Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010
por João Rodrigues


Também assisti à entrevista que Miguel Sousa Tavares fez ontem a José Sócrates. Fiquei surpreendido com a falta de preparação do entrevistador. Um exemplo: Miguel Sousa Tavares parece preparar a parte económica da entrevista com base na leitura de documentos fraquinhos, muito fraquinhos, da SEDES ou, talvez, com base em conversas com Medina Carreira. As medina-carreirices não resistem sequer a uma confrontação com um primeiro-ministro pouco à vontade com alguns factos, mas que, pelo menos, parece estar a par da crise económica internacional. Pena é que o investimento público orçamentado tenha vindo a diminuir. O aumento do défice público deveu-se fundamentalmente à quebra abrupta, mais ou menos previsível em tempos de crise aguda, das receitas fiscais e não a qualquer impulso deliberado por parte do Estado, por exemplo, através do reforço das políticas sociais ou do incremento do investimento público. Miguel Sousa Tavares tinha a obrigação de confrontar a retórica de Sócrates com a realidade das suas políticas públicas. É por estas e por outras que só se pode medina-carreirar nos planos inclinados, ou seja, com gente que pensa da mesma forma. Mas gostei de ver a filosofia pinista de Sócrates exposta: os privados não constroem em zonas de risco, por exemplo, em leitos de cheia, porque isso não é do seu interesse. Terei percebido bem? Bom, haja confiança. De resto, pouco estudo e algum preconceito liberal fazem com que Sócrates deseje mais entrevistas destas. Este jornalismo televisivo como contrapoder? Fogo.

por João Rodrigues
link do post | comentar | partilhar

29 comentários:
Nuno Rebelo
Não sei se tomaram conhecimento, mas Medina Carreira disse, num dos últimos "Plano Inclinado" que o "Goebbels em Portugal seria um menino de coro".

Sim, não tenho problemas em dizer o que muitos pensam. Medina é avariado da cabeça, sempre foi, provavelmente.

deixado a 23/2/10 às 11:06
link | responder a comentário

M.Ribeiro
O único sinal de fogo que vi foi a fumaça.

deixado a 23/2/10 às 11:10
link | responder a comentário

"Fiquei surpreendido com a falta de preparação do entrevistador."

A sério?
Acredita mesmo nisto?
Se há coisa que MST não gosta, é de deixar os seus créditos por mãos alheias pelo que me cheira a "trabalho encomendado".

Repito, sinais de fogo? Só se for fátuo.

deixado a 23/2/10 às 11:23
link | responder a comentário

Como se o Miguel Sousa Tavares, chega-se aos calcanhares do Medina Carreira...

Uma qualquer pessoa que deixa a sua ideologia ou as suas crenças pessoais, deturpar a realidade, está inevitávelmente a cometer um erro crasso. E parece-me que é o caso, passo a explicar:

1) O Medina Carreira tem razão na maioria das coisas que diz, porque se baseia em factos e verdade.

2) Não é prudente tratar com desdém as "medino-carreirices" quando ainda não sabemos o que vai acontecer em Portugal. As tais ajudas que tanto se falaram, ás pequenas e médias empresas, perderam-se em conversa, e o impacto real das tais ajudas foi praticamente nulo. Existe uma quantidade de empresas a exceder os limites de endividamento, são empresas à espera da melhor altura para fechar, muitas delas já estão a preparar falência. Esta realidade afecta uma percentagem considerável de empresas, e é esta a corda-bamba que vamos atravessar, o resultado pode ser um problema ou uma pequena desgraça.

deixado a 23/2/10 às 11:37
link | responder a comentário

Nuno
Falava em termos de propaganda, e não ideológicos...

deixado a 23/2/10 às 12:11
link | responder a comentário

Pois é, mas o Medina Carreira também diz muitas verdades, aliás em termos económicos quase tudo o que ele diz é verdade.

Só um exemplo : os funcionários públicos ganham em média um bocado mais que os seus equivalentes no sector privado, sendo que aqueles não produzem absolutamente nada ao contrário destes.

E o que o Medina Carreira, e muitos outros, pergunta é isto : Portugal produz riqueza suficiente para sustentar os pançudos da Função Pública mais os seus intermináveis privilégios, espaldados pelos partidos que fazem dessa gente a sua clientela politica ?

E eu pergunto mais isto : é ético e justo que os pançudos dos Funcionários Públicos usufruam uma regra especial que diz que eles não podem ser despedidos, ao contrário dos restantes portugueses, mesmo que o Estado esteja em situação de falência ?

Há alguma lei que diga que os pançudos dos Funcionários Públicos têm de ser aumentados todos os anos, esteja o país bem em termos económicos, ou esteja mal ?

O Medina Carreira, e muitos outros que os progressistas profissionais da treta apelidam pejorativamente da "neo-liberais", dizem muitas verdades, verdades que qualquer português que não esteja a mamar da teta do Estado constata todos os dias.

O ano de 2009 foi um ano terrivel para muitos portugueses. E para os pançudos dos Funcionários Públicos terá sido ? Foram os unicos com aumentos reais, nenhum foi despedido porque isso é proibido, ninguém os obrigou a trabalhar, e sendo assim a conclusão é esta : os pançudos dos Funcionários Públicos tiveram conhecimento da Crise pela televisão, porque quem a sentiu e pagou não foram eles.

deixado a 23/2/10 às 12:12
link | responder a comentário

JMG
Antes da crise, e para reduzir o défice, Sócrates cortou no investimento público (a despeito da sua retórica), aumentou os impostos (a despeito da sua retórica) e desorçamentou (a despeito da sua retórica). Se bem entendo o raciocínio, Sócrates nunca deveria ter reduzido o investimento público, isto é, teríamos chegado à crise com um défice superior e, agora, não teríamos à volta de 9 mas à volta de 12 ou 13%. E, parece, estaríamos melhor?!

deixado a 23/2/10 às 12:17
link | responder a comentário

Manolo Heredia
Ou é falta de preparação do entrevistador, ou é boa preparação do entrevistado.
Das duas, três.
Sendo que a terceira é a hipótese do entrevistado bastar-lhe dizer a verdade para derrotar o entrevistador.
A verdade é uma arma muito poderosa. Talvez por isso ninguém se atreva a despedir o homem.

deixado a 23/2/10 às 12:59
link | responder a comentário

Só tenho uma dúvida e gostava de aprender na prática, como conseguir, viver eternamente a pagar empréstimos e respectivos juros e de não sofrer as consequências de entrar no ciclo vicioso de pedir mais empréstimos, não só para pagar os anteriores mas de poder continuar a gastar, como se não tivesse dívidas :-)
Não me preocupa o investimento público ter vindo a diminuir, mas sim, onde ele tem sido aplicado.
Dinheiro é dinheiro, muito ou pouco, o que é preciso é saber geri-lo e fico cheia de curiosidade como é que governa o seu ;-)

deixado a 23/2/10 às 14:18
link | responder a comentário

João de Lagoa
Depois da entrevista fiquei com a sensação que não há fumo sem Sinais de Fogo!...:)
No incêndio que lavra na política portuguesa serão os mais valentes bombeiros os mais perigosos incendiários?...:)

deixado a 23/2/10 às 14:30
link | responder a comentário

Comentar post

pesquisa
 
TV Arrastão
Inquérito
Outras leituras
Outras leituras
Subscrever


RSSPosts via RSS Sapo

RSSPosts via feedburner (temp/ indisponível)

RSSComentários

arquivos
2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


Contador