Sexta-feira, 16 de Julho de 2010
por Arrastão
Aproveitando o debate que aqui tivemos, segue novo inquérito: "Concorda com o financiamento directo do Estado a artistas independentes? Sim, com as actuais regras; Sim, mudando as regras actuais; Não.

por Arrastão
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78 comentários:
Concordo que o estado deve promover concursos para atribuição de financiamentos, seja a artistas individualmente seja a artistas colectivamente.

Acho que se deve irradicar de vez a subsidiodependencia e promover mais o mecenato.

deixado a 16/7/10 às 10:20
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Pedro Lourenço
Nem mais António.

Por muito que considere que o Estado deve ser parte activa no fomento da cultura em Portugal, não pode limitar-se apenas a entregar dinheiro.

Ao mesmo tempo, defendo que o Estado deve disponibilizar ainda mais verbas para o apoio à cultura.

Não basta dar dinheiro para se criar arte que depois não é vista ou apreciada ou apreendida por ninguém. O fomento da arte deve começar não nos criadores mas nos consumidores. E aí a escola terá um papel fundamental.

O que que aconteceu à poesia na escola? Entendeu-se que era demasiado complexa e riscou-se do programa. Erro crasso.

É apenas um exemplo.

Sem sensibilidade artítista do público potencial, de que vale endinheirarmos os criadores.

Há que actuar na raíz do problema.

Creio que obrigar as estações de televisão privadas (e públicas) a ter certos conteúdos e a proibir outros seria um bom passo, mas não sou ingénuo ao ponto de pensar que isso será bem aceite. Por mim, era simples. Não aceitam fazer as coisas com qualidade, não se renovem as licenças.

deixado a 16/7/10 às 10:51
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LAM
A mudança de regras, sendo uma opinião frequente, mas muitas vezes desconhecedora por parte da generalidade das pessoas, e reclamada pelos próprios artistas, é assunto sempre adiado, governo após governo.
Porquê? porque sempre que é aflorada essa hipótese, e como não há maneira de as regras que se estabeleçam possam agradar a todos, ao contemplar umas situações em desfavor de outras (será sempre assim), o ministro que o fizer vai criar mais turbulência do que a que queria evitar. O que tem acontecido na prática, PS atrás de PSD atrás de PS atrás de PSD etc., é que o titular da pasta acaba invariavelmente por fazer copy/paste do que fez o ministro anterior. Evita males maiores e politicamente tem sempre um álibi.

deixado a 16/7/10 às 10:51
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Não concordo com os termos demasiado simplistas do inquérito. Votei em branco.

deixado a 16/7/10 às 11:00
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Pinto
Uma pessoa vertical, sensata e coerente responde assim:

Não acredito que o dinheiro de TODOS deva servir para patrocinar a aventura pessoal de ALGUNS, e, quando isto se configura, eu saio fora. Investimento deve ser feito com dinheiro real que não prejudique o essencial do país. Impostos devem ter fim específico, e os sustento da arte não é, a meu ver, uma destas essencialidades. Sempre fui um artista que não se privilegiou de nenhum tipo de ligação com estados e governos, em nome de minha própria liberdade. Assim sendo, há que haver em mim algum respeito pelas coisas em que eu acredito. Se entrar nisto, estare negando tudo que é a minha maneira de ser, pensar e agir. No Brasil de hoje, precisamos de investidores conscientes, e não, segundo minha maneira de ver a realidade, de utilizar de maneira equivocada o dinheiro público.

(José Rodrigues Trindade (Zé Rodrix), compositor, multi-instrumentista, cantor, publicitário e escritor brasileiro (http://pt.wikipedia.org/wiki/Z%C3%A9_Rodrix), ao descobrir que o espectáculo sobre a vida de Jim Morrison, no qual trabalhava, teria recursos obtidos via Lei Rouanet)

deixado a 16/7/10 às 11:23
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Jorge Palinhos
Pessoal do Arrastão, os termos do inquérito parecem-me um bocadinho simplistas, até porque a maioria das pessoas não faz ideia como funcionam as atribuições de financiamento às artes ou como é a economia das artes performativas em Portugal. Seria melhor contextualizar com alguns posts.
Posso deixar aqui um excerto de um post meu que talvez ajude a perceber melhor as coisas:

«Suponhamos um "À espera de Godot" numa sala de 100 lugares do Bairro Alto, durante um mês (cerca de 20 apresentações), sempre com a casa cheia, com cada espectador a pagar um bilhete de 10 euros. Ou seja, uma receita máxima de 20 000 euros (isto na remota possibilidade de não haver descontos para estudantes, idosos, escolas e grupos de 10 pessoas).

Será que 20 000 euros dão para pagar os direitos de autor, a tradução, o aluguer da sala, a luz da sala, a limpeza e água das casas-de-banho, os quatro actores, o encenador, o figurinista, a costureira, o cenógrafo, o carpinteiro, o técnico de luz, o técnico de som, o compositor, os músicos, o electricista, os produtores e os operadores de máquinas – já para não falar dos materiais para o cenário e guarda-roupa e restante equipamento. E isto durante os dois meses que demora a montar uma peça mais o mês em que ela é apresentada?

Os apoios do Estado às artes performativas têm apenas dois objectivos: fazer com que cada bilhete custe menos de 100 euros, tal como custam na Broadway e em West End (e mesmo aí as peças demoram, em média, 5 a 10 anos para recuperar o investimento), e permitir que não haja só teatro de revista e imitações de musicais americanos. Aliás, note-se que o grande “empresário de sucesso” da cultura em Portugal, Filipe La Féria, tem cronicamente os salários e pagamentos a fornecedores em atraso.»

deixado a 16/7/10 às 11:47
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Jorge Palinhos
Pedro Lourenço:

Pode estar descansado, continua a ensinar-se poesia nas escolas. Os alunos continuam a analisar os poemas, a fazer exames sobre os poemas e a morrer de tédio.
Provavelmente eless gostariam mais de poesia se assistissem a sessões de poesia ou dramatizações de poemas, mas em Portugal há a convicção generalizada que é pondo os meninos a identificar o narrador heterodiegético que eles vão a passar a gostar todos muito de literatura.

deixado a 16/7/10 às 11:52
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Jorge Palinhos
António Cunha:

Não sei se reparou, mas a primeira frase contradiz a primeira e vice-versa. Se o estado promove financiamento a artistas não pode acabar com subsídios e vice-versa.

E, já agora, a subsidiodependência dos bancos, empresas, fundações, igreja católica, ensino privado, museus, monumentos, famílias e desempregados também o incomoda ou é só o das artes?

deixado a 16/7/10 às 11:58
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da Maia
Subscrevo... desde que a avaliação dos concursos não seja sempre feita pelos mesmos do sistema, senão vai dar ao mesmo!
Essa brincadeira de que aos Flinstones sucedem os "filhos" dos Flinstones, já dura desde a Idade da Pedra, e começa a ser monótona... se levarmos a sério a ideia republicana.

deixado a 16/7/10 às 12:11
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LAM
Júlio de Matos,

Concordo. Penso que poucas ou nenhumas ilações se poderá tirar dali.

deixado a 16/7/10 às 12:14
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