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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Bloco central

Daniel Oliveira, 19.06.08

Fala-se cada vez mais, incluindo nas fileiras do PSD, de uma solução de Bloco Central para 2009, caso o PS perca a maioria absoluta. O PS cometeria um erro histórico (ainda se lembram de qual foi o resultado da experiência anterior?), libertando ainda mais voto para a sua esquerda. Para o Bloco de Esquerda, especialmente, seria a sorte grande. E as dissensões no PS seriam quase imediatas com efeitos imprevisíveis no xadrez partidário. Também na direita esta opção seria uma excelente notícia para os liberais de retórica, que podiam finalmente ganhar algum espaço.

Mas, tirando a hecatombe eleitoral para os dois partidos do centro, seria uma saudável clarificação política. De facto, há poucas razões, para além da lógica da alternância, para Sócrates e Ferreira Leite estarem em barcos diferentes. Na Europa, nas finanças, na economia, nas leis laborais, na segurança social e até na política internacional (sobre a qual nenhum deles tem qualquer opinião) a sintonia é quase absoluta.

Europa: um grande centro de detenção

Daniel Oliveira, 18.06.08
O Parlamento Europeu acaba de aprovar a "directiva do retorno" que alarga o prazo de detenção de imigrantes sem papéis para 18 meses (um ano e meio). A favor de várias emendas que fariam esta directiva, impulsionada por Sarkozy e Berlusconi, voltar à estaca zero votou a esquerda unitária, os verdes e a maioria dos socialistas. Não chegaram. A Europa contra os direitos cívicos venceu.

Longa espera

Daniel Oliveira, 18.06.08


Depois do Supremo Tribunal da Califórnia ter, há um mês, declarado inconstitucionais as leis estaduais que proíbem o casamento entre pessoas do mesmo sexo, começaram, na segunda-feira, as primeiras cerimónias. Del Martin, com 87 anos, e Phyllis Lyon, de 83, que vivem juntas há 55 anos, puderam finalmente casar-se na Câmara Municipal de São Francisco.

Contas antigas e contas eleitorais

Daniel Oliveira, 18.06.08

O PSD apresentou a mais absurda moção de censura inventada até hoje: contra um só vereador por causa de uma coisa que foi decidida por outro vereador que foi poupado à censura. E o PCP absteve-se, dando sinais que as suas prioridades são eleitorais.

Os deputados municipais do Bloco vieram em defesa de Sá Fernandes e a concelhia de Lisboa do BE também. Fico muito satisfeito por tal ter sucedido. Como morador do bairro onde tudo está a acontecer e apoiando activamente a luta contra o que se está a fazer na Praça das Flores (quanto mais não seja, para que da próxima se faça diferente), não deixo de saber distinguir a defesa dos direitos dos munícipes de uma mesquinha vingança política.

Esta moção não tem sentido. Nem o que sucedeu justifica uma moção de censura, nem se percebe porque é que a moção se dirige a este vereador em particular. Ou melhor: percebe-se. Mas não tem nada a ver com a Praça das Flores. São contas antigas. As de um tempo em que o PSD tinha, esse sim, uma ideia muito própria do que era o interesse público quando fazia negócios com os terrenos da feira popular e do Parque Mayer. Aí sim, privatizava-se o que era público. E de forma bem pouco clara.

Marcos Perestrelo, vice-presidente da Câmara e responsável pelos espaços públicos, continua protegido no seu gabinete. Parece poder continuar a contar com a ajuda do PSD e do PCP. Mais altos valores se levantam.

Desonestidade e silêncio

Daniel Oliveira, 17.06.08
Como sempre, o PSD, que sobre Lisboa devia esperar uns anos até nos esquecermos do estado calamitoso em que deixou a Câmara, demonstra a sua absoluta desonestidade. Aproveita o caso da Praça das Flores para avançar com uma moção de censura a um dos vereadores (que além de original é estranha, já que não visa o vereador que tomou a decisão) e não ao "governo" da câmara. E pega no caso da praça para logo saltar para o que está projectado para o Jardim da Estrela: um mecenato para obras no parque infantil. O Continente dá um parque infantil no valor de 60 mil e fica com uma placa da empresa. Só isto e nada mais. E se assim for, um bom acordo para a cidade. Pois este banal procedimento (que nunca vi nenhum partido criticar em lado nenhum) é caracterizado assim pelo PSD: «O vereador vai agora privatizar o Jardim da Estrela, entregando-o à conhecida cadeia de hipermercados Continente, mais uma vez prejudicando todos os seus utilizadores em benefício de um poderoso grupo económico» (Público). A falta de honestidade política do PSD de Lisboa não tem limites.

Por mim, mantenho o meu apoio ao vereador que elegi: acho que errou (e de dia para dia mais estou seguro do seu erro) na Praça das Flores. Um erro não chega para lhe retirar o meu apoio e um apoio que não chega para me impedir de lhe apontar os erros. O que não percebo é o silêncio ensurdecedor do meu partido. Deixou de ter um eleito na câmara?

...

Daniel Oliveira, 17.06.08
Tudo o que eu temia sobre a forma como algumas pessoas vivem o Euro e o apoio à selecção ouvi no programa Prós e Contras. Quando o nacionalismo se casa com o futebol o disparate ganha dimensões extraordinárias. Quando quem junta as duas coisas é um vendedor de livros de auto-ajuda o resultado torna-se delirante.

Partidas

Daniel Oliveira, 16.06.08
Vejo muita gente chocada com Scolari, por ele negociar a sua saída da Selecção e ida para o Chelsea a meio do Euro. Devo recordar não é o primeiro a faze-lo. Tivemos outro, com maiores responsabilidades, que, a meio de um campeonato, aceitou um convite estrangeiro mais tentador: chamava-se Durão Barroso. Só que de Durão, sendo primeiro-ministro, esperava-se mais. Ou talvez não.

Caçadores de pecados caçados

Daniel Oliveira, 16.06.08



Os alunos da universidade da cidade de Zanjan, no Irão, exigem a demissão do seu reitor e vice-reitor. O vice é acusado de ter tentado abusar sexualmente de uma aluna. A aluna tinha sido chamada ao gabinete do vice-reitor para responder a acusações do comité de conduta, que vigia as actividades dos alunos na Universidade. Na véspera deste incidente o chefe da polícia de Teerão foi apanhado num bordel e depois libertado. Os protestos prometem continuar e abalar a hipocrisia moralista do regime.

Como de costume

Daniel Oliveira, 16.06.08
As ameaças de alguns líderes europeus à Irlanda são tão anti-democráticas como de costume: ou votam de outra forma e corrigem o "erro" ou desamparam a loja. Façam referendos em todos os países e suspeito que metade dos membros têm de sair da União. Querem ultrapassar a crise sigam o caminho democrático e claro: ou um Parlamento Constituinte ou um tratado que não seja, na realidade, constitucional.