Domingo, 16 de Maio de 2010
por João Rodrigues
"[N]ão é com políticas conjunturalistas (...) que se podem resolver os problemas estruturais da economia. Tais políticas podem, transitoriamente, reduzir os défices externos mas não resolvem as suas causas. Podem, temporariamente, reduzir o ritmo de crescimento da dívida externa, mas não a diminuem. E lançam o país num círculo infernal das recessões cada vez mais prolongadas e profundas, de destruição progressiva da base produtiva, de desemprego crescente, de agravamento constante da miséria e da dependência externa económica, financeira e política."

Octávio Teixeira, 1983.

Vale a pena ler o excelente trabalho de João Ramos de Almeida no Público. A memória é uma arma. Octávio Teixeira, Carlos Carvalhas, Sérgio Ribeiro, Francisco Louçã, João Ferreira do Amaral e poucos mais economistas alertaram a tempo e horas para os perigos da integração dependente da economia portuguesa no euro. Enfim, o retrato da actual configuração do capitalismo português, depois de um longo ciclo, com mais de vinte anos, de constante liberalização, de maciças privatizações e de irresponsável perda de instrumentos de política económica, sem contraponto em novos mecanismos de política pública dignos desse nome à escala da União Europeia, revela que a fractura social e a estagnação económica são os dois principais capítulos do romance de mercado, transformado em guia para a política, na semiperiferia da economia global. A história repete-se e a tragédia continua.

por João Rodrigues
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26 comentários:
E é preciso ser-se economista para perceber que começámos mal e continuámos pior? Besta sou eu e já cheguei a essa conclusão há muitos anos.

deixado a 16/5/10 às 16:37
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UFO
Apesar das boas intenções de quem escreve neste espaço pluralista, denunciando diariamente os excessos do capitalismo actual, teria todo o gosto em perceber que tipo de mudanças defendem.

deixado a 16/5/10 às 16:49
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[...] This post was mentioned on Twitter by Arrastão. Arrastão said: Arrastão Memória económica: “[N]ão é com políticas conjunturalistas (…) que se podem resolver os problemas estrutu... http://bit.ly/b8zwtY [...]

deixado a 16/5/10 às 17:09
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Barton Fink
A culpa é da "constante liberalização, de maciças privatizações e de irresponsável perda de instrumentos de política económica"!!
A conclusão é meramente fruto dos preconceitos habituais.
Não deviamos congratularmo-nos porque os povos mais pobres (China, India, Brasil,...) estão a enriquecer e os paises mais ricos (Europeus, EUA,...) estão a sofrer as consequências?
O capitalismoa conseguiu afinal aquilo que o socialismo apenas prometeu?

deixado a 16/5/10 às 17:37
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Transmontana
É o que dá ter a mania das grandezas dos nossos governantes, queriam comparar-se à Alemanha e deu nisto. Que tipo de mudanças? Só pode ser cortando nas despesas, e deixar de ter tantos boys, a comer à conta do Estado. Há muito por onde cortar, sem ser nos mais desfavorecidos, mas isso é prejudicarem-se a eles próprios e aos que os mantêm no poder, e coragem para isso não há, eu penso que até vai acontecer quando a malta se revoltar. Vamos ver até onde se aguenta...

deixado a 16/5/10 às 17:51
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João Rodrigues,

Não se esqueceu de Sergio Ribeiro </a>?? Quando for grande quero pensar assim. Dá gosto ouvir figuras destas, os craques nem piam...

deixado a 16/5/10 às 19:35
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http://vimeo.com/7154513

deixado a 16/5/10 às 19:36
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Sergio Ribeiro " (http://vimeo.com/7154513) Porque será que esta corrente de economistas não aparecem no debate?? Se calhar não aparece por pensar assim

se o link não der paciencia

deixado a 16/5/10 às 19:45
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Antónimo
Bem, se sabe que eles denunciam diariamente os excessos do capitalismo não vejo maniera de não saber que que tipo de mudanças defendem. Já agora passe também pelos Ladrões de Bicicletas, não vejo como ser mais claro.

deixado a 16/5/10 às 21:09
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da Maia
Caro Bolota,

você até parece ser uma pessoa sensata... mas enfim, se esta sua sugestão de 2008 não é clubismo partidário, é o quê?

A menos que o link esteja errado fui dar a um debate de 2008, onde o Sérgio Ribeiro se lembrou de enunciar a Irlanda como bom exemplo...

Teria sido bem melhor trazer à baila um discurso típico do PCP em que se acusa a sistemática destruição do aparelho produtivo português.

Quer saber qual deveria ser o discurso do PCP actualmente? - É simples:
- "Avisámos há décadas que esta política económica nacional iria levar à destruição da nossa capacidade produtiva. Com o progressivo abandono da agricultura, pescas, indústria, fomos levados a uma situação de total dependência externa. Neste momento já não somos um país independente, por culpa dos interesses..."

Só que logo aqui alguém faria sinal ao camarada, lembrando que esse grupo de interesses atravessa todos os partidos, e que era "melhor não falar nisso"...

Estamos nesta situação há décadas, para não dizer... em boa verdade, há séculos!

Revolucionários desses o "sistema" agradece, e até lhes paga o pequeno-almoço...

deixado a 16/5/10 às 21:36
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