Quinta-feira, 1 de Julho de 2010
por Bruno Sena Martins
Uma televisão espanhola dedicou-se a acompanhar Ronaldo durante toda a partida, assim, graças à voracidade dos madrilistas pela sua estrela, podemos recuperar as palavras que o delfim de Mourinho atirou a Carlos Queiroz aquando da substituição de Hugo Almeida: "Assim não ganhamos, Carlos!" Que Ronaldo não tem perfil para capitão, como prova a expiação que intentou no final da partida, é das evidências menos contestáveis deste princípio de século marcado pelas convulsões não debilitantes da égide neoliberal. Adiante. Também dou de barato: ao se achar tão melhor que os demais colegas de selecção, Ronaldo acaba por ser minado pela incapacidade para acreditar - participando - no jogo colectivo; não é excesso de crença nas suas capacidades, é um desespero que ele magnificou ao absurdo fundado na arrogância de um qualquer emigrante incapaz de imaginar flores a nascer nos baldios da sua adolescência. Ao tentar resolver sempre em individualismos cheios de boas intenções, Ronaldo reduz a preparação da esquipa adversária adversária a menos de 3 diapositivos com menos de duas linhas cada.

Ainda assim, por desconcertante que seja, cabe reconhecê-lo: à vista da substituição mais inepta que já vi em futebol profissional (quer dizer, mesmo quando joguei nos distritais pelo montemorense estive longe de vislumbrar algo tão patético), são de Ronaldo as palavras mais memoráveis na revisitação da empresa portuguesa na Àfrica do Sul. "Assim não ganhamos, Carlos!" O anelo de Carlos Queiroz ao powepoint encontrou no desespero egocêntrico de Ronaldo o mais expedito acusador. Nem ao maluco da aldeia se retira ao mérito de dizer umas verdades no tempo certo.

por Bruno Sena Martins
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91 comentários:
Carlos Marques
É ver aqui: http://videos.sapo.pt/kZhdd1av9CKIEni5vzdP

Ronaldo sem Figo e Rui Costa está perdido e faz a selecção perder. Nenhuma equipa é muito forte com uma estrela só - tem de haver mais um ou dois astros, ainda que menos brilhantes.

Só um treinador estrela para ter mão nele, nunca o mesmo treinador que ficava com ele a bater livres no Manchester - foi um grande erro terem pensado que o Ronaldo ia respeitar o Queiroz só por causa da relação de Manchester.

deixado a 1/7/10 às 19:24
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Pedro Lourenço
Brilhante!

deixado a 1/7/10 às 19:33
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João
Portanto, perdemos por causa de uma mísera substituição, é isso? Quer dizer, durante 1 hora não conseguimos marcar um golo à Espanha (e só estivemos mesmo perto disso uma única vez, e mesmo assim seria um auto-golo!!), e perdemos por causa de uma substituição feita ao fim de uma hora?! Acho extraordinário, isso! Eu nunca gostei do Queiroz (e muito menos do Ronaldo), mas já estou farto de treinadores de bancada que acham que sabem tudo.

deixado a 1/7/10 às 19:35
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da Maia
Se Figo tivesse vergonha, depois do pequeno almocinho político, escondia-se debaixo de uma pedra.
Figo tem inveja natural, e quer ter protagonismo que lhe foge, mas que lhe teimam em dar, por outros interesses. Quem é Figo? É um empresário nem se percebe bem de quê. Ah!... foi um jogador de futebol bom, mas não chega aos calcanhares do Ronaldo. Nem tão pouco em carácter. Mostrou como sabe serpentear no mundo fácil do interessismo, e como oportunista veio morder, nada mais!

Como se comprova, Ronaldo e Mourinho são demasiado grandes para a mediocridade e mesquinhez portuguesa... mas é essa que impera cá. Melhor sucesso têm no estrangeiro - é natural...

deixado a 1/7/10 às 19:38
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Pedro Lourenço
O treinador nem sempre é o responsável pelo fracasso de uma equipa.

No caso desta selecção, ele é o único responsável. Até porque é dele a nomeação de Ronaldo como capitão, para além de erros de palmatória cometidos pelo professor, tais como, convocar 2 defesas direitos e adaptar um central, adaptar um central a médio defensivo, etc, etc, etc, já para não falar na substituição de Hugo e manutenção de Simão (inexistente) e o facto de, contra um Brasil sem Kaka, Elano e Robinho, Portugal ter jogado para o empate quando tinha o apuramento assegurado e dessa forma não ter querido fugir a Espanha.

Não me conformo com o apego ao poder que queirós manifesta após o fiasco da selecção. o tipo quis cumprir serviços minimos e pensou que batava chegar aos oitavos para podermos falar de uma boa campanha. isso é ultrajante.

Ao revoltar-se contra o treinador, ronaldo mostrou que afinal é um bom capitão.

deixado a 1/7/10 às 19:40
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Jaco
Não, perdemos porque tivemos cerca de 30% da equipa a jogar em posições desconfortáveis para os jogadores. Os outros 70% eram o guarda-redes e a defesa. Por muito bom que seja um jogador, uma coisa que não é, é ser milagreiro.

deixado a 1/7/10 às 19:43
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da Maia
... isto devia ter sido resposta a #1.

Acerca do texto, já tinha comentado antes, e digo só mais isto:

- Se Queirós tivesse colocado o Ronaldo à baliza, a culpa de não haver golos ainda seria do Ronaldo?

deixado a 1/7/10 às 19:45
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Buco
A culpa nem é deste nem daquele, de quem joga ou de quem treina. A culpa é de todos aqueles (adeptos, jornalistas e doutores comentadores da bola sobretudo) que, sem fundamento algum que não as glórias do passado, se iludiram que esta selecção, que em termos individuais é a pior dos últimos quinze anos, se poderia bater de igual para igual com as melhores selecções da actualidade e no fim chegar à final. É a mania das grandezas (ocas) dos tugas, vivemos num mundo que não é real.

deixado a 1/7/10 às 19:45
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da Maia
Apoiado!

E Queirós ao não dizer nada sobre as faltas que Ronaldo sofreu, mostra que é um pesetero, tal como o Figo...

deixado a 1/7/10 às 19:47
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Buco
Mais um que fala sem saber o que diz. Quem nomeou o Ronaldo como capitão de equipa foi o Scolari. O Queiroz herdou-o.
Essa de que Portugal e o Brasil jogaram um amigável para o empate também já enjoa. Um jogo que teve 7 cartões amarelos só na 1ª parte, em que um dos jogadores teve que ser abruptamente substituído para não levar com o vermelho, e onde houve duas boas hipóteses de marcar golos (uma para cada lado) não indiciam a sua tese. Ó Pedro Lourenço, você viu o jogo?

deixado a 1/7/10 às 19:58
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