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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Quatro exigências em troca do TGV

Daniel Oliveira, 05.05.10


O governo tem negociado tudo com a sua direita. Pela primeira vez, no caso do TGV, só pode contar com os partidos à sua esquerda para travar o chumbo proposto pelo CDS. E neste momento Bloco de Esquerda e PCP deveriam fazer exigências para viabilizar as intenções de José Sócrates. Não para se porem em bicos de pés, mas para garantirem que a aprovação deste investimento não é um cheque em branco que em vez de ajudar a economia terá o efeito oposto. Aqui ficam quatro exigências que me parecem fazer sentido:

1 - Que o investimento em Alta Velocidade não implique um ainda maior desinvestimento na restante rede ferroviárias nacional. Ou seja, que haja um reforço no investimento nas linhas em funcionamento e nas muitas que foram desactivadas desde Cavaco Silva até hoje. O investimento na rede ferroviária garante o desenvolvimento do interior e reduz a nossa dependência energética. É um investimento que nos fará poupar dinheiro.

2 - Que a exploração das linhas ferroviárias tradicionais continuará a ser pública e que o "filet mignon" não será, como de costume, entregue aos privados enquanto o Estado trata do que é deficitário.

3 - Que se tentará garantir que o investimento no TGV não resultará num aumento do desequilíbrio da nossa balança comercial. Se toda a tecnologia for importada a construção do TGV não terá qualquer efeito a curto prazo na nossa economia. Está chegada a hora de deixarmos de ser os anjinhos da Europa.

4 - Que apenas será feita a linha até Madrid, suspendendo sem prazo o resto da rede de alta velocidade. O objectivo do TGV é ligar-nos à rede europeia e não criar uma rede nacional de alta velocidade, que é desnecessária desnecessária. O que seria gasto na linha para norte deve ser investido na finalização da modernização da linha Lisboa/Porto para que o pendular seja aproveitado em todas as suas potencialidades. É um absurdo gastar uma fortuna para ganhar uns minutos de viagem.

O Bloco de Esquerda e o PCP têm a oportunidade de determinar políticas no que é realmente relevante para o País. Era bom que o fizessem.

Publicado no Expresso Online.

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