Quinta-feira, 4 de Março de 2010
por João Rodrigues


O  poder de compra dos funcionários públicos caiu 6% entre 2000 e 2009. As despesas com pessoal da Administração Pública diminuíram 11,1%, em termos nominais e para os dez primeiros meses de 2009, face ao mesmo período de 2007. As despesas com a aquisição de serviços a privados por parte da administração pública central, entretanto, aumentaram 11,6% no mesmo período. O que antes era feito pela administração passa a ser feito, cada vez mais, por privados pagos pelos contribuintes. Estas são as principais conclusões de um estudo do economista Eugénio Rosa.

Entretanto, um patusco Secretário de Estado apelou ontem ao interesse nacional dos funcionários públicos. Acho muito bem. Austeridade partilhada e tal. É claro que este apelo vem de um governo que decidiu taxar convenientemente as mais-valias bolsistas, criar um imposto de solidariedade sobre as grandes fortunas, definir um quadro exigente de apropriação pública das mais-valias fundiárias, taxar convenientemente os lucros da banca, acabar com benefícios fiscais regressivos, rever parcerias público-privadas ruinosas, acabar com subcontratações opacas (por exemplo, a escritórios de advogados ou a empresas de consultoria com muitos ex-ministros nas folhas de pagamentos), acabar com a zona franca da Madeira, taxar e bem os bónus em todos os sectores económicos, limitar o período dos contratos a prazo, aumentar o investimento público orçamentado para combater a crise, agir diplomaticamente para criar uma aliança de países que pressionem a Alemanha a deixar-se de monetarismos e de neo-mercantilismos ou resistir a um Tratado de Lisboa que reafirma o desgoverno económico da zona euro. Assim sim.

Mais uma coisa: a greve de hoje é um sinal. Um sinal da disposição para resistir colectivamente ao aprofundamento do projecto de retrocesso social e, quem sabe, para conseguir avanços neste quadro de luta social que terá de ter escala europeia. É que se a utopia do PEC for levada a sério temos depressão e mais desemprego e, logo, défices maiores. Chama-se efeito perverso: é a crise que causa o défice. Esta greve diz respeito a todos: trabalhadores do sector público e do privado. O interesse nacional passa por aqui e não por um governo refém da chantagem de mercados financeiros ainda liberalizados. Ainda.

Nota de rodapé: não sou funcionário público.

por João Rodrigues
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27 comentários:
Cláudio Tereso
Tenho uma pena dos funcionários públicos que só visto.

Não são despedidos, as empresas onde trabalham não fecham, não têm os salários reduzidos, tem mais regalias sociais que quem trabalha para o privado. Enfim, são uns desgraçados.

deixado a 4/3/10 às 10:58
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lingrinhas
Esta greve diz respeito a todos publico e privado #. esta é para rir esta greve é para todos pagarem e não mais que isso.E mesmo assim no publico mais atestado menos atestado a coisa corre .Só há alguns que fazem greve porque estão á mesa do orçamento assim é facil não trabalham e quem se lixa e paga é o mesmo aí sim é o publico e o privado somos todos a pagar para os mesmos.

deixado a 4/3/10 às 11:21
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Os funcionários públicos deveriam era de ter vergonha na cara, que é coisa que nunca tiveram.

Não passam de uns pançudos privilegiados, cheios de regalias e de garantismos, muito acima das dos restantes trabalhadores.

É totalmente inadmissivel que durante as crises económicas só os trabalhadores do privado sofram e as paguem. É totalmente inadmissivel que só estes sejam despedidos e que os FPs tenham os seus empregos totalmente blindados por leis que os protegem, mas só a eles, mesmo que o Estado seja uma entidade falida.

Espero que o Governo seja totalmente irredutível seja perante greves, seja perante manifs, e que para os ordenados acima de 1200 euros faça cortes de 10%.

No ano de 2009, com os aumentos que os FPs tiveram, pagos por todos nós, e com o emprego garantido, os FPs só tiveram conhecimento da crise pelos meios de comunicação, quem a sofreu fomos todos nós cá fora !

Tenham vergonha !

deixado a 4/3/10 às 11:38
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Não foram os funcionários públicos a provocar a situação actual.

Não foram os soldados franceses que perderam a guerra. Limitaram-se a morrer.

deixado a 4/3/10 às 11:57
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isso é muito bonito, não se desse o caso de esta greve ser basicamente uma greve de professores e de médicos - sectores fustigados pela crise como toda a gente sabe.

deixado a 4/3/10 às 12:03
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Outside
Ó Chico, larga o medronho ao pequeno-almoço que só te faz é mal ao pensamento.

Eu só escrevo do que conheço.

Tu só escreves o que desconheces.

Vergonha deverias de ter tu pelas inverdades que destilas em cada frase.

deixado a 4/3/10 às 12:13
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Força João, sente-se uma dinâmica cada vez maior na sociedade portuguesa que luta por um país mais justo e igual, o que como temos visto é condição fundamental para a mobilidade social e dinamismo económico.

Este e o teu outro blogue muito têm contribuido para isso, com estudos empíricos, factos, números a contrabalançar todo o discurso neo-liberal de uma parte dos economistas pós-modernos.

Continuará sempre a haver comentários como o 1 ou o 2, que morrem à nascença e cuja estrutura argumentativa vale por quem os escreveu. Cada um sacode a água do seu capote, mas nenhum apresenta alternativas sérias e fundamentadas.

As nossas ideias nunca triunfaram, porque são exactamente isso, ideias, mas a nossa abordagem dos problemas, mais transdisciplinar e por definição mais humana, poderá eventualmente prevalecer. É essa a nossa esperança.

deixado a 4/3/10 às 12:14
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Nuno
Há FPs e FPs... enquanto não existirem chefias competentes e um sistema de avaliação transparente, haverá sempre FPs incompetentes.
Enquanto não existir uma real reforma da FP, haverá sempre inúteis e excedentários, enquanto que por outro lado existem aqueles que têm que trabalhar a dobrar. Infelizmente o status quo, mantido por Governos e por SINDICATOS, permita que façam estas análises simplistas em que todos são metidos no mesmo saco.
E é mais fácil uma maçã podre contagiar as frescas, do o inverso.

deixado a 4/3/10 às 12:37
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[...] se devem identificar. Todavia, creio que se identificarão de forma negativa. E é fácil perceber; não são necessários exercícios de macroeconomia. O sector privado em Portugal, com o contributo do novo código laboral aprovado pela maioria do [...]

deixado a 4/3/10 às 12:38
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Libertário
Já trabalhei no estado e garanto-lhe que isso não é completamente verdade.
Primeiro porque existe muita gente a recibo verde.
No meu caso e tal como a maior parte dos meus colegas tinha um contrato administrativo de provimento anual (ou algo parecido) no final do qual bastavam 20 dias de aviso e rua!. Pagava uma brutalidade de impostos e nem direito ao subsidio de desemprego tinha.
Curiosamente imediatamente antes e depois de cada eleição entravam uma data de pessoas para directamente para o "quadro", obviamente pessoas com cartão partidário, e nisto dou-lhe total razão. Para mim militancia partidária e funcionalismo publico são incompatíveis.

deixado a 4/3/10 às 12:49
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