Domingo, 11 de Abril de 2010
por João Rodrigues


Um ciclo, cada vez mais predador, de duas décadas de privatizações já nos devia ter imunizado contra as ficções liberais: os que dizem querer retirar o Estado dos “negócios” tentam apenas reconfigurar o Estado para que este sirva melhor os interesses de certos negócios, por exemplo, assegurando a transferência maciça de recursos públicos para mãos privadas. Está é, aliás, a essência do regime neoliberal. Passos Coelho, como é evidente, não muda uma linha no consenso do bloco central.

Miguel Frasquilho, economista do PSD e ex-economista-chefe do BES, teve o mérito, a incoveniente honestidade, de clarificar uma das opções do bloco central no actual PEC: diminuir o poder de compra dos salários. A estratégia da direita política no PEC vai passar por disfarçar as convergências de fundo através da contestação aos cortes anunciados nos regressivos benefícios fiscais. De resto, o mesmo de sempre, mas com nova terminologia: "tributo solidário", mas só para os mais pobres, num dos países mais desiguais da Europa. A selectividade da reciprocidade em tempos de crise e de desemprego é impressionante: a exigência e a disciplina são boas, mas só para quem tem menos recursos e poder…

por João Rodrigues
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35 comentários:
António Cunha, sendo Portugal o país com mais desigualdades sociais na Europa podemos dizer que o Estado Social falhou em POrtugal por nunca ter existido.

deixado a 12/4/10 às 10:32
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CausasPerdidas
- Olh'à social-democracia!
- Olh'ò socialismo democrático!

- Méeee! [Viva!]

- Pumba! Abre-me essa Constituição!
- Catrapumba! Vira para cá esse Estado Social!

- Méee... mé, méee...
[vocês disseram que era só até vencer a crise]

- Dá-lhe SIC, manda-lhe RTP, despeja-lhe TVI!
-Amén!

- Nunca vi república tão lanzuda como esta...
- Adoro o cheiro a tosquia pela manhã!
- Mé?

(in "Pornogal, Inferno Laranja-Rosa")

deixado a 12/4/10 às 10:12
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Antonio Cunha
O estado social conforme foi idealizado para Portugal falhou. Falhou e está sem dinheiro.

A o BE e o PCP como partidos irresponsáveis que são, acham que o problema se resolve atirando mais dinheiro para cima.

Não é preciso dar um tiro no pé para saber que é uma ideia estupida. Do mesmo modo estão as politicas da extrema esquerda.

Por outro lado chamar partido de direita ao PSD só pode ser uma piada, e considerar PPC neo-liberal é estúpido. O PSD nos estados unidos seria um perigoso partido de esquerda com traços comunistas.

Portugal tem que se reinventar, e se queremos manter alguma das regalias sociais como a saude gratuita, a educação gratuita e as reformas, temos muito que dar ao canivete.

E é preciso cortar o mal pela raiz. E isso começa com a redução do peso do estado. O resto são cantigas.

deixado a 12/4/10 às 09:45
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[...] Vi no excelente blog do nosso amigo Arrastão [...]

deixado a 12/4/10 às 03:23
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De todo o discurso, a parte mais arrepiante é a que se propõe cortar nos subsídios de desemprego e aplicar essas verbas no estímulo das empresas, quando todos sabemos que os actuais estímulos às empresas apenas servem para aumentar os contratos precários, cortar nos salários e encher os bolsos até decretar insolvência.
Este tipo de discurso contém em si uma mensagem que não deveria ser ignorada pela maioria do eleitorado, que infelizmente é uma maioria de classe média que cada vez mais vive apertada. Contudo, parece que estamos a condenados a ter Passos Coelho como 1º Ministro.

deixado a 12/4/10 às 02:29
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Daniel
Acho bem que o PSD se afirme como partido neo liberal de direita, nao e ideologia que eu subescreva, mas e mais util a democracia do que serem o partido de eterno combate ao defice, contudo continuo a achar uma falta de respeito se chamarem sociais democratas.

deixado a 12/4/10 às 02:10
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[...] This post was mentioned on Twitter by Arrastão. Arrastão said: Arrastão Passos perdidos: Um ciclo, cada vez mais predador, de duas décadas de privatizações já nos devia ter imu... http://bit.ly/aKRoGc [...]

deixado a 11/4/10 às 23:04
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Justicialista
Pelo menos esses não têm vergonha nem qualquer problema em se afirmarem (neo) liberais, de direita e pró-capitalistas. O PSD afirma-se claramente como partido anti-social e como partido das elites.

Com o PSD claramente à direita, o PS ou vira à esquerda ou corre o risco de mal por mal, o eleitorado de direita preferir o orignal à cópia.

Só espero que o Obama português não tenha um percurso tão efémero como teve a Margaret Tatcher portuguesa no PSD.

deixado a 11/4/10 às 23:08
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João
Eu já emigrei! Que na França, Alemanha e Inglaterra pagam-me 3 vezes mais e a vida é igual ou mais barata que em Lisboa! O problema de Portugal não é o salário mínimo ser de (menos de) 500€. O problema é que está tudo inflacionado e os impostos são demasiado elevados para o serviço que o estado presta! Fujam enquanto podem! Isto claro se tiverem cursos superiores em ciências e engenharia! Uma vida bem bem melhor vos espera por cá!

deixado a 11/4/10 às 23:51
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Agora é que o João me diz. Já tirei o de Direito pah! :(

deixado a 12/4/10 às 00:48
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