Segunda-feira, 15 de Novembro de 2010
por Bruno Sena Martins
[caption id="attachment_22333" align="alignnone" width="533" caption="Sinais de Fogo, Luís Filipe Rocha, 1995"][/caption]

Nunca tinha visto a adaptação de Sinais de Fogo para cinema. A versão fílmica centra-se mais na dimensão histórico-política e no contencioso romântico de Jorge (Diogo Infante) em detrimento das sexualidades reprimidas cuja exuberância vagueia pelo romance emprestando-lhe a identidade. Ainda assim, acabam por comparecer à chamada da subtileza como parte de uma trilha destinada ao opróbrio. Onde todas as aspirações são esconjuradas - a liberdade política, o amor de Mercedes por Jorge, o amor de Jorge por Mercedes, o amor de Almeida por Mercedes, o amor de Rodrigues pela tia de Jorge, o idealismo político de Ramos - apenas podem sobreviver as aspirações moldadas pela esconjura: o libertinismo e o platonismo. Com excelentes interpretações - Marcantonio Del Carlo e José Airosa carregam aos papéis mais marcantes - e diálogos muito bem conseguidos, fica a recomendação.

"Nós não tivemos princípio, meu amor. A única coisa que podemos é não ter fim no nosso amor. Tudo o mais que fizermos por ele só pode acabá-lo mais depressa, ou acabar com a vida em que podemos tê-lo." Jorge de Sena, Sinais de Fogo

Publicado em Avatares de um Desejo

por Bruno Sena Martins
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7 comentários:
Renato
Mas qual é o ambiente cultural onde se cresça onde não haja uma qualquer forma de repressão?

Aliás a cultura judaica-cristã é a menos repressiva de entre os grandes modelos / blocos culturais da humanidade actual!

Vou a meio do livro, mas o Rodrigues não me "parece" resultar de uma "celebração libertária" - "simplisticamente" parece-me mais uma coisa edipiana - ou de uma expressão da sua perspectiva da sua mãe e do seu pai!
O filme não vi!

deixado a 15/11/10 às 15:56
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Renato
Há sexualidade reprimida... no livro?

deixado a 15/11/10 às 12:21
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Bolchevike
Eu pensava que este post era sobre o nicotado Miguel Sousa Tavares....

deixado a 15/11/10 às 13:52
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Bruno Sena Martins
"sexualidades reprimidas cuja exuberância vagueia pelo romance"

A repressão é prévia, seja como estilete da subjectividade judaico-cristã (freud explica) a que se responde pela celebração libertária, seja pela marginalia em que Rodrigues e Rufininho se movem.

deixado a 15/11/10 às 14:33
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fatima pinheiro
Ao que chegou a cultura! E as nicotinas!

deixado a 15/11/10 às 14:53
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Renato
Já agora, para os mais distraídos, como eu, em que nem sempre nos apercebemos do que é grande: este livro é absolutamente gigantesco!

deixado a 15/11/10 às 16:21
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João Cerqueira
Na minha opinião, Sinais de Fogo está repleto de sexualidade reprimida (homossexualidade) e, quanto a sexo, apresenta situações absolutamente grotescas.
Talvez as mais grotescas da literatura portuguesa.
A cena em Rodrigues obriga um velho a beijar o sexo a todo o grupo de rapazes é - para mim - absurda, gratuita, em nada serve ou dignifica o livro.
Felizmente, depois o autor segue por outros caminhos.
Mas o mal já está feito.

deixado a 16/11/10 às 01:32
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