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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Liberdade

Daniel Oliveira, 18.01.08
«A Mesquita Central de Oxford, muito conspícua, com minarete e cúpula, reclamou agora o direito de fazer apelo à oração, com o ruído que a ortodoxia recomenda. (...) Já em Roma, um grupo de professores não permitiu que o Papa Ratzinger - um académico, um filósofo e um teólogo - fosse à Universidade de Roma, "La Sapienza", em nome da laicidade da investigação e do que ele pensa (se pensa) sobre a condenação de Galileu. (...) A liberdade invocada para autorizar um muezzin em Oxford é a mesma liberdade invocada para não permitir que o Papa fale na Universidade em Roma.»
Vasco Pulido Valente

Para Vasco Pulido Valente a rua e a Universidade são a mesma coisa. Assim, para haver equilíbrio, ou as universidades deveriam deixar de ter a liberdade para convidar ou não convidar quem entendessem (na verdade, ao contrário do que diz Pulido Valente, Ratzinger foi convidado e perante protestos decidiu, em liberdade, não aceitar o convite) ou o Estado pode decidir que religiões podem e não podem fazer ruido na rua, onde ninguém está presente a convite e onde ninguém pode proibir (felizmente) os sinos (suponho que estes não sejam ortodoxos) de tocar a rebate. Só com comparações absurdas (e alteração dos factos) se pode sugerir o absurdo: que graças ao multiculturalismo a Igreja católica vive quase na clandestinidade em Itália e que o Islão já está a tomar conta do Reino Unido. Não querem ver que até têm mesquitas? E até fazem barulho. Fanáticos!

Os dois exemplos são óptimos exemplos de liberdade: os muçulmanos são livres de, como os cristãos, manifestar a sua religiosidade. Os não-muçulmanos são livres de não gostar, mas não o podem proibir. Perante os protestos, os muçulmanos seriam livres de desistir desta sua vontade. Ou de não desistir. Os católicos (ou não-católicos) são livres de convidar o Papa para falar numa Universidade. Os não-católicos são livres de não gostar, mas não o podem proibir. Perante os protestos, o Papa é livre de recusar o convite. Ou de não o recusar.

Em Alepo, em Damasco e em Istambul ouvi os sinos de igrejas cristãs. Os sirios e os turcos normais não pareciam ficar incomodados nem considerar que aquilo era «ruído que a ortodoxia recomenda».

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