align=center>
A ministra da Educação considera “escandaloso” número de docentes com funções sindicais. Talvez tenha razão. Mas gostava de saber se a ministra não acha «escandaloso» o número de professores que trabalham, requisitados, no seu Ministério, em funções não docentes.
Não defendo, nunca defendi aqui nem em qualquer lado, a corporação dos professores. Acho que os sindicatos dos professores têm, demasiadas vezes, posições conservadoras e pouco solidárias com alunos e pais. Acho que o discurso sindical tem substituído, à esquerda, o discurso sobre a escola. Sobretudo sobre a escola pública, que é o que me interessa. O discurso sindical é legítimo, mas nada tem a ver com a política de educação. Nem a substitui. Se para melhorar a escola pública os professores tiverem de perder alguma coisa a posição justa da esquerda é bater-se, antes de mais, pela escola pública.
Mas este estilo da ministra, que procura sempre nos outros as responsabilidades pela situação actual do ensino, começa já a ser um pouco cansativo e demasiado parecido com o de ministros do passado que nada deixaram de relevante. Começa a cheirar desculpa. O problema da política da educação tem sido falta de política. O resto é acessório e vem por arrasto.
E esta ministra, tem uma política de educação? Que soluções tem para a estabilização do corpo docente e para a situação intolerável de escolas que mudam todos os anos de professores? Que soluções tem para a deficiente formação pedagógica dos professores? Que soluções tem para a má qualidade dos programas curriculares? Que soluções tem para o preço inacreditável dos manuais escolares? Que soluções tem para o abandono escolar? Que soluções tem para o desperdício financeiro no seu ministério?
Também esta ministra se parece cada vez com uma ministra dos professores, mesmo que seja contra eles, e cada vez menos com uma ministra da Educação.