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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Minto para lhe chamar mentiroso

Daniel Oliveira, 29.05.08
Vi hoje Sócrates a chamar de mentiroso Francisco Louçã quando este afirmou que João Proença andava a explicar o Código de Trabalho aos militantes do PS. Disse Sócrates: «deve haver regras e seriedade no debate político. E a primeira regra é não dizer mentiras. Não dizer mentiras. Está enganado: João Proença não anda a fazer sessões pelo Partido Socialista explicando o código laboral. O que o senhor disse é uma mentira.» Aqui está a mentira. De facto, Proença não anda com Sócrates a explicar o Código Laboral. Anda com Vieira da Silva a fazer sessões pelo Partido Socialista explicando o código laboral, com quem depois negoceia enquanto secretário-geral da UGT.

PS: Não percebi a referência ao caso Fernanda Câncio, já esquecido e enterrado. Mas ainda percebi menos a reacção do PS, já que a farpa era para o PSD.

PS2: Renato Sampaio diz que também foi organizado um debate com Carvalho da Silva. Era este esclarecimento que Sócrates deveria ter dado (que não veio em notícia nenhuma) em vez de começar por desmentir um facto verdadeiro e a chamar de mentiroso a quem o referia. Falta esclarecer se a notícia que referi corresponde a um debate ou a uma sessão de esclarecimento. Porque a notícia em causa não fala de debate nenhum, mas de uma série de sessões para explicar o Código Laboral em que João Proença terá participado. E Santos Silva garantiu, no Parlamento, que João Proença não esteve lá como secretário-geral da UGT. Então? Entendam-se.

Apelo

Daniel Oliveira, 29.05.08


O 25 de Abril e o 1º de Maio de 1974 ficaram para sempre associados ao imaginário da liberdade e da democracia. Continuam a ser uma referência e uma inspiração. Trinta e quatro anos volvidos, apesar do muito que Portugal mudou, o ambiente não é propriamente de festa. Novas e gritantes desigualdades, cerca de dois milhões de portugueses em risco de pobreza, aumento do desemprego e da precariedade, deficiências em serviços públicos essenciais, como na saúde e na educação. Os rendimentos dos 20 por cento que têm mais são sete vezes superiores aos dos 20 por cento que têm menos.

A corrupção e a promiscuidade entre diferentes poderes criaram no país um clima de suspeição que mina a confiança no Estado democrático.

Numa democracia moderna, os direitos políticos são inseparáveis dos direitos sociais. Se estes recuam, a democracia fica diminuída. O grande défice português é o défice social, um défice de confiança e de esperança.

O compromisso do 25 de Abril exige que se restaurem as metas sociais consagradas na Constituição da República. E exige também uma crescente cidadania contra a insegurança, contra as desigualdades, por mais e melhor democracia.

Não podemos, por outro lado, ignorar a persistência de uma política de agressão, bem como as repetidas violações do direito internacional e dos direitos humanos. Bagdad, Abu-Ghraib e Guantánamo são os novos símbolos da vergonha. Não se constrói a paz com a guerra. Nem se defende a democracia pondo em causa os seus princípios. E por isso, hoje como ontem, é preciso lutar pelos valores da Paz e pelos Direitos Humanos.

Não nos resignamos perante as dificuldades. Como escreveu Miguel Torga – “Temos nas nossas mãos / o terrível poder de recusar.” Mas também o poder de afirmar e de dar vida à democracia.
Os que nos juntamos neste apelo, vindos de sensibilidades e experiências diferentes, partilhamos os valores essenciais da esquerda em nome dessa exigência. É tempo de buscar os diálogos abertos e o sentido de responsabilidade democrática que têm de se impor contra o pensamento único, a injustiça e a desigualdade.

Manuel Alegre - deputado e escritor/Isabel Allegro Magalhães - professora universitária/José Soeiro deputado/Abílio Hernandez - professor universitário/Acácio Alferes - engenheiro/Albano Silva - professor/Albino Bárbara - funcionário público/Alexandre Azevedo Pinto - economista, docente universitário/Alfredo Assunção - general, militar de Abril/Alípio Melo - médico/Ana Aleixo - médica/Ana Luísa Amaral - escritora/António Manuel Ribeiro – músico/António Marçal - sindicalista/António Neto Brandão - advogado/António Nóvoa - professor universitário/António Travanca – professor universitário/Augusto Valente - major general, militar de Abril/Camilo Mortágua/Carlos Alegria – médico/Carlos Brito - ex-deputado/Carlos Cunha - engenheiro/Carlos Sá Furtado - professor universitário/Carolina Tito de Morais - médica/Carreira Marques - ex-autarca/Cipriano Justo - médico/Cláudio Torres - arqueólogo/David Ferreira - editor/Dinis Cortes - médico/Edmundo Pedro - ex-deputado/Eduardo Milheiro - empresário/Elísio Estanque - professor universitário/Ernesto Rodrigues - escritor/Eunice Castro - sindicalista/Fátima Grácio - dirigente associativa/Francisco Fanhais - músico e professor/Francisco Louçã - deputado/Francisco Simões - escultor/Helena Roseta - arquitecta, autarca/Henrique de Melo - empresário/João Correia - advogado/João Cutileiro - escultor/João Semedo - deputado e médico/João Teixeira Lopes - professor universitário/Joaquim Sarmento - advogado, ex-deputado/Jorge Bateira - professor universitário/Jorge Leite - professor universitário/Jorge Silva - médico/José Aranda da Silva - ex-Bastonário Farmacêuticos/José Emílio Viana - dirigente associativo/José Faria e Costa - professor universitário/José Leitão - advogado, ex-deputado/José Luís Cardoso - advogado, militar de Abril/José Manuel Mendes - escritor/José Manuel Pureza - professor universitário/José Neves - fundador do PS/José Reis - professor universitário/Luís Fazenda - deputado/Luís Moita - professor universitário/Luisa Feijó - tradutora/Mafalda Durão Ferreira - reformada da função pública/Manuel Correia Fernandes - arquitecto, professor universitário/Manuel Grilo - sindicalista/Manuel Sá Couto - professor/Manuela Júdice - bibliotecária/Manuela Neto - professora universitária/Margarida Lagarto - pintora/Maria do Rosário Gama - professora/Maria José Gama - dirigente associativa/Mariana Aiveca - sindicalista/Natércia Maia - professora/Nélson de Matos - editor/Nuno Cruz David - professor universitário/Pacman - músico/Paula Marques - produtora/Paulo Fidalgo - médico/Paulo Sucena - professor/Pio Abreu - psiquiatra/Richard Zimmler - escritor/Rui Mendes - actor/Teresa Mendes - reformada da função pública/Teresa Portugal - deputada/Ulisses Garrido - sindicalista/Valter Diogo - funcionário público aposentado/Vasco Pereira da Costa – escritor, director regional da cultura

Quando começa o naufrágio fogem os ratos

Daniel Oliveira, 29.05.08



«Durante todo o Verão de 2002, os conselheiros de Bush orquestraram a campanha para vender a guerra agressivamente».
«Bush e os seus conselheiros confundiram a sua campanha de propaganda política com o alto nível de honestidade que é tão fundamental para construir e sustentar o apoio do público em tempo de guerra».
«Esse era o modo de operação: nunca explicar, nunca pedir desculpa, nunca recuar. Infelizmente, essa estratégia tinha outras repercussões: nunca reflectir, nunca reconsiderar, nunca encontrar compromissos. Especialmente no que dizia respeito ao Iraque»
What Happened: Inside the Bush White House and Washington"s Culture of Deception
Scott McClellan, antigo porta-voz da Casa Branca

Os quatro

Daniel Oliveira, 28.05.08

Não conheço bem a militância do PSD e ela habituou-nos a muitas surpresas. Pode ser que entre os militantes funcionem coisas diferentes do que funciona com o resto país. Ainda assim, custa-me perceber a avaliação feita pelos comentadores que ouvi na SIC Notícias, que consideraram Patinha Antão e Santana Lopes vencedores do debate.

Sim, talvez Patinha Antão tenha brilhado com as suas propostas económicas. Dizer uns números funciona sempre, sobretudo se as pessoas não fizerem a mais pálida ideia do que se está a falar. E ajuda ainda mais se não conhecerem o deputado. Quem sabe quem é Patinha Antão tem alguma dificuldade em leva-lo a sério. Isto apesar de na sua equipa ter alguns veteranos. Até lá está um morto. De resto, esteve demasiado indignado com Manuela Ferreira Leite, sobretudo tendo em conta que ela quase não esteve no debate. Não se trata uma senhora por "a senhora, a senhora". Mas isto sou eu, que sou um beto. Acabou a apoiar Passos Coelho.

Será que ainda funciona o choradinho de Santana Lopes, que finge que o estão a atacar mesmo quando ninguém lhe está a ligar pevide? É possível. No PSD tudo é possível. Espremido, espremido, nem uma opinião sobre coisa nenhuma, o que, sendo Santana Lopes, até foi uma boa estratégia. Só mesmo as pequenas querelas internas o parecem entusiasmar. Ficámos a saber que o PSD é uma família. Aquela que uma vez deixou o seu filho estroina sozinho em casa a tomar conta do país.

Passos Coelho esteve apagado. O rapaz tem boa figura. Só duvido que o filão do jovem liberal esteja a pegar. Definitivamente, quando as modas chegam aqui à província já estão a passar de moda lá no estrangeiro. Ainda assim, continuo a achar que o ideal para o PSD era mesmo este líder vazio. Depois enche-se com alguma coisa. E ele está à altura da tarefa de candidato insuflável. Apesar de tudo, os ataques a Ferreira Leite foram educados e tiveram algum conteúdo. Mais chá do que Patinha. Um betinho como eu, portanto.

Ferreira Leite não disse realmente nada. E por isso, como sempre, conseguiu manter o seu ar respeitável de ministra competente que mandou apertar o cinto mas deixou um défice generoso e acha que nunca ninguém vai ter o topete de o recordar. Tem uma falta de jeito assinalável para tudo o que envolva televisão. Tão assinalável que joga a favor dela, porque lhe dá um toque de sinceridade. Mas é bom que o PSD se prepare: seria esmagada, sem dó nem piedade, por José Sócrates. Na verdade, quase foi esmagada por Patinha Antão, o que é um feito histórico. E por favor: nunca mais lhe perguntem o que é a social-democracia. Com Ferreira Leite é mais finanças. E mesmo isso...

O melhor do debate: não estava lá Manuela Moura Guedes.

Sous les pavés, la plage [29]

Daniel Oliveira, 28.05.08

29 de Maio: A manifestação convocada pela CGT reúne 500.000 pessoas em Paris. De Gaulle adia o Conselho de Ministros, criando pânico no próprio governo, e desaparece (saído do palácio do Eliseu às 11.15, só chega à sua casa de Colombey-les-deux-Eglises por volta das 18.30) – deslocara-se em segredo à base francesa de Baden Baden, para obter o apoio militar do general Massu, comandante das tropas francesas na Alemanha. Pierre Mendès-France afirma estar disponível para assumir a chefia de um governo provisório. [Jacques Massu, general para-quedista, conhecido pelo emprego sistemático da tortura durante a guerra da Argélia.]
Fonte

Os mortos


Pierre Beylot e Gilles Tautin



Jan Palach


Martin Luther King


Bob Kennedy


Che Guevara