Quinta-feira, 11 de Março de 2010
por João Rodrigues
 

“A soma de PECs restritivos é uma enorme recessão. A soma de ‘esquerdas’ moles, adaptativas, conformadas e respeitadoras dos ‘mercados’, é uma social-democracia europeia incapaz de contribuir para evitar o desastre anunciado.”

José Castro Caldas

Acho que eu e João Galamba convergimos na radiografia do problema económico europeu e na reforma da arquitectura do seu governo económico. No entanto, noto que Galamba é uma voz relativamente isolada no PS e que a sua noção de realismo é, talvez por causa disso, pouco exigente. Vital Moreira continua a ditar a ordoliberal lei, aderindo automaticamente a toda as vulgatas que vêm da Comissão Europeia e cujos resultados estão à vista: duas décadas perdidas para o país e para a UE e o tédio que foi ter de ler documentos da famigerada, e obviamente fracassada, “Agenda de Lisboa”. Este europeísmo feliz e acrítico tem representado a autodestruição da social-democracia, como tenho argumentado nestes últimos anos.

A margem de manobra nacional é agora mais reduzida. O bloco central tem todas as responsabilidades neste buraco socioeconómico. Assim, apela-se à ética da responsabilidade. A UE tem de mudar ou acabar, mas, enquanto isso não acontece, há algumas alternativas realistas à política de austeridade assimétrica permanente do governo, que Belém e o resto da direita aprovam, apesar de divergências mal encenadas por parte dos Frasquilhos desta vida.

Neste sentido, que tal medidas concretas para uma economia mais decente? Talvez conseguíssemos com este programa, pelo menos, duas coisas. Em primeiro lugar, mais justiça fiscal, provisão pública de bens sociais e algumas políticas públicas oportunas de combate à crise. Em segundo lugar, uma menor discrepância entre a plataforma eleitoral com que o deputado João Galamba se apresentou aos eleitores e as medidas que acabará por votar se a “doutrina do choque”, que Pedro Viana oportunamente invoca, se aplicar uma vez mais e com os mesmos resultados de sempre…

por João Rodrigues
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4 comentários:
JMG
Segui os links. Sim senhor, PEC coerente e bem construído, o do BE. Tem porém dois defeitos: um menor, que é o de algumas das medidas terem fatalmente resultados perversos - o ataque fiscal a quem tem mais meios para ser taxado vai provocar evasão fiscal e retracção do investimento privado, porque só as vacas é que se deixam mungir sem reagir; outro maior, que é o de aumentar o peso do Estado na economia, que de há muito é excessivo, para níveis estratosféricos. Parece que o novo Sol na terra são os países nórdicos: estes porém, quando tinham taxas de crescimento que lhes permitiram saltar de um relativo atraso para um relativo avanço, não tinham o peso do Estado que vieram a adquirir. Mas o aparato de erudição económica em torno destes assuntos a mim deixa-me intimidado. Consolo-me com a ideia de que há catedráticos da área a dizer tudo e o contrário de tudo; e entristeço-me a pensar que não podem estar todos certos mas podem estar todos errados. Ná, vou antes pela minha modesta cabeça: não é grande coisa mas está assente em cima dos ombros.

deixado a 11/3/10 às 16:50
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Gestrundino Malaquias do Coiro Calhau
JMG, você faz falta no BE.

Cumprimentos

deixado a 11/3/10 às 18:53
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JMG
No BE, Amigo Gestrundino?! Leu bem o que eu escrevi? Sou um facho com uma costela anarca, outra vaidosa, outra treteira e outra independente; mas as restantes 20 sabe onde estão? Estão na direita liberal (enfim, certa variedade), meu equivocado Amigo. Mas obrigado na mesma, não sou de deitar fora um cumprimento, mesmo que imerecido.

deixado a 11/3/10 às 21:41
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Justicialista
Eu não vejo muito futuro para UE. Quer evoluir no neo-liberalismo sem aprofundar a democracia... onde é que isto vai parar.

deixado a 12/3/10 às 02:47
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