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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Vitima de si próprio

Daniel Oliveira, 16.05.08
Sócrates queixa-se do "calvinismo moral radical". Das duas uma: ou aquilo a que Sócrates chama de calvinismo se manifesta contra o facto dele fumar, e aí ele foi o único a dar sinais de padecer de tal maleita: foi ele, sem que ninguém lho pedisse e num gesto disparatado e inédito em Portugal, que prometeu deixar de fumar. Ou o "calvinismo moral" manifesta-se na censura social a um determinado comportamento. Acontece que esse mesmo comportamento passou a ser ilegal por uma lei feita aprovar pelo próprio Sócrates. Se Sócrates pode pôr os ficais da ASAE atrás de nós, queixa-se de quê quando nós, cidadãos, queremos a ASAE atrás dele?

É simples: eu passo a poder fumar em todo o lado e vão ver como me passa já o calvinismo. Até lá, caro primeiro-ministro, ou há justiça ou comem todos. Se eu não posso fumar, o senhor não pode fumar. A indignação com o seu comportamento é, de facto, moral, mas nada tem de calvinista. É democrática: quem decide impor a todos determinadas regras tem de as cumprir.

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