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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Tempos modernos, tempos antigos

Daniel Oliveira, 20.06.08



A Europa prepara-se para permitir horários de trabalho até 65 horas semanais. Em vários países europeus, o assunto está na agenda pública, como em França, onde vigora um regime de 35 horas. Estaremos condenados a trabalhar mais e mais e a copiarmos os modelos indiano ou chinês? Este é um dos assuntos que o Expresso tratará amanhã. Ouviu especialistas, políticos e sociólogos, sindicalistas e empresários.

Um dia será explicado aos trabalhadores europeus que é impensável terem um mês de férias. Que é impensável terem fim-de-semana. Que é impensável só poderem começar a trabalhar depois dos 14 anos se não forem qualificados. Que é impensável terem direito à greve. Que a civilização que conquistámos no século XX é pouco competitiva.

Mas haverá um factor com o qual os neo-liberais nunca contam: a política e a resistência social. Não contam com elas nem aqui nem nos países emergentes, porque o que sabem de economia falta-lhes em história. Por cá, a sua agenda radical poderá bem dar força a movimentos proteccionistas. A sua agenda radical poderá travar, da pior maneira, a própria globalização económica. Por lá, o enriquecimento fará crescer movimentos democráticos e de reivindicação. Com isso eles contam. Mas partem do princípio que tal acontecerá de forma harmoniosa e natural. Só que nunca assim foi.

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