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Arrastão: Os suspeitos do costume.

A mistificação dos rankings II

Pedro Sales, 31.10.08



Através do Jornal de Notícias descubro a interpretação que o director do Colégio São João de Brito tem para os resultados dos alunos deste colégio.

Amadeu Pinto é de opinião que o sucesso das escolas privadas está no projecto educativo. "Nas escolas oficiais, esse projecto não passa de um proforma", referiu, para destacar, ainda, a estabilidade do corpo docente como também uma mais-valia dos colégios. Por outro lado, Amadeu Pinto critica o "facilitismo" que existe nas escolas de ensino oficial.

Ora, como o projecto educativo do colégio São João de Brito é o mesmo do Instituto Nun´Álvares e do Colégio da Imaculada Conceição, vale a pena conhecer a interpretação que o director deste último tem para os resultados dos seus alunos: “o Colégio de Coimbra fica num meio paupérrimo”. “é um meio rural, com fraco nível cultural. Teríamos outra posição no ranking se estivéssemos mais perto de Coimbra”.

Ora aí está. Quando uma escola privada tem bons resultados a explicação é a excelência do projecto educativo. Quando tem maus resultados com o mesmo projecto educativo, mas sem a vantagem competitiva de poder escolher os seus alunos, é o meio social que a impede de melhorar a posição no ranking. É verdade. Noutro meio social o Colégio da Imaculada Conceição teria outros resultados, como teriam as escolas públicas obrigadas a receber todo o tipo de alunos. As mesmas que, de Castelo Branco à Golegã, tiveram melhores resultados que o colégio da Companhia de Jesus, mas cujos docentes e alunos não se livram do estigma criado por uma comunicação social ávida de apresentar as “melhores escolas” e um batalhão de colunistas sempre prontos para louvar o mérito das escolas privadas contra o facilitismo do sistema público.

Nota: o título deste post foi alterado, tornando mais perceptível a sua ligação ao post seguinte.

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