensino público continua. Afinal, quem quer mesmo prejudicar os alunos?

 

Adenda: a ler também este texto.


por Sérgio Lavos
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