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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Vamos explicar-lhes, a bem ou a mal, como devem ser livres, que elas sozinhas, coitadas, não percebem: para começar, escolhemos a vossa roupa, pobres ignorantes.

Daniel Oliveira, 30.01.10
"Haverá mulheres que as usam [o véu integral] livremente? Sim, umas porque não conhecem alternativa e outras porque são soldados conscientes do islamismo integrista. Às primeiras, devemos explicar que na Europa as mulheres são livres e iguais em direitos aos homens."

Melhor ainda: "Serão realmente livres as mulheres que usam o véu? Serão realmente mulheres que tomam a pílula, vão para casa e põem os maridos a lavar a louça, que os metem em tribunal quando eles as violentam? Mulheres que têm relações sexuais antes ou até «ao lado» do matrimónio? E, se assim é, porque será que sentem necessidade de usar a burca?"

O Ricardo Alves já tem todo um programa para a liberdade das mulheres. É só perguntarem-lhe e seguirem o guião. Ele sabe o que elas devem ser. A opinião de cada uma delas? Julgam que são o quê para decidirem se só querem fazer sexo depois e dentro do casamento? Para decidirem que não tomam a pílula? Para decidirem que lavam a louça? Para decidirem, veja-se lá, que na cozinha só elas é que entram? Liberdade, tudo bem. Mas vontade própria? Não queremos mulheres livres. Queremos mulheres como as que gostamos. E só essas. E se não for assim fazemos queixa à DECO.

A violência doméstica é, como é evidente, outra coisa. Apenas porque não aceitamos o direito de ninguém espancar ninguém, seja homem ou mulher. Já o direito a não tomar a pílula, enrrolar-se quando querem e com quem querem e até de serem insuportavelmente conservadoras, se não é constitucional devia ser.´

Através do Jugular, este excelente post da Segunda Língua: "Malak Hifni Nassef (1886 - 1918), feminista egípcia, dizia a propósito do livro “Emancipação da Mulher” de Qasim Amin, que se no passado o homem as mandava cobrir o rosto, elas cobriam-no e se agora as mandava descobri-lo, elas descobriam-no, afirmando de seguida que se não havia dúvidas que ele tinha errado contra elas diminuindo os seus direitos no passado, errava agora também diminuindo os seus direitos no presente. A decisão de tirar ou pôr nunca era delas." A questão é saber, digo agora eu, se para lutar contra um símbolo de subjugação da mulher estamos dispostos a subjugar a sua vontade. Se para combater o símbolo repetimos o que ele simboliza.

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