Sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2010
por João Rodrigues


“A lógica é simples. Na doença, as pessoas vêem-se numa situação de extrema fragilidade, uma situação corrosiva para si próprias e para o corpo social. As melhores hipóteses de recuperação do bem-estar dependem da montagem prévia de mecanismos de protecção eficazes, a que todos, sem excepção, tenham acesso. O Estado, através de um contrato social com os cidadãos assente na cobrança de impostos progressivos em troca do fornecimento de serviços públicos adequados às necessidades das populações, organiza a gestão dos recursos, bens e equipamentos que melhor podem garantir a universalidade do acesso e a qualidade destes serviços. Deste modo, o financiamento do serviço prestado é feito em função dos rendimentos de cada um, e não do seu estado de saúde, para que, em contrapartida e sempre que necessário, os cuidados de saúde recebidos dependam apenas do estado de saúde de cada um, e nunca do seu nível de rendimentos. É esta a lógica do Serviço Nacional de Saúde (SNS).”

O resto do artigo da Sandra Monteiro - “Reconfigurações da saúde” - no Le Monde diplomatique  - edição portuguesa deste mês pode ser lido aqui. Se estiverem interessados na questão que vem na capa, não percam. Isto e muito mais. O mais só comprando o jornal. Façam-no e vão ver que não se arrependem. O melhor mesmo é assinar. Estão a ver? Ainda dizem que a esquerda é contra os mercados. Nada disso. Mercados, assim no plural, porque mercados há muitos e configurados de muitas formas, nos seus espaços próprios (há muitos bens cuja provisão e acesso podem e devem ser instituídos de acordo com os melhores princípios socialistas) e povoados por diversas organizações: no Le Monde diplomatique somos uma cooperativa. Há muitos modos de  (in)formar.

por João Rodrigues
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3 comentários:
Joaquim
Ora aí está um jornal que vale a pena. Faz pensar. Não está "standardizado", não tem "grafismos modernos" para servir os suspeitos do costume.

deixado a 12/2/10 às 20:35
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este jornal é inigualável.

pode parecer caro à primeira vista, 4€ nas bancas, mas lendo 2 páginas percebe-se logo que cada uma pode valer o preço de várias edições com tiragens semanais de centenas de milhares

simplesmente delicioso

e tem sido inventivo para ter viabilidade, invertendo o ciclo negativo no que toca às vendas

pena é ser a excepção e não a regra

deixado a 12/2/10 às 20:45
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É verdade João Rodrigues, o Estado deve ter a responsabilidade de garantir os cuidados de saúde a todos os cidadãos, em particular apoiando os mais fragilizados socio-economicamente.

Está, pois, na ordem do dia a questão da economia social como alternativa à velha dicotomia entre Público e Privado, como nos dizia num dos números anteriores essa excelente publicação "Le Monde Diplomatique". Com efeito, este jornal com artigos de fundo, já raros neste mundo mediático feito de "meias palavras" e de "slogans encantatórios", é disso um bom exemplo!

Saudações cordiais, Nuno Sotto Mayor Ferrão
www.cronicasdoprofessorferrao.blogs.sapo.pt

deixado a 13/2/10 às 02:08
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