Quinta-feira, 25 de Novembro de 2010
por Ana Mafalda Nunes

 

 

Hoje foi dia de rescaldo da greve geral e analisar/manipular números, dia de acalmar corações e punhos exaltados. Para outros foi dia de limpar as lágrimas de pimenta e de memórias do cravo. Dia de adrenalina em baixa e de voltar à triste realidade do défice, do desemprego, da contagem até ao fim do mês…

Passam 35 anos desde 75, 25 de Novembro. Para a malta da polémica, valeu e bem o que valeu. Marca a viragem iniciada 19 meses antes, põe fim ao interminável calor e corta o curso do rio revolucionário, cujas margens alargavam, mas nada fertilizava ou fazia brotar. Há quem goste de lhe chamar o dia da liberdade, mas esse 25 é o da Primavera que sem ele não teríamos Verões ou Outonos. Depois há quem puxe da bandeira com a mão direita e reclame para este (dia) os louros de ter posto a correr os “comunas”. No dia 26 de Novembro Ernesto Melo Antunes em frente às câmaras da RTP dizia que o PCP era indispensável para a construção da democracia em Portugal (é pena não existir, ou eu não encontrei, um “videoTube” que o ilustre). Era o início da consciência democrática, de que era necessário unir o trabalho de todos e que todos são os bens/males necessários para a evolução, modernização, económica, social, cultural e humana de um país ainda estagnado pelo feudo do Sr. Azar.

Da importância do nosso Ernesto: aparece como cidadão dotado de consciência, coerência cívica e política ainda na época pré-Cravos quando tenta candidatar-se às eleições legislativas de 1969. Abril em execução, é-lhe reconhecida a capacidade de, ainda que militar, pensar política, teve como tarefa preparar o Programa do Movimento das Forças Armadas anunciado ao país na madrugada de 26 de Abril de 1974. Em 75 foi conselheiro da revolução e meteu a pasta dos negócios estrangeiros à tiracolo e tentou fazer-nos à vida. A pasta cai-lhe quando ”bota o carapau” no “Documento dos Nove”, do qual foi o principal autor e que dá origem ao Outono da mudança. Na verdade o documento era um manifesto de esquerda ao trabalho político, que não servia aos extremos, um conjunto de propostas que aspiravam a coordenadas de um rumo democrático oposto ao modelo radical de Leste e à social-democracia Ocidental europeia. Não fora o manifesto trabalho do Ernesto não teríamos isto, sem estrutura, sem pai e mãe a que chamamos democracia, que nos serve, menos mal, para ir vivendo a vidinha com a cabeça entre as orelhas e muito de vez em quando, timidamente levantando a voz e os braços.

Obrigado Ernesto!


por Ana Mafalda Nunes
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