Segunda-feira, 22 de Março de 2010
por João Rodrigues
Nas últimas duas décadas, as elites intelectuais e políticas nacionais viveram um romance europeu. Do "pelotão da frente" de Cavaco ao "porreiro, pá" de Sócrates, todas as más opções de política foram justificadas em nome de amanhãs europeus que cantavam: da convergência nominal dos anos noventa que minou a competitividade das nossas exportações até à aprovação de um Tratado de Lisboa que confirma a impotência da União no combate à crise económica. Um romance que nunca ousou escrutinar ou criticar a viragem neoliberal da construção europeia desde Maastricht, na origem de muitos dos actuais problemas socioeconómicos europeus e nacionais.

O resultado é que Portugal é um dos países mais desiguais da Europa e uma das economias mais dependentes. Agora, com o PEC, procura-se uma inglória saída pelas exportações através da compressão dos salários, facilitada pela brutalidade de um desemprego de dois dígitos e por cortes nas despesas sociais. As elites já nem fazem promessas: a austeridade assimétrica - alguém se lembra de uma medida dirigida à banca? - é apenas um sacrifício no altar da intocada financeirização da economia responsável pela crise. A União realmente existente alimentou-a e agora exige-se aos assalariados, desempregados e pobres que paguem a crise. Quando os países europeus tentam fazer recair sobre estes grupos sociais o fardo do ajustamento, o resultado perverso à escala europeia é uma contracção do mercado interno europeu.

O resto da minha crónica no i pode ser lido aqui.

por João Rodrigues
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3 comentários:
Justicialista
Não podia concordar mais com o texto e com o autor do mesmo. A Europa foi uma oportunidade perdida, e os compromissos assumidos pelo país, quando acabar a mama europeia, vão levar a muitos sacrifícios, desde o PEC até ao Euro passando pela PAC, PCP e pela perda de soberania.

deixado a 23/3/10 às 00:21
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Helder
Se o casamento não foi famoso, palpita-me que vai ser um daqueles divórcios de merda.
Alem de termos casado com separação de bens, ainda por cima estamos na situação da mulher, preta, desempregada, analfabeta, com mais de 55 anos e 10 filhos de quem não podemos provar a paternidade.

Bom artigo João

deixado a 23/3/10 às 06:22
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Antonio Cunha
Claro, se não tivéssemos entrado na Europa onde estaríamos agora ?

Todos os outros economistas são burros, só o nosso iluminado de serviço é que tem o dom da sabedoria divina.

deixado a 23/3/10 às 13:23
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