Quarta-feira, 15 de Agosto de 2007
por Daniel Oliveira
Hoje no Iraque voltou a bater-se um recorde.: num atentado morreram 200 pessoas.
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Terça-feira, 14 de Agosto de 2007
por Daniel Oliveira



Aplicável a Portugal sem adaptações.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Karl Rove, o principal conselheiro de Bush, abandonou a Casa Branca. A pandilha que tomou de assalto a Casa Branca depois de ter perdido as eleições de 2001 começa a arrumar os tarecos para partir. A pior Administração norte-americana de sempre não deixa saudades. Ou talvez deixe. Aos humoristas.

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Segunda-feira, 13 de Agosto de 2007
por Daniel Oliveira
A vinda de Robert Mugabe a Portugal para a reunião entre a União Europeia e a União Africana, em Dezembro, está a causar indignação. Não deixo de me espantar com a selectividade. Como bem recordou Durão Barroso, a Europa relaciona-se com ditadores de todo o mundo, sem que tal pareça incomodar especialmente seja quem for. Se reúne com uma organização africana, é de esperar que seja ela a decidir a composição da sua delegação. Sócrates e Barroso terão a oportunidade de dizer ao senhor Mugabe que talvez não seja má ideia reformar-se e deixar em paz os seus opositores. Duvido que o façam e tenho pena. Mas os seus direitos acabam aqui. Mais do que isso seria uma falta de respeito, não por Mugabe, que não o merece, mas por todos os africanos que, mal ou bem, saberão tratar de si.

Esta reacção revela hipocrisia, oportunismo e paternalismo. Hipocrisia, porque quem aceita que a Europa vá armando todas as sangrias e tratando dos negócios de todos os ditadores africanos mostra-se agora melindrado. Oportunismo, porque no meio de todos os crimes de Mugabe é os que cometeu contra os brancos que incomodam. Paternalismo, porque este episódio só podia acontecer quando está em causa uma reunião com as nações africanas. Os europeus mantêm alguns tiques coloniais. Julgam ter um qualquer ascendente moral sobre os africanos. Se quisessem combater a miséria africana teriam alguma ética nos seus negócios. Mas, por favor, poupem-nos aos números dramáticos de pai adoptivo.
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por Daniel Oliveira
As duas principais obras de Yamasaki acabaram reduzidas a pó. O complexo habitacional de Pruitte-Igoe, uma autêntica cidade para trinta mil almas, em Saint-Louis, foi inicialmente pensado para ter uma parte reservada para brancos e outra para negros. Só que o Supremo Tribunal proibiu a segregação. Os brancos, que não queriam misturas, debandaram. Os negros de classe média também. Quando empreiteiros e poder político perceberam quem por ali ficaria trataram de poupar. Pruitte-Igoe tornou-se uma tal catástrofe social que foi implodida vinte anos depois da sua construção. O arquitecto Minoru Yamasaki só se redimiu deste fracasso quando foram inauguradas as suas Torres Gémeas, em Nova Iorque. Inspirou-se nas mesquitas que vira na Arábia Saudita e no Irão. Ao procurar fazer a Meca do mercado, a síntese entre o Ocidente e o Oriente, Yamasaki não sabia como a sua obra se tornaria um símbolo do confronto entre estes dois mundos. Também ela acabaria em ruínas.

É sobre as consequências involuntárias de cada acto do homem, no caso do criador, que trata 'O Arquitecto', um livro de Rui Tavares. Mas esta peça de teatro, quase toda centrada numa conversa entre Yamasaki e um político falhado do Sul, seu amigo, fez-me pensar noutra questão: a relação entre criação e a vida política colectiva. A democracia repousa na racionalidade, no consenso e na cedência. A negação de qualquer ideia de genialidade. E se as consequências da criação são uma lotaria, a arquitectura deveria limitar-se a entregar à comunidade ideias inacabadas e com todos os espaços de fuga. Porque a genialidade é uma forma de tirania.
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Depois deste inquérito sobre quem deveria ser o meu candidato à presidência dos Estados Unidos, fiz outro, a que cheguei via Zero de Conduta, que me pareceu melhor pensado, e os resultados foram um pouco diferentes. Aqui, o meu candidato é mesmo Barak Obama, seguido de muitíssimo perto de Dennis Kucinich. Hillary Clinton, a minha embirração democrata nestas primárias, aparece em 8º.

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por Daniel Oliveira



O blogue do Miguel Vale de Almeida está no ar desde 2003. O que quer dizer que no tempo blogosférico ele é um ancião. A primeira aparição foi no dia 13 de Maio. Ainda antes da explosão da blogosfera o Miguel já tinha uma página onde “postava” os seus textos. O Miguel já escreveu no “Público”, mas acabou por sair do jornal que há tantos anos nos brinda com as reflexões Laurinda Alves. Felizmente há a blogosfera.

Quando a boçalidade dá estatuto e o conservadorismo mais alarve promete iluminar as trevas, o Miguel é politicamente correcto, a coisa mais politicamente incorrecta que hoje se pode ser. Vale a pena ler o Miguel, porque escreve e pensa bem, e porque ele é de uma esquerda que por cá não há e de um activismo que cá não se usa. O Miguel é militante por natureza, é livre e individualista por feitio. Infelizmente abandonou o partido que ajudou a fundar. Disse um dia uma coisa que se parecia com isto: serei da ala direita desta esquerda, espero que não prefiram a ala esquerda da direita. Felizmente não abandonou mais nada. Porque eu não prefiro.

Os Tempos que Correm é o blogue da semana.


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Domingo, 12 de Agosto de 2007
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PSD e CDS são os partidos que no Parlamento mais votam favoravelmente, com o PS, as propostas do governo.
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Sábado, 11 de Agosto de 2007
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Sexta-feira, 10 de Agosto de 2007
por Daniel Oliveira
Faça este teste e descubra quem é o seu candidato à Presidência dos Estados Unidos.

O meu candidato seria Dennis Kucinich, em segundo Mike Gravel, em terceiro Barak Obama, seguido de Hillary Clinton e depois John Edwards. A prova que os inquéritos não chegam. Por mim, aqui fico, do outro lado do Atlântico, a torcer por Obama. Porque a política não se fica pelo programa.
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A família McCann era excelente e todos a queriam ajudar.
Agora a família McCann é péssima e todos a querem condenar.

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Quinta-feira, 9 de Agosto de 2007
por Daniel Oliveira
Tenho defendido que, perante um governo que se tem limitado a continuar o programa definido por Durão Barroso, o Bloco de Esquerda deve ter como principal estratégia entrar no eleitorado mais à esquerda do PS e ocupar o espaço político que os socialistas historicamente se têm recusado a assumir como seu.

Perante isto, a possibilidade de qualquer entendimento de poder com o PS de Sócrates seria hoje uma absoluta irresponsabilidade e até traição política. Não é nem nunca foi um debate no Bloco. São conjecturas de jornalistas num mês sem notícias.

Tenho defendido também que perante o “consenso” neo-liberal, uma esquerda que queira ser mais do que um mero escape do sistema que absorve e perde, ciclicamente, o protesto e a frustração, tem de ocupar o espaço que vai da esquerda mais radical à esquerda reformista mais consequente. Tal objectivo exige mais do que esperar pelo desespero do eleitorado. Sabendo que é a falta de alternativas de poder à esquerda que garante a rotatividade ao centro, o BE tem a obrigação de demonstrar que as suas propostas são realizáveis e que tem capacidade para assumir responsabilidades.

Como considero que Lisboa merece mais do que ser apenas uma antecâmara do poder nacional, penso que este é o lugar indicado para o BE tentar provar a bondade das suas propostas, aplicando-as. O acordo assinado, como foi assinalado por muita gente, é bom para o candidato apoiado pelo Bloco. Todas as condições que pôs em campanha eleitoral (e que extraordinariamente há quem pareça esquecer-se agora) ficaram garantidas. Fora delas, José Sá Fernandes mantém total liberdade de voto. Ocupa um pelouro onde tem propostas concretas, programa e conhecimento.

Há quem considere que este acordo fragiliza o BE na sua oposição ao governo. Não é a percepção que tenho sentido fora da militância do Bloco, que me parece compreender muito bem a diferença de planos como, aliás, no passado compreendeu em relação a outros partidos. Claro que é mais difícil quando se opta por não pôr tudo ao serviço da táctica eleitoral imediata. É mais difícil mas geralmente chega-se mais longe. Enquanto o Bloco não passar pelo teste de cargos executivos terá muita dificuldade em ser visto como mais do que um partido de propaganda e em provar ao eleitorado da esquerda do PS, que tem de conquistar para si, que pode fazer a diferença na política portuguesa. A esse eleitorado não chega o discurso ideológico e a oposição firme. Que se comece no poder autárquico, mais próximo dos cidadãos, e em Lisboa, com dimensão e massa crítica suficientes para que as alternativas políticas sejam claras, parece-me uma excelente oportunidade que seria infantil recusar.

Junta-se a isto um pequeno pormenor. Sá Fernandes pôs condições, antes das eleições, para assumir um pelouro. Garantidas essas condições a sua recusa só poderia ser lida de uma forma: para além do BE não assumir os seus compromissos eleitorais, toda a disponibilidade para aplicar o programa que propõe aos eleitores passaria a ser lida, e bem, como uma falsa promessa. A partir desse momento ninguém mais acreditaria na seriedade das propostas programáticas do Bloco. Só poderiam ser ouvidas como mera retórica sem consequências.

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Quarta-feira, 8 de Agosto de 2007
por Daniel Oliveira


Defendem um ataque ao Irão e a expansão territorial de Israel. São cristãos evangélicos, os Christians United for Israel, e esperam o regresso de Cristo a Jerusalém depois da batalha do Armagedão. Os infiéis terão de se converter. Um grupo de fanáticos que nada representa? Tom Delay, ex-líder da maioria republicana no Congresso, e Joe Liberman, ex-candidato democrata, participam nas suas iniciativas.
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por Daniel Oliveira
Um comentário de um leitor de um blogue merece uma reportagem na Fox News com direito a teoria política. A televisão que tem servido a agenda do homem que comprou Wall Street Journal. Lá, os jornalistas fazem greve pela sua independência. Aqui fazem abaixo-assinados em que, entre justas reivindicações, incluem o combate a uma lei anti-concentração.


Via Zero de Conduta


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Terça-feira, 7 de Agosto de 2007
por Daniel Oliveira
Há uma semana que o Pedro Correia defende que o acordo em Lisboa pode ser um prenuncio para um acordo nacional. É aliás curioso como o início da sua notícia é quase igual ao seu post. Como tem a certeza disso faltava transformar a sua opinião, sempre legítima, numa notícia. Como conheço bem o BE e não conheço ninguém que ponha tal possibilidade, gostava que o Pedro Correia me ajudasse a contacta-las. Só para ver se as consigo convencer que estão erradas. As que cita, essas, sei que não defendem a posição que que o Pedro Correia acha estar nas suas cabeças. E basta ler a notícia, mesmo com a selecção milimétrica das citações, para saber isso. Aliás, os citados com blogue já desmentiram. Por isso, o título da notícia devia ser: "Pedro Correia está convencido que o BE quer fazer um acordo com o PS". Ou nas melhor das hipóteses: "Pedro Correia acredita que pode haver um acordo entre o BE e o PS mas não arranjou quem o confirmasse".

O "Público" faz da opinião da "Política Operária" sobre o acordo de Lisboa uma notícia. Começou a Silly Season.

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Dia 5 de Agosto. Cheguei ao Aeroporto de Lisboa. Era meia-noite. Cheirava mal. Milhares de pessoas esperavam por malas. Os tapetes todos parados. Muita gente, que já tinha recolhido a sua bagagem mas as malas amontoavam-se no chão porque não havia carrinhos. Chegado de um dos aeroportos de Istambul, imaginei o que pensaria um turco acabado de chegar: «se a Europa é isto talvez seja melhor ficar fora dela».

Não me venham dizer que isto prova que falta um novo aeroporto. Isto prova apenas que adoramos fazer grandes investimentos, mas falhamos nos mais pequenos: ter pessoal suficiente para o início de Agosto, quando o aeroporto se enche, ter uma organização eficiente e, já agora, ter carrinhos para a bagagem, uma coisa mais simples de conseguir do que um aeroporto com duas pistas.

Confesso que apesar de ser pouco dado a sentimentos patrióticos, não consegui deixar de sentir uma certa vergonha ao olhar para os turistas incrédulos.

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Apoiantes do AKP festejam em Izmir, bastião do CHP (foto minha)

Acabei por não escrever aqui nada sobre os resultados das eleições turcas, depois de ter publicado algumas fotografias de campanha. Aqui vai, com 15 dias de atraso.

Depois de mais uma pressão do exército, os pós-islamistas de centro-direita não só venceram as eleições como reforçaram o seu peso eleitoral. Este facto é um passo importante a caminho da normalização democrática da Turquia. Numa república nascida da mão de ferro de Ataturk, com um secularismo com traços totalitários e anti-liberais, uma língua escrita inventada na cabeça de engenheiros da cultura, imposições políticas sobre o vestuário e os hábitos individuais, tudo isto imposto por um exército que foi ditando as regras e pondo e depondo governos, a recondução do AKP é uma boa notícia para a democratização turca.

Se é verdade que os direitos das mulheres na Turquia só têm paralelo islâmico (e mesmo assim distante) com algumas ditaduras laicas muçulmanas, é preciso ter em conta que são direitos aparentes. 70% das mulheres não trabalham e até estas últimas eleições a representação feminina no Parlamento era de 4 por cento. Ou seja, os direitos das mulheres são um luxo da elite porque apenas para a elite o cento-esquerda do CHP (o grande derrotado destas eleições) e os outros partidos nacionalistas foram governando.

A vitória do AKP, por mais que me custe dize-lo (já que em matéria económica têm um programa neo-liberal de privatizações) foi também uma boa notícia para a economia turca. Porque não basta ter um programa económico de esquerda. Se ele for incompetente, de pouco serve. Os números do desemprego, crescimento e redução drástica da inflação para valores minimamente aceitáveis deixam pouco espaço para debate. O AKP representa uma nova elite económica, vinda da Antólia profunda e descomprometida com a velha oligarquia turca. Mais inovadores e menos instalados.

A vitória do AKP é uma boa notícia para a Europa. Não deixa de ser extraordinário que seja o partido pós-islamista o mais europeista de todos os partidos turcos e quem iniciou as negociações para uma adesão sempre adiada pela Europa e na qual, infelizmente, os turcos já nem acreditam. E é pena. A possibilidade de integração na Europa (da qual a Turquia deveria fazer parte por pleno direito) foi um dos grandes motores para as reformas políticas e o grande travão às ingerências anti-democráticas dos militares. Mas o AKP faz o pleno: ao mesmo tempo que se abre à Europa não teme as relações com os seus vizinhos árabes, que tanto assustam o nacionalismo turco.

Por fim, foi uma excelente notícia para o povo curdo. A república turca foi construida tendo como base ideológica o kemalismo (os seguidores de Mustafa Kemal Ataturk - “ataturk” que dizer “pai da Turquia”), um nacionalismo de traços fascizantes, quase supremacista, que esmagou diferenças culturais, misturado com uma ocidentalização forçada. Não deixa de ser perturbante como o fundador seja ainda inquestiobnado na Turquia, um país em que a história foi reescrita como em qualquer ditadura. Onde falar de Curdistão ou referir o genocídio arménio continua a ser um pecado mortal. Ao contrário do CHP (de centro-esquerda) e o MHP (de extrema-direita), o AKP tem como principal identidade a religião e não qualquer traço étnico. Poderão dizer que é pior a emenda que o o soneto. Acontece que nela cabe mais gente e cabem os curdos, que são um quinto da população. Em vez da mão de ferro, o governo de Erdogan tem usado do investimento e da sedução para impedir o separatismo. Enquanto a extrema-direita do MHP (que também teve um excelente resultado nestas eleições) fez da necessidade de esmagar a guerrilha curda e de entrar no Curdistão iraquiano em força o seu mote de campanha, o AKP tem mantido uma política mais moderada e prudente no conflito.

Outro vencedor destas eleições foi o DSP (que inclui curdos e o Partido da Liberdade e Solidariedade, membro do Partido da Esquerda Europeia), que elegeu 23 deputados em listas independentes (para contornar a barreira dos 10%), grande parte deles curdos. Serão um elemento fundamental no novo xadrez político da Turquia.

O AKP deverá finalmente eleger o Presidente da República. O CHP tem boicotado tal possibilidade, abandonando o Parlamento e impedindo a existência de quórum, já que, por uma qualquer razão inexplicável, considera que o lugar não pode ser ocupado por aqueles que venceram as eleições.

Por fim, a vitória do AKP é uma excelente notícia para o Médio Oriente. Prova que o islamismo pode sofrer uma transformação democrática e evoluir para qualquer coisa de semelhante com a democracia-cristã europeia (se retirarmos o programa económico liberal). Longe deles, não deixo de me satisfazer com o facto de respeitarem as regras da democracia e da liberdade. Claro que há preocupações a ter em conta. Num país onde o aborto é legal há décadas, onde a homossexualidade é aceite nos grandes centros urbanos como Istambul, onde pelo menos na lei as mulheres têm direitos adquiridos que são gozados pela elite, o conservadorismo do AKP é assunto sério. A memória do Irão tira o sono a muitos turcos e é compreensível. O exemplo está demasiado próximo. Mas a realidade e as circunstâncias são demasiado diferentes.

Por isso, vale a pena não dramatizar. Existe na Turquia uma classe média pujante que dificilmente deixará que se recue em direitos adquiridos. E, para lá de todos os fantasmas que a oposição tenta vender ao Ocidente, o AKP não tocou em nenhum deles. Nem sequer em matérias que espero que venha a alterar, como o direito das mulheres que chegam à faculdade usarem o lenço que é comum nas classes mais baixas (60% das mulheres usam). Esta interdição, mais do que proteger os direitos das mulheres, é uma demonstração do autismo da elite e do autoristarismo do poder que foi governando a Turquia com a ajuda dos militares.

Se a Europa der os sinais necessários, estou convencido que depois da transformação dos islamistas serão os nacionalistas a aceitarem as regras democráticas. Está nas nossas mãos.

Noutro post falarei da minha viagem à Turquia para lá da política. Sobretudo de um lugar que me deixou esmagado: a Capadócia.


por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Enquanto estava na Turquia o Arrastão chegou ao meio milhão de visitantes. Tem hoje 508 mil visitantes e 830 mil páginas vistas. Obrigado a todos. Não deixa é de ser curioso que isso tenha acontecido quando o blogue não era actualizado há mais de uma semana e quando as visitas nunca foram tão poucas. Provavelmente é um sinal.

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Segunda-feira, 6 de Agosto de 2007
por Daniel Oliveira
Aqui, o que escrevi no Expresso sobre o acordo entre António Costa e Sá Fernandes:

«Quando apoio um partido não espero um mundo novo. Basta-me concordar com o seu programa e acreditar que o vai tentar cumprir. E nada como começar pela minha rua para saber se valeu a pena. Por isso, quando voto espero que o meu voto seja usado para o que serve: o exercício do poder. Se é impossível, fica-se na oposição. Se é possível, assumem-se responsabilidades. No meu caso, quero que o partido em que votei use o meu voto para fazer oposição ao péssimo Governo que temos, porque mais do que isso é impossível. E, em Lisboa, quero que comece a cumprir pelo menos uma parte do programa que apresentou, porque isso parece ser possível. Como sempre achei que as eleições de Lisboa não eram as primárias das próximas legislativas, porque sou lisboeta e porque o poder não me enoja, fiquei contente com o acordo entre Sá Fernandes e António Costa.

O partido que ajudei a fundar dá agora um enorme salto político. Numa cidade com a importância de Lisboa, um candidato por ele apoiado será testado no poder. Com alguma sorte e muito trabalho mudará alguma coisa concreta na vida de pessoas concretas. Para a próxima, em vez de votos descontentes terá, se merecer, alguns votos de contentamento. Bem sei que para quem procura a pureza na política será uma desilusão. Só que a pureza está destinada aos santos. E Deus nos livre dos santos da política. Ou são inúteis ou são perigosos.»

Aqui fica, em PDF, o acordo celebrado entre José Sá Fernandes e António Costa.

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por Daniel Oliveira



O Ivan Nunes tinha A Praia e eu costumava lá ir molhar os pés. O Ivan é o Ivan. Escreve bem que se farta, pensa bem que se farta e destila veneno quando quer (e às vezes quando não quer). Conheço o Ivan há tantos anos que até já me esqueci. Tudo o que na escrita, na política e no resto fiz com o Ivan foi sempre com a certeza absoluta que ele era demasiado inteligente. Saiu da blogosfera quase sem dar notícia. Voltou da mesma maneira. O blogue chama-se Ex-Ivan Nunes, o que tem muito mais graça do que parece. "Um semi-blog do artista anteriormente conhecido como Ivan Nunes". É o blogue da semana, claro. A imagem que está no canto direito fui eu que escolhi, porque o Ivan não teve a exigência do ex-ivan no grafismo do seu blogue. É Ivan, o Terrível. Ou Ivan, o Teguível.


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por Daniel Oliveira
Cheguei finalmente de três inesquecíveis semanas na Turquia. Prometo, depois de arrumar as coisas, dar-vos conta do que vi. E falar de alguns assuntos que por aqui aconteceram, como o acordo em Lisboa com Sá Fernandes e António Costa e mais uma purga na cultura, com o afastamento de uma pessoa competente, como é costume quando os ministros são medíocres. Volto já e desculpem lá esta longa pausa, sem posts nem comentários aprovados.

por Daniel Oliveira
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Sábado, 4 de Agosto de 2007
por Daniel Oliveira
Longe da Ibéria, só agora me chegam novas da polémica em torno da edição de um jornal humorístico espanhol que teve o desplante de representar os príncipes das Astúrias em cenas pouco aristocráticas mas fundamentais para a descendência. Brincava o jornal com o facto de, pagando o Governo de Zapatero por cada rebento pátrio, o aspirante a monarca ter finalmente qualquer coisa que se assemelhasse a um emprego. Um tribunal achou que a coisa ofendia um símbolo pátrio e mandou confiscar o jornal.

O caso causou indignação entre alguns colunistas desta república vizinha. Andam desatentos. Diz o Código Penal português que brincadeiras com a bandeira ou com o hino dão pena de prisão até 2 anos. Todos nos indignamos muito com as censuras alheias, sejam para defender príncipes ou Maomé, mas achamos normal que a prisão esteja destinada a quem resolva ultrajar um bocado de pano ou uma canção. E, no entanto, não deveria haver nada de mais natural do que a liberdade de qualquer cidadão expressar o seu desprezo pelos símbolos de uma nação que não escolheu. Porque nenhuma bandeira pode querer valer mais do que a liberdade. Aqui está um caso em que tiro respeitosamente o chapéu aos Estados Unidos da América. É o único país que conheço em que a bandeira nacional pode ser queimada, pisada e maltratada sem castigo. Isso sim, é uma bandeira que se dá ao respeito.

4 de Ago de 2007

por Daniel Oliveira
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Quando apoio um partido não espero um mundo novo. Basta-me concordar com o seu programa e acreditar que o vai tentar cumprir. E nada como começar pela minha rua para saber se valeu a pena. Por isso, quando voto espero que o meu voto seja usado para o que serve: o exercício do poder. Se é impossível, fica-se na oposição. Se é possível, assumem-se responsabilidades. No meu caso, quero que o partido em que votei use o meu voto para fazer oposição ao péssimo Governo que temos, porque mais do que isso é impossível. E, em Lisboa, quero que comece a cumprir pelo menos uma parte do programa que apresentou, porque isso parece ser possível. Como sempre achei que as eleições de Lisboa não eram as primárias das próximas legislativas, porque sou lisboeta e porque o poder não me enoja, fiquei contente com o acordo entre Sá Fernandes e António Costa.

O partido que ajudei a fundar dá agora um enorme salto político. Numa cidade com a importância de Lisboa, um candidato por ele apoiado será testado no poder. Com alguma sorte e muito trabalho mudará alguma coisa concreta na vida de pessoas concretas. Para a próxima, em vez de votos descontentes terá, se merecer, alguns votos de contentamento. Bem sei que para quem procura a pureza na política será uma desilusão. Só que a pureza está destinada aos santos. E Deus nos livre dos santos da política. Ou são inúteis ou são perigosos.

4 de Ago de 2007
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