Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Arrastão: Os suspeitos do costume.

Relatório do DocLisboa

Daniel Oliveira, 24.10.06
Tenho ido ao DocLisboa. Ainda melhor do que nos outros anos. Aqui vai o relatório do que vi até agora:

align=center>
“Wadi Grand Canyon”, do israelita Amos Gitai. Um casal árabe resiste numa barraca numa ilha que resta da inundação de empreendimentos imobiliários. Yussef e a sua mulher guardam ali um outro tempo. Podia ser em algumas zonas de Lisboa.

align=center>
“Living on the River Agano”, do japonês Makoto Satô, não é assim tão diferente. Um povo que vive em torno de um rio contaminado por descargas de mercúrio feitas, no passado, pela Showa Electric Company. Tomados pela doença, mantêm vivo um passado condenado.

align=center>
“Things”, uma curta da checa Martha Hrubá, segue o caminho dos objectos que largamos e que outros aproveitam, em que uns largam tudo e outros não podem ver perder-se nada.

align=center>
“As the Sun Begins to Set”, um delicioso documentário de Julie Moggan sobre os velhos de classe-média que embarcam no Queen Elizabeth II para experimentarem o ambiente aristocrático que lhes é estranho. Uma das poucas vezes em que vejo velhos serem tratados sem condescendência ou infantilização. Simpáticos, interessantes ou pretensiosos, como qualquer pessoa.

align=center>
“Makom, Avoda”, de Nurith Aviv, é um excelente retrato de Israel. Duas aldeias na linha verde. Como os israelitas contratavam os “seus primos” árabes e estabeleciam com eles laços. Depois do início da nova Intifida, a pequena aldeia agrícola cooperativa israelita deixou de os contratar, apesar da oposição de alguns dos seus membros e recorreu ao trabalho de tailandeses. Um dos lavradores protesta: para além dos árabes “terem a agricultura no sangue” e serem excelentes trabalhadores, o único caminho para a paz é eles terem trabalho e ganharem alguma coisa com a riqueza israelita. Não por acaso, quem o diz é um judeu de origem árabe. As relações de afecto entre palestinianos e israelitas, os conflitos e a falta de esperança no futuro dos dois, aliada à luta pela sobrevivência dos tailandeses – que não fazem a mínima ideia do que ali se passa – é um óptimo retrato do confronto e convivência cultural que inflama tantos debates.

align=center>
“Nosotros, los de Allá”, de duas jovens realizadoras suecas, é talvez o melhor documentário que vi no DocLisboa. Turistas visitam minas bolivianas onde se trabalha como há um século. O responsável do turismo exulta e os visitantes também: uma experiência diferente e uma industria de entretenimento construída em torno da miséria. Os turistas dizem que querem viver coisas reais com pessoas reais e que assim valorizam o que têm. Os mineiros – que não ganham, com este negócio, mais do que uns refrescos oferecidos pelos visitantes – não parecem entender o que quer ver esta gente. A indignação dos turistas com as condições degradantes de trabalho dos mineiros é como um desporto radical.

Quem tem ido, que escreva aqui as suas opiniões sobre estes e outros filmes do DocLisboa.

No primeiro

Daniel Oliveira, 23.10.06
align=center>
Numa co-produção do "Inimigo Público" e do "Eixo do Mal", a que o Arrastão se associa, está aberta a eleição para o pior português de sempre. O meu voto, como já disse, vai para o primeiro: Afonso Henriques. Toca a votar aqui ou aqui.

O fim dos jornais

Daniel Oliveira, 23.10.06
Com Vicente Jorge Silva e Gustavo Cardoso falam com Pedro Mexia e este vosso criado sobre o fim dos jornais. É na quarta-feira, dia 25 de Outubro, às 18.30, no Jardim de Iverno do São Luiz, em Lisboa. O regresso do "É a Cultura, estúpido!". Modera Nuno Artur Silva. Anabela Mota Ribeiro e José Mário Silva fazem o relatório do mês.

Governo acha-se inaceitável

Daniel Oliveira, 19.10.06
Depois da reacção ao anúncio de aumento da electricidade e das declarações imbecis de um dos seus membros, o governo disse que um aumento de 15 por cento definido pela Entidade Reguladora é “inaceitável” e anunciou aumentos de oito por cento. Uma pergunta: se é assim, porque ainda está no seu lugar o secretário de Estado que defendeu este aumento?

Depois do IVA, as SCUT

Daniel Oliveira, 19.10.06