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Arrastão: Os suspeitos do costume.

What?

Daniel Oliveira, 01.03.07



Depois do recordar as bandas sonoras dos filmes das nossas vidas, fica aqui este magnifico vídeo de Jarratt Moody, reproduzindo um dos diálogos do "Pulp Fiction", cheio de tesouros: Jules (Samuel L. Jackson) faz mais um dos seus serviços. Aquele que o levará à conversão e ao bom caminho. Logo depois de um interessante e acalorado debate sobre as implicações éticas de uma massagem e sobre o choque de civilizações entre franceses e americanos na abordagem ao fast food.

Blasfémias bissextos

Daniel Oliveira, 01.03.07
Parabéns ao Blasfémias pelo aniversário a que não tem direito, pois nasceu num ano ano bissexto. É sempre bom ver ultra-hiper-neo-liberais (bem sei que alguns só o são quando a Santa Madre Igreja autoriza) a escrever à borla há tanto tempo. Que contem mais uns anitos, porque fizeram um blogue muito catita.

Obama, um tipo decente

Daniel Oliveira, 01.03.07


Vi outro dia uma entrevista a Barak Obama. Perguntaram-lhe se se arrependia de ter consumido cocaína na juventude. A resposta foi imediata: não. Que isso não devia fazer qualquer diferença. Que não quer ser julgado pelo seu passado. Que não poderá ser isso que que o levará ou não até à Casa Branca. Que é o que propõe para o seu mandato é que tem de interessar aos eleitores. Tão óbvio que nem devia espantar. Mas num país que se habituou a medir as virtudes intimas para eleger os seus lideres (o que parece ser cada vez mais comum também na Europa) a frase é reveladora: temos homem.

Obama, ao contrário de Hillary Clinton, teve a coragem de se opor à guerra do Iraque, logo em 2002, quando muito poucos democratas se atreveram a tanto. Ainda hoje, é dos mais claros a falar sobre o assunto. Obama assume sem medo todas as bandeiras que juntam liberais e democratas de "esquerda" (o conceito é pouco rigoroso quando se fala dos EUA) e no entanto não está disponível para se limitar a dar apenas algum colorido às primárias do Partido Democrata. Parece ter o carisma que tem faltado a todos os candidatos democratas desde Clinton. E Obama tem uma enorme vantagem: quer ganhar sendo a antítese de Bush.

Obama usará todos os chavões em que acredita: um patriotismo quase infantil e um fé inabalável nos valores americanos, que já são pouco mais do que retórica. Mas espero que seja o que parece ser: um tipo sério, com convicções, que defende as liberdade cívicas, o primado da diplomacia nas relações internacionais e um Estado social mínimo. Em Hillary, que quanto mais se aproxima do ano das eleições mais politicamente desinteressante se torna, duvido que os americanos encontrem igual sinceridade e convicção. Quanto aos republicanos, mesmo que fosse Giuliani - tolerante nos costumes mas apreciador do poder com "mão de ferro" -, sabem bem o que encontrarão: pouco melhor do que tiveram nos últimos trágicos seis anos.

Aqui em baixo fica o discurso de Obama à Convenção Democrata, em 2004. O mesmo estilo naïf que conhecemos destas ocasiões, cheias de música e confetes e vazias de política. Mas, no caso dele, a política estava lá. Coisa rara. E era um democrata a falar claro e obrigar a plateia a ouvir e a acreditar nele. Coisa única. Com este puto magrinho com um nome estranho, talvez os democratas desta vez tenham um candidato que não seja apenas o que não é republicano.

Obama, um tipo decente

Daniel Oliveira, 01.03.07


Vi outro dia uma entrevista a Barak Obama. Perguntaram-lhe se se arrependia de ter consumido cocaína na juventude. A resposta foi imediata: não. Que isso não devia fazer qualquer diferença. Que não quer ser julgado pelo seu passado. Que não poderá ser isso que que o levará ou não até à Casa Branca. Que é o que propõe para o seu mandato é que tem de interessar aos eleitores. Tão óbvio que nem devia espantar. Mas num país que se habituou a medir as virtudes intimas para eleger os seus lideres (o que parece ser cada vez mais comum também na Europa) a frase é reveladora: temos homem.

Obama, ao contrário de Hillary Clinton, teve a coragem de se opor à guerra do Iraque, logo em 2002, quando muito poucos democratas se atreveram a tanto. Ainda hoje, é dos mais claros a falar sobre o assunto. Obama assume sem medo todas as bandeiras que juntam liberais e democratas de "esquerda" (o conceito é pouco rigoroso quando se fala dos EUA) e no entanto não está disponível para se limitar a dar apenas algum colorido às primárias do Partido Democrata. Parece ter o carisma que tem faltado a todos os candidatos democratas desde Clinton. E Obama tem uma enorme vantagem: quer ganhar sendo a antítese de Bush.

Obama usará todos os chavões em que acredita: um patriotismo quase infantil e um fé inabalável nos valores americanos, que já são pouco mais do que retórica. Mas espero que seja o que parece ser: um tipo sério, com convicções, que defende as liberdade cívicas, o primado da diplomacia nas relações internacionais e um Estado social mínimo. Em Hillary, que quanto mais se aproxima do ano das eleições mais politicamente desinteressante se torna, duvido que os americanos encontrem igual sinceridade e convicção. Quanto aos republicanos, mesmo que fosse Giuliani - tolerante nos costumes mas apreciador do poder com "mão de ferro" -, sabem bem o que encontrarão: pouco melhor do que tiveram nos últimos trágicos seis anos.

Aqui em baixo fica o discurso de Obama à Convenção Democrata, em 2004. O mesmo estilo naïf que conhecemos destas ocasiões, cheias de música e confetes e vazias de política. Mas, no caso dele, a política estava lá. Coisa rara. E era um democrata a falar claro e obrigar a plateia a ouvir e a acreditar nele. Coisa única. Com este puto magrinho com um nome estranho, talvez os democratas desta vez tenham um candidato que não seja apenas o que não é republicano.

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