Sexta-feira, 28 de Maio de 2010
por Arrastão
Texto de A.R.A



Somos o resultado actual do nosso passado recente e ao relembrar-mos estes 36 anos de democracia, facilmente nos deparamos com a resistencia militante de todos os sectores da sociedade à mudança, muito por culpa, é certo, de uma crise constante bem mais velha do que a nossa propria democracia mas da qual, tal o habito comodo da situação em não querer mudarmos as coisas, até já ganhamos uma certa afinidade sentimental com a propria palavra "crise".

Mas a grande mudança, a tal que me leva a escrever estas toscas palavras, é aquela que acontecerá quando a Esquerda Nacional se deixar de fraticidios no depurar ideologico e assumir tambem a sua quota de responsabilidade na constante rotatividade centralizada do poder e fazer um Mea Culpa na velha maxima perversamente invertida «Dividir para ... perder» que desmobiliza por completo qualquer intenção de esperança no cidadão que anseia verdadeiramente por uma mudança de fundo no aparelho governativo deste país.

Já houve, é certo, alguns esboços de uma possivel aproximação das esquerdas mas o resultado demonstrou que estamos com mais de 30 anos de atraso na construção de uma frente unida na luta comum e enquanto perdurar esta incessante fricção contra-producente que se perde nos promenores, jamais nos poderemos orgulhar de pertencer-mos a uma Esquerda util a lutar em pról do povo enquanto cada partido se fechar em si e enveredar pela inconsequencia romantica em gritar palavras de ordem contra um muro que cada vez engorda mais a custa, também, do péssimo trabalho de uma Esquerda cada vez mais Dextra que se vai perdendo em «fait divers» acusatorios de quem é que cedeu mais aos caprichos da Direita.

O melhor exemplo do que falo, são os constantes candidatos de esquerda que povoam o universo eleitoral para as presidenciais.

Deixo à discussão a minha pessoal visão do nosso Modus Operandi governativo: A Direita age sem pensar e a Esquerda pensa sem agir, ou melhor, a Direita estagnou no principio e a Esquerda insiste em começar pelo fim.

por Arrastão
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55 comentários:
da Maia
Caro ARA

O problema principal da nossa Esquerda é a opacidade de funcionamento dos seus aparelhos partidários, que contrasta com o que se passa à direita.
O povo deve escolher o primeiro-ministro... pois, mas e quem é que escolhe o representante partidário que é nomeado?
São os partidos pela sua prática interna... é esse espelho da democracia que querem?
- Acha que isso não tem influência?

Estou à vontade, pois sou militante convicto do partido que detém a maioria nacional - os que não têm partido fixo! Não acredito em nenhum, mas já "botei" em quase todos... e sem achar que perdi nenhuma coerência!
Os partidos são agências de poder, facilmente manipuláveis por interesses, que ora são minúsculos (as cunhas de emprego), ora são maiúsculos (as comendas, as parcerias privadas, os concursos públicos, etc...).
Até nem fogem muito ao sistema monárquico, temos um Barão Negro, um Conde Vermelho, uns Duques Rosa, uns Duques Laranja, e um Visconde Azul, por isso o panorama só se afasta da monarquia constitucional do Séc. XIX porque há menor alternância no poder.
O que me irrita na esquerda é o centralismo estatal, é a ideia de que será o Estado que sabe o que será bom para os cidadãos.
Mas o que é esse Estado iluminado, senão um grupo de políticos apagados ou fundidos?
É o Estado que diz que o pão não pode ter mais de X % de sal, é o Estado que torna quase criminoso um fumador, é o Estado que diz que as maçãs têm que ter um formato standard, é o Estado que quis proibir produtos regionais seculares, enfim...
É aquela ideia de fazer leis assumindo que todo o cidadão é um potencial criminoso, em vez de punir os prevaricadores.
Quando mexem com a minha liberdade de escolha, seja ela qual for, mexem comigo...
Deixem os cidadãos respirar, não se metam mais na vida deles... mas não, a esquerda nisso é pior, tem aquela mania que sabe sempre o que é bom para nós, e que todo o povo é burro congénito!
Nisso não se evoluiu muito desde o Salazar...

Abraço,
da Maia

(*) crédito: cafc

deixado a 28/5/10 às 19:15
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A.R.A
RUI F

É exactamente esse o caminho comum - do trabalho, da ética, da inovação e progresso, da justiça social – que todos os partidos da Esquerda começam por trilhar apenas derivando, em determinado ponto do percurso, por atalhos que estes acreditam ser o mais razoavel para se chegar a um mesmo destino.

Quanto ao fundamental que enumeras, a questão que invocas do «Quem cede o quê» é, novamente, o tentar começar pelo fim, pois, aqui o que se procura inicialmente são pontos de convergencia onde a semelhança dos principios ideologicos sejam uma corrente forte o suficiente que nos una num só proposito.

Mas as cedencias são naturalmente algo que, como em qualquer relação que se queira duradoura, terão de existir de parte a parte e o «Onde» será naqueles promenores que não ponham em risco autenticidade dos principios unificadores mas que invabilizam um entendimento por mera figura de estilo identitaria.

Uma Esquerda Unida não significa o fim dos partidos (a luz dos nefastos resultados de tal por essa Europa), associações de cidadania, sindicatos e outros, pois só entendendo como necessaria essa diversidade é que poderemos almejar um verdadeiro progresso e se para a maioria tal parece utopico, lembro que, nestas presidenciais que se avizinham, um unico candidato capaz de representar verdadeiramente as esquerdas era um passo de gigante para o inicio do fim deste tabú sem sentido pratico.

Portanto, sendo esse o proposito do meu post, lanço-te um desafio para a discussão acerca, 2º teu ponto de vista, do que falta para que haja uma concertação das esquerdas ou para a viabilidade de uma possivel coligação, seja ela de forma autarquica, lesgislativa ou presidencial.

Aquele Abraço
A.R.A

deixado a 28/5/10 às 18:58
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Manuel Monteiro
A.R.A. estimado camarada
E estamos nisto: esquerda, esquerda, PC, PS, BE...
Para esse peditório não dou, mas se essa esquerda for para a rua para a luta, para revolução, lá estarei, apesar da idade, que já pesa...
MM

deixado a 28/5/10 às 18:57
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A.R.A
CAFC

Sem duvida que a teimosia é uma das nossas melhores "qualidades" ;) e espero que tambem tu contribuas com a tua inigualavel participação acerca, 2º teu ponto de vista, do que falta para que haja uma concertação das esquerdas ou para a viabilidade de uma possivel coligação, seja ela de forma autarquica, lesgislativa ou presidencial.

E porque somos uns indisciplinados a nivel de filiação partidaria mas não renegamos aos nossos princípios ideológicos, só assim, de modo livre e descomplexado poderemos falar abertamente do que mais aproxima as esquerdas e como fazer essa identidade funcionar de modo unissono em função do nosso povo.

O assunto é serio mas pode ser levado como um exercicio ao estilo de um "brainstorm" rubro com uma boa dose vanguardista por parte daqueles que quiserem retirar desta tertulia algo de proficuo.

Eu dou o mote:
- Já não me lembro o que é tanto separa as esquerdas!

Aquele Abraço
A.R.A

deixado a 28/5/10 às 19:16
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LAM
Geralmente estas discussões sobre a esquerda, ou "as esquerdas", acabam a discutir a sobremesa antes mesmo de alguém ter provado a sopa.

O comentário acima do Bolota é disso exemplo: um comentário lúcido, estruturado e bem argumentado, mas que já vai na sobremesa, a discutir fórmulas de organização social, qualquer uma delas a milhas à frente da nossa vivência actual, da situação do nosso país e de quem o habita. Tenho para mim que esse é o tipo de discurso a evitar, não só porque não faz avançar um palmo que seja as possibilidades de congregação de vontades entre as esquerdas com vista a algo melhor (estamos longe, muito longe, de discutir o "céu"), como pode dividir, e isso é mau, quem quer algo de diferente, mesmo às vezes não sabendo bem o quê, o que também é legítimo.
Excluindo as meras divagações académico/filosófico/políticas tão ao gosto de alguns nichos, que sintomaticamente andam em círculos concêntrico/depressivos, não estamos em tempos de dispensar seja quem for, com argumentos de quem é mais ou menos social-democrata ou mais revolucionário, num exercício de medição de pilinhas de todo dispensável.

A esquerda, quem é de esquerda (mais "sueco" ou menos "cubano"), tem muito por onde se unir, tem muitos pontos em comum que urge cada vez mais juntar. O A.R.A. diz isto muito bem. Abraço.

deixado a 28/5/10 às 19:38
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Não desanime.

Hoje a esquerda uniu-se PS mais PCP mais BE e presumo que os Verdes por Fora e Vermelhos Por Dentro também e votou pela continuação do TGV que vai fazer de Portugal um país moderno e rico.
Amanhã, não se percebe porquê, o PCP e o BE vão para a rua gritar contra o PS.
Ora isto faz um grande confusão pelo menos à minha cabeça.

No domingo o PS e o BE voltam a unir-se na candidatura de Manuel Alegre.
E então é que ninguém vai perceber.
Percebido?

deixado a 28/5/10 às 19:44
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Lisboeta
Em vez de um discurso falacioso, seja concreto e diga-me/nos lá quais os partidos que poderiam / deveriam fazer parte dessa frente de Esquerda. Ou será que não consegue ir para além da falácia ?!

deixado a 28/5/10 às 14:38
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A Direita até pensa muito antes de agir, para o que lhe convém ;)

deixado a 28/5/10 às 14:41
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Este texto merece uma abordagem séria, por isso mesmo peço antecipadamente desculpa ao A.R.A. mas não resisto a uma piada fácil.

O outro já tinha apontado o caminho; "it takes two to tango". Siga a banda!


nota: repito, isto quer mais seriedade, mas com tanta austeridade no pêlo eu já "'tou que nem posso".

deixado a 28/5/10 às 14:44
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Antonio Cunha
Amigo ARA, em primeiro lugar uma pequena provocação. Ainda só temos 34 anos e meio de democracia. Lá para Novembro faremos 35.

Dito isto a esquerda e a direita parecem muitas vezes a relações de amizade entre homens e mulheres.

Os Homens representam a direita, fazem amizade facilmente e raramente se dão mal. Quando se chateiam aquilo passa logo.

As Mulheres representam a esquerda. Sempre com tricas entre elas e é bastante comum ouvir dizer às mulheres que preferem trabalhar com homens do que com mulheres.

Saudações Benfiquistas

deixado a 28/5/10 às 15:01
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