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Arrastão: Os suspeitos do costume.

O dinheiro dos bancos está garantido, mas quem nos garante que os bancos mudam?

Pedro Sales, 13.10.08
O Governo anunciou ontem um aval de 20 mil milhões de euros à banca. Desde hoje, os contribuintes passaram a ser os fiadores das práticas bancárias. Os administradores dos principais bancos foram rápidos a elogiar a medida. Compreende-se. Ao contrário de Gordon Brown, que nacionalizou parcialmente a banca, mas forçou os bancos a aceitar um plano que prevê um corte radical nos salários e prémios dos gestores e nos dividendos a distribuir pelos accionistas nos próximos tempos, José Sócrates colocou o nosso dinheiro em jogo sem exigir nada em troca. O Governo garantiu o risco aos bancos. Tudo bem. Mas quem é que nos garante que estes vão mudar as suas práticas? Hoje, garantidos com o nosso dinheiro, os bancos portugueses podem continuar a sua vidinha, ainda por cima com a certeza que o Estado vai lá estar para lhes amparar a queda. Capitalismo sem risco, o velho sonho da nossa classe empresarial, e sem concederem qualquer contrapartida. A diferença é esta. Gordon Brown disse “toma lá dá cá”. José Sócrates arriscou o nosso dinheiro sem exigir nada em troca. O costume.

Actualização: sobre este mesmo tema ler José Medeiros Ferreira: "O Estado não é o avalista obrigatório dos empréstimos inter-bancários que as notícias dão a entender, pois não? Porque isso seria colocar os poderes públicos a reboque de estratégias privadas e agravar a subordinação do poder político ao poder económico. e não é isso que se pretende, pois não?"

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