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Arrastão: Os suspeitos do costume.

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Daniel Oliveira, 27.04.09
Anda por aí um debate sobre os colunistas e as suas supostas incompatibilidades. Antes de mais, coisa que muitos leitores desconhecem, os colunistas não são jornalistas. Podem ser, mas escrever opinião não é uma função jornalística.

Um colunista deve evitar usar o seu espaço para promover interesses particulares. Mas o colunista geralmente promove interesses públicos: ideológicos, de classe, de grupo, como entenderem. A ideia de que o colunista deve ser neutro é absurda. Se for neutro, não terá grande interesse para os leitores. Para isso existem as notícias (que, já agora, também não são neutras) e a inteligência dos leitores. O colunista dá um determinado ponto de vista. E, para isso, deve ter um ponto de vista. Uma opinião.

Um colunista que dá opiniões não faz o mesmo que um analista (um especialista). O valor das suas colunas são mesmo mesmo as suas opiniões. Elas podem ser mais ou menos surpreendentes, mais ou menos cínicas, mais ou menos comprometidas, mais ou menos coerentes. Caberá aos leitores ir fazendo a sua avaliação dependendo do que procuram numa coluna.

Dois problemas: quando um colunista tem uma qualquer suposta "incompatibilidade" (por razões profissionais, políticas ou pessoais) ela deve ser pública para que o leitor leia a coluna de opinião tendo todos os dados necessários. Eu, por exemplo, sou militante de um partido. Toda a gente que me lê e me ouve sabe disso. Quero que saibam. Fui jornalista. Muitos do que me lêem também o sabem. A partir, avalia o meu interesse ou desinteresse em cada opinião que dou tendo esse dado em conta. Curiosamente, muitos dos que se insurgem contra os suspostos colunistas "incompatíveis" mantêm imensa reserva sobre outros dados fundamentais da sua vida em reserva: onde trabalham e para quem? São accionistas de alguma empresa e qual? São elementos importantes. Ou não?

O debate que agora tem surgido tem a ver com Fernanda Câncio. Primeira declaração de interesses: sou amigo da Fernanda Câncio. Gosto dela e irrito-me quem, numa atitude maxista e cobarde, a ataca por causa das suas relações pessoais. Segunda, bem pública: tenho de José Sócrates a pior opinião política possível.

Sobre a Fernanda, dizem-se duas coisas. Que, tendo uma relação com Sócrates não deveria escrever, enquanto colunista, sobre política. Sabendo toda a gente que a Fernanda tem uma relação com Sócrates, todos têm os dados necessários para avaliar as suas colunas de opinião. A ser prejudicial para alguém, esta "incompatibilidade" é-o apenas para a Fernanda. As pessoas atribuirão muitas vezes as suas opiniões a razões pessoais quando, provavelmente, quase todas são anteriores a essa relação. Com isso a Fernanda terá de viver. Não vejo é qualquer prejuízo para o leitor. A outra "incompatibilidade" terá a ver com o facto da Fernanda ser jornalista e ser enquanto jornalista que escreve os seus textos de opinião. E, aos jornalistas, pela natureza do seu trabalho, há, de facto, algumas incompatibilidades. Não tantas como se quer fazer querer e provavelmente as mais importantes não são aquelas de que se fala. Mas há. Porque o que um colunista escreve apenas a ele o vincula. O que o jornalista escreve vincula o jornal e, mais importante, até o jornalismo como um todo.

Ainda assim, discordo desta segunda suposta "incompatibilidade". Quando um jornalista escreve opinião não está a fazer jornalismo. Está a dar opiniões. É por isso que não tem de ser "objectivo", não tem de ouvir as duas partes, não tem de seguir nenhuma das regras fundamentais do jornalismo. A questão é por isso saber se é bom para os jornalistas terem colunas de opinião: e neste ponto parece não haver debate. Todos parecem achar que sim. O que não faz sentido é querer transferir para a opinião as incompatibilidades do jornalismo. Porque isso seria dulpamente injusto. Injusto porque teríamos regras diferentes para os colunitsas que não são jornalistas e os que são, quando desenvolvem a mesma actividade. Injusto porque lhes aplicávamos as mesmas incompatibilidades do jornalismo quando não lhes exijimos o cumprimento das mesmas regras. Não faz qualquer sentido.

Quem diz Ministério diz PS. Quem diz aluno da escola pública diz apoiante de Sócrates.

Daniel Oliveira, 27.04.09
Alguém telefonou para a escola do 1º Ciclo de Castelo de Vide. Diziam que falavam em nome do Ministério da Educação. Queriam fazer uma reportagem sobre o Magalhães. Os professores pediram autorização aos pais. Os pais disseram que sim. O resultado está aqui, para surpresa dos pais, num tempo de antena do PS.

Mudam-se os tempos...

Daniel Oliveira, 27.04.09

O Papa

Daniel Oliveira, 27.04.09


Conheço muitas pessoas exigentes na sua vida privada, na sua cidadania e nas suas obrigações profissionais. Gente que não tolera a facilidade, o abuso e a prepotência. Mas muita dessa gente que conheço, por uma razão que me escapa, quando chega ao futebol esquece todos os seus valores e é capaz de defender o indefensável. Em vez de ser um exemplo para os restantes domínios da nossa vida, o desporto transforma-se na exceção onde tudo é aceitável. Foi o que se passou, esta semana, com a canonização quase consensual de Pinto da Costa.

O presidente do Porto transformou-se num símbolo desse gosto tão português por homens autoritários. É uma figura que vive na penumbra e são inúmeros os relatos de abusos de poder que o envolvem. Não tem respeito pelos adversários, pela imprensa, pelas regras. Muitos políticos e aspirantes comem na sua mão, os jornalistas temem a sua fúria e os críticos não o afrontam. Mas lá estão, na vitrina do clube, os títulos, as taças, as glórias. No fim, parece que é tudo o que conta.

Queixamo-nos sempre dessa coisa nebulosa a que chamamos "sistema" e que, pouco a pouco, está a corroer o futebol. Pois se o sistema tem muitos pais e mães, muitos filhos e enteados, tem, como todos sabemos, um papa.

Poucos dirigentes desportivos me merecem respeito, a começar por muitos dos que foram passando pelo meu clube. Não os apresentaria como exemplo para os meus filhos. Mas Pinto da Costa está, por assim dizer, noutro campeonato. Não lhe negando a competência e a inteligência, o elogio consensual que tem merecido preocupa-me. É a prova cabal de que, por um punhado de vitórias, toleramos tudo. No futebol e no resto.

Texto publicado no Record de de sexta-feira

No "Expresso"

Daniel Oliveira, 27.04.09
"Em 35 anos descolonizámos como pudemos, democratizámos como soubemos e desenvolvemos mais do que julgámos. Mas ficámos presos, algures nos anos 80, entre o primeiro e o terceiro mundo. Faltou-nos, continua a faltar-nos, um caminho, líderes que o queiram trilhar e um povo exigente com quem elege. Fizemos o mais difícil. Depois, parece que desistimos."

"Tivéssemos seguido os conselhos dos nossos 'sábios liberais' e a crise teria hoje, para a maioria dos portugueses, uma dimensão apocalíptica. Por isso, quando sairmos deste buraco e os vendedores de milagres arrebitarem, não nos podemos esquecer da Irlanda. No fim, quem paga o preço da aventura é quem menos ganhou com ela."

Ler textos e comentar aqui.

Sorria, você é detido 250º. Obrigado pela sua colaboração.

Daniel Oliveira, 27.04.09

Um mal-estar difuso, não é?

Pedro Sales, 25.04.09


A paciência e a persistência do Nuno Teles para responder à proposta de Vítor Bento para diminuir os salários é meritória, mas quer-me parecer que estamos perante um esforço desnecessário atendendo ao perfil do destinatário do post. Afinal, estamos a falar do mesmo Vítor Bento que, enquanto chamava a atenção para o mal-estar difuso que a SEDES diz marcar a  sociedade portuguesa, foi promovido "por mérito" no Banco de Portugal onde já não punha os pés há oito anos, graças a uma licença sem vencimento que, por lei, estaria limitada a três anos...

Inquérito

Daniel Oliveira, 25.04.09
O inquérito para as europeias encerrou. Houve uma certa insistência de alguns fantasmas para participar na eleição. E eu, ao contrário das almas penadas, tenho mais que fazer. Pena ser neste dia.