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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Arrastão dos comentadores: Orwell

Arrastão, 27.05.10
Texto de José Manuel Faria



Há muitos anos atrás um velho marquês, ultraconservador e de mente perversa, aproveita-se duma jovem inocente e (…), (letra dos Mão morta).

Desde que o Homem se conhece, duma forma ou de outra, de posição X a Y, com mais ou menos movimentos, este sempre se foi safando na arte de fazer sexo.

Houve momentos que a mão da Hierarquia social, política, religiosa, económica e cultural do nosso Reino, ordenava contenção. Nessas “alturas” gloriosas confundia-se sexo com reprodução, reprodução com casamento, casamento com posições bem definidas e portanto só se fazia amor – executava-se, pois, o que a Santa Lei fixava -, e se possível, ou melhor, obrigatório um filho, muitos filhos (tratava-se de elemento familiar importante, mais dois braços vinham mesmo a calhar), o casal tinha de estar bem documentado, senão, vinha aí mais um enjeitado.

Idades do domínio do sexo sem prazer feminino, do escondido, do pecado mortal: as insinuações, as brejeirices, o sexo anormal entre dois homens ou entre duas mulheres, andavam de mãos bem entrelaçadas, bem escondidas e não faladas.

No Portugal pós–25, abriu-se um porco cinema, jornal e revista de consequências mortíferas (sida). As perversidades inexistentes brotam como relâmpagos em noites diabólicas – a bestialidade, o sadomasoquismo e pior, o orgasmo múltiplo feminino é elevado a ícone de uma nova Eva.

Estava assim preparado o caldo pornográfico de ataque a um reduto angelical/branco de vestes virginais: a Escola. O lugar sagrado da instrução, do saber contar/ler, da botânica e geografia dos insectos é invadido pela educação sexual informativa quiçá leccionada por amigos/as das crianças. O fim do mundo é para ontem, afirmavam a pés juntos os pais preocupados com as máquinas de látex.

- Parem as máquinas! Gritavam a todo o fôlego os manifestantes agrupados por género e classe social. E não é que pararam mesmo!

Mais uma promessa furada, esta do ano da Graça de 1984, o ano da previsão tornada realidade pelo vigilante de Orwell.

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