Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010
por João Rodrigues


"Face à grande crise do capitalismo neoliberal, não tenho a menor dúvida que os cidadãos de esquerda devem defender políticas federais e articular a sua luta à escala europeia. Que fique bem claro: hoje, na UE, ou nos salvamos todos ou nos perdemos todos." (9 de Abril e 17 de Julho de 2009)

"Em suma, a menos que ocorra um milagre na Alemanha, o agravamento da crise ecónomica e financeira acabará por fazer saltar a faísca detonadora de uma crise política na UE no próximo ano. A interacção das várias crises conduzirá ao desmoronar da Zona Euro por insustentabilidade social, financeira e política." (17 de Julho de 2009)

"Assim, a manutenção de Portugal na Zona Euro (enquanto esta durar) implica a decisão política, ainda que implícita, de sofrer um prolongado período de grande desemprego. E isto sem que o sacrifício valha a pena porque o nível de vida apenas subirá sustentadamente com o aumento da produtividade e os processos sociais que permitiriam esse aumento, através do investimento e da inovação tecnológica, são prejudicados pelas políticas de austeridade." (19 de Julho de 2009)

"Recordo que a minha previsão não é uma opção política, é uma antevisão racional do fim da actual Zona Euro, gostemos ou não. É possível que após a implosão se venha a constituir uma outra com muito menos membros, ficando (por hipótese) os restantes ligados àquela através de câmbios ajustáveis, mas não quero ir tão longe na previsão." (19 de Julho de 2009).

Excertos de postes que o Jorge Bateira escreveu no Ladrões de Bicicletas: o europeísmo crítico há muito que alerta o europeísmo feliz, que disse sempre sim a tudo. Bons alunos ou como diz João Pinto e Castro: "Ou 'tás caladinho, ou levas no focinho" . A utopia monetarista, na ausência de reformas profundas, acaba sempre mal. Sempre.

por João Rodrigues
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12 comentários:
Antonio Cunha
Agora em vez de censura este blog ignora os post e mete-os em fila de espera.

deixado a 4/2/10 às 21:08
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Daniel:

Défices públicos, despesas públicas crescentes, endividamento galopante, peso do estado sempre a aumentar, intervencionismo nos mercados, aumentos de impostos todos os anos...

e a crise é do "capitalismo neoliberal"????

deixado a 4/2/10 às 20:39
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O Psiquiatra de Serviço
O problema não é o liberalismo económico, ou o neo-liberalismo, como já enjoa ouvir dizer. O problema é a crise de autoridade do Estado e a demissão (subornada, tá claro) do seu papel de árbitro.

deixado a 4/2/10 às 22:04
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JMG
Os lugares do Mundo onde existe qualquer coisa que se possa designar como capitalismo liberal, no sentido de capitalismo selvagem, são na China, no Vietname e em vários países cujas taxas de crescimento nos fazem morrer de inveja. Chamar neoliberais a países cuja despesa pública consolidada (não a trafulhice orçamental que é a norma na UE) ultrapassa largamente metade do PIB é brincar com as palavras. Noutro ponto do post fala-se em monetarismo como se os dois conceitos (liberalismo económico e monetarismo) fossem a mesma coisa. Eu, que não sou monetarista mas me tenho na conta de liberal atípico (não é preciso comprar o pacote todo), até concordo com boa parte do resto do artigo, sobretudo quando a adesão e a pertença ao euro são encarados com reserva. Tenho para mim que a fonte dos nossos problemas está nessa maldita adesão, porque ela supunha uma quantidade de adaptações que não foram, nem podiam ter sido, feitas, pela simples razão que um governo que as tentasse fazer, ou um partido que as propusesse, seriam severamente penalizados, e nem um nem outros são suicidas. Fazer reformas inviáveis não é clarividência, é cegueira e estupidez. Cegueira que não nos tem afectado só a nós - o Ocidente anda há mais de duas décadas a assistir impávido a um processo de desindustrialização, como se todos pudéssemos viver apenas de serviços. Lindo serviço, na verdade.

deixado a 4/2/10 às 19:55
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Jcd,
para alem do seu espanto - natural para quem até acha que os mercados são como a chuva e o sol -, o que tinha a dizer?

deixado a 4/2/10 às 19:26
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Isabel Coutinho
É sair, rapidamente e enquanto pudermos!

Sempre que quizemos viver do dinheiro dos outros, nunca produzimos nada.

deixado a 4/2/10 às 19:08
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A gente lê a primeira frase "Face à grande crise do capitalismo neoliberal" e só dá para rir... nem vale a pena continuar.

Mas será que ainda não repararam no mundo à vossa volta?

deixado a 4/2/10 às 18:56
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LAM
jcd, é a crise do capitalismo neoliberal, sim. Ou a memória está tão fraca assim que não recua 18 meses? Foi a desregulação neoliberal assente em tratados à là minute e péssima preparação da unidade monetária que conduziu a esta situação. Ou pensa que este descalabro também aconteceu por macumba como o terramoto no Haiti? Interrogue-se da razão das despesas públicas crescentes, o que as originou, o "intervencionismo" do estado que pecou foi por defeito e tarde e a más horas.

deixado a 4/2/10 às 22:46
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Pois a gente por cá não de perde; afunda-se.

deixado a 4/2/10 às 16:46
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Eu acrescentaria que qualquer utopia acaba sempre mal. Ignorar a realidade por causa de uma fantasia nunca produz bons resultados.

deixado a 4/2/10 às 17:00
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