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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Defender a privacidade, obrigação do cargo público

Daniel Oliveira, 01.04.08



Sobre a confissão do novo Governador de Nova Iorque, David Patterson, revelando que quer ele quer a mulher tinham tido casos extra-conjugais, escreveu José Vítor Malheiros um excelente texto que me tinha escapado. Aqui fica um excerto, via O Tempo das Cerejas: «recusar aos políticos a reserva da sua vida privada é recusar a própria dignidade do que é privado».
Pelo seu interesse, permito-me citar na íntegra o parágrafo final desta crónica:«O segredo não é uma característica do vergonhoso como defendem os inquisidores, mas um direito e uma condição de liberdade. Não é que tenhamos o direito de não responder a estas perguntas. Temos o direito de não ser interrogados sobre elas. Temos o direito a que ninguém (na esfera pública) nos pergunte se dormirmos com outra mulher ou com outro homem. E temos o direito e o dever de combater o totalitarismo. O gesto de Patterson exigiu coragem, mas foi também um gesto de concessão ao que de mais venenoso existe nas nossas democracias. Se todos os políticos admitirem esta intromissão na sua vida privada, se admitirem aos rivais, aos media e aos vizinhos este escrutínio da sua esfera íntima, que valores defenderão ? E que garantias nos dão de que irão defender as nossas liberdades, quando chegar a nossa vez?».

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