Quinta-feira, 27 de Maio de 2010
por Daniel Oliveira


São enormes as expectativas dos migrantes chineses que chegam das aldeias a Shenzhen, para trabalhar na fábrica da Foxconn, onde são produzidos os iPhones. Mas parece que é grande a desilusão. O trabalho é repetitivo e longo, a fazer lembrar os tempos Modernos de Chaplin. Diz um estudioso que conhece a fábrica: "A rapidez é muita e não se pode abrandar, pelo menos durante dez horas. Percebe-se que alguém possa ficar dormente e se transforme numa máquina". São pelo menos 60 horas semanais, mas há relatos de muitos trabalhadores a fazerem horas extraordinárias para aumentar o salário de 106 euros. Precisavam de alguns meses para comprar um iPhone.

Resultado:
[Error: Irreparable invalid markup ('<a [...] http://jornal.publico.pt/noticia/27-05-2010/fabricante-do-iphone-na-china-enfrenta-vaga-de-suicidios-19487598.htm">') in entry. Owner must fix manually. Raw contents below.]

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São enormes as expectativas dos migrantes chineses que chegam das aldeias a Shenzhen, para trabalhar na fábrica da Foxconn, onde são produzidos os iPhones. Mas parece que é grande a desilusão. O trabalho é repetitivo e longo, a fazer lembrar os tempos Modernos de Chaplin. Diz um estudioso que conhece a fábrica: <a href="http://jornal.publico.pt/noticia/27-05-2010/fabricante-do-iphone-na-china-enfrenta-vaga-de-suicidios-19487598.htm">"A rapidez é muita e não se pode abrandar, pelo menos durante dez horas. Percebe-se que alguém possa ficar dormente e se transforme numa máquina"</a>. São pelo menos 60 horas semanais, mas há relatos de muitos trabalhadores a fazerem horas extraordinárias para aumentar o salário de 106 euros. Precisavam de alguns meses para comprar um iPhone.

Resultado:<a href=""http://jornal.publico.pt/noticia/27-05-2010/fabricante-do-iphone-na-china-enfrenta-vaga-de-suicidios-19487598.htm"> já houve nove suicídios desde o princípio do ano</a>. Os jornais de Hong Kong garantem que a empresa está a pedir aos funcionários para assinarem documentos a garantir que não se vão suicidar, informação que é desmentida pela própria.

A má publicidade que resulta destas notícias obrigou a uma reacção. Melhores condições de trabalho? Redução de jornada de trabalho? Aumento do salário? Ou seja: reduzir o fosso entre o que os jovens trabalhadores esperavam e o que têm? Não, que dinheiro é dinheiro.

A Foxconn optou por chamar monges budistas para afastar maus espíritos, contratar dois mil psicólogos, cantores e bailarinos, abrir uma linha telefónica de ajuda, criar um centro de libertação de stress onde os operários podem esmurrar a fotografia do superior e erguer, junto aos dormitórios dos 400 mil operários, redes para tentar travar as quedas. E mostrou o seu serviço aos jornalistas.

A dimensão destas fábricas, as condições em que nelas se trabalha, a forma de produzir e os efeitos que a passagem de uma economia de subsistência para a industrialização de trabalho intensivo são uma viagem no tempo. Não há monges e bailarinos, para consumidor europeu e americano saber, que resolvam isto.

A verdade é que competimos com o passado. O crescimento da China vive deste hiato de tempo. Cresceu, mas, em muitos casos, ainda vive no século XIX. E o passado atira-se da janela porque não aguenta, como os nossos antepassados não aguentavam, ver-se transformado numa máquina. Os nossos operários organizaram-se e exigiram mais. A ditadura trata de garantir que em vez da greve os seus operários escolham a morte. Adocicada por linhas de apoio e terapias contra o stress. Para não chocar demasiado as almas sensíveis do Ocidente.

<strong>Publicado no <a href="http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?button=Voltar&p=stories&op=view&fokey=ex.stories%2F585183">Expresso Online</a></strong>

por Daniel Oliveira
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46 comentários:
E no entanto o ocidente, que muito se preocupa, continua a garantir este estado de coisas por causa de algo que se chama consciência social, ou, melhor dizendo, a falta dela.

Quando as pessoas deixarem de comprar os produtos que se sabe serem feitos na China sob a mais execrável escravatura, talvez as marcas questionem o que poderão fazer para mudar isto.

É que as deslocalizações devem-se àquilo a que eufemisticamente se chama de baixos custos de produção - ou seja, miséria e exploração - mas essa baixa de custos não é revertida no preço dos produtos, pois não? Ou seja, contribuímos para os fabulosos lucros das marcas sem que os trabalhadores chineses ganhem com isso.

E porquê? Porque já ninguém sobrevive sem o último gadget. Porreiro, pá!

deixado a 27/5/10 às 11:39
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E, como a História nunca se repete de forma igual...

deixado a 27/5/10 às 11:39
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nuvens de fumo
Como se compete com isto ?

deixado a 27/5/10 às 11:39
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[...] This post was mentioned on Twitter by Arrastão, Rede TubarãoEsquilo. Rede TubarãoEsquilo said: iPast: São enormes as expectativas dos migrantes chineses que chegam das aldeias a Shenzhen, para trabalhar na fáb... http://bit.ly/acHbgf [...]

deixado a 27/5/10 às 11:44
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Claro, não se compra mais produtos chineses. E volta-se à China onde milhares de pessoas morriam à fome.

O caminho é este, as marcas serem obrigadas a darem melhores condições aos trabalhadores na Ásia nem que seja por uma questão de imagem.

deixado a 27/5/10 às 12:10
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José, estou farta de ouvir esse argumento e continuo não convencida pelo que vejo e leio.

E não espere que as marcas façam alguma coisa sem a nossa pressão, porque, como dizem os brasileiros, "estão nem aí"!

deixado a 27/5/10 às 12:28
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"Não, que dinheiro é dinheiro.
A Foxconn optou por chamar monges budistas para afastar maus espíritos, contratar dois mil psicólogos, cantores e bailarinos, abrir uma linha telefónica de ajuda,"

Desculpe lá Daniel, mesmo com mão de obra barata, essa gente toda custa dinheiro.

Nove suicídios em 400 mil pessoas em 5 meses, não sei se dá uma taxa mais alta de suicídios do que acontece na população portuguesa adulta na sua globalidade.

As condições são péssimas, mas a globalização mesmo assim contribui para uma melhoria, na maior parte da vezes.

Falo isto de experiência: muitos colegas meus são indianos e trabalham na Índia. Estreitaram, relativamente a salários e condições de vida, muito o fosso que tinham connosco, Ocidente.
Eles no entanto têm uma vantagem relativamente aos trabalhadores que referiu:
são muito mais qualificados.

Mas também é um sinal que esses países apostam cada vez mais na qualificação e isso obriga a melhores condições dos trabalhadores.
Não tens a mesma produtividade intelectual se estiveres a ser chicoteado.

É um processo lento, mas a direcção está certa, apesar de muitos erros no caminho.

E digo isto sendo dos maiores prejudicados com esta abertura. O meu trabalho já foi muito mais remunerado sem a concorrência de centenas de milhares de indianos e chineses altamente qualificados.

deixado a 27/5/10 às 12:29
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hermínio
Então e o mais importante não se refere? Que esse modo de produção está a ser sustentado pelo consumo ocidental?

deixado a 27/5/10 às 12:30
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Quando as consciências modernas acordarem e classificarem o que é essencial para a sobrevivência, voltarão à terra cansada de mastigar o que não pode…

deixado a 27/5/10 às 12:31
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"Nove suicídios em 400 mil pessoas em 5 meses, não sei se dá uma taxa mais alta de suicídios do que acontece na população portuguesa adulta na sua globalidade"

Duvido mesmo muito que tenha havido 200 sucidios nos últimos cinco meses em Portugal E o "duvido" é uma simpatia.

deixado a 27/5/10 às 12:33
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