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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Liberalismo Zen

Daniel Oliveira, 16.09.08



"Normalmente os livros sobre economia de mercado, capitalismo, e essas excentricidades, costumam ter uns capítulos sobre a crise e as falências. E há uns, melhores, que até lhe atribuem efeitos regeneradores. Com sofrimetno pelo meio, claro. Mas não se pode defender o capitalismo sem dor. Não existe. Mas, repara, o mundo não acabou depois de 1929. Nem o capitalismo."
Henrique Burnay

Para o Henrique está tudo bem porque o capitalismo é assim mesmo (vem nos livros) e tem sofrimento pelo meio (não de todos, digo eu, que os gestores da Lehman receberam o ano passado quase 5,7 mil milhões de dólares em bónus). Que o Mundo não acabou em 1929. Aliás, tudo o que não acaba com o Mundo é óptimo, que é como quem diz que o que não mata engorda, o que faz de todas as coisas da história, por mais terríveis que nos pareçam, excelentes. Se repararmos bem, o Mundo ainda anda por cá.

A vantagem das teorias teleológicas é que se explicam a si próprias e o confronto com a realidade não as belisca. Nem com a ética. Nem com sofrimento que provocam. Tudo é natural e é só deixar as coisas andar. Claro que ajuda se de vez em vez o Estado bancar o prejuízo para não ruir tudo à volta, mas isso são pormenores.

Anda tudo a discutir como regular os negócios irresponsáveis feitos de esquemas delirantes sem rede, a ver como se controla o monstro. Mas o Henrique, com um sorriso muito zen, dá festinhas à besta e pede para ela rebolar e dar a pata. Tudo terá um final feliz. É só pensar positivo. Definitivamente, a religião é um alívio.

O Henrique manda os outros ler uns livros. E eu faço-lhe uma proposta: pouse por uns minutos o seu (o cemitério está cheio de manuais de teroria política e económica da moda de cada momento), saia à rua e leia o jornal. Há um Mundo lá fora. E o dia não está bonito.

Só espero que o Henrique não defenda a privatização da segurança social para ser jogada no casino. Não é embirração com o privado. É só porque se a coisa correr mal não vou ter grande disposição para ouvir as suas explicações sobre a naturalidade do meu infortúnio.

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